segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Tchau e obrigado.

A ideia de encerrar o blog já estava madura. É certo que alguns acontecimentos precipitaram a decisão, mas eu não vou me alongar sobre isto. Prefiro entender que chegou a hora de voltar aos estudos, ler o que deixei pela metade, reler o que é importante, focar na melhora de minha condição profissional (quem sabe outro concurso, ou dedicar-me a mobilização sindical?), e passar mais tempo com a família, aproveitar mais o que resta entre os 40 anos e a morte, rsrs.

Eu tinha decidido aposentar com os posts musicais, mas achei que deveria encher o saco de vocês mais uma vez.

Aí vai nosso último suspiro, para alegria de muitos e quem sabe, a tristeza de uns poucos:


 Estudo de caso.
 Instrumentalização, institucionalização e legitimação da violência: Análises e reflexões para escolhas políticas de combate à criminalidade.

Introdução:
O texto que apresentamos não tem a pretensão de esgotar o tema tão vasto, mas apenas oferecer uma visão singular, baseada empiricamente nas experiências cotidianas de um policial civil, de pouco estudo e leitura, mas que reflete a sua interface com outras esferas da hierarquia do aparato policial, outros órgãos deste intrincada estrutura, a observação do discurso da mídia, dos usuários do sistema, enfim, toda gama de interações possíveis e que possam ter sido capturadas pela percepção do observador/narrador.

A violência é matéria-prima da vida policial, e como tal, expressão, causa e efeito da própria noção de Estado.
O que procuramos compreender aqui é esta diferente manifestação da violência na organização social, como ela interfere (ou interferiu) em cada grupo social (sociedades), e como cada sociedade se apropriou da violência, transformou-a em ferramenta institucional de coesão e controle, e dentro desta perspectiva, necessita legitimar seu uso, tanto pela necessidade do consenso (aceitação), como da submissão/adesão ao poder de quem detém o monopólio ou a preponderância de uso.

Assim, é preciso repetir o que já disseram tantos outros estudiosos sobre o tema: os animais usam a força instintiva para realizar as tarefas que dizem respeito a sua sobrevivência, caçar, matar, brigar, estabelecer uma hierarquia no grupo para “escolher” ou ser “escolhido” como preponderante na reprodução, etc.
O homem em sua escala evolutiva apreendeu o uso da força e ampliou suas possibilidades com o uso da violência. Aqui um pequeno parêntese:

Nos diversos sistemas jurídicos atuais  há distinção entre violência (ilegítima ou ilegal) e força (legítima e legal), talvez uma “herança” dessa cultura inicial que estabeleceu categorias distintas para o uso de soluções anti-naturais.

Foi assim que os primeiros grupamentos humanos passaram a instrumentalizar a violência, expressão necessária das hierarquias nos ajuntamentos comunitários.
Claro que neste início, havia pouca distinção entre o uso “instintivo” (força) e a “violência dirigida”, ferramenta consciente de coação de um ou mais indivíduos sobre um ou mais indivíduos para expropriar, expulsar, apropriar, enfim, resolver um conflito. Não havia instâncias para o uso da violência, portanto, este uso era disseminado e “democrático”.

À medida que os grupos se tornavam mais complexos, e as atividades necessárias a sobrevivência dos grupos exigiam estratégias mais elaboradas, tanto interna como extra corpori, esses indivíduos passaram a enxergar a necessidade de estabelecer parâmetros para exercer a violência instrumentalizada e consciente, que coincidiam com a exigência de fixação de territórios, vigilância destes espaços e dos alimentos ali produzidos e estocados, manutenção e guarda dos instrumentos (armas e ferramentas), e mais ainda, a expansão dos territórios(conquista), tanto pela precária tecnologia que limitava o uso do território por tempo exíguo, quanto pelo aumento da densidade demográfica que demandava novos territórios e seus novos recursos.

Exércitos e polícias: os instrumentos de violência institucionalizada que legitimam e são legitimados pelo Estado.

Não sabemos ao certo quem surgiu primeiro, e talvez seja pouco interessante determinar com precisão o momento de aparecimento de cada instância de uso da violência, mas é certo que desde antes do nascimento de cidades, Cidades-estados, ou países (Estados) ou concomitantemente, houve a institucionalização do uso da violência, que, de fato, é a essência da noção de Estado como ajuntamento (ente) político, social e econômico, organizado sobre um código de regramento de conduta (leis) e com a aceitação destes administrados (cidadãos, servos, escravos, etc) de que os órgãos de controle político deste Estado manteriam o monopólio decisório do uso da força dentro de regras pré-estabelecidas ou não, de acordo com o momento histórico avaliado.

