domingo, 7 de outubro de 2012

A festa das urnas.

Tão ou mais interessante que prospectar resultados é falar sobre estes quando consolidados. Aliás, manda a prudência que deve-se opinar mais sobre fatos, e menos sobre expectativas.

Vamos primeiro as minhas impressões sobre o cenário nacional:

Prevaleceu o que todos os analistas de bom senso vinham falando há meses: As principais variáveis que determinaram as escolhas dos eleitores foram as questões locais, com ênfase para o desempenho das administrações atuais, ou seja: quem ia bem, se deu bem, com raras exceções.

Ainda não disponho do mapa nacional, embora o TSE tenha estes dados disponíveis aqui, mas tudo indica que o PT e os partidos da base governista tenham avançado em seu número de prefeituras pelo interior, tanto nas disputas já definidas, tantos nas disputas a serem definidas em segundo turno.

Destaque negativo petista no Recife, onde o partido é governo e detinha um prefeito razoavelmente bem avaliado, mas devido a crise interna insolúvel, foi aberto um espaço para o candidato do governador do PSB, Eduardo Campos.

Este nome, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, e o seu PSB, surgem como uma importante força nacional, consolidando um campo de centro-esquerda a fazer contraponto ao PMDB (centrão inclinado para direita), que diminuiu seu espaço nas capitais, com honrosa exceção a capital fluminense, como Eduardo Paes.

Não há dúvidas que em 2018, o PSB projeta seu crescimento para se pleitear um lugar mais relevante no jogo de poder nacional.

O cenário que mobilizou boa parte de público e crítica foi SP, e por todos os motivos, surpreendeu a todos. 
Institutos de pesquisas foram pegos de calças nas mãos, e sequer tiveram tempo de corrigir suas curvas para retratar a movimentação de eleitor, e no fim prevaleceu a histórica polarização entre PT e os demotucanopatas paulistas, com alguns detalhes: 
Na reta final da campanha, duas poderosas máquinas partidárias foram colocadas em serviço: os demotucanopatas junto com a máquina administrativa estadual e municipal, ainda que consideremos o peso da desastrosa administração pessedista, e de outro lado, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, que mostrou porque a direita e o PIG tanto o temem: sacou mais um candidato do bolso de seu colete e o transformou em realidade eleitora, ganhando ou perdendo o segundo turno que se desenhou.

Para o PIG, um capítulo à parte: Ainda não sabemos qual a dimensão exata que a blitzkrieg da cobertura sobre o julgamento da ação 470 no STF teve no resultado e sobre o capital político do PT e do governo, mas é possível adiantar que ele foi mínimo.

Em SP, o PIG não conseguiu nada mais do que garantir a zé çerra a simples manutenção do seu capital histórico, com viés de declínio.

Se considerarmos que o candidato demotucanopata já foi governador do Estado, prefeito da capital, e candidato a presidente por duas vezes, está claro que sua trajetória é declinante, ainda mais com o adversário distante apenas por, aproximadamente, 2 pontos percentuais, até aqui, com 98% das urnas apuradas, onde temos 30.9% dos votos para o çerra e 28.9% para Haddad.


Em Campos, São João da Barra e na capital.


Na capital do estado, não há dúvidas: Eduardo Paes, mais do que varrer do mapa político da capital as duas forças representadas pelos seus caciques, césar maia e garotinho, que apostaram suas chances com seus filhos, se consolidou como força política autônoma, pois o governador do sérgio cabral, após o escândalo dos guardanapos, e as suspeitas de suas relações incestuosas com a Delta e a franquia X, ficou segregado a um canto de certo ostracismo, sem condições de hipotecar capital político ao seu candidato.

Este fortalecimento de Paes mistura o jogo para 2014, e atrapalha os planos do PT e Lindberg.

Em SJB valeu a regra, ou seja, um candidato de uma administração que goza de aprovação da maioria da população, dificilmente deixará de eleger seu sucessor.

Os que imaginaram que os problemas com a PF, com a prisão da prefeita atual e o candidato a vice na chapa apoiada por ela, poderiam demover o eleitor de suas decisões, enganaram-se. 

Quem deu um peso desproporcional para a ação da polícia, vendo nela estratagemas escusos, embora sem qualquer provas para tais ilações, e por outro lado, enxergando nisto uma estratégia que desequilibraria o pleito, definida pelo deputado federal, e que lucraria com estes eventos, deu com os burros n'água.

