sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Temporário? Talvez. De cabresto? Nunca!

Acertada a decisão judicial de, em caráter liminar, revogar o ato administrativo que contratou uma legião de trabalhadores "temporários" na PMCG.

No entanto, se bem conhecemos os que habitam as cadeiras do poder municipal, e que tentam concorrer a reeleição, voltarão à carga para reverter esse dissabor.

Os argumentos cínicos:
Se o novo governo não for reeleito, nunca mais emprego!
Quem provocou a demissão não pensa no trabalhador que precisa trabalhar!
A prefeitura não pode fazer concurso, porque não tem orçamento própria.

Ainda que consideremos o fato da prefeitura não contar com caixa para fazer impacto a contratação de servidores, antes é necessário responder:

Quantos servidores são, de fato, necessários e quantos são os servidores, entre estatutários e precários?

Eu nem vou mencionar que a prefeitura, e seus gestores, são responsáveis pelas políticas fiscais que devem criar condições para que suas demandas sejam atendidas, ora promovendo a cobrança de tributos de quem está devendo, ora aumentando a carga de quem pode pagar mais, consagrado no princípio constitucional tributário: a cada um de acordo com sua capacidade.

Antes de transferir milhões de isenções fiscais para empresas que geram poucos empregos e oneram os cofres públicos com os impactos, o governo deveria imaginar que dinheiro não "cresce em árvores".

Bom, mas se mesmo assim, se tudo o que aqui foi escrito estiver errado, e seja necessária a contratação de temporários, eu pergunto:

Por que não por concurso?

Afinal, esta é a única forma de licitar vagas em cargos públicos, qualquer que seja o regime jurídico na qual estejam vinculados os futuros trabalhadores.

A autofagia do Euro.

A única possibilidade de superar a crise já foi traçada na Europa, e é ortodoxa.

Suas chances de sucesso estão diretamente ligadas ao tamanho do sofrimento dos povos das nações envolvidas.

A própria História recente da Humanidade nos ensina que não se deve submeter a Democracia ao jugo do mercado, enfraquecendo-a como ferramenta de soluções de problemas, principalmente em um continente que já ofereceu ao mundo, no século XX, os dois conflitos sangrentos, onde 100 milhões de pessoas morreram, aproximadamente.

Esta lição parece esquecida, e as elites financeiras multinacionais, através dos bancos e outras instituições, insistem em  desperdiçar esta geração de pessoas, destruindo-lhes qualquer possibilidade de futuro plausível, jogando-as em um vácuo de incerteza e frustração.

Não são bons sentimentos para serem fermentados em um ambiente marcado por ódios seculares, étnicos, religiosos e de natureza econômica, sem mencionar as cicatrizes das guerras passadas.

Quem lê os jornais da região não acredita que os governos nacionais curvem-se a vontade do mercado, neste momento representado pelo "rigor fiscal" defendido pela Alemanha, e transfiram o pouco que resta de renda da maioria da população a banca rentista, sob forma de corte de benefícios e salários, investimentos sociais e aumento de impostos, enquanto tenta parar a hemorragia especulativa de capitais com um band-aid.

Esta talvez seja a pior verdade: Todo mundo a vê, mas não acredita que ela aconteça.

O El Pais anuncia que neste semestre, o volume de recursos que "fugiu" da Espanha, não sem antes engordar no fast-food do juro de curtíssimo prazo, chegou a pouco mais de 219 bilhões de euros.

Na outra ponta, a bordo do tarifaço, até uniformes e materiais escolares foram incluídos para alimentar o voraz apetites dos credores dos espanhóis.

Só nos resta aguardar, e torcer, pois, como dissemos, a mistura não é boa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Um alerta!

Um perigo ronda a Democracia brasileira, e isto não é um comentário cínico.

Uma olhada rápida pelos prognósticos das intenções de voto das principais cidades brasileiras, os ajuntamentos urbanos com mais de 200 mil habitantes e as capitais, revelará um encolhimento significativo dos maiores(?) partidos da oposição, o dem e o psdb.

Nem o requentamento do "maior julgamento" da história deu a direita brasileira o alento e fôlego necessários para desgastar o governo e suas bases de apoio.

As principais dissidências estão na base do próprio governo, em um movimento óbvio das legendas que antes funcionavam como linha auxiliar, e agora se fortalecem como alternativa dentro do núcleo de poder central, onde o PT é a principal força.

O PSB é caso clássico.

O desaparecimento da oposição em sua forma político-orgânica, empurrada para os guetos das redes sociais e pior, para os nichos obscuros das redações das corporações privadas da mídia brasileira, onde o caso policarpo-delta-cachoeira-"revista óia" é o exemplo mais absurdo e claro dos perigos que rondam a democracia quando imprensa substitui um partido.

Este fenômeno delimita cortes cada vez mais intransponíveis, onde os grupos antagônicos são incapazes de dialogar, de debaterem qualquer ideia ou princípio de gestão de Estado, transformando a ação política em uma polêmica entre "surdos", com interdição absoluta de qualquer dialética possível.

A população, e alguns de nós, os mais esbaforidos, diga-se, comemoram, cada qual a seu jeito:

Com a hegemonia plena de um grupo, fica mais "fácil" a população soterrar escolhas, impregnando o processo político de um continuísmo perigoso, na medida em que não se trata apenas de aplauso a um projeto bem sucedido, mas também a acomodação e rejeição a qualquer dissenso.

Os mais afoitos entre nós comemoram a derrocada completa do adversário e seu extermínio da cena política.

Por motivos semelhantes, mas por lógicas distintas, acabamos por celebrar a continuidade, e por ironia, emperramos a dinâmica da política, retirando-nos a possibilidade de avançar em relação a temas necessários e urgentes, que precisam de certa ousadia radical para ganhar a chance de discussão, para construção de novos consensos.

Neste contexto, quem permanece lucrando são os de sempre, ou seja, aqueles que aprisionam a Democracia pelo poder econômico que representam.

Vejam o caso da prorrogação do IPI para determinados grupos industriais.

Analistas do porte de Delfim Netto e Gonzaga Beluzzo dizem que o que deu certo antes periga não repetir os efeitos agora, mesmo com todo impacto que automóveis e a linha branca tenham sobre a cadeia produtiva.

Há o risco grave de exportação de nossas divisas, através de subsídios a empresas que remetem seus lucros às matrizes.

Outro risco é de natureza mais imediata: O nível da capacidade de aquisição destes produtos está quase esgotado, o que diminui os efeitos desejados.

Enquanto isto, boa parte da indústria nacional patina entre a produtividade bisonha, defasagem tecnológica, e o assédio externo, que as colocam em um contexto de falta de competitividade brutal.

