terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os limites da ética...

Li agora a pouco, no no Blog do advogado Cláudio Andrade, que repercute um jornal virtual local, uma nota sobre o estado de saúde de uma colunista social da cidade, cujo filho é acusado pela polícia de ter ateado fogo a própria mãe.

Junto a nota um detalhado diagrama, que revela aos leitores a extensão dos ferimentos, com sadismo incomum.

Só faltou colocar fotografias.

Há algumas questões a serem consideradas neste tipo de contexto, principalmente quando as investigações estão em curso, e pelo que se sabe, sequer há um laudo oficial dos peritos médico-legais e criminais.

Desnecessário dizer o estrago irreparável que uma notícia desta causa nos leitores, pela natureza grotesca dos ferimentos, e pela suspeita que recai sobre um descendente.

Mas há por detrás da tentativa de se firmar no universo virtual, não pelo advogado, que já está sedimentado e apenas repercutiu o que leu, embora isto per si não o isente de renunciar ao sensacionalismo, mas por quem se apresenta como uma veículo "imparcial" (ora bolas, o que é isto, inodoro, insípido, incolor?), divulgar informações de uma paciente que jaz, justamente, nas instalações médicas de um dos que estão vinculados a editoria do veículo de comunicação virtual em questão.

Além da  possível quebra da ética médica, há o perigo, já tão banalizado em nossos meios de comunicação, de dirigir juízos do senso comum, promovendo uma inquisição midiática que nada ajuda a correta elucidação dos fatos, e principalmente, a ampla defesa, o contraditório e mais ainda, atrás do "furo" à qualquer preço, que ao que parece, contamina novas e velhas mídias, quer seja de um lado, quer seja do outro, quer seja em cima do muro da terceira opção.

Parece que a "imparcialidade", além de farsa, cedeu aos piores instintos.

Mas é bom frisar sempre: Nenhum de nós está livre de tais erros, e se eu estiver sendo muito "ranzinza" e minha crítica não for acertada, por favor, desconsiderem-na.

2 comentários:

Simone Coutinho disse...

Muito boa a sua colocação. Tudo ainda é prematuro. Isso acaba abrindo uma tendencia para a opinião publica.

douglas da mata disse...

Veja bem Simone, eu não critico tão somente o açodamento, mas principalmente o desrespeito ao direito a intimidade, que é sagrado na relação médico-paciente(inclusive protegido por lei).

A opinião pública sempre seguirá esta ou aquela tendência, mas como você pode notar, são aquele que se dizem "imparciais" que abusam do "contrabando" de opiniões sob a foram de "matéria".

Um abraço, e grato pela participação.