quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Luiz Gonzaga - "O Xote das Meninas" (1987)



Sempre interessante notar a movimentação e a dinâmica das manifestações culturais, principalmente em nosso país, que carrega características sui generis no campo da produção cultural, e no acesso aos diversos bens culturais disponíveis.

Sem xenofobias, um país que dá nome de rua a heróis estrangeiros, tratará como a "sua cultura"?

Vocês sabem de alguma rua Getúlio Vargas ou Juscelino Kubistchek nos EEUU ou na Europa? Pois é, mas com certeza você já passou pela Presidente Kennedy, ou Presidente Roosevelt.

Houve um tempo que o Velho Lua estava segregado aos confins do Nordeste. Qualquer escapulida fora dos limites regionais era pelo "gosto exótico" ou "curiosidade antropológica" da elite intelectualizada do "sul maravilha", ou nos guetos periféricos onde ficaram confinados os fluxos migratórios.

Mas a força de sua engenhosidade artística, do ineditismo de sua música, e a força poética das letras simples, mas nem de longe simplistas, furaram o bloqueio da hierarquização cultural, muito pela força desta migração nordestina que já mencionamos, que impôs ao mercado cultural de massa a necessidade de atender a demanda daquele público específico.

Sem reivindicar nenhum tipo de "pureza de raiz", misturando-se a outros ritmos, sem no entanto, perder a originalidade, o Velho Lua atualmente é festejado para além do título de Rei do Baião.

Antes tarde do que nunca.

Ganhei de presente, no dia de hoje, uma coletânea com seus maiores sucessos, e não resisti a compartilhar com vocês minha devoção a este nosso ícone da música, impregnada até "os ossos" com nosso DNA.

Impossível ouvir e não visualizar, como se fosse um roteiro, as imagens do sertão, das figuras e personagens,de sofrimento e alegria, partida e retorno, que espantariam Gonzagão se soubesse que, hoje, no seu Nordeste chovem oportunidades.

Tomara que esta seja a chance deste povo "enricá, sem perdê o jeito de misturá chiclete com banana."

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