Nem assim, setores da oposição foram capazes de propor um debate sério.

A moda é o "mensalão".

Temos ainda outros temas difíceis, como política de combate ao tráfico de drogas, aborto, controle social da comunicação, etc, etc.

Com o cenário político atual, ou o governo cede e silencia, para não remexer tabus, ou a oposição grita apenas para demarcar campo no imaginário reacionário do senso comum, via seu principal partido político: a  mídia corporativa.

Enquanto isto, nossa Democracia vai enfraquecendo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Todo cuidado é pouco...

Eu sei que se trata de uma implicância.

No entanto, minha observação se baseia em fato, em história, ou no caso do envolvido, em "folha de antecedentes".

Qualquer pessoa de bom senso, que tenha acompanhado com um pouco de atenção as últimas eleições, sabe de cor e salteado as artimanhas espúrias e escroques do candidato do psdb a prefeitura de SP.

Derrubou Roseana Sarney com o caso Lunus, utilizando um grampo ilegal e sua milícia na PF, comandada por um delegado, que depois virou secretário de segurança, e por fim, deputado.

Recentemente, na eleição presidencial contra Dilma, teve a discussão do aborto, uma polêmica alimentada por uma hipocrisia hedionda, com direito a exposição de sua esposa segurando imagem de santa em Aparecida do Norte, fervorosa católica pela vida, mas que teria praticado um aborto no exílio.

Asqueroso episódio, onde o candidato mostrou que não poupa nem os seus para emplacar suas táticas, neste caso, suas esposa, que também não posou ali inocentemente.

Depois, o caso da bolinha de papel.

Patético desfecho para um personagem político que não soube preservar sua biografia e entender o limite de seu capital político, transformando-se em um perfeito e odiável idiota.

Agora, pelo que anunciam as trombetas das pesquisas, o candidato despenca nas intenções de voto, e periga sequer disputar o segundo turno.

Então, aos adversários e aos nossos estômagos, a recomendação: Todo cuidado é pouco, e tirem as crianças da sala.

O pulso ainda pulsa...

Lugar comum: O trânsito em nossa cidade está a beira do caos.

Sabemos que é preciso elaborar conceitos que vão além dos problemas de tráfego, mas que impliquem em tornar possível a mobilidade urbana, dando ênfase as pessoas, e não carros, ou cargas, embora estes sejam elementos importantes.

No entanto, em escala de prioridade, temos pessoas, veículos e bens.

Os estudiosos gostam de usar uma metáfora simples e eficaz para ilustrar nossos problemas neste quesito.

A cidade é um ente vivo, um corpo, e as ruas seriam suas artérias, que dia à dia entopem com o acúmulo de veículos.

Dizem que nossa cidade infartará.

Eu ouso discordar.

Não sou médico, nem urbanista, mas o fato é que nossa doença de mobilidade se instala aos poucos, e trará uma imobilidade permanente, ao contrário de um ataque fulminante.

Estamos condenados a sequelas irreversíveis, e o que é pior, o coração da cidade está cada vez mais fraco.

Nas cidades, o coração é o centro.

As praças seriam os pulmões, ferramentas de convívio público, vitais, gratuitas e universais, onde a convivência prescinde o consumo, oxigenando o corpo da cidade.

Nossa cidade se transforma a cada dia, e o coração vai dando lugar a próteses estéticas, que são os centros de consumo, os shoppings, belos, outros nem tanto, mas inúteis para a manutenção da "sanidade urbana", só possível com a troca intensa entre a diversidade de organismos vivos do corpo da cidade, ou seja, seus cidadãos.

Como arranjos "artificiais" no corpo da cidade, trazem múltiplos "efeitos colaterais".

E assim vai a nossa cidade: Obesa tentando cirurgia plástica para correção de suas imperfeições.

Qualquer gestor público com o mínimo de bom senso saberia, ou desejaria saber planejar e debater com os munícipes as possibilidades e alternativas para um futuro onde a sobrevida da cidade não fosse "vegetativo".

Mas na verdade, estes gestores não se portam como "vacinas" para o corpo da cidade, e sim como parasitas que sugam toda sua vida!


O Pulso

Titãs

O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose, anemia
Rancor, cisticircose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe, leucemia
O pulso ainda pulsa (pulsa)
O pulso ainda pulsa (pulsa)

Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania
E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco
Assim...

Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia
Hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide, arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie, câimbra, lepra, afasia
O pulso ainda pulsa
O corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
Pouco, pouco
Pulso, pulso
Assim...


http://www.vagalume.com.br/titas/o-pulso.html#ixzz24zTFZxiC

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os limites da ética...

Li agora a pouco, no no Blog do advogado Cláudio Andrade, que repercute um jornal virtual local, uma nota sobre o estado de saúde de uma colunista social da cidade, cujo filho é acusado pela polícia de ter ateado fogo a própria mãe.

Junto a nota um detalhado diagrama, que revela aos leitores a extensão dos ferimentos, com sadismo incomum.

Só faltou colocar fotografias.

Há algumas questões a serem consideradas neste tipo de contexto, principalmente quando as investigações estão em curso, e pelo que se sabe, sequer há um laudo oficial dos peritos médico-legais e criminais.

Desnecessário dizer o estrago irreparável que uma notícia desta causa nos leitores, pela natureza grotesca dos ferimentos, e pela suspeita que recai sobre um descendente.

Mas há por detrás da tentativa de se firmar no universo virtual, não pelo advogado, que já está sedimentado e apenas repercutiu o que leu, embora isto per si não o isente de renunciar ao sensacionalismo, mas por quem se apresenta como uma veículo "imparcial" (ora bolas, o que é isto, inodoro, insípido, incolor?), divulgar informações de uma paciente que jaz, justamente, nas instalações médicas de um dos que estão vinculados a editoria do veículo de comunicação virtual em questão.

Além da  possível quebra da ética médica, há o perigo, já tão banalizado em nossos meios de comunicação, de dirigir juízos do senso comum, promovendo uma inquisição midiática que nada ajuda a correta elucidação dos fatos, e principalmente, a ampla defesa, o contraditório e mais ainda, atrás do "furo" à qualquer preço, que ao que parece, contamina novas e velhas mídias, quer seja de um lado, quer seja do outro, quer seja em cima do muro da terceira opção.

Parece que a "imparcialidade", além de farsa, cedeu aos piores instintos.

Mas é bom frisar sempre: Nenhum de nós está livre de tais erros, e se eu estiver sendo muito "ranzinza" e minha crítica não for acertada, por favor, desconsiderem-na.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sua Excelência...

