domingo, 16 de setembro de 2012

Transporte público desgovernado!

Apertem os cintos, o motorista sumiu...

Putz, nos ônibus da empresa Brasil é pouco provável que você possa se socorrer nestes dispositivos, pois raramente os há para o uso obrigatório do passageiro.

Nesta cidade, o termo desgovernado tem, em matéria de transporte público, duplo sentido: A prefeitura não governa e os ônibus se desgovernam, ferindo usuários, pedestres, outros motoristas e arrebentando o patrimônio alheio.

Este blog recebeu dos moradores de Morro do Coco uma série de denúncias sobre os riscos a que estes estão submetidos quando utilizam os veículos da referida empresa.

É comum a má-vontade do público com o transporte público, por uma cultura de pouco apreço as soluções coletivas, mas no caso desta cidade, e de tantas outras no país, as queixas são justíssimas.

Em se tratando da empresa Brasil, os reclames têm uma comprovação fática tão inquestionável quanto trágica.

O número de incidentes com a empresa é grande.

Dos que eu tenho notícia, todos aconteceram nos últimos dois meses:

Na BR 101, altura de Travessão, sem vítimas, onde o ônibus colidiu com um caminhão.

Outro, no trecho entre Conselheiro Josino e Travessão, também na BR, quando uma passageira, após uma manobra imprudente, foi arremessada do assento, e sofreu várias lesões, ao chocar-se contra o teto, justamente pela ausência de cinto (comprovado pela perícia), e mesmo com as súplicas dos demais passageiros, além da vítima, o motorista negou-se a interromper sua viagem e providenciar socorro, o que só foi feito quando o ônibus parou, por força do trajeto, no Hospital de Travessão.

O último, na estrada entre Vila Nova e Conselheiro Josino, com várias vítimas, sendo que 20 ainda permanecem internadas, sendo que 04 em estado grave, ainda não tem causas determinadas, mas um fato é GRAVE: havia 70 PASSAGEIROS, muito além da capacidade do veículo, mas quem sabem, muito aquém da ganância dos patrões, unida a irresponsabilidade dos motoristas.

A notícia derradeira, que motivou este texto, foi a de que na BR 101, no posto Mangueira, menos de 500 m do posto da PRF, os passageiros se revoltaram e um deles arrancou as chaves da ignição para impedir a viagem, dado o estado de embriaguez do condutor.

Claro que estes fatos isolados não podem representar muita coisa no universo de viagens feitas todos os dias.

Mas, por outro lado, justamente por este volume crescente da demanda por transporte público, é que nós  alertamos para a total ausência de fiscalização, bem como para as dificuldades de responsabilização criminal e cível de todos os envolvidos, desde o motorista até os proprietários da empresa, passando, é claro, pelo poder público concedente, que por sua omissão acaba por concorrer para a culpa dos demais.

Ou será que a culpa é do passageiro?


4 comentários:

antônio disse...

A Mazela do transporte coletivo, aqui em Campos, é tão velha que se confunde com a própria existência desse setor em nossa cidade.
Vai desde o monopólio da 1001, passa pelo sucateamento dos coletivos , vai ao péssimo serviço prestado pelos motorista e chega a uma das piores rotas de transporte coletivo que nós já ouvimos falar.
O pano de fundo fica por conta da omissão sepulcral das autoridades, de todas as esferas.
O caso de empresa Brasil é emblemático, pois desde a década de 90 a gente se acostumou a ouvir reclamações corroboradas por manchetes de acidentes.
A pergunta é: pq nunca se faz nada?

douglas da mata disse...

Pois é, Antonio, esta deve a tal de liberdade de inciativa que os donos das empresas e seus acólitos na mídia tanto reivindicam.

Liberdade para lucrar, fazer o que der na telha e ficar impune.

O laissez-faire, em outras palavras, cada um por si e deus contra todos...

antônio disse...

Mas aí que está o X da questão: a regra ( liberdade de iniciativa) até que é boa, o problema está nos gestores.
Muitas vezes queremos "matar" uma boa regra por causa de maus gestores.

P.S - A liberdade de iniciativa que eu vejo como "regra boa" é aquela baseada na busca em oferecer os melhores serviços pelos melhores preços ( aqui sendo vista como melhores condições, nem sempre redundando na mais "barata")

Outro dia li uma daquelas frases prontas que dizia:um país desenvolvido não é aquele onde todos tem carro, mas, sim, onde todos utilizam o transporte coletivo.
Mas, como vc disse numa outra postsgem.... Quimeras...

douglas da mata disse...

Antonio,

A "regra" (liberdade) é uma licença semântica, na medida que nenhum princípio é absoluto e nenhum direito (individual ou coletivo) se exerce sem o limite imposto pelo bem comum.

Entre o que filosoficamente entendemos por "livre inciativa" e sua expressão fática (realidade), há a História a nos provar que nunca se poerá tomar como regra a liberdade de iniciativa ao pé da letra.

Ou melhor dizendo: a liberdade de lucrar, de manter uma empresa deverá sempre estar, inexoravelmente, limitado pelo interesse coletivo, então, seria algo como "liberdade potencial", ou "vontade de liberdade", que ao se realizar no mundo real, perde esta essência, e deve se submeter a vontade coletiva.

Um abraço.