Quem imaginou que aconteceria no cenário de SJB o mesmo que aconteceu com a Operação Telhado de Vidro tiveram suas expectativas espatifadas. Tanto os correligionários da prefeita de Campos dos Goytacazes e seu marido, que  tentavam influenciar o resultado por lá, quanto os correligionários da prefeita atual de SJB, que no afã de desqualificar a ação da polícia, buscou na tese perseguição política a melhor tese de defesa.

A realidade demonstrou que não é por aí.

Tudo manteve-se em seu curso:
O eleitor sanjoanense votou naquele que achou que continuaria a gestão que lhe satisfaz, e a prefeita e seus apoiados deverão ter que provar na Justiça que são falsos os fatos alegados em desfavor deles, sem prejuízo, anote-se, da apuração do "excessos" (se houveram) dos policiais que atuaram no caso.
Nota: este abuso será ratificado ou não pelo relaxamento da prisão em flagrante realizada. Se o Juiz que conheceu o auto de prisão em flagrante não a declarar ilegal, de plano, nada mais há a dizer sobre a legalidade da prisão.


O que aconteceu em Campos dos Goytacazes, com o afastamento do então prefeito mocaiber, com a Operação Telhado de Vidro, ajudou a enterrar um governo totalmente anencéfalo, que movia-se como um zumbi, sem qualquer eixo ou direção, onde "ninguém era de ninguém".

Naquela eleição, a atual prefeita representava, gostemos ou não, a mudança em relação a um governo que não era mais tolerado pela sua população, tal o seu grau de ineficiência.


O PT e o fim de um ciclo.


Quem olhar a votação do candidato do PT pode ficar admirado e animado. 
Ao contrário, é entristecedor que sobre uma base razoável de votos, cerca de 25% do eleitorado, os partidos da oposição não consigam fazer o óbvio: política.

Mais triste é ter a certeza que o capital político do candidato não se reverterá em um período virtuoso para o quadro orgânico do partido, nem das chamadas "oposições", como não aconteceu nas outras eleições onde ele teve um desempenho pessoal razoável.

É como um artilheiro de um time que é rebaixado para segunda divisão.

Outra constatação é o fim do ciclo do qual falamos neste blog para o grupo da vereadora do PT. 

Ficou claro que tentar moldar a realidade pela mídia, reduzir a vida política interna do partido, manter o poder a qualquer custo, não funciona para quem não tem talento para tanto.

A desidratação da vereadora é o resultado de suas escolhas. Nada mais. 
Resta o consolo de ter juntado seus parcos 1500 e poucos votos para a legenda. 
O que não é pouca coisa, mas é muito menos daquilo que se julga ser...

De resto, a configuração da Câmara manteve a larga hegemonia do governo, com 20 a 5, com destaque para a derrota do atual presidente da casa, e a eleição do irmão da prefeita de SJB, que pelos últimos acontecimentos, promete um clima acirrado.

Enfim, nota para a votação do filho de Sérgio Diniz, Rafael, herdeiro que suplantou a densidade eleitoral do pai, e que revelou que o discurso neoudenista classe média ainda tem apelo na cidade. Faltava alguém que verbalizasse as demandas moralistas deste setor, e ele foi capaz de enxergar este nicho de "mercado".

11 comentários:

Anônimo disse...

SÃO PAULO! A manipulação escandalosa dos institutos de pesquisas, as emissoras de televisão cancelando debates para não mostrar que Haddad era o único candidato com plano de governo e o mais preparado para ser prefeito de S.Paulo, a parcialidade criminosa dos órgãos de imprensa, nada disso colou.O candidato que há 4 dias da eleição tinha segundo o datacerra 17% dos votos, está no segundo turno.

Anônimo disse...

Creio que a imagem representativa do partido partido hoje é o V, de sabe se lá o quê. Ano(r)mal.

Anônimo disse...

O velho e bom coiote continua fazendo os comentários mais lúcidos da baixada. Faltou falar mais sobre a eleição de Marcão do PT. O que isso significa.
Sobre Rafael Diniz, embora a visão geral sobre ele é acertada, vale falar um pouco mais, o símbolo da vitória dele merece uma análise mais detalhada. Depois de tanto tempo a classe média campista ensaia um revanche? O fato de fazer uma campanha com pouco dinheiro e obter muitos votos quebra certas “certezas” locais? É o único voto ideológico em Campos?

Blog Católico do Leniéverson disse...