Em um município muito longe daqui, mas muito parecido com o nosso, no final da década de 80, no século XX, um pequeno prodígio da política, deste tipo de liderança carismática, natural e irresistível, intuiu, muito antes dos livros e teses de doutorado, que haveria a derrocada do ciclo econômico agroindustrial, que até então dominava a paisagem, com a consequente perda de densidade política dos representantes ligados a esta elite decadente.

Na sua previsão, baseado em seu "tato empírico", o pequeno prodígio enxergou no rádio uma ferramenta multiplicadora de sua popularidade, com a construção de uma enorme base social de apoio, que prescindia do hermetismo dos partidos e suas estruturas orgânicas, e fora do alcance do poder da sociedade civil organizada, ora enfraquecendo, ora aparelhando as entidades que se colocassem como obstáculo ao incipiente projeto de poder.

Lógico que esta trajetória não foi linear como esta narrativa pobre.

O menino prodígio ia e vinha, se adaptava com incomum mobilidade, revelando uma incrível disciplina para cumprir o seu "destino manifesto": Ser presidente do país.

Um incidente de proporções gigantescas deu novas cores a esta história. A cidade foi premiada com uma montanha de recursos, pagos como indenização a extração de um tipo de riqueza mineral.

Muito pouca coisa resistira a dinheiro e vontade! Muito pouca coisa resistiu, e o menino pegou um atalho, chegou a governar o Estado, bem longe daqui, mas muito parecido com o nosso, e se candidatou a presidente, com um resultado fabuloso para quem concorreu praticamente só, sem nenhum partido de peso como lastro, e separado por poucos anos entre o anonimato nacional e 15 milhões de votos.

Para combater a plêiade de inimigos que esta carreira meteórica, por óbvio, traria, o menino prodígio trouxe a família para perto, e elegeu sua esposa: governadora e prefeita, e sua filha, deputada. Já o irmão tombou pelo caminho, julgado e condenado por alta traição pelo menino.

Tudo que sobe, desce.

Assim, em determinado momento, o menino prodígio já não encantava tanto, e nem era mais menino. O tempo cobrava a fatura das escolhas erradas, dos caminhos tortos e do que ficara por fazer.

Eis que o menino teve outra genial ideia, e agora não mais por intuição. Ou pelo menos, não só por intuição.

Parlamentar eleito, ex-governador, com trânsito em círculos diversos, o menino-nem-tão-menino-nem-tão-prodígio, após ouvir conversas ali e aqui, resolveu dar a tacada de mestre, ou seu ultimato.

Com controle de tanto dinheiro do orçamento da cidade na qual "reinava" por 20 e poucos anos, o menino propôs a criação de um novo estado, que compreendia justamente a área que controlava, com alguns municípios satélites no entorno, que trazia alinhados pela atração assimétrica entre ricos e pobres.

No entanto, a legislação daquele país tão longe daqui, mas tão parecido com o nosso, impunha que todos os moradores do estado votassem no plebiscito de cisão do estado, o que por óbvio impediu a manobra.

Mas o menino-nem-tão-menino-nem-tão-prodígio não desistiu.

A "travessura" do menino alertou os ouvidos da Águia do Norte e seus embaixadores.

Opa, estava ali uma oportunidade única.

Depois da desfeita promovida por um procurador quixotesco, que insistia em "atrapalhar" os interesses de uma das sete irmãs (que agora eram quatro), a Águia começava a assuntar outras estratégias para redefinir o mapa energético do cone sul do planeta, onde jazia uma reserva ainda não dimensionada, e ao mesmo tempo, nas mãos de governos, senão hostis,  mas pouco inclinados a uma submissão automática,como em tempos pretéritos.

Os advogados já começavam a preparar a tese de que estas reservas não pertenciam ao país do menino, nem ao estado, e muito menos do município, mas sim a águas internacionais, onde boiava solene e soberana a 4ª Frota.

E não é que o tal menino poderia servir a um atalho? Sabedores dos seus delírios frustrados de poder presidencial ou monárquico(mas sempre absolutista), os embaixadores da Águia chamaram-no para uma conversa reservada, tão reservada que nem o Wikileaks vazou.

Pelo porto particular de uma magnata local, que por sua natureza privada permitia driblar a fiscalização, entrariam as armas.

A 4ª Frota e os marines no litoral, à postos, como em 1964.

Base aérea de um país vizinho ao sul, cujo presidente foi, recentemente, apeado do poder, como suporte logístico.

Uma aliança estratégica com outro estado separatista, que já tentara algo parecido em 1932, garantiria suprimentos de sua poderosa indústria, e a chance de se tornar também independente e reativar seu decadente parque industrial.

Pronto, o menino maluquinho declarou guerra a presidenta, e lançou-nos em sua última aventura, tentativa tresloucada de fazer o futuro se curvar ao seu desejo:

Vida longa ao presidente dos Emirados do Chuvisco, gritavam 22 fanáticos do Pelotão dos Rebeldes!


Planície de humor

Evolução:

De


De

De


De

Ato falho.

Um traço comum a maioria, senão todos os candidatos do PT, é o uso do "bottom" com a estrelinha do PT no peito.

Estranho o fato do candidato do PT local abdicar desta importante simbologia. Bom, quer dizer, quem conhece seu histórico com a sigla nem estranha tanto assim...

Um candidato escondido no passado!

Quem chamou atenção foi o amigo e companheiro Roberto Torres, observador arguto.

A propaganda eleitoral do PT parece anacrônica, e nos informa uma tremenda falta de conteúdo.

Falar em "resgatar a tradição agropecuária" da região causa até arrepios. Como assim? A lembrança e a atualidade em relação a nossa monocultura não nos autorizam a acreditar que sejamos capazes de nos redimir queimando cana e escravizando gente em pleno século XXI.

Tradição? Como assim? Vamos re-inaugurar o pelourinho?

Cadê os problemas da cidade, os ônibus da Tamandaré caindo aos pedaços, mesmo recebendo milhões de 1 real, o lixo nas ruas do Santa Rosa, o esgoto à céu aberto na Codin, as filas nos postos de saúde, etc, etc, etc?

Nada contra uma politica pública de incentivo e fomento a agricultura, ao contrário.

Mas contando com mais de 70% de moradores na zona urbana, é de se perguntar: O que espera o candidato, ganhar as eleições com votos do patronato sucroalcooleiro, selando uma inóspita aliança, incomum até para os "novos padrões" ideológicos do PT?

Com a avalanche de investimentos de escala que se avizinham, o candidato tem a nos dizer que deseja uma volta a "tradição"?

Bom lembrar que esta atividade econômica tradicional nos legou legiões de analfabetos e famélicos que, com a derrocada deste sistema produtivo, lá nos idos dos anos 80 do século XX, inchou as nossas periferias urbanas, que por coincidência ou não, foi, justamente, a base social de apoio político do grupo que chegou ao poder em 1988 e permanece até agora.

