quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Estranha coincidência...fogo "amigo"? Não, tiro pela culatra.

Não costumo falar de assuntos policiais aqui neste blog por motivos óbvios. Mas esta questão extrapola a delegacia.

Nos últimos anos, este blog e alguns outros, criticaram fortemente a complacência com a qual foram tratados os produtores rurais que fornecem a cana-de-açúcar para as usinas locais no que diz respeito a legislação ambiental que proíbe as queimadas.

Pois bem, foram feitos vários remendos, contorcionismos, teve até deputado estadual local como líder dos agressores do ambiente.

Eu não sei bem o que ficou acertado legalmente, mas o fato é que agora, durante a safra, um fenômeno estranho vem acontecendo e sendo registrado nas delegacias locais, e basta o MP/RJ ou o MPF darem uma olhadinha para constatar, ou quem mais queira ver, principalmente a mídia, tão solidária com os pleitos dos "coroné".

Uma enxurrada de registros de incêndio nos canaviais.

Qual o objetivo? Ora, se eu noticio um crime (doloso ou culposo)  no meu canavial, eu remeto a responsabilidade a um autor desconhecido, desonerando-me da imputação penal e das sanções pela queimada.

Mais estranho é que os policiais e peritos, quando chegam nas propriedades, constatam que o fogo "criminoso" está comportadamente delimitado nas áreas destinadas a colheita, permanecendo intactas as cercas, e outros bens das propriedades.

Impassíveis, os órgãos ambientais nada fazem.

Resta a polícia, como tem sido feito, assumir mais esta carga desnecessária de trabalho, mas que no fim das contas poderá levar às barras dos tribunais os verdadeiros incendiários,que ainda podem responder por falsa comunicação ou estelionato, caso haja vantagem econômica mediante a fraude (falsa comunicação).

O pior problema mesmo é que esse pessoal, se for perguntado, negará, mas se as provas forem irrefutáveis dirão: "Fazemos isto para sobreviver, somos tudo gente de bem, somos trabalhadores, a culpa é da lei".

Ué, como se chama quem comete crimes?

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