É muito comum, o PT achar que o mensalão não afetou a corrida eleitoral, afetou sim, o PT não conseguiu resolver as paradas nas capitais, a exceção de João Pessoa e Goiania, isso é o fato.Quanto ao Serra, Creio que ele é o mais preparado.Admita Douglas, Haddad a frente do Ministério da Educação foi um fiasco e pare de culpar Revistas como a Veja e Pare de chamá-las de golpistas. Quem está golpeando a si mesmo é o próprio partido que está vendo seus membros serem punidos pelo STF.
Quanto a política local, que tal dar uma força ao seu partido e ajude-o a ter esperança no recurso impetrado ao TSE contra Rosinha. Teria melhor utilidade.

Anônimo disse...

Meu caro Douglas, aduzir qualquer comentário as suas análises, quando muito, é mera redundância. Mas vejamos, 100 mil votos na frente do 2° colocado tem um alto significado. O eleitor está muito satisfeito com o que lhe é oferecido. E nós da "oposição", o que temos interessa a esse mesmo eleitor. Talvez sim, talvez não. Porque ainda não chegamos a esse mesmo eleitor para dizer. O PT herdou uma vaga na Câmara, mas a sua herdeira, "auto-suficiente" isolou-se da maioria, das cabeças pensantes do partido, inclusive daqueles que somaram-lhe os seus votos. E esses não iriam se aproximar dela para pedir nada, apenas oferecer, por menor que seja a sua contribuição, nem que apenas fosse o seu apoio e uma possível fidelidade. Um grande equívoco. Hoje é uma liderança menor no cenário político da cidade e muito menos dentro da sigla. E o que restou? Uma evidência que com apoio, e esse apoio desta vez veio, o seu candidato majoritário tem torque, visibilidade e boa aceitação.
É hora do Partido repensar suas diretrizes e o seu candidato eleito evitar os erros de sua antecessora e procurar construir um novo Partido e isso não se faz sozinho, nem só com o seu grupo.

douglas da mata disse...

Leniéverson, meu caro, ao contrário de você, eu não trabalho com especulações, mas com fatos, e sobre estes coloco minha opinião.

Vamos lá: No interior do Estado do Rio de Janeiro, o PT experimentou um acréscimo de mais de 20%, pulou de 8 prefeituras em 2008 para 10 em 2012.

Na capital, está na vice do prefeito eleito por esmagadora maioria.

Eu não tenho, como disse, o resultado no resto do país, mas é bem provável que esta tendência se repita.

Eu não disse que o ataque sistemático do PIG não tenha efeitos (não sou idiota), mas apresentei um FATO: o ataque não deu o resultado esperado, e citei o caso do çerra, espremendo-se em 31%, com a maior rejeição dos candidatos, mesmo tendo com todo seu currículo eleitoral que já citei.
Suas opiniões sobre a gestão de Haddad são suas, bem como as sobre çerra, e eu as respeito, porém discordo.

Mas agora o FATO, novamente: Lula demonstrou a força de seu capital político no último ninho tucano.

Semana passada o PIG mantinha Haddad em terceiro lugar nas pesquisas, principalmente o DATA FALHA, em uma ação orquestrada e direcionada a favorecer o ninho demotucanopata. Isto é fato.

Nas capitais, talvez, o seu argumento sobre a ação 470 tenha maior relevância, ainda assim, a perspectiva é permanecer com o mesmo número de capitais de 2008, e ainda a possibilidade (especulação) de ganhar SP, que a bem da verdade para o partido seria mais uma fonte de problemas que uma solução política, mas que tem um valor simbólico inestimável: matar os tucanos no ninho.

Há o crescimento do PSB.

Mas veja que este crescimento não significa aumento da oposição, ao contrário: é o fortalecimento de uma força alternativa dentro do espectro das forças governistas.

Na esmagadora maioria destas capitais venceu um aliado do governo.

Vamos esperar para ver o número de prefeituras do interior e a densidade eleitoral destas prefeituras conquistadas.


Outra asneira dita por você: como ajudar um partido a ter esperança em recurso judicial? Rezando? rsrsrs

Em relação o julgamento, a despeito de eu considerar o maior linchamento jurídico da história (não pelo mérito, mas pela quantidade de direitos e garantias violadas), é bom ter um novo olhar sobre esta questão:

O PT não se desgasta oferecendo seu integrantes ao julgamento como manda a lei.

Muito ao contrário: mostra que ninguém está à margem do ação da lei.

Bem diferente dos demotucanopatas que fizeram de tudo para o esquema de financiamento mineiro do PSDB(anterior ao do PT)embora acontecido bem antes, não tenha sido julgado agora...