Mudou Campos para tudo ficar igual.

Será que o petista imagina uma volta deste pessoal ao campo, girando a roda do tempo ao contrário? Não ficou claro, embora o tempo de TV dê quase para uma defesa de tese de doutorado.

Questões de escolha, e eu respeito, embora estranhe.

Não seria o caso de falar, já que o tema agricultura semi-feudal parece ser de predileção, em assentamentos abandonados, falta de estrutura e serviços públicos aos pequenos produtores, mudança dos hábitos e tecnologias para por fima as queimadas e ao trabalho escravo?

Não seria o público alvo de um partido de trabalhadores?

Bom, que sou eu para contrariar os "magos do marquetíngue"?

Outro problema, desta vez observado por mim mesmo:

A campanha parece encravada em um paradoxo: Fazer um candidato desconhecido "aparecer", mas ao mesmo tempo parece "esconder" o candidato em repetidas inserções nas quais só aparece o governador e senador que o apoiam.

Não seria o caso dos apoiadores apresentarem o candidato, abraçados à ele?

Afinal, o candidato é o médico, ou é o governador para prefeito, e o senador para vice, ou vice-versa?


Uma confissão assinada, e com milhares de testemunhas...

Eu não creio que esta fosse a intenção do casal prefeita e deputado, quando no comício da verdade deles, subordinaram a continuidade do repasse dos royalties a esta cidade a presença deles no comando do executivo.

É claro que foi uma frase de efeito, destinada a criar uma comoção, uma necessidade desesperada de contar com apoio da população.

Tudo bem, isto é de jogo político, e nem cabem os comentários dos adversários, afinal, quem tem boca fala o que quer, e sabemos que atos "dramáticos" têm certa utilidade em momentos ruins da disputa.

O problema são os detalhes, as entrelinhas, ou seja, o que move este discurso:

Quando dizem que o dinheiro depende deles, revelam, inconscientemente, o quanto consideram a cidade e seus recursos uma propriedade privada, que deve servir a seu grupo político e interesses dos seus aliados.

Mais ou menos como aquele garotinho dono da bola, que preterido no "par ou ímpar", mela o jogo ao levar a bola consigo para casa.

Uma atitude típica dos "coronéis" de outrora, e de alguns "coronéis" de hoje, que ainda ladram que o destino desta terra está atado fatalmente a continuidade da queima de canaviais, trabalho escravo e a "tradição monoculturista".

Como se vê, estranhamente, nas dobras do tempo e da História, aquilo que se dizia tão diferente, e que ocupavam campos distintos no cenário político local, hoje compartilham o mesmo teor ideológico.

No entanto, de certo modo, o deputado acabou por atirar no que viu, e acertou no que não viu:

Ao contrário do que disse o deputado, justamente a permanência deste grupo e suas práticas em relação a este dinheiro é que pode nos privar dele.


domingo, 26 de agosto de 2012

Toda nudez não será castigada.

Com certa dificuldade de escrever, após o hiato no qual este blog esteve submetido, oscilei entre "palpitar" sobre a proposta da nova Lei Antidrogas (o nome em si, uma piada de mau gosto) e as relações tupiniquins de imprensa corporativa com o chamado "populismo judiciário", neologismo cunhado por alguns para identificar a promiscuidade da Justiça com a necessidade de atender os reclames da "opinião publicada".

Após uma breve olhada em alguns veículos internacionais, me convenci a trocar o objeto, embora o tema seja o mesmo: Sociedade, liberdade e regulação da mídia.

Eis a manchete da página eletrônica do The Independent:

Angry Murdoch used harry photos to defy Levenson 
(algo mal traduzido como: Murdoch enfurecido usa fotos do prínicipe nu para desafiar Levenson).

Você pode ler o texto completo clicando na manchete acima.

Nesta semana que passou, o príncipe Harry, o terceiro na cadeia sucessória do trono inglês, teve sua intimidade escancarada pela publicação de fotos suas, nu, em uma festa em Las Vegas.

Nenhuma novidade, diriam os que acompanham os percalços da realeza britânica e sua relação de amor e ódio com a mídia, calcada em sua vocação humana de exposição a escândalos de toda natureza.

Havia uma recomendação aceita em todos os veículos pela preservação da intimidade de Harry, pelo consenso de que o príncipe, ainda que uma persona publicae, e oficial da RAF, teria direito à privacidade, principalmente, se considerado o fato de que as fotos foram registradas DENTRO de um quarto de hotel, e não em local público.

Murdoch, de acordo com o The Independent, rompeu o "acordo" e mandou publicar as fotos em desafio direto a Lord Levenson, o responsável pelo Levenson Inquiry (Inquérito Levenson), que apurou os graves crimes cometidos por Murdoch e seus subordinados, que manipulavam fatos para ampliar a relevância das matérias que publicavam, e usavam como ferramentas principais, a exposição e invasão de privacidade e sigilo dos envolvidos em dramas e tragédias.

No caso Harry nu, Murdoch mais uma vez tentou contrabandear a velha ameaça a liberdade de imprensa (que na Inglaterra, pelo jeito, não está nem de longe ameaçada), rebelando-se contra um suposto senso comum dos concorrentes que estariam se curvando ao controle estatal representado por Levenson.

Em outras palavras: Os jornais e outras mídias inglesas aceitaram não publicar menos por respeito a privacidade, e mais por temor do relatório Levenson, que trará recomendações e sanções não só ao grupo de Murdoch, mas a toda mídia.

Na verdade, o bom senso dos concorrentes entendeu por preservar a intimidade de uma pessoa pública, por absoluta falta de relevância em expô-lo em sua intimidade, sinal de franca evolução da mídia inglesa em relação a passado recente.

Mas ainda assim, se fosse por temor a uma ação de controle social, nada haveria de errado, pois é bom lembrar: É a mídia que serve à sociedade, e nunca o contrário.

Em sua visão torta e absolutista, a "liberdade de imprensa", que na verdade, nada mais é que a ditadura dos donos da mídia, Murdoch mais uma vez usou a intimidade de alguém para satisfazer suas demandas pessoais de poder e interesses empresariais.

Incrível semelhança com o caso "óia-cachoeira-policarpo-delta".

Lá, como cá, um grupo de mídia, através de seus executivos e editores, promiscuiu-se com criminosos para alterar e manipular os fatos, quebrar sigilos, invadir privacidade, tudo de acordo com interesses de pessoas e grupos ligados ao esquema.

