segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Inevitável.

Há muito tempo o PT de Campos e do Rio de Janeiro deixaram de fazer política, na completa acepção do termo.

Eu não sou hipócrita e muito menos saudosista.

Claro que a necessidade de atender às agendas de governo, após a primeira eleição de Lula em 2002, com a consequente ampliação do partido pelo país como alternativa de poder, não só em grandes capitais, mas em cidades menores, e principalmente no Nordeste, trouxe certo "esvaziamento" das estruturas partidárias, com a migração de quadros partidários a administração.

Houve um enfraquecimento dos movimentos populares organizados, quer seja porque os focos de pressão e atrito arrefeceram, com a abertura de diálogo e satisfação de demandas históricas, quer seja pelo "aparelhamento" de alguns setores, o que neste último caso, não é desejável, mas ambos os casos eram previsíveis, e não são novidades na cena política contemporânea mundial, embora a mídia corporativa queira nos fazer crer no ineditismo e exclusividade brasileira neste processo.

De todo modo, nos locais onde havia um acúmulo de capital político, que se desdobrou na chegada ao poder, o prejuízo a vida orgânica partidária foi menor.

Já em locais onde esta vida orgânica desempenhava papel secundário, foi um desastre. É o caso do estado do RJ e, peculiarmente, da nossa cidade.

Um marco deste processo foi a intervenção estadual, senão me engano, de 1998, para dar lugar a um acerto que privilegiava a lógica nacional de alianças. 

O problema não foi a tática adotada, mas a forma, que destruiu o pouco que havia no PT fluminense, que nunca mais cicatrizou suas feridas.

Recentemente, o PT gaúcho deu mostras do que falamos. 

Instado a sacrificar a candidatura própria, contrapartida exigida pelo PMDB para selar a aliança Dilma-Temer, o PT gaúcho resistiu e venceu com Tarso Genro. 
Guardadas as devidas proporções e contextos, é claro que o PT nacional ponderou os estragos de uma intervenção em um diretório regional com tamanha força.

Ao contrário daqui, onde apenas "passa o rolo compressor".

Repetindo ad nauseam, o PT fluminense e campista sempre optaram por ser rabo de elefante a reivindicarem a cabeça do mosquito.

É óbvio que o fenômeno do garotismo, nós já escrevemos sobre isto, foi uma variável determinante no insucesso petista local. 
Dinastias políticas regionalizadas são difíceis de combater, ainda mais depois do processo de "industrialização" das campanhas eleitorais, e do assédio do capital sobre a Democracia.

Mas não era o carlismo invencível?

É verdade que antes, as estruturas econômicas, que se revezavam na hegemonia das localidades, permitiam nesta transição uma quebra de continuidade do poder político que a ela correspondiam. 
Foi assim com os coronéis do açúcar com os garotinhos.

Hoje, isto é bem mais difícil de acontecer, porque o vértice do poder não incide de fora para dentro da estrutura administrativa, mas de dentro para fora, ou seja, o fato do candidato necessitar antes do dinheiro e depois dos votos, ao contrário de antes, onde se tinha apoio político e depois se buscava o dinheiro, determina que o futuro mandatário não detenha margem de manobra para a outorga popular que recebeu.

Seu mandato vem carimbado: tanto para empreiteiras, tanto para terceirizações e prestadoras, tanto para empregos temporários, etc, etc. E pior, MUITO PIOR: UM TANTO ENORME PARA OS GRUPOS DE MÍDIA.

Este não é um problema de "moral", como querem alguns ingênuos e outros nem tanto. É a cilada na qual se encontra encurralado nosso processo democrático.

Porém, mesmo com todo este quadro adverso, ele se torna bem pior diante de concorrentes e partidos que tenham esquecido, ou propositalmente, abandonado a prática política cotidiana, onde se constroem laços duradouros, alianças, táticas e estratégias.

O PT de Campos e do RJ, apesar de "representarem" um projeto de poder nacional muitíssimo bem sucedido, com crescimento quantitativo e qualitativo exponenciais, pouco ou nada influenciam na vida política do estado e da cidade.

A despeito da campanha para prefeito contar com vultosos recursos, uma campanha de TV profissional (como nunca houve), e uma verticalização entre União, Estado e Senado, que permite o auxílio luxuoso de "cabos eleitorais" de peso, o ganho não difere de outras campanhas bem mais pobres e em cenários muito mais adversos, se considerarmos a campanha de Luíza Botelho, Luciano D'Ângelo, e por quê não dizer, do próprio candidato.

Quem assiste a campanha pela TV tem a impressão que estamos diante da futura campanha de Lindberg ao governo em 2014, com o governador atual tentando resgatar sua força perdida na "guerra dos guardanapos".

Estranho o fato destes spots de apoio nunca serem gravados com o candidato a prefeito" à tira-colo", se considerarmos o fato de que o candidato a prefeito não é conhecido do público, e precisa sê-lo, antes que decidam votar nele.

A chamada "transferência" de prestígio funciona em cenários bem restritos, e não pode ser usada como panaceia.

Grita aos ouvidos a falta de conteúdo, resultado direto da falta de política do candidato petista.

Assim temos a prefeita que mostra suas "façanhas", concordemos ou não com elas, o PSOL, com sua bandeira do neoudenismo radical, nossa versão tupiniquim "tea party de esquerda", enquanto o ex-prefeito do coração soa tão frágil como sua aparência, o candidato do "coração" revela-nos, de forma nua e crua, o quanto está anêmico pela privação das "verbas públicas" com as quais manipulava a cena política.

Já o candidato petista restou querer fazer prosperar um discurso anacrônico de "resgate a tradição" sucroalcooleira, tão decadente quanto paradoxal, pois nem são mais relevantes economicamente, mas continuam a estragar o ambiente e escravizar pessoas.

Infelizmente, este é um quadro que se desenha inevitável.




2 comentários:

Luiz Américo Gaspar disse...

Independentemente de partido Dr. Makhoul é a melhor candidatura atual e está com uma equipe competente. Estou convencido que fará um bom governo. Campos têm tantas terras e não produz nenhum alimento o que é um absurdo, quando se sabe que o petróleo não durará eternamente.

Para saber as propostas do Makhoul vá em:

https://www.facebook.com/makhoulprefeito

Interessados poderão formular perguntas que serão respondidas em vídeo pelo candidato.

douglas da mata disse...

Luiz Américo,

eis a questão: "(...)independente de partido(...)".

Como assim? Como uma candidatura á bordo do PT pode prescindir de partidos?

Favor não confundir os fenômenos quando os candidatos extrapolam o partido em capital político.

Não é o caso do candidato que você cita.

Interessante o mecanismo interativo de perguntar e responder sobre propostas...bem, o ideal seria que este diálogo se desse antes...está aí outra evidência de improviso.

Sobre terras e alimentos, cuidado para não falar besteiras:

Há uma bacia leiteira em Campos, gado de corte e outros exemplos de micro-regiões produtoras de alimentos, inclusive nos assentamentos, como mandioca, abóbora...pelo jeito, vocês andam desinformados até sobre o tema que elegeram como prioridade.

A fala pública do candidato se resume a "resgate" dos canaviais, e isto não é minha opinião, está gravado e registrado nos programas de TV e rádio.

De todo modo, está publicado o seu "anúncio" do candidato em nosso pequeno espaço de opinião.