Minha ajuda está aqui, defendendo o partido, ao contrário de seus dirigentes que só utilizam a mídia local para seus projetos pessoais, e funcionando como enfeites da farsa democrática encenada por estes veículos, enquanto no geral batem com força no PT pelos mesmos motivos moralóides que você, até porque, não restou outra crítica a fazer.


Ao outro comentarista: farei as análises solicitadas em breve.


Um abraço

George Gomes Coutinho disse...

Douglas,

A questão em Campos é que a famosa barreira dos 30% não foi rompida. Todos sabíamos disso. A história se repete como farsa e tragédia....

Os votos de "independentes" e "oposição" somam algo nos arredores dessa cifra... Erik, Zé Geraldo e o PT. Entediante não termos uma democracia local com alternância de poder. O adjetivo "vibrante" não faz parte de nosso repertório.

Para além da persistência do clientelismo transclassista, algo certamente robusto em nossa cultura política local, a votação de ontem demonstra que politicamente os destituídos do capital "poder" não fizeram seu dever de casa. Obviamente me incluo neste grupo...É mea culpa.

A única possibilidade de reverter o atual tédio eleitoral de Campos dos Goytacazes na Nova República seria um trabalho sistemático e substantivo de construção de um novo consenso.. Algo árduo que exige tanto capacidade discursiva, algo que vejo de forma isolada em poucos agentes atuantes no espaço público como vc, quanto também necessita da capacidade de aglutinação quantitativa dos "desconcentes".

Bem, virão aí mais 04 anos. A pergunta leninista soa cortante e ainda atual: o que fazer? Não sei a resposta, mas, sem a paciência de um trabalho político artesanal, com metas bem definidas, continuaremos a patinar... Afinal, como assinalei, é desconcertante ver que a Nova República em âmbito local seja altamente previsível. E ninguém deve dizer que não fomos avisados.

Forte abraço e volto para a tese melancolicamente,

George

Marquito disse...

Sua admiração pelos garotinhos é hilariante tanto quanto suas opiniões. Bandido condenado que no Rio organizou quadrilha com Álvaro Lins, Delegado Wallack, Deborah Secco e seu pai, milícias nos morros e favelas para comprar poder político da população dos morros (Já viu Tropa de Elite II ?). Quem vota em bandido, bandido é ou está sofrendo da “Síndrome de Estocolmo” onde a vítima tem uma relação de dependência, amor e ódio pelos seus algozes. Quanto à vc parece sofrer do mesmo mal.
Alias é muito tênue a diferença entre policiais e bandidos, às vezes se confundem, daí seu amor recolhido aos garotinhos. Saia do PT e se filie ao PR para que vc possa se dedicar com mais afinco ao seu amor. Traidor!

douglas da mata disse...

"Marquito", estou passado. Você descobriu meus segredos que nem eu sabia guardá-los.

É isto aí, qualquer um que se negue a escoicear a realidade, como você, e pretenda analisar os fatos para influir sobre estes, é um garotista.

Não surpreende nada que a oposição esteja no patamar que está, com este tipo de "fiel", vai faltar gramado na cidade.

Você tem razão: a oposição é um poço de virtudes, somos todos "vítimas" do garotismo, ou como eu, traidores bandidos revestidos de policiais...huahuahuahua...

De onde saiu este troço minha gente?

Ao George e ao comentarista das 07:29 (cuidado, traidores, rs):

É preciso recuperar a capacidade de fazer política pelo que ela representa(uma ferramenta de mediação e construção de novas dúvidas e novos consensos), e não somente pelo seu resultado quantitativo, embora sem esta variável o poder de fato não se realize em poder-fazer.

Como fazer? Não sei. Só tenho uma certeza: como foi feito até agora não deu certo.

Por outro lado, se o PT não se permitir este "risco", reconstruir sua cultura local de participação junto aos movimentos populares, junto a Academia e outros setores, somada a capacidade de intervir nas políticas públicas locais que estejam atinentes ao governo do estado e federal, funcionando como um contraponto ao poder municipal, será muito difícil.

Mas cuidado com os fiéis, porque somos os "traidores", rsrsr

George AFG disse...

http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2012/noticia/2012/10/pmdb-e-psdb-encolhem-e-pt-e-psb-avancam-em-numero-de-prefeituras.html O trio Dem/PSDB/PPS, como se previa, encolheu nessas eleições.

douglas da mata disse...

Pois é George, por isto é que o PIG e seus seguidores mais fiéis babam e espumam...