Lá, houve uma reação de outros grupos de mídia (até pelo básico instinto de sobrevivência/concorrência), e da sociedade, que se materializou em um inquérito (Levenson Inquiry), onde as relações de prostituição da liberdade e sigilo de fontes foi devassada, com prisões de envolvidos (todos do "estado-maior" de Murdoch), exposição das relações com integrantes do gabinete do primeiro-ministro Cameron.

Aguarda-de o relatório, e o last shot de Murdoch parece ter sido mostrar o príncipe nu. Na verdade, Murdoch acabou por revelar muito mais de suas entranhas e do seu grupo de mídia.

Por lá, nenhum lamento que a ação de controle estatal, em nome da sociedade, seria um atentado a liberdade de imprensa e as liberdades individuais.

Bom, as semelhanças acabam por aqui, infelizmente.

No Brasil, grupos de mídia, reunidos para impedir qualquer questionamento a seus métodos, chantageiam a nação com a surrada "ameaça as liberdades".

Ora, nada mais ameaçador que corporações que se colocam acima da sociedade e do próprio Estado, e de seus meios de controle

As manobras parlamentares para evitar que editores da "óia" se submetam ao poder inquisidor parlamentar podem até ser legítimas, do ponto de vista formal, uma vez que as decisões da CPMI são legitimadas dentro do jogo democrático.

No entanto, os argumentos são cretinos. Aliás, como sempre.

Está claro que deputados e senadores que mantêm ligações com os grupos de mídia, ou que os temem, atenderam ao chamado e defenderam a posição dos barões da comunicação e seus acólitos.

O que há no Brasil é uma disputa política entre os que entendem que a mídia deve ser submetida a um controle social permanente, como todos NÓS, e os que defendem a liberdade de imprensa como uma valor absoluto.

Na terra da rainha, esse problema parece resolvido. Todos os interesses estão nus.

Já por aqui...parece haver muita sacanagem por detrás das cortinas e do pudor hipócrita das roupas bem talhadas...

sábado, 25 de agosto de 2012

No limite...



Eu não resisti, e copiei a foto do blog do Roberto, no post Semblantes ?

Tenho meu palpite para tanta tensão, ei-lo:

É o evento de lançamento do filme trash-kitsch, que pelo figurino e pelo roteiro mistura Almodóvar com Zé do Caixão, e quem sabe trilha sonora de Carlos Imperial:

Casal à beira de um ataque de nervos!


Bom exemplo.

É verdade que a legislação não exige a revelação da identidade dos doadores de campanha até a prestação de contas.

Mas seria muito mais honesto proporcionar ao eleitor a exata noção de quem financia quem, e claro, o que espera em troca.

Saberíamos, por exemplo, quem são os empresários que apostam em todos os candidatos de forma proporcional às chances de vitórias, de acordo com a análise do "investidor".

Uma forma de manter um "canal aberto" caso as "zebras" surpreendam.

Agora, como você pode aceitar, eleitor, que um empreiteiro doe dinheiro para projetos que se dizem tão diferentes, se a expectativa deles é uma só: ganhar dinheiro com as obras que o futuro prefeito(a) fará para lhe beneficiar?

Vai ver que os concorrentes nos quais apostam são bem mais parecidos que dizem ser. Talvez, quem sabe?

São estas e outras questões que ficariam à luz do dia, e possibilitariam uma escolha plena do eleitor.

O eleitor, se quisesse, escolheria o candidato(a) bancado pelos mais ricos, e não poderia se queixar depois que a maioria da população foi esquecida, ou que as obras e serviços pagos com o dinheiro público servem para "devolver" o investimento destes pequenos grupos de privilegiados "amigos do rei(ou da rainha)".

O eleitor saberia e escolheria, se quisesse, que tipo de transporte público teria: Um licitado, com concessão regulada e eficiente, ou carroças que consomem milhões de subsídios, sob a fraude de que tudo isto custa apenas 1 real.
Ué, se o dinheiro para manter este escandaloso programa é do contribuinte/eleitor, e até hoje  tudo permanece sem uma auditoria séria e honesta, como dizer que ele "só" paga 1 real?

Com a identificação dos doadores, o eleitor saberia quanto vai custar o leite em pó das crianças internadas nos hospitais públicos, onde o dinheiro do PREVICAMPOS vai ser aplicado, e por aí vai.

Fica aí o desafio para quem tem coragem: Dizer a VERDADE, e nos informar quem banca as campanhas, para que saibamos o quanto isto vai nos custar depois.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Marcelo...freixo...frouxo? Não, era só farsa!

Quando o deputado-vigilante do PSOL disse que se auto-exilaria por causa das supostas ameaças das milícias, e depois disse e desdisse, com a cumplicidade das famigeradas ONGs, que adoram nos cagar regras sobre direitos humanos, enquanto cantam fininho nos seus países de origem, eu publiquei um texto neste blog, questionando a (im)postura do deputado.

O texto, mesmo com o período de recesso do blog, é um dos mais acessados, como você pode ver aí do lado.

Recebi uma chuva de comentários e críticas, e fui chamado de "ideólogo das milícias", em um reducionismo rasteiro, típico de quem não tem argumentos e pretende apenas desqualificar o interlocutor. Tática antiga.

Na época, mencionei que era preciso enfrentar as milícias com trabalho inter-institucional sério, que afaste os holofotes e a tentativa de auto-promoção.

Este oba-oba, que tornou o deputado parecido com um tipo misturado de "datena-wagner montes" lapidado, que permitiu ao deputado-herói solitário utilizar tema tão grave como plataforma política de uma nota só.

Na época das supostas ameaças, nem o PSOL aderiu ao deputado e sua história. Sequer uma nota de apoio.

Se ele recebeu ou recebe ameaças? Pode ser!

Mas isto tem muito mais que ver com a publicidade que lhe beneficia, que com o seu trabalho em si.

Agora, o deputado, depois de ganhar os holofotes, se tornou candidato a prefeito na cidade do Rio de Janeiro, e pasmem....O medo, o pânico sumiu, e o candidato anda fagueiro como convém a alguém em campanha.

Tsk, tsk, tsk....santa ingenuidade, Batman!

Realidade fantástica?

Vamos ao exercício da divagação descompromissada.

Imagine você que os recursos dos candidatos impugnados fossem negados, e restasse apenas a substituição das chapas.

Imagine ainda que neste contexto, o favoritismo mudasse de lado, e fosse vitorioso o candidato do PT.

Despregado de suas tradições, como o debate amplo com a sociedade civil organizada, sem nenhuma articulação que agregasse os quadros necessários a gestão administrativa, e pior, imobilizado por uma maioria parlamentar hostil, como seria o mandato do PT e seus aliados, supondo que os partidos de oposição ao atual governo optassem por aderir ao vencedor no esforço de governo?

