terça-feira, 18 de setembro de 2012

Religião, Estado e política, um debate interminável...e interminavelmente necessário!

O deputado federal e "primeiro-ministro" desta cidade professa um discurso homofóbico.

Isto é ponto pacífico.

Para tanto utiliza suas interpretações.

Para outros, ele utiliza distorções, embora até hoje, ninguém consiga estabelecer uma "verdade" única, daí, o enorme caleidoscópio religioso que reflete milhares de novas interpretações humanas sobre o que entendem ser deus e religião. Guerras foram travadas por causa disto.

Mas a pergunta que não cala é: Tem ele o direito?

Afinal, vivemos em um país laico, onde Estado e religião não se confundem? Ou ainda, vivemos em um país onde política, Estado e a religião não se confundem?

Não, claro que não.

Se assim fosse, o aborto seria descriminalizado no país, por exemplo, ou não haveria concessões públicas para que denominações religiosas pudessem explorar o ramo de educação pública, ou concessões de meios de comunicação.
Não haveria, por exemplo, imunidade fiscal para denominações religiosas.
Não haveria aulas de ensino religioso, e pior: O criacionismo nunca seria mencionado nas salas de aula, a não ser como parâmetro anti-científico ou como curiosidade folclórica, como fazemos com as crenças de outras etnias.

O Brasil, como alguns outros países, incluído aí o nosso "modelo", os EEUU, misturam vigorosamente conceitos religiosos com aspectos do estamento normativo, e da nossa convivência social.

Antes que se levantem, vai um aviso:

Sou contra qualquer forma de preconceito, quer seja o que se expressa no racismo, na homofobia, etc. Assim como repilo a mistura de religião com aspectos públicos de regramento da vida em sociedade.

Mas a pergunta permanece: O deputado, em campanha, tem direito a falar sobre aquilo que entende para o seu público? Tem o direito a desaprovar a escolha de outros?

Bom, se ele não tem, e eu acredito que não tenha, temos que reformular nossa tolerância com a intromissão de outras denominações religiosas em assuntos cuja os dogmas de fé contaminaram nosso ordenamento jurídico.

Feriados religiosos, temas como aborto, como já mencionamos, devem ser revistos, senão estaremos "escolhendo" quais intromissões toleraremos e quais rejeitaremos, apenas porque estas últimas não nos agradam em sua forma.

O deputado fala a um público específico, e para nosso horror, tem seguidores. Dirão que isto não autoriza a divulgação do ódio, pois se nazistas decidam pregar pelo extermínio de outras raças que consideram inferiores, não há que se tolerar sob o manto do direito democrático à expressão.
Embora pareçam ao olhar distraído tratarem do mesmo assunto, é bom lembrar que os princípios nazistas não estão no preâmbulo constitucional, não tem feriados, nem regulam temas de saúde pública, criminalizando-os.

Então, dizer só que não aceitamos que evangélicopatas vomitem seus ódios na ação política e na luta pelo controle do Estado, e que estas esferas não deveriam permitir esta mistura, pela sua natureza privada, não basta.
Convivemos hipocritamente com a oficialização por lei da mistura promíscua entre religião e Estado. Fazemos das denominações religiosas uma plataforma para ações política, ou esquecemos das pastorais e comunidades eclesiais de base?

Até poucos anos atrás, a união entre pessoas do mesmo sexo não merecia o reconhecimento legal do Estado, e ainda enfrenta enormes dificuldades para se impor.

Há um universo delicado neste tema (religião, Estado e política).

Um consenso frágil orienta-nos a afastar a influência dos temas religiosos do Estado, mas é impossível determinar uma separação da ação política da religião, porque religiosos têm direito a se manifestar politicamente, e o fazem orientados também por sua ética e valores privados (religiosos).

É preciso impedir que a intolerância se revele, mas não há como fazer isto expressando mais intolerância, ou pelo menos, dando privilégio a uma denominação (católica, por exemplo) e execrando outras.

Se vamos confinar as falas religiosas aos limites das igrejas e lares, que façamos isto com todas, e não com as que, por preconceito e, ou disputa política, nos desagradem.

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