Temos até aqui uma noção rudimentar do processo que compreende a “evolução” do uso da violência como simples arma de sobrevivência para a sua modificação em arma “política” do Estado e de seus grupos controladores.

De verdade, se olharmos bem, é sempre um paradigma marxista de imposição do poder pela força a partir de um conflito de classe, ou do homem contra o homem, se quisermos citar Hobbes
.
Mas a distinção primordial é que se antes o uso da força por grupos não obedecia a um controle, senão a mera necessidade instrumental, nos tempos recentes, o uso é direcionado de forma a obedecer à agenda do exercício do poder político, disseminado entre categorias simbólicas e discursivas, estamentos normativo-representativos, sistemas constitucionais de freios e contrapesos. Por outro lado há um ponto em comum: Serve o uso da força para resguardar os valores que deram origem ao Estado: defesa social, soberania, expansão de territórios, acumulação de riqueza e desigualdade, contenção, exclusão e punição.

Deste modo, avançaremos até a necessidade de legitimação do uso institucional da violência. Este é o ponto nevrálgico das sociedades modernas em todos os cantos, mas principalmente na América Latina e Brasil, que experimentam um novo papel no xadrez geopolítico regional e mundial, mas não alcançaram níveis correspondentes de resolução de seus conflitos internos, embora goze de certa (e temporária) tranquilidade externa.

Os índices de mortes violentas no Brasil, a crise das polícias e do Estado-juiz, ameaçam o ciclo virtuoso que se instala, e mais: revelam as entranhas de um Estado atavicamente ligado a noção de proteção de seus estratos mais abonados, e que opera esta “proteção” com a supressão do acesso aos organismos de proteção que deveriam ser oferecidos a todos, de forma isonômica, para a pacificação de suas diferenças (disputas), que não raro geram a percepção ampla de que estas disputas devem ser resolvidas de forma privada e arbitrária: corrupção, justiça de mão própria, esquemas paraestatais, abusos policiais, etc.

Em todos os países há uma permanente tensão entre a institucionalização da violência (ou as instituições da violência) e a legitimação do uso da violência.
É preciso outro parêntese:

Sob o risco da repetição (necessária), devemos elaborar um conceito amplo (lato sensu) de violência, que se exprime tanto na  forma física, quanto simbólica, aqui abarcadas todas as constrições, punições, regras, limites, violações, sobreposições de direitos, supressões destes, limitação de acesso, escolha, delimitação de espaço, posse, propriedade, etc.

Embora pareça exagerada, a aceitação da propriedade, por exemplo, é uma forma de violência legitimada (simbólica) e aceita pelos que não a detém, e romper este pacto, além de ilegal, torna-se uma categoria de violência não legítima, ao menos nas instituições legalizadas e socialmente aceitas. Claro que em determinados grupos (marginais a lei), essa “expropriação” é uma forma de “institucionalizar” e “legitimar” a identidade deste grupo,  mas não encontra eco nos demais grupos sociais nos quais este estrato está inserido.

Então, enxergamos outro problema na legitimação do uso da violência, é que ela exige o reconhecimento de todos os outros grupos contra os quais, potencial ou efetivamente, ela é usada.

Talvez este seja o principal problema do Estado brasileiro, e de suas esferas judiciais e policiais.
Sim, porque as categorias que pontuamos (instrumental, institucionalização e legitimação) não podem ser consideradas de forma linear, estanques (por óbvio) e estabilizadas.

Como qualquer sistema desta natureza, não há limites claros que os possibilitem visualizar onde começa um e o outro termina, e as premissas teleológicas por vezes estão embaçadas (causa e efeito) e o nível de influência e peso que o deslocamento de uma sobre a outra provoca nas demais.

Ao contrário do que parecem, em pleno século XXI, algumas tensões socioeconômicas, e até mesmo a luta politica, colocam certos grupos na iminência de utilizar a violência em categoria instrumental, ou seja, como ferramenta primeira de sobrevivência.

