quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um alerta!

Um perigo ronda a Democracia brasileira, e isto não é um comentário cínico.

Uma olhada rápida pelos prognósticos das intenções de voto das principais cidades brasileiras, os ajuntamentos urbanos com mais de 200 mil habitantes e as capitais, revelará um encolhimento significativo dos maiores(?) partidos da oposição, o dem e o psdb.

Nem o requentamento do "maior julgamento" da história deu a direita brasileira o alento e fôlego necessários para desgastar o governo e suas bases de apoio.

As principais dissidências estão na base do próprio governo, em um movimento óbvio das legendas que antes funcionavam como linha auxiliar, e agora se fortalecem como alternativa dentro do núcleo de poder central, onde o PT é a principal força.

O PSB é caso clássico.

O desaparecimento da oposição em sua forma político-orgânica, empurrada para os guetos das redes sociais e pior, para os nichos obscuros das redações das corporações privadas da mídia brasileira, onde o caso policarpo-delta-cachoeira-"revista óia" é o exemplo mais absurdo e claro dos perigos que rondam a democracia quando imprensa substitui um partido.

Este fenômeno delimita cortes cada vez mais intransponíveis, onde os grupos antagônicos são incapazes de dialogar, de debaterem qualquer ideia ou princípio de gestão de Estado, transformando a ação política em uma polêmica entre "surdos", com interdição absoluta de qualquer dialética possível.

A população, e alguns de nós, os mais esbaforidos, diga-se, comemoram, cada qual a seu jeito:

Com a hegemonia plena de um grupo, fica mais "fácil" a população soterrar escolhas, impregnando o processo político de um continuísmo perigoso, na medida em que não se trata apenas de aplauso a um projeto bem sucedido, mas também a acomodação e rejeição a qualquer dissenso.

Os mais afoitos entre nós comemoram a derrocada completa do adversário e seu extermínio da cena política.

Por motivos semelhantes, mas por lógicas distintas, acabamos por celebrar a continuidade, e por ironia, emperramos a dinâmica da política, retirando-nos a possibilidade de avançar em relação a temas necessários e urgentes, que precisam de certa ousadia radical para ganhar a chance de discussão, para construção de novos consensos.

Neste contexto, quem permanece lucrando são os de sempre, ou seja, aqueles que aprisionam a Democracia pelo poder econômico que representam.

Vejam o caso da prorrogação do IPI para determinados grupos industriais.

Analistas do porte de Delfim Netto e Gonzaga Beluzzo dizem que o que deu certo antes periga não repetir os efeitos agora, mesmo com todo impacto que automóveis e a linha branca tenham sobre a cadeia produtiva.

Há o risco grave de exportação de nossas divisas, através de subsídios a empresas que remetem seus lucros às matrizes.

Outro risco é de natureza mais imediata: O nível da capacidade de aquisição destes produtos está quase esgotado, o que diminui os efeitos desejados.

Enquanto isto, boa parte da indústria nacional patina entre a produtividade bisonha, defasagem tecnológica, e o assédio externo, que as colocam em um contexto de falta de competitividade brutal.

Nem assim, setores da oposição foram capazes de propor um debate sério.

A moda é o "mensalão".

Temos ainda outros temas difíceis, como política de combate ao tráfico de drogas, aborto, controle social da comunicação, etc, etc.

Com o cenário político atual, ou o governo cede e silencia, para não remexer tabus, ou a oposição grita apenas para demarcar campo no imaginário reacionário do senso comum, via seu principal partido político: a  mídia corporativa.

Enquanto isto, nossa Democracia vai enfraquecendo.

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