Eleito o prefeito do PT, conhecido por sua incapacidade de enxergar nada além de seu próprio umbigo, versão de "déspota esclarecido", como seria a construção de uma gestão que alternasse o atual modelo, e que escapasse ao assédio dos empreiteiros e prestadores de serviço, adictos de longa data ao conforto das verbas públicas?

Como elaborar uma estratégia de administração, senão há sequer um programa de governo que seja apresentado, ainda que de forma precária, aos eleitores?

Qual seria a base social de apoio, considerando que a vitória seria muito mais um "incidente jurídico", e muito menos resultado do acúmulo de capital político?

Uma cidade com orçamento tão grandioso, e sobre a qual pesam demandas, frustrações e um histórico recente tão vergonhoso, merece respostas por quem se diz preocupado com ela.

Não é mera coincidência.

A criminalização e judicialização da política, que por sua vez é refém do poder econômico que compra no caixa 2 a agenda dos governos, já foi tratada aqui neste blog em várias oportunidades.

Lógico que nossa opinião não defende um "vale-tudo", mas apenas quer trazer ao debate questões que, a nosso ver, ameaçam a construção e maturação de nossa Democracia recente.

No entanto, há situações e situações.

Em alguns casos fica evidente o quanto certos modelos de gestão e os grupos que os controlam são reféns da lógica perversa: Financiamento ilícito = voto = favores e obras = desvio = financiamento ilícito...

Só isto explica que nesta disputa eleitoral  pela prefeitura de Campos dos Goytacazes, os dois candidatos, a que detém e o que deteve mandato, estejam com suas candidaturas penduradas em recursos judiciais.

Na verdade, este é o laço que os une, que os torna, como sempre dizemos, as duas faces da mesma moeda.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Story of Stuff - Completo e legendado em português



A história das coisas. Um videozinho que aborda alguns conceitos como ambiente, consumo, produção, etc.

A recomendação foi de minha sobrinha e fico sinceramente feliz que ela comece a desenvolver sua visão própria dos processos, em meio a enxurrada de informações massificantes na qual está soterrada, como todos nós.

É claro que o vídeo tem simplificações, reduções e algum exagero.

Mas é didático, e traz um conceito claro: Como o poder econômico subordinou governos que escolhem tratar da parte mais privilegiada em detrimento do interesse das maiorias que os elegeram.

Vai começar tudo outra vez...

Obstrução de vias públicas, ocupação de prédios públicos, impropérios dirigido às Autoridades constituídas, desequilíbrio, massacre radiofônico nos programas chapa-branca, etc e etc.

A julgar pelo tom da família da prefeita, seria de bom tom o TRE e quem mais de direito, convocassem reforço no aparato de segurança, se preciso for, com auxílio da força nacional ou o Exército.

De fato, o pessoal "de cima" faz tudo isto de caso pensado, pura encenação.

Mas o problema são os puxa-sacos, que no afã de parecerem mais realistas que os reis, podem meter os pés pelas mãos.

Afinal, quem se submete a dinastia desse pessoal não tem muita condição de discernir sobre os limites da ação política legítima e o vandalismo.

Estranha coincidência...fogo "amigo"? Não, tiro pela culatra.

Não costumo falar de assuntos policiais aqui neste blog por motivos óbvios. Mas esta questão extrapola a delegacia.

Nos últimos anos, este blog e alguns outros, criticaram fortemente a complacência com a qual foram tratados os produtores rurais que fornecem a cana-de-açúcar para as usinas locais no que diz respeito a legislação ambiental que proíbe as queimadas.

Pois bem, foram feitos vários remendos, contorcionismos, teve até deputado estadual local como líder dos agressores do ambiente.

Eu não sei bem o que ficou acertado legalmente, mas o fato é que agora, durante a safra, um fenômeno estranho vem acontecendo e sendo registrado nas delegacias locais, e basta o MP/RJ ou o MPF darem uma olhadinha para constatar, ou quem mais queira ver, principalmente a mídia, tão solidária com os pleitos dos "coroné".

Uma enxurrada de registros de incêndio nos canaviais.

Qual o objetivo? Ora, se eu noticio um crime (doloso ou culposo)  no meu canavial, eu remeto a responsabilidade a um autor desconhecido, desonerando-me da imputação penal e das sanções pela queimada.

Mais estranho é que os policiais e peritos, quando chegam nas propriedades, constatam que o fogo "criminoso" está comportadamente delimitado nas áreas destinadas a colheita, permanecendo intactas as cercas, e outros bens das propriedades.

Impassíveis, os órgãos ambientais nada fazem.

Resta a polícia, como tem sido feito, assumir mais esta carga desnecessária de trabalho, mas que no fim das contas poderá levar às barras dos tribunais os verdadeiros incendiários,que ainda podem responder por falsa comunicação ou estelionato, caso haja vantagem econômica mediante a fraude (falsa comunicação).

O pior problema mesmo é que esse pessoal, se for perguntado, negará, mas se as provas forem irrefutáveis dirão: "Fazemos isto para sobreviver, somos tudo gente de bem, somos trabalhadores, a culpa é da lei".

Ué, como se chama quem comete crimes?

Foi dada a largada

Irresistível não comentar os programas eleitorais de ontem, que veicularam as mensagens dos candidatos majoritários.

Embora um pouco longa, a música do candidato do PT tem um refrão bom, e isto é o que importa. Sua abordagem pessoal é regrinha básica da escola que faz a mídia do PT: humanizar e aproximar o candidato do eleitor, que diga-se, parecia bem à vontade na frente das câmeras.

O candidato do PDT, com pouco tempo, usou e abusou da fórmula melodramática (coração), que no caso dele, é uma fórmula testada e que lhe dá algum resultado.

O candidato do PSOL mostrou sua disposição de denunciar o mau uso do dinheiro público, mas sabemos que só isto não basta para politizar uma candidatura.

O mesmo para o candidato do PRP, que reforçou sua condição de "ficha-limpa", como se honestidade fosse virtude e não obrigação.

Aguardemos os próximos capítulos

Alguma coisa está fora da ordem...

Clico ali, clico aqui, e pela rede local a mesma expectativa, salvo raras exceções.

Todos a esperar a espada de Dâmocles ceifar a candidatura da atual prefeita para um novo mandato.

É pública e notória minha posição política em relação ao governo e ao modelo de gestão que representam.

Mas muito mais me preocupa que o fato mais relevante da campanha, e por conseqüência, a maior possibilidade de mudança no cenário local, seja pela via autocrática judicial.

Dirão alguns, entre ingênuos e outros nem tanto, que a Justiça não é culpada, pois apenas cumpre seu papel.

Nem tanto.

Primeiro, porque sua leniência só a torna injustiça qualificada, como diria Rui Barbosa.

