quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mandamentos...para os outros, é claro.

Quando falamos que o deputado-primeiro-ministro tem um discurso homofóbico, no texto Estado, religião, política...recebemos algumas críticas de ambos os lados.

Para quem busca a "neutralidade" seria a glória, mas nós não acreditamos nisto (neutralidade).

Então, para esclarecer: O deputado tem direito a sua opinião pessoal, e inclusive de manifestá-la em público, e caso cometa algum crime, que o STF autorize a Câmara a lhe processar.

Não tem direito o deputado de utilizar a homofobia, que justifica por argumentos religiosos, como instrumento de luta política, como fez ao criticar os que frequentam eventos GLBT e depois comparecem às igrejas.

Cada qual sabe de si, e em matéria de política e voto, deve o eleitor decidir.

Já em relação a incompatibilidade de comportamento e religião, fica a dúvida se a vedação sobre sexualidade também não se estende a formação de quadrilha. Tem até um mandamento para isto, não?

É...não roubarás?

2 comentários:

felixmanhaes disse...

Meu caro Douglas,

Afastado há um bom tempo das postagens e da leitura da rede blog, resolvi hoje dar uma espiada e, para minha agradável surpresa volto a ler as suas análises. Sempre muito lúcidas, às vezes ácidas, mas quase sempre cirúrgicas.
Gostaria de ver a sua opinião sobre a política, no seu todo, tendo como cenário, na sua maioria, de um lado os políticos desacreditas e de outro os eleitores desmotivados e outros viciados.
Embora afastado, inclusive desfiliado do PT, para cuidar de outras coisas, mais ligadas à mudança do meu próprio mundo, às vezes chego a pensar se o caos seria a melhor das soluções.
Mas ao mesmo tempo, quando leio alguns dos seus textos, volto a me animar e pensar em possíveis soluções.
Aí gostaria de ler a sua opinião a esse respeito.
A maioria daqueles que chegam ao poder, independentemente dos meios que os colocaram lá, acabam achando mais fácil usar também do modelo atual, que mantém dependentes os eleitores, muito deles hoje sobrevivendo dessa dessa relação promíscua e de subserviência.
Estaria nos jovens, principalmente aqueles dos 14 aos 16, que logo estarão usando do seu direito/obrigação de votar, a formação de um contingente eleitoral sem vícios e independente.
Você acha que o Estado poderia atuar nessa proposta, com o objetivo de proporcionar essa plena excelência de respeito na relação candidato/eleitor.
Qual o papel dos partidos políticos nessa questão, em especial os partidos como o PT, PC do B, PV e PCB, tendo em vista que hoje a formação política é muito mais voltada para a questão técncia do que moral/filosófica. Gostaria de saber a sua opinião.
Fraterno abraço

Félix Manhães

douglas da mata disse...

Félix, antes de nada, grato pelos comentários generosos, e saiba que é sempre bom ler notícias suas.

O desânimo é geral, creia.

Diante de tantas angústias que você expôs mas eu reivindico como nossas, fica difícil uma opinião acabada sobre tudo, rs, mas vamos lá...

A solução é fazer política. Na completa acepção do termo. Afastar o predomínio da agenda financeira e privada do processo democrático.

Como fazer? Primeiro, é claro, reforçando a ação orgânica dos partidos, renovando as direções, arejando as estruturas.

Voltar-se ao movimento comunitário, pois nele reside boa parte do acúmulo de capital político para discutir as cidades, tanto a "urbes" como a "pólis".

Só a ação demorada, cruel e desgastante da política (não confundir com sua quantificação eleitoral, ou seja votos)permite mudar os paradigmas da própria política.

Enfrentar o domínio oligopolista dos meios de comunicação, promovendo debates permanentes sobre a impropriedade do uso de dinheiro público nos esquemas que já conhecemos.

Por motivos óbvios, rsrs, não creio no "poder libertador" da juventude. Ela pode ser tão reacionária quanto nós, e pior, com mais vigor.

Bons "times" mesclam jogadores-revelação e os experientes.

Acho que a ação do Estado se resume a propor uma Educação multicultural e laica, universalizar direitos, e não escolher quem receberá privilégios, e neste sentido temos avançado e muito.

Os partidos são locais onde se aprende a fazer política.

Foi lá que aprendi.

Foi no partido que aprendi até a discutir e discordar do que pretendiam me ensinar, e isto é fazer política.

Infelizmente, como você observou, o PT(pois não conheço os outros partidos)abandonaram a sua função precípua.

Eu creio que a situação tem chegado a um ponto que os partidos terão que retomar esta tarefa, senão serão engolidos pelo processo de empobrecimento da práxis política.

Este é um risco que ameaça TODAS as democracias ocidentais na forma como a conhecemos.

Não sou catastrofista, é só minha opinião.

Um abraço.