 É verdade que não se trata de uma “legítima defesa” como a conhecemos na esfera privada dos bens jurídicos, onde a cada um, na proporção da ofensa que sofre, é dada a chance de defender-se na exata (difícil quantificar) medida da lesão ao seu direito ou bem.

Nem sempre o uso instrumental por estes grupos (organizados ou não) é reativo, mas proativo. Novamente, será a política e suas instituições que darão a medida para enquadrar estas ações violentas, onde um caso clássico é o direito a vida, comida, habitação, educação e saúde, onde a mera ameaça a estes direitos ensejaria uma ação ou reação para tomar o que o Estado não deu, ou tomou para si em nome dele, ou para satisfazer grupos diferentes.

Ou seja: uma “legítima defesa social” seria a ação de grupos ou indivíduos para cobrar pelo uso da violência (simbólica ou física) aquilo que lhe é negado no pacto social, e que lhe foi prometido em troca da obediência às regras impostas pela institucionalização e legitimação da violência estatal.
Sabemos que esta tese não é aceita pelos grupos sociais que estão fora desta perspectiva de carência instrumental e básica, e embora reconheçamos que tal rejeição a “democratização” da violência mantém coeso o Estado e o resto da sociedade, ela se apresenta como um paradoxo perigoso e fonte permanente de perigo de ruptura, uma vez que é preciso usar cada vez mais violência institucional, e empregar cada vez mais “força ideológica” ou violência simbólica), mas que repercute na rejeição cada vez maior, que deslegitima e espalha a noção de INJUSTIÇA.

Esse é o dilema ou “trilema”, como queiram do Estado e de sua polícia.


Estados nacionais e Estado internacionais: Externalizar a violência requer "paz interna".

Outro parêntese:
Nos países que experimentam outro estágio desses paradigmas (IIL), boa parte do esforço ideológico para legitimar a violência de suas sociedades foi voltada para a proteção e expansão de seus territórios ou influência sobre outros países, em outras palavras, a violência institucional externa, legitimada pelos aspectos ideológicos que revestem a noção de soberania e da imposição dos interesses de um povo sobre os demais, como é o caso dos EEUU.
Isto não os isenta de episódios de extrema violência interna, ou do recrudescimento de alguns índices criminais, mas a escolha destes países foi democratizar a violência potencial e simbólica do Estado (a chance de punição maior e mais horizontal) como meio de prevenção, a rigorosa delimitação entre público e privado (o que não significa que não exista privilégio) enfim, de certo modo, o “excesso” de mobilização nacional para impor sua violência estatal em nome dos interesses soberanos, acaba por exigir que estes países detenham um forte aparato de dissuasão do comportamento violento doméstico, ou que esta violência esteja restrita a determinadas situações, mas que foram sempre institucionalizadas e “legitimadas” ideologicamente, como foi a segregação racial nos EEUU. 
Nos dias atuais, observa-se uma transição complicada, uma espécie de "hibridez", que tem aumentado os níveis de violência simbólica ( e física) nos EEUU, em grande parte pela corrosão dos níveis de conforto e riqueza econômica, mas também pelos estragos que a internalização da violência pós 11/09 causou. Neste caso, os EEUU oscilaram entre demarcar legalmente e explicitamente o uso da violência contra um grupo determinado, mas que não era facilmente segregável (como os negros), e porque havia outra frente externa em andamento. É como se o entendimento dos estadunidenses sobre a ” importância” da violência tenha dado uma guinada a uma espécie de banalização. O país, sem dúvida, foi construído sobre pilares da violência legitimada, o que vemos em toda sua indústria da cultura, por exemplo. Mas tenho a impressão de que a violência deixou de ser importante para ser banal, para eles.

Este é o gancho que gostaria de utilizar como ponto de inflexão para retornarmos ao Brasil. Aqui, nossa violência instrumental, institucional e legitimada nunca foi importante, mas fenômenos banais.
Se olharmos nossos registros historiográficos veremos que há uma tentativa permanente de incutir um caráter pacífico brasileiro ( ou cordial para Buarque de Hollanda) que nunca existiu.

Nossa CRFB/88 é um exemplo claro desta “esquizofrenia” brasileira, e reflete de um lado, a extrema fragilidade da pacificação constitucional de nossos conflitos, e por outro, a total incapacidade de dotar as instituições de exercerem a violência potencial e simbólica do Estado para diminuir a modalidade instrumental e banal de violência a que estamos submetidos.

Ávidos por recuperarem o status político suprimido pelo