Depois pela sua "estranha seletividade".

Fica claro (e vários eventos já revelaram isto) que juízes não são nada mais, nada menos que humanos, e portanto, suscetíveis aos mesmos erros e tentações.

Por outro lado, é fato que a Justiça atende uma demanda, justamente porque não somos capazes de criar um sistema político, aí entendido partidos, formas de financiamento, etc, que dê conta de soltar suas amarras que sufocam o exercício democrático do voto:

01- O aprisionamento da política pelo poder financeiro;

02- O engessamento das eleições pela judicialização e criminalização da atividade política.

Enquanto isto, dado o favoritismo da prefeita e suas anotações em ficha suja, esperamos pela Justiça dizer quem será o provável futuro prefeito(a).

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A gata borralheira do Atlântico.

Vale à pena ler o texto publicado na página da Carta Capital sobre a nossa vizinha Macaé.

Guardadas todas as devidas proporções, é bom entender o que vem por aí em toda a região, embora os "cosmopolitas de província" insistam em se curvar a todo empreendimento de escala, como se "Bwana" nos fosse trazer o "paraíso terrestre".

Clique na chamada e leia:

Nações Unidas destacam problemas do crescimento de Macaé



Prejuízo à perder de vista.

Em tempos eleitorais, há assuntos proibidos e outros preferidos. 

Pelos motivos óbvios, nenhum candidato se atreverá a falar em contratados: 
Os da oposição com medo da chantagem dos governistas, que dirão que o "passaralho" atingirá os contratados que não votarem pela reeleição. 
A seu lado, os governistas nada falam porque seria como entregar uma confissão: Emprego temporário ou "contratado" é igual a voto.

E assim todos seguem, fingindo que a realidade não existe, embora uns se beneficiem vergonhosamente dela, e outros sejam prejudicados por ela, mas também por sua omnissão.

Há outro tema espinhoso que também não merece atenção dos candidatos:  É o PREVICAMPOS.

Recentemente, dada sua natureza autônoma, o PREVICAMPOS teve seu patrimônio colocado em risco por uma proposta obscura: O governo lançaria mão de seus recursos(quer dizer, dos servidores)e daria moedas podres em garantia, entre elas o decadente Mercado Municipal.

Logo depois, o Banco Cruzeiro do Sul, cujos interesses estão vinculados ao pessedista Índio da Costa (daí o silêncio estranho do deputado estadual pessedista local), foi à lona, e com ele, possivelmente, milhões do PREVICAMPOS, embora a falta de transparência não permita afirmar ou negar.

Como os candidatos não tocarão neste assunto, uns para cumprir acordos e outros para esconder seus deslizes administrativos, fica a sugestão:

O PREVICAMPOS é um patrimônio dos servidores públicos municipais, cujo interesse está sob ameaça iminente, ameaças tais que podem se concretizar em um futuro que tornará inócua qualquer medida atrasada.

Desse modo, cabe a Tutela Coletiva do MP/RJ, embora eu não tenha certeza se esta é a instância correta, propor um Inquérito Civil Público e depois, se for o caso, uma Ação Civil Pública, exigindo uma auditoria externa imediata nas contas do fundo de pensão, com a publicação seus balancetes no D.O, com a responsabilização imediata dos que tiverem incorrido em má gestão ou fraude.

Tudo isto não prejudica que o sindicato dos servidores exija em Juízo, em conjunto com o MP/RJ, que os gestores do fundo informem qual a medida judicial que adotaram depois da quebra do banco para reaver os recursos que, porventura, tiverem sido tragados pela quebra do banco, sob pena de responderem, inclusive, por prevaricação, peculato, crimes contra a lei 8666(lei de licitações, na medida que era necessário certame público para definir qual banco deteria as contas de investimento do PREVICAMPOS), etc, etc, etc...


Direito "afunda" em águas "internacionais"

Já que falamos de direito aí embaixo, vai a notinha curta:

O próximo conflito, que já teve digamos,  um "aquecimento", com a luta quixotesca do procurador Eduardo Oliveira contra os "brucutus" da Chevron, vai ser a "discussão" dos limites territoriais de nossa bacia continental e, voilá, das "nossas" reservas do pré-sal.

Não custa lembrar que neste "debate", encomendado a peso de ouro nas bancas advocatícias, vai ser misturado a questão dos royalties e a metodologia utilizada pelo IBGE para definir os limites dos municípios sobre a área de produção.

E se de tudo não der certo, está aí a 4ª Frota, novinha em folha e rangendo os dentes para resolver a "parada".

Este negócio de petróleo, definitivamente, não é para amadores.

Justiça para quê, por quê e para quem?

Sistemas jurídicos sempre servem a propósitos políticos.

Ainda que estruturados sob normas e estamentos que requeiram técnicas e processualismos formais, nunca é demais lembrar a natureza política das leis.

Todavia, para além destas premissas há o uso político da aplicação das leis e do direito positivo, que de certa forma, representam para a sociedade e para o público externo (outras nações), o comportamento de cada povo diante seus conflitos.

Um país que encarcera em sua maioria pretos, pobres, semi-analfabetos das periferias, não pode se orgulhar de fazer justiça, já dissemos várias vezes.

Atualmente, em tempos de mega-espetáculos jurídicos via TV STF, a possibilidade de uso político strictu sensu da Justiça está cada vez mais latente, onde pessoas ou grupos de interesse se apropriam das sentenças para usá-las como ferramenta em disputas eleitorais ou de outra natureza.

Dirão alguns que o uso dos infortúnios dos adversários é natural na Democracia.

Claro, eu sei; No entanto, o problema é a pressão descomunal e desproporcional sobre este ou aquele caso, por quem detém os meios para fazê-lo, a fim de criar uma versão dos fatos que se auto-realize.

Não escapam deste constrangimento nem os fiscais da lei, pois:

Como explicar que o Ministério Público, presentado pelo seu Procurador Geral tenha, de um lado, denunciado em uma peça tão carente de provas e sustentação, como pareceu-nos ser a do "mensalão", e de outro lado, tenha engavetado por seis anos (desde 2006) um processo tão recheado delas, como foi a Operação Monte Carlo, que deu a origem a CPMI do cachoeira-veja-demóstenes-delta?

Lato sensu, o uso político da Justiça consiste em aplicar penas proporcionais, caso a caso, que inibam ou desencorajem novos delitos.

Não é o que temos assistido aqui.

Nos jornais The Independent e El Pais nas edições eletrônicas de hoje temos dois exemplos de que não estamos sozinhos.

Os ingleses, por motivos óbvios, questionam a decisão da justiça chinesa, que condenou a apenas 09 anos uma chinesa que matou, por envenenamento, o sócio inglês de seu marido chinês, que supostamente teria ameaçado o filho do casal e o próprio pai.

