segunda-feira, 17 de setembro de 2012

De nada!

Texto dedicado ao leitor: Clóvis de Almeida.

Ontem à noite assisti um spot do PT onde o candidato e o governador falam juntos, como dever ser, afinal o "anfitrião e dono" da campanha não pode ser citado sem estar ao lado do interlocutor, a não ser quando há uma intensa e histórica ligação entre eles, onde o eleitor já veja no criador a criatura.

Não é o caso aqui.

Salvo a própria incapacidade do candidato a prefeito, refletida na sua impostação de voz que oscila entre o enfado e um quê de arrogância, como se falasse a um bando de gente que ele despreza por não reconhecerem nele, por osmose, a sua superior condição,  ficou bem melhor que as chamadas com o governador falando do candidato sem a presença dele, impessoalizando uma campanha que é extremamente personificada.

É claro que o título é uma brincadeira, pois ao contrário de muitos por aí, não nos arrogamos capazes de contribuir em nada, nem sequer de sermos ouvidos, no entanto, que bom que alguém, como a gente, pensou sobre o assunto no think tank da campanha petista.

E nem precisou gastar zilhões com a agência de propaganda, bastou gastar neurônios e ter um pouco de senso político.

Agora falta um pouco de tomadas externas, em matérias onde o candidato mostra os problemas que vai resolver. 

Arghhh, eu sei que o candidato vai detestar andar de ônibus sujos, ou ter que ir na Codin ou Santa Rosa e se misturar ao lixo e ao esgoto que estão à céu aberto, mas é por uma boa causa...acreditem.

Depois toma um banho, tira o cheiro de "povo", e volta para a "elite, a nata, o escol, a flor, o suco"(nas palavras do Clóvis de Almeida, que representa um PT que reivindica para si), lá  no auditório da ACIC, lá tem ar-condicionado e uns acepipes para "beliscar".

4 comentários:

Anônimo disse...

Douglas: Não sou, nem nunca fui do PT ou sequer militei na política partidária da planície. Respeito suas opiniões embora veja em algumas delas um certo ressentimento. Nada sério, tudo compreensível e salutar em boa medida.
Concordo com sua análise sobre o candidato escolhido pelo partido dos trabalhadores. Tambem acho que é (e representa) quase tudo o que você diz.
Só não faço a distinção de classe por exclusão. Para mim, quem não é PT ou progressista não se reveste automaticamente da pecha de neoliberal, autoritário, reacionário e explorador da massa trabalhadora.
Makhoul não é "histórico" como se gosta de dizer e triste sina a nossa se ele for eleito. Mas a liberdade de expressão que ele usufrui assim como eu e você, é a maior contribuição dos avanços da nossa sociedade.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Neste blog nunca foi escrito que o "rótulo" progressista ou petista confere uma "santidade", enquanto os outros são exploradores e etc.

Não confunda estilo com ressentimento.
A agressividade é uma escolha de estilo, enquanto o ressentimento não possibilita análises, só ruídos.

O caso aqui é específico: Nossa elite local, representada em algumas entidades de classe, como a ACIC, refletem um histórico de parasitismo e patrimonialismo estatal.

Esperar que este setor possa contribuir decisivamente para o avanço do PT local, funcionando como parceiro e "fiador" do programa de governo é ingenuidade ou má-fé.

Até porque, pelo que se viu nos comentários do Clóvis, que parece neófito da campanha e do PT, o discurso é o da aproximação com a "nata, a escol, a flor" da sociedade.

Este discurso se ratifica na insistência do candidato, saudoso dos "bailes oligárquicos" e do tempo de fausto da nobreza agrária local, tanto que propõe "resgatar" estes tempos.

Só esqueceu de perguntar a opinião dos trabalhadores.

Veja, não há outro método para recortar as classes senão a exclusão: Ou seja, quem não é patrão, é empregado, quem não é bancário é banqueiro, quem não é rico é pobre ou classe média, e por aí vai...Ainda não inventaram outro método, embora o pensamento liberal tente sempre diluir estas categorias com chicanas ideológicas.

Não confundir recortar classes para efeitos de embate e disputa política com preconceito.

Sei que em uma sociedade é preciso a convivência, mas também é preciso entender que esta convivência nem sempre será harmônica, às vezes até dentro de nossa própria classe.

Quanto a liberdade de expressão, saiba que nenhuma valor ou princípio é absoluto: Não considero que nazistas mereçam o direito a se expressar.

Claro que este não é o caso do candidato, mas foi só um exemplo.

Um abraço, e grato pela contribuição ao debate.

Anônimo disse...

É sempre bom poder discutir e debater em alto nível. Já disse aqui, que seu texto é um dos melhores entre os blogs da planície. Bom que você voltou, mas não fica bobo não. Nem tudo é um princípio absoluto.

Vejo seu ponto. Entendo.
Não concordo com tudo, mas não o leio para ser convencido nem escrevo para te convencer.

Saudações...

douglas da mata disse...

Este blog é um dos que sempre acreditou que não HÁ PRINCÍPIOS ABSOLUTOS.

Creia que não "fico bobo", pois sei exatamente os limites da minha ação como blogueiro, o significado e alcance do que falo, dos meus erros e acertos.

Quanto a ser convencido ou convencer, posso concordar, em parte, mas fiel a um " (não)princípio" citado por você(não há princípios absolutos)fica claro que em alguns casos somos sim, convencidos e convencemos, senão, o debate seria apenas exibição "estética e estéril" de pontos de vista.

Resta a humildade para admitir.

Não tenho problemas com isto, e creio ser o seu caso.

Um abraço.