sábado, 8 de setembro de 2012

ffhhcc, nosso macunaíma com doutorado...

Empresto as palavras de Roberto Moraes, em texto (leia) sobre as críticas do príncipe da privataria demotucanalha, e a pronta reação da presidenta Dilma às tentativas de admoestá-la com seu antecessor e mentor, Lula.

Eu misturo mais as estações e vou além: é questão de mau caratismo dependente de dor de cotovelo, como diagnosticou Emir Sader (leia aqui) em outro texto reproduzido por Moraes em seu blog.

Vejam:

Em todas as campanhas, 2002, 2006 e 2010, os demotucanalhas não se dignaram a defender o "legado" do ffhhcc.
Ao contrário, em 2010, de forma canhestra, zésserra tentou se associar a imagem do Lula, dizendo-se mais capaz que Dilma a encarnar suas propostas e melhorá-las.

Bom, as urnas deram a resposta.

É um ataque de esquizofrênicos:

No início, quando a presidenta arrumava o tabuleiro político, e redefinia o desenho do poder sob seu mandato, diziam que Dilma era guiada por controle remoto.

Depois, quando estruturou a transição, e fez seus ajustes para o SEU governo, aproveitando quadros e prescindindo de outros, estava a renegar a "herança maldita".

As enormes taxas de aprovação de Dilma e Lula respondem mais uma vez.

Talvez só Lula ganhe de Dilma e vice-versa.
No entanto, ambos demonstram, a cada dia, que a relação política entre eles, e a noção do que significam para este projeto que vai além do poder, mas pretende reinaugurar os princípios de fundação de nosso Estado, baseados atavicamente em patrimonialismo e desigualdade endêmicas. 

Pela primeira vez na História, um sucessor não ataca o antecessor, ao contrário: Cada vez mais o legado de um fortalece o outro.

Para a oposição, encastelada no aparato da mídia corporativa só resta o suicídio coletivo.

Semana que passou, e na revista Carta Capital vêm as notícias da Colômbia, o penúltimo reduto conservador da AL, laboratório das teorias de War on Drugs, subsecção da Casa Branca contra os "perigosos Chavez, Correa e os Castro".

O principal opositor do atual presidente, Juan Manoel Santos, é justamente Álvaro Uribe, seu antecessor, de quem o atual presidente foi ministro da Defesa.

Motivo: Uma tentativa de acordo com as FARC, apoiado pela maioria dos organismos multilaterais, OEA, ONU, secretaria de estado dos EEUU, Noruega (que cede seu solo em Oslo para as reuniões), e avalizado e intermediado por Chavez, Correa e os Castro.

Se houver sucesso e pacificação colombiana, Uribe, que sempre apostou suas fichas políticas no confronto, que trouxe mortes, corrupção e enfim, mais violência do que a dizia combater, pode acabar por sumir do mapa político regional, para desespero do nosso "tea party cucaracho".

Embora sejam contextos distintos, não podemos renunciar a apontar a necessidade que os países latinoamericanos, ainda que governados pelo centro-direita, como é o caso colombiano e o chileno, tenham de enterrar o lixo conservador, autoritário e elitista, representado por forças políticas como Uribe, ffhhcc, dentre outros.

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