sábado, 22 de setembro de 2012

A Igreja Católica e doutrina da pedofilia.

A Igreja Católica australiana, na figura do arcebispo de Melbourne, Denis Hart, reconheceu a incidência de 620 casos de abusos sexuais a crianças e adolescentes, desde a década de 30 do século passado, mais que tiveram uma ocorrência maior entre as décadas de 80 e 90 do mesmo século XX.

É o que diz o Jornal El País em sua página eletrônica.

De acordo com o diário espanhol, a revelação do religioso católico australiano se deu em uma comissão parlamentar que se encarrega de apurar tais crimes relacionados a estas ordens religiosas na província de Victoria.

As associações de vítimas calculam em seis mil, aproximadamente, o número de vítimas.

Este blog já traçou considerações em passado recente sobre este fenômeno, que alguns católicos extremistas enxergaram como um ataque a Igreja de Pedro.

Não é. Pelo contrário, se as diversas estruturas hierárquicas da Igreja, a quem  os religiosos devem total obediência, não tivessem optado pelo silêncio obsequioso com tais crimes e criminosos, talvez a Igreja hoje não fosse alvo de tamanha polêmica.

Ao contrário. Em nome de preservar uma simbólica retidão moral que lhes faltava internamente, tornaram-se cúmplices pela omissão, a condenaram ao calvário das sevícias sexuais milhares de crianças.

Agora, diante da inevitabilidade da divulgação dos crimes e da reclamação das vítimas, tentam reparar sua enorme falta, que é, pela natureza irreversível dos danos que causam, irreparável. 

Há um outro ponto, geralmente desconsiderado em diversas análises.

Por que, dentre tantas outras denominações religiosas é a católica que reúne, senão a totalidade, mas a maioria esmagadora dos casos de pedofilia?

Ora, as religiões do campo protestante, as africanas, muçulmanas, etc, por razões dogmáticas distintas, reservam às crianças papéis variados. 
Há casamentos permitidos com meninas e meninos entre hindus, muçulmanos e entre adultos e crianças, por exemplo.

Mas salta aos olhos a enorme contradição que é no celibato católico completo, com pleno voto de castidade, onde se deem tantos casos de abusos sexuais de crianças, principalmente o de meninos.

Perguntamos de novo: Por que a maioria esmagadora dos crimes sexuais praticados por religiosos envolvem padres católicos?

Eu tenho um palpite: Na verdade, os crimes sexuais, nos países onde são assim considerados, são descobertos pelo seu viés público de infração penal, sem a mediação privada dos aspectos morais da religião.
Assim, quando um pastor, ou rabino, ou mulá viola uma criança, este crime é logo repudiado e punido na forma da lei.
Como a Igreja Católica "privatiza" estas ocorrências para dentro de suas estruturas, o caldo engrossa, os crimes aumentam, até que não seja mais possível escondê-los, e pior: puni-los.

Este ambiente, como já falamos, foi enormemente facilitado pela omissão vergonhosa da alta hierarquia da Igreja, mas também pode ter sido reforçado pela condição subordinante da figura do padre (pai) em relação aos fiéis, principalmente àqueles submetidos por alguma relação de dependência econômica, como no caso dos países pobres, ou disciplinar, como no caso dos colégios internos ao redor do mundo.

Deste modo, a Igreja Católica vai estatizando, através de leis a sua agenda privada (na questão do aborto, por exemplo), e na contramão, privatiza conflitos públicos (crimes)para manipular sua resolução, reduzindo violações penais graves a simples questões de moral religiosa.

De todo modo, parece-nos incoerente, e é, que uma Igreja que se diz preocupar tanto com a vida seja a responsável por trazer tanto sofrimento para algumas delas.

2 comentários:

Blog Católico do Leniéverson disse...

Caríssimo, Douglas da Mata,

Seu texto exala equívocos sobre o catolicismo e desconhecimento do mesmo. É verdade que há sacerdotes pedófilos, mas são minorias. Há muito mais pedófilos na sociedade que entre religiosos, afinal se dizem que o problema da pedofilia está no celibato, porque há uma imensidão de pessoas casadas envolvidas em rede de pedofilia?São Juízes, políticos, advogados, médicos, professores e por ai, vai. Douglas, a Igreja Católica, não se resume a um templo, uma doutrina e fiéis. Há uma belissima rede de caridade e trabalhos lindos como a pastoral da criança, fundada pela saudosa Zilda Arns. Eu sei que vc vai deletar ou moderar meu texto. Aliás, é comum haver a paranóia de que quem pensa contrário é preconceituoso, sobretudo de pessoas simpáticas ao comunismo e a partidos que seguem essa ideologia.

douglas da mata disse...

Leniéverson,

Você parece ter lido, mas não entendeu bem.

Pode ser culpa minha, e não me ter feito claro...vamos tentar de novo:

A pedofilia é um mal de toda sociedade, mas ela espanta dentro da Igreja Católica, e só espanta mais porque ela ocupa uma dimensão enorme nos sistemas de valores morais de várias sociedades, inclusive com a inclusão de dogmas católicos nas leis dos países, que se dizem laicos, como o nosso(o tema do aborto é um deles).

Logo, a contradição moral se exalta, pois como ditam regras morais e não são capazes de impor estas regras aos seus sacerdotes?

Você dirá que o problema acontece nas outras religiões, e eu concordo, mas leia a parte do texto que eu menciono que estas religiões não gozam do beneplácito do silêncio conferido a denominação católica por todo este tempo, quer seja por questões culturais, quer seja por questões dogmáticas.

Enfim, você pode entender, por questões de fé, e eu respeito, que a Igreja seja mais que suas representações físicas, como as instituições, as representações eclesiais, seus símbolos, etc.

Mas é através destas representações visíveis que ela se manifesta e coopta novos seguidores e, ou se diferencia das outras.

E não pela fé de cada um, limitada ao campo privado e psíquico de cada um.

Saiba que o desafio ad Igreja é responder a interlocução com TODA sociedade, aí incluídos os que NÃO são católicos, portanto, são apenas estas referências (públicas) que importam, e não os sentimentos de fé (privada).

Outra coisa: não julgue os outros por si.
Aqui não cabe a síndrome da vítima.

Se eu entender que devo deletar um comentário, deleto e pronto.

Se eu achar relevante o debate, publico.

Católicos que fazem parte de uma religião que até o século XIX usavam negros como escravos e lucravam com isto, bem como torturavam para conseguir confissões, não podem se arvorar no direito de ensinar regras democráticas a quem quer que seja.

E olha que o Index Proibitorum ainda existe, implantado pela Santa Inquisição, agora chamada de Congregação para doutrina da Fé, recentemente comandada pelo cardeal nazista Ratzinger.

Religião católica, ainda mais pelo que parece ser para você, é dogma, hierarquia e obediência.

lembre-se que este papa (nazista) ainda é considerado infalível, então...