sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Haiti é bem ali.

Toda vez que ouço falar do problemas (políticos e econômicos) de Cuba, e eles são enormes e graves, eu tenho certeza, fico pensando no "sucesso" do modelo haitiano, resultado de séculos e séculos de intervenções "democráticas" das potências colonialistas capitalistas.

Afinal, é mais fácil deixar a Ilha de Fidel ou sobreviver no paraíso capitalista democrático haitiano?

2 comentários:

Anônimo disse...

Ou seja, as opções são: ficar num regime totalitário ou num país fudido pelos seus próprio compatriotas.

Que Cuba vire um país desenvolvido e que respeite os direitos humanos parece que não é uma opção possível pra você.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Eu até respeitaria seu comentário, se por acaso você não tivesse se traído em um pequeno detalhe, e sabemos, é aí que o diabo costuma morar, pois veja:

O Haiti não é um pais "fudido pelos seus próprios compatriotas", ele é resultado de um processo histórico de divisões fratricidas estimuladas pelas intervenções colonialistas que pretendiam isolar e estagnar o primeiro país a abolir sua escravatura durante seu processo de independência, formando um governo que não se alinhava com nenhuma das metrópoles colonialistas à época(Fizeram parecido na África, embora por outras razões e dentro de outra conjuntura e motivos).

É claro que muito do que acontece hoje, por lá, é fruto também das escolhas(erradas) de seu povo e de suas elites.

Mas desconhecer que o Haiti, depois que sucumbiu ao assédio imperialista, se tornou muito pior do que poderia ser, é, no mínimo desonestidade intelectual.

Em se tratando de opções, um país como Cuba, que ousou desafiar a principal potência planetária, que inclusive tentou intervir militarmente no território cubano, e que lá mantém uma prisão(nos moldes das piores ditaduras, com presos sem julgamento ou acusações), não restaram muitas opções, é verdade.

Mas ainda assim, construíram condições de políticas públicas que fazem corar qualquer potência capitalista.

Por outro lado, tão inadequado como relativizar conceitos e princípios democráticos é torná-los absolutos em si mesmos.

Eu não sei qual é a melhor escolha para Cuba, e só o povo de lá poderá dizer, mas com certeza, o modelo preconizado por tio sam e CIA não deu resultado para os miseráveis países periféricos e nem para eles mesmos, da parte rica, vide a crise que divorcia capitalismo da Democracia.

Enfim, em se tratando de desenvolvimento humano (e é isso que interessa, a despeito de toda propaganda que associa "sucesso" com capacidade de consumir), Cuba está bem mais próximo de se tornar um país "desenvolvido", e que respeita os principais direitos humanos: Comer, estudar, ter direito a saúde, acesso à terra, cultura, música, esporte, etc.

O povo cubano não vai questionar seu governo quando for de nosso interesse os dos vizinhos de "cima", mas quando entenderem que necessitam, e posso dizer, com muito mais consciência e compreensão da realidade que os eleitores "livres" da cidade de campos dos goytacazes, por exemplo.