quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Destaque na planície.

Reproduzo, ipsis literis, o texto do professor doutor Marcos Pedlowski:


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SE ILUDEM, OU QUEREM SER ILUDIDOS, OS QUE ACHAM QUE O GRUPO POLÍTICO DE ANTHONY GAROTINHO NÃO TEM UM PLANO PARA A ELEIÇÃO DE CAMPOS


Talvez por ser um "outsider" da política partidária em Campos dos Goytacazes, tem certas horas em que me surpreendo com a inaptidão analítica dos que se dizem ser de oposição ao grupo político do deputado Anthony Garotinho.

Primeiro erro que vejo é cair sistematicamente num terreno de enfrentamento em que Garotinho é mestre, o da demonização dos adversários. Ao simplesmente centrar seu fogo no aparente desiquilíbrio emocional de Garotinho, seus supostos adversários não mostram a complexidade do esquema de manutenção no poder que o deputado possui na cidade. E de quebra ainda ficam sendo humilhados pela evidente capacidade de Garotinho de manejar bem o arremesso de lama. Até seu irmão, Nelson Nahim, tentou medir forças neste tipo de esporte e agora vive abraçado com um candidato a prefeito sem qualquer chance real de sequer eleger um grupo minimamente significativo de vereadores.

O segundo grande erro envolve a falta de uma visão de oposição contínua e dotada de um verdadeiro programa de mudança. Quem ouve a oposição falar até parece que eles estão todos os dias trabalhando efetivamente por um novo modelo de cidade. Quando muito certas figuras ficam destilando seu veneno em blogs. Arregaçar as mangas que é bom, só uns poucos. 

O terceiro e inevitável problema é que uma parte significativa dos que dizem de oposição o são por falta de um aceno, de um carinho, de um convite por parte do deputado Garotinho. É só olhar para dentro dos quadros da atual prefeitura que veremos gente que vem pulando de cargo em cargo desde os tempos de Zezé Barbosa. E como em coração de prefeito sempre cabe mais um cargo comissionado, não me surpreenderia ver mais gente esquecendo as mágoas e pulando para dentro do barco.

O quarto e fatal erro é achar que ao forçar a candidatura problemática de sua esposa, a senhora prefeita Rosinha Garotinho, o deputado federal não pesou cuidadosamente todas as opções. Se não fosse por nada, quem já teve de se enfrentar com ele, sabe que o distinto residente daquela casinha no bairro da Lapa tem a seu serviço uma multidão de advogados que de bobos nada têm. Assim, toda a insistência em Rosinha não é por falta de candidato alternativo, pois eu estimo que esse grupo elegeria quem bem entendesse neste momento, inclusive o duas vezes perdedor Geraldo Pudim. A resposta para a manutenção a ferro e fogo de Rosinha não é desespero, é estratégia.  E com qual objetivo? Isto já foi até declarado e está mais do que evidente pelas ruas: eleger uma massacrante maioria na Câmara de Vereadores e, de quebra ,garantir a presidência da Casa. Afinal, se a eleição de Rosinha for anulada, quem é mesmo que vai virar prefeito? Como dessa vez não será Nelson Nahim o presidente, estimo que há gente mais próxima e mais confiável que será colocada no cargo.

Finalmente, quero dizer que só teremos uma alternativa real para o poder municipal se as pessoas que dizem ser de oposição resolverem parar de choramingar e partirem para o trabalho nos próximos 4 anos. Do contrário, não vai ter jeito...Anthony Garotinho vai continuar mandando na política da cidade. E, por favor, não culpem os mais pobres. Afinal de contas, o que tem de carrão importado ostentando a figura de Rosinha Garotinho em seu look a la Fátima Bernardes não está no gibi. É só parar e ver. Se tiver algum culpado nessa eternização no poder, a culpa é das forças partidárias que fingem ser de oposição e estão muito bem  (obrigado!)  com o status quo vigente.

9 comentários:

Gustavo disse...

Um texto de bastante lucidez. É importante entender que a única maneira de tirar os Garotinho da prefeitura será fazendo política boa, e que isso poderá demorar algum tempo.

Não é torcendo para que o Judiciário nos brinde alguma inegibilidade, afastamento ou nulidade que vai se mudar uma cultura de satisfação de demandas individuais e de curto prazo por outra que beneficie à coletividade.

Se amanhã a Rosinha tiver que deixar o poder, quem a substituirá não fará diferente, dado que as condições que favorecem a continuidade do clientelismo permanecem.

