sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Realidade fantástica?

Vamos ao exercício da divagação descompromissada.

Imagine você que os recursos dos candidatos impugnados fossem negados, e restasse apenas a substituição das chapas.

Imagine ainda que neste contexto, o favoritismo mudasse de lado, e fosse vitorioso o candidato do PT.

Despregado de suas tradições, como o debate amplo com a sociedade civil organizada, sem nenhuma articulação que agregasse os quadros necessários a gestão administrativa, e pior, imobilizado por uma maioria parlamentar hostil, como seria o mandato do PT e seus aliados, supondo que os partidos de oposição ao atual governo optassem por aderir ao vencedor no esforço de governo?

Eleito o prefeito do PT, conhecido por sua incapacidade de enxergar nada além de seu próprio umbigo, versão de "déspota esclarecido", como seria a construção de uma gestão que alternasse o atual modelo, e que escapasse ao assédio dos empreiteiros e prestadores de serviço, adictos de longa data ao conforto das verbas públicas?

Como elaborar uma estratégia de administração, senão há sequer um programa de governo que seja apresentado, ainda que de forma precária, aos eleitores?

Qual seria a base social de apoio, considerando que a vitória seria muito mais um "incidente jurídico", e muito menos resultado do acúmulo de capital político?

Uma cidade com orçamento tão grandioso, e sobre a qual pesam demandas, frustrações e um histórico recente tão vergonhoso, merece respostas por quem se diz preocupado com ela.

4 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

Sabe que nas eleições passadas eu sempre pensava nisso? Claro que talvez não expressasse tão bem quanto você neste texto...

Roberto Torres disse...

Meu caro,

voltou de mansinho?

Só agora encontrei o blog atualizado la no Roberto.

Pois é...e se acontecer. Pra construir todos esses pressupostos (apoio social, parlamentar)seria necessário alguem com muita visao.
Nao conheco o candidato, mas a impressao que tenho é que ele sequer pensa nesses desafios.

Nao gostei do programa na tv. Apesar de tecnicamente eu nao ter achado ruim, nao fica claro para ninguem que se trata de um candidato de oposicao. Parece que ele nao quer ser visto assim, nao sei.

Nao falau nem dos problemas concretos, nem de possíveis solucoes. O projeto sobre a "vocacao natural" de campos para a agricultura além de medíocre conceitualmente (temos vocacao natural para a "escravidao" tb, nao é?), é vago no conteúdo.


douglas da mata disse...

Gustavo, grato pelo comentário generoso.

Roberto, acho que o programa ficou bom, tecnicamente, mas sobre o conteúdo político-programático vai ser apenas isto mesmo.

Há um medo incutido na cabeça de alguns marqueteiros que o eleitorado não quer um candidato ranzinha e que critique tudo.

É uma redução idiota para afastar qualquer chance de debate político sério, e manter a campanha na "perfumaria", que cabe exatamente no formato que os gênios da propaganda imaginam ser o ideal para apresentar ao eleitor.

Um abraço, e grato por ter nos achado.

Anônimo disse...

Só vi que você voltou a blogsfera hoje...

Não sei expressar minha satisfação de vê-lo de volta, senão com um MUITO OBRIGADO!

Paulo Sérgio.