A despeito das questões do caso em si, os britânicos aventam que o desfecho "favorável" só foi possível pelas ligações políticas do caso com o partido comunista chinês.

O normal na China seria a pena de morte que, de acordo com outros observadores, são convertidas na taxa de 99.5% em pena perpétua, comutada em condicional após alguns anos de cumprimento.

Isto é: A China, ao contrário do que dizem nossos rigorosos penalistas locais, defensores da pena capital inclusive, usam, abusam e manipulam tais penas como instrumento político, e agora, neste caso concreto, para interesses partidários.

Aos que apelam para os benefícios do excesso de rigor oriental com seus criminosos, em detrimento da nossa frouxidão latina-ocidental, a frustração: Também lá, alguns são mais iguais que outros perante a lei e sua aplicação.

O outro caso, o espanhol, é um pouco mais complexo:

Trata do processo de extradição de um franco-italiano, preso em Barcelona por roubar ciberneticamente os dados de correntistas que escondiam suas fortunas (chamadas pelo público de "opacas") em um Banco Suíço.

Detalhe 1: Não existe sigilo bancário na Espanha.

Detalhe 2: O Ministério Público espanhol aventa a possibilidade de opinar pela sua colaboração em troca de sua permanência em solo espanhol.

Como vemos, há uma montanha de conflitos que não obedecerão qualquer regra senão a necessidade política dos governos em satisfazer seu público.

Eu não tenho uma opinião clara, mas apenas vontade de refletir sobre o assunto.

Em crise econômica aguda, a ideia de um "justiceiro-vingador-caçador-de-milionários opacos" é sedutora, a despeito das noções de violação da soberania Suíça, e das acusações que o "vigilante" desejava nada mais, nada menos que vender suas informações.

De certa forma vai "vender", só que o preço será bem maior: sua liberdade.

Detalhe 3: Depois da notícia de seus dados, milhares de contribuintes correram ao fisco de seus países para acertar as contas com o Leão.

Fica a dúvida: O poder de fiscalizar e  até de regular a existência de um sistema que permite tais sonegações vai depender cada vez menos dos Estados Nacionais e vai ser delegada a indivíduos, cheios de "boas intenções"?

Não é mais ou menos esta a natureza "moral" que legitima nossos esquadrões da morte?

Em tempos de Assange, e de outros pontos de atrito internacionais ou nacionais, é interessante notar como os sistemas jurídicos vão se contorcendo para atender a necessidade cada vez maior de que suas decisões satisfaçam, perigosamente, uma opinião "publicada", que por sua vez é controlada por grupos específicos, derretendo a noção de legitimidade que é própria e vital para a Justiça.

São tempos estranhos em uma dimensão cinzenta.

Dúvida atroz!

Já que não há menor chance do governo atual admitir que a contratação de temporários desequilibra a disputa ao pleito de outubro próximo, fica a pergunta:

Afinal, quantos são os contratados pela PMCG?

Há tempos eu leio e ouço o advogado e blogueiro Cléber Tinoco professar que royalties são receitas originárias, e portanto, caberia ao parlamento local, na peça orçamentária, definir o uso que achasse adequado para estes recursos, ou seja: Por fim a balela de que estes valores não se destinariam a pagamento dos servidores.

Eu não detenho saber jurídico para debater este tema, mas tenho intuição de cidadão.

Ora, ora, ora, hoje os royalties PAGAM servidores contratados, e este dinheiro, além de privatizar o serviço público, redefine o peso da base de apoio de quem está no poder, sem mencionar as denúncias de desvios e irregularidades, agora mais evidentes com aquela história dos 350.000 de Niterói, que aliás, ninguém mais fala.

Ou seja: Só não pode pagar quem faz concurso. O resto, "tá liberado"!

Outra falácia: A flutuação dos royalties, intrínseca a atividade extrativista petrolífera, não permite definir no longo prazo as políticas salariais e o impacto das contratações no orçamentos futuros.

E o ICMS permite? Qual é o governo que sabe dizer por antecipação quanto vai arrecadar nos próximos anos diante das oscilações e da volatilidade do capital e dos investimentos nos dias atuais?

É claro que eu não defendo o empenho integral na contratação se servidores (por concurso, que fique claro, e não pela indicação dos "senhores feudais" que "fatiam" a administração).

Também sei que há atividades-meio que proporcionam maior agilidade com a terceirização. Mas raios, é preciso definir os limites, e o que é terceirizar e o que é contratar sem concurso e com vínculo precário("temporário").

Os valores orçamentários deveriam ser limitados a um teto, com o alocamento de uma parcela de cada real pago ao servidor concursado para o fundo de pensão, e outro para um fundo de compensação, que garantiria o complemento dos vencimentos dos servidores, caso a receita diminuísse.

Poderíamos também securitizar estes valores.

Enfim, a engenharia financeira e contábil detêm um zilhão de soluções para desmontar a falácia de que os recursos por serem finitos impedem este tipo de planejamento e previsão.

Ficamos no oba-oba a gestão desta dinheirama em nome de princípios capengas, e que se referiam a um tempo que as reservas de petróleo eram uma ninharia frente ao que temos hoje.

Eu prefiro acabar com os royalties pagando professores estatutários, com bons salários, planos de carreira, etc, médicos idem, fiscais que vestissem a camisa e cobrassem as posturas, o IPTU, o ISS, etc.

Afinal de contas, volto ao começo: Quantos servidores tem a prefeitura desta cidade? 20 mil? 30 mil? 40 mil?

Quem é capaz de responder esta pergunta?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Kansas - Carry On Wayward Son (Live 1982)



Um soluço, um quase retorno. Confesso que sinto saudades.

Então, vamos a forma universal de expressão: A música. E como alguém disse e outros milhões copiaram, é preciso falar da aldeia para sê-lo(universal).

Esta música do Kansas cumpriu o rito de fixar uma música pela massificação de uma propaganda.

Neste caso, uma propaganda da "nossa aldeia".

Quem tem mais de quarenta, e assistia a TV Norte Fluminense, e gostava de rock, com certeza lembra das inserções da New Sports, que trazia a música título que dava agilidade as imagens "coladas" de várias modalidades esportivas, um conceito que permanece até hoje.

Kansas - Carry On Wayward Son - Live - Legendado



Mais do mesmo, apenas para que possamos comparar e nos assustar: Os caras continuam com a mesma "pegada".

Legal mesmo é a tradução: Uma música "quase religiosa", escolhida pelo "ritmo ágil", que combinava com a propaganda, mas cujo sentido nada tinha a ver com a proposta a ser vendida.