Talvez, quem sabe, a mudança se dê dentro do próprio movimento Garotista, daqui a algumas gerações.

Agora, se quiserem acelerar o processo, vai uma dica: tirem os royalties das mãos dos governantes.

douglas da mata disse...

Gustavo,

Eu cada vez tenho menos dúvidas de que um processo mantido "refém" pelo dinheiro, não há como continuar a pagar "resgate" e esperar resultado diferente.

Tem que "estourar" o cativeiro, e neste sentido, mantendo a metáfora policial(rs), lembro de uma lei que, no auge dos sequestros, na década de 80/90 proibia o saque de dinheiro para satisfazer as exigências dos bandidos.

Junto com a ação enérgica da polícia, deu certo e os sequestros foram zerados no RJ.

Colocar o dinheiro dos royalties em um fundo de longo prazo, com vedação para seu uso em despesas de custeio é urgente.

Até porque, senão fizermos isto não vai sobrar nada, nem quem queira governar esta m...rda no futuro.

Anônimo disse...

Os sequestrados já estão desenvolvendo a síndrome de estocolmo. Já estão dizendo que é melhor ficar com o garotismo mesmo...

Gustavo disse...

Exato, Douglas. A luta para mudar esta merda deve passar por limitar os royalties do arbítrio do governante. O resto é mero desejo de substituição de individuos.

George AFG disse...

Acho mais fácil o "grupo" se autodestruir q surgir uma oposição tal qual o texto defende... A maioria quer o Poder pelo Poder e só...

douglas da mata disse...

Comentarista,

"o sequestrado" é processo político, não os eleitores.

ainda assim, em meio a esta celeuma, a população faz as suas escolhas, e neste caso você tem razão: A ficar com cópias, é melhor manter o problema original.

Blog Católico do Leniéverson disse...

Entendo, fazer política boa, mas...o que adianta fazer política boa, se o casal garotinho tem a maquina e o poderio econômico nas mãos? Não faz sentido.A oposição faz o que pode, apesar das questões relatadas. Douglas, eu confesso que já fui daqueles que "erguiam bandeiras" em prol da manutenção dos royalties do petróleo, mas, hoje eu vejo que estes royalties tem servido mais como maldição do que benção. Para mim, a solução, além da via jurídica (tirar os inhos do poder) é tirar esse volume de dinheiro da cidade. Assim, diminuiria nitidamente a balburdia e disputa pelo poder.
Abs.

douglas da mata disse...

Leniéverson,

Não há alternativa para cuidar dos nossos problemas senão fazer política, ponto.

A natureza(qualidade)desta ação política está relacionada a uma série de fatores, mas principalmente, a referência de quem a olha.

Então, grosso modo, podemos dizer que a esmagadora maioria da população aprova as políticas implementadas pelo casal de prefeitos.

Há um problema central nas democracias representativas: A vontade da maioria é importante, mas é preciso permitir às minorias as ferramentas para provocar alternância de poder.

Não sou daqueles que execram as escolhas populares, mas também não desconheço que a influência do dinheiro dos royalties tem desequilibrado as disputas locais.

A oposição não tem feito o que pode, porque, como disse o texto do Marcos, ela tenta lutar no campo onde o adversário nada de braçada.

As dinastias políticas sempre foram derrotadas: ACM, Barbalho, Chagas Freitas, etc.

O caminho é fazer política, e não atacá-la, sob o falso pretexto de denunciar as práticas ruins deste ou daquele personagem.

Ou pelo menos, ampliar a crítica para além destas denúncias. Atacar as estruturas do sistema de financiamento político, a industrialização das campanhas, a judicialização do processo, e etc, junto com as correções "morais".

Retirar o dinheiro é besteira. O dinheiro dos royalties tem que servir como uma poupança, um fundo para garantir as gerações posteriores um menor impacto gerado pelas atividades extrativistas.

Esse dinheiro tem que ser carimbado, e reservado em um fundo de longo prazo, cuja disponibilidade passe por projetos estruturantes e de longo prazo ao invés das obras descartáveis que temos, que apenas servem para cumprir a agenda de retorno dos empreiteiros "amigos" que "bancaram" as campanhas.

Um abraço.



Anônimo disse...

Perfeita a sua análise Douglas, em cima do bom artigo do professor da UENF.
Não há como mudar sem fazer política.
E o chato é que não há no horizonte um Garotinho do garotinho.