domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os cretinos de sempre agora ajudados pelos cretinos recém-convertidos!

Nós já dissemos aqui, mas não custa repetir, SEMPRE:

Não há óbice para órgãos de imprensa terem uma posição política, por um motivo óbvio: NINGUÉM É NEUTRO!

O problema é esconder estes interesses e posições atrás do mito da "imparcialidade", ou da "relevância jornalística", privando a população de enxergar a motivação que alimenta tais matérias, o que afeta o julgamento do público.

Empresas de mídia não são entidades filantrópicas ou de caridade. São empresas que necessitam de dinheiro.

No entanto, estas empresas que gozam de certas prerrogativas (como imunidades fiscal de jornais e revistas)ou atuam em concessões públicas(como rádio e TV) têm que obedecer o interesse público na medida que suas relações com seus financiadores e o quanto essa relação atinge suas pautas devem ficar explícitas.

Por que empresas de mídia não questionam o preço dos carros, por exemplo?
Ora, porque são os anúncios de montadoras os responsáveis por uma grande receita.
Tudo bem, mas por que criar o mito do "custo Brasil", e fomentar no brasileiro a lógica de que o produto que adquire é composto em quase sua totalidade por impostos, quando o preço é quase todo lucro das montadoras?

Assim, no campo político, as empresas de mídia agem da mesma forma, mas adicionam alguns componentes que excedem a lógica mercantil, porque aqui, há injunções políticas, promiscuidade com poder, etc, e o mais importante:
A necessidade imperativa de difundir os preceitos ideológicos que mantêm a estrutura do Estado atada aos privilégios e patrimonialismo que favorece os mesmos grupos:
A elite e os barões da mídia.

Deste jeito, a mídia vai se readaptando e reciclando seus métodos, adequando seus discursos as oportunidades e fatos, observando um jeito de servir e se servir dos recursos públicos.

Aqui em Campos dos Goytacazes conhecemos bem esta história.

Ainda que a relação seja mediada por ódios ancestrais, a midia engole seu orgulho e faz o jogo do poder, seja lá quem esteja nele.

Em nível nacional, assistimos estarrecidos como a mídia nacional aderiu a agenda governamental durante o movimento dos policiais e bombeiros.
Claro que em determinado momentos, algumas alfinetadas foram dadas, mas de caráter circunstancial e, ou oportunista, pois o núcleo do pensamento conservador se aliou às chamadas forças progressistas, em simbiose incomum, inclusive em espaços chamados alternativos(tema que trataremos a seguir).

Durante os anos que O PT e seus partidos aliados sempre utilizaram os sindicatos como plataforma política para questionar, de um lado, o processo de acumulação capitalista que aumenta as disparidades, e de outro, e até com maior ênfase, os mandos e desmandos do desmonte do Estado, pelo aviltamento das carreiras públicas, os males da privatização e a correspondente transferência de recursos públicos para pagamento de dívidas(o que hoje não é tanto o caso, mas continua) e recentemente, com a vergonhosa transferência destes recursos sob a formas de incentivos, subsídios e outros "favores" para alavancar o "desenvolvimento".

Pois bem, aqui façamos um parêntese para tratar do aspecto singular deste problema policial, pois o PT e as forças de esquerda, com muita razão, sempre enxergaram na polícia uma ferramenta de repressão e manutenção da "ordem excludente".

Uma vez no poder, os "progressistas", embora tivessem um diagnóstico correto(policia é instrumento de repressão do Estado), mas eivado de muito ressentimento(justificado) trazido do período pós-ditadura, não avançaram em ultrapassar esta fase de diagnóstico:
Estatelaram-se na perspectiva "esquizofrênica" de exigir uma polícia cidadã em um Estado violento e segregador, que dedica o rigor da lei para a maioria pobre, enquanto reserva o direito, a jurisprudência e a amplíssima defesa aos que estão no topo da pirâmide social, e mais grave:
Um Estado patrimonialista, não raro usado como seara de multiplicação de privilégios em detrimentos dos direitos universais.

Mesmo com os avanços, as estruturas normativas deste Estado continuam intactas.

Foi dentro desta lógica, os governos de esquerda mantiveram intocadas as normas constitucionais que militarizam as polícias, uma herança do autoritarismo, e mais:
Mantiveram o acordo (de 1988) que deixa sob a égide dos governadores o comando civil de forças policiais militarizadas, o que confronta tudo o que se sabe sobre modernização das políticas públicas de combate o crime e de segurança pública.

Juntando tudo isto, temos uma plêiade de contradições:
Agora, os setores que sempre apoiaram as greves de servidores e de outros sindicatos como forma de criticas políticas econômicas e as políticas de Estado(lembram-se das Greves Gerais contra Sarney e o Fora Collor ou Fora FHC?) acusam sindicalistas, que supostamente aliciados por partidos, lideranças e parlamentares adversários de incitarem movimentos, e denunciam o "uso político das greves".

Mais grave, disto tudo que narramos nestas linhas mal escritas, é o alinhamento dos setores alternativos de comunicação, principalmente os blogs.

A pergunta fundamental sobre a qual devemos refletir é:
Se o PT e outras forças usavam os sindicatos para minar os pilares da ordem vigente, é legítimo ao PSDB e outras forças conservadoras fazerem o mesmo?
E caso seja, como lidar com esta possibilidade?
Com o mesmo tacão repressor que os conservadores utilizavam?

