quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cuba: Dois lados da mesma ilha, dois lados da mesma moeda.

Recebi um e-mail de um leitor, que preferiu não se identificar, solicitando que esse blog tratasse do tema Cuba e direitos humanos, a partir das considerações do cretino arnaldo jabour, feitas em reportagem do pig platinado sobre a viagem da presidenta Dilma a ilha de Fidel.

É tem espinhoso, ainda mais para quem se reivindica de esquerda, militante e entusiasta do governo de uma torturada pela Ditadura de 64.

Logo, questionar as razões de Estado e da presidenta, quando se trata de uma pessoa que sentiu na pele o peso do abuso e da violência física sempre ficará aquém de qualquer perspectiva de acerto na análise.

Nesse caso pode-se duvidar das convicções e escolhas políticas da presidenta, mas nunca de sua sinceridade ao falar sobre o tema.

Primeiro é preciso fazer uma distinção clara entre o papel de diversos atores: A presidenta, o governo castrista, os dissidentes(e estes não são um bloco único), a mídia, etc.

Como presidenta ela representa o Estado brasileiro e sua política externa.

Entendo nada de diplomacia e geopolítica internacional, mas tenho certeza que nosso corpo diplomático e a assessoria política da presidenta mantém o foco que tem trazidos ótimos resultados ao Brasil:

Ampliar a diversidade das relações e oportunidades, sem submetê-las a questões apenas econômicas, promover o diálogo sem exclusões, e sem abrir mão de tratar cada caso em si, mas sem estabelecer muros ideológicos, denunciando a necessidade de promoção de uma pauta universal de convivência mundial e direitos humanos, e acima de tudo: Com respeito a soberania e autodeterminação dos povos.

Tudo isso, como se sabe, sem perder de vista que há disputas em jogo, ameaças, etc.

Há, para a execução dos princípios que elencamos acima uma série de protocolos. Um deles: Quem visita o país não ataca a política governamental doméstica, salvo raríssimas exceções. Em outras palavras, quem vai a casa de alguém não fala do mal cheiro do banheiro, ou das condições da cozinha.
Se há óbice em conviver com o que o seu anfitrião faz, não se visita e, e pronto.

Esse é o papel institucional da presidenta.

Claro que a oposição cubana não gosta disso, e esperava que ela incendiasse a política local.

A presidenta, com coragem incomum não fugiu ao tema, mas reafirmou aquilo que ela acredita: Não há país no mundo que possa "cagar regras" em matéria de direitos humanos, e foi além: Chamou a atenção para nossos problemas internos.

Já o PIG, partidário como sempre, esquece do seu papel de informar. Assim foi com Honduras, Venezuela, Irã, Rússia, Argentina, ou qualquer outro país que esteja fora da influência de Washington, ou que desafie essa influência. Não é à toa que jornalistas do grupo globo, dentre outros, são os informantes privilegiados da CIA e da Casa Branca.
Isso lhes retira boa  parte da credibilidade dessa mídia de coleira para falar sobre qualquer tema relacionado a esses países.

Recentemente, a revista Carta Capital trouxe uma importante matéria sobre a Líbia, onde o TPI(Tribunal Penal Internacional) e entidades de defesa dos direitos humanos da ONU e outros organismos, revelam suas preocupações com a prisão do filho de Kadafi, que há meses está confinado sem contato com advogados e sem qualquer acusação formal. Na mídia de coleira, nenhum comentário a respeito.

Em suma, a bandeira dos direitos humanos, como disse a presidenta, é arriada tão logo os interesses ideológicos dos EEUU e seus sabujos da mídia internacional são satisfeitos.

Cuba precisa implementar mudanças e uma abertura de seu sistema político, com melhora das condições de todas as liberdades, desde de locomoção até de expressão.Mas Israel também, China, Itália e tantos outros.

Mas não deixa de ser irônico que lá funcione, subvencionada pela CIA, a blogueira dissidente(que foi para Suécia depois voltou para casa), e justamente os campeões da "democracia", os EEUU e seus afiliados pelo planeta, queiram calar a internet com leis que suprimam a liberdade de expressão.

Lembram do Wikileaks? Pois é, não foi Fidel que mandou prender Assange em assombrosa "armação" policial e jurídica.

Lembram de Guantánmo? Pois é, parece piada de mau gosto uma masmorra medieval mantida pelos "democratas" de Washington e seus correligionários na Ilha.

Preocupante que dissidentes que sofram na pele os abusos castristas não se levantem também contra essa aberração em Guantánamo, o que nos faz pensar que, uma vez no poder, é bem provável que aproveitem algumas "vagas" para fazer com os adversários a mesma barbaridade que dizem sofrer.

Como disse, esse é tema espinhoso, e a mídia internacional e nacional, salvo raras exceções, não vai nos ajudar a encontrar uma solução.

2 comentários:

felixmanhaes disse...

Mestre Douglas, cirúrgica a sua intervenção sobre esse tema.
Fraterno abraço,

douglas da mata disse...

Grato, Félix.