quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A eterna mistura entre público e privado.

Há, propositalmente, e ao longo da História, uma confusão entre o interesse privado e os bens públicos.

Em determinado tempo e em alguns lugares, nem era possível fazer esta distinção.

Outro dado histórico é que a confusão entre privado e público, o que os cientistas sociais chamam de patrimonialismo, sempre privilegiou a parte privada e minoritária em detrimento da imensa massa que depende dos parcos recursos públicos.

Na manhã de hoje, ouvia um programa em uma rádio educativa local, e me espantei.

Primeiro, há de se perguntar: O que uma ação de marquetíngue de um shopping center pode oferecer de conteúdo pedagógico aos alunos do curso de comunicação?

Como fazer jabá?

Bem, poderiam os âncoras do programa, se quisessem exercitar o senso crítico dos alunos do referido curso, questionarem, por exemplo, como pode a Fundação Trianon financiar com dinheiro público atrações artísticas que se apresentarão no referido templo de consumo?

Foi o "diretor" de marquetíngue(no meu tempo chamavam de "divulgadô" mesmo) que disse, seu eu não ouvi demais. O nome mágico para a irregularidade: PARCERIA!

Perderam uma ótima e importante chance de questionar esta promiscuidade, sem bem que depois seria difícil explicar como sobrevivem as empresas de mídia que pagarão os salários dos ex-alunos e futuros profissionais. Daí que eu entendo o "esquecimento".


Que os shoppings tenham se tornado a versão moderna e horrenda da sociabilidade urbana pública nem cabe mais reclamar, pois esta direção assumiu ares de fatalidade.

Mas o que dizer quando órgãos e verbas públicas são empregados no esforço de trazer mais consumidores, usando a velha e manjada abordagem da "cultura", que no fim aprisiona artistas e suas manifestações como enfeites chiques para estimular o consumo?

Desde já avisamos que nada temos contra o financiamento público de artistas, mas desde que seja para que se apresentem em locais PÚBLICOS e não imóveis PRIVADOS de acesso público.

Assim como também não haja nada demais que shoppings empreguem artistas. Mas com o dinheiro dos condôminos e outros financiadores PRIVADOS.


Se eu não me engano, a lei fala algo sobre o desvio de finalidade dos recursos públicos...Bom, eu devo estar engando.


Nota: De acordo com o divulgadô, um dos integrantes do sistema S, o SENAC, senão me engano, também apóia a inciativa. Fato complicado porque o dinheiro que sustenta o sistema é público, vem da contribuição social das empresas, logo, é parte dos tributos, e não pode ser usado ao bel prazer da administração.

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