Outro parêntese:
Não é incomum que os partidos mais conservadores estejam mais próximos dos policiais e forças de segurança, porque sempre se serviram delas, e porque, por outro lado, a "esquerda" negligenciou e sempre afastou o debate com este setor, pelo que falamos, ressentimento e desconfiança mútuas, mas por incompetência em gerir os conflitos de Estado.

Com a repressão desmesurada, os gênios como o ministro da Justiça(cardozo, amigo de daniel dantas & Cia), anos e anos de conversa e aproximação de alguns setores foi por água abaixo, e o sentimento de repulsa e o ódio contra a esquerda foram, de novo, amalgamados.

A demonização da política assumiu contornos inquisitoriais, paradoxalmente convocada por blogueiros que sofrem na pele os efeitos dessa atitude.

Em nome do suposto alinhamento com o governo estadual local, ou apoio ao governo federal, correligionário do governo baiano, os blogs desta cidade, e do restante nacional da blogosfera foram flagrados repetindo e copiando o conteúdo do PIG.

No centro do ataque, o cabo Daciolo, julgado, condenado e preso, só na mídia, por enquanto, por ter ligações com um deputado local, ex-prefeito e ex-governador.

A conta-gotas, com faz o pior e mais cretino integrante do PIG, os blogs vão soltando o conteúdo de escutas "vazadas"(em flagrante desrespeito a lei, como fazem com os nossos governos), e não deixam dúvida para a opinião pública: O cabo Daciolo quer derrubar o governador.

Mas eu pergunto: Se o salário dos servidores de segurança e defesa civil(ou militar?) é resultado direto do tipo de politica pública de segurança, e este conjunto de fatores estão ligados a própria noção de Estado e representatividade, luta de classes, exclusão e direitos fundamentais de TODA sociedade, como desvincular esta luta do questionamento público a autoridade que representa este Estado opressor?

Como se portar frente a um "patrão" que lhe manda prender, todo vez que você levanta a voz para reivindicar?

Se Daciolo tem essa noção política e consciência cidadã? Não sei.
É um aproveitador? Pode ser.
Quer se candidatar? Acho que sim, mas não será o primeiro.
Mas pretender que milhares e milhares de homens e mulheres que arriscam diariamente suas vidas possam ser manipulados e cooptados?
Como argumentar que homens e mulheres que estão a desafiar o arbítrio e autoritarismo de superiores que mantêm a "hierarquia" sob o império das ameaças e prisões possam estar sob o "encanto" de este ou aquele personagem político?

Ora, isto é que falavam quando a CUT ia as ruas! E agora? O que querem os cretinos?

Este raciocínio é mais ou menos como o que percorre os editoriais do PIG, escritos pelos democratólogos que dizem que a eleição de Lula e de Dilma é fruto de uma soma de favores clientelistas(bolsa família, etc), carisma e pior, a eterna ignorância e baixa instrução popular, como se as elites e os "estudados" detivessem um primazia ou um "voto qualificado", determinando assim uma hierarquia na democracia.

É claro que ninguém deseja a partidarização da luta sindical.
Mas é a categoria que deverá afastar este fenômeno, e não ser tutelada por juízes, pela mídia, blogs ou auditorias militares.

Esta aproximação faz parte da história política brasileira desde a modernização do Estado brasileiro na  década de 30 do século XX. O Estado brasileiro tutela o movimento sindical pela sua face normativo-jurídica, e como os partidos controlam e disputam a hegemonia desta Estado, não é difícil imaginar porque partidos se misturam a sindicatos.

Ou se altera a gênese deste estado, ou se admite este modelo para todos.

O PT, e nosso líder maior são a prova acabada desta relação. Ou Lula em São Bernardo do Campos, no estádio da Vila Matilde quando desafiava as montadoras não questionava o establishment?

Não há comparações possíveis, os tempos históricos são outros, e por isso mesmo que o Estado e governantes não podem reagir como fizeram os brucutus da ditadura.

Quem prende sindicalista não pode ser chamado de democrata, muito menos de progressista.


Vergonha é a chamada blogosfera assumir para si o papel de boneco de ventríloquo do que há de pior no espectro político brasileiro.

Mas esta é a vida.

Vida que segue.



Atualização: 
Para ilustrar a ironia cruel dos acontecimentos: Após anos e anos identificados e com ligação quase que exclusiva com jair bolsonaro e seu clã, os movimentos progressistas demonizaram a relação dos policiais baianos e fluminenses com dois parlamentares com histórica luta pelos direitos humanos(sistematicamente violados pelo Estado através de seus polciais), Jean Wyllis (deputado federal PSOL/BA, ligado a entidades de luta contra preconceitos de gênero) e Janira Rocha(deputada estadual PSOL/RJ).
Não há dúvidas que os "brucutus" estão rolando de rir com a ajuda dada pelos "progressistas".

Um comentário:

Anônimo disse...

A principal causa do comportamento declarado da Globo contra a greve é o seu receio, desespero mesmo, de perder dinheiro, receita.

Estão pavorados com a possibilidade de não ter Carnaval, pois se o Carnaval não transcorrer normalmente, ela terá muito prejuízo, sua receitas serão afetadas. Inclusive receitas futuras, pois a imagem do país lá fora poderá ficar prejudicada, o que poderá, teoricamente, afetar os planos para a Copa de 2014 e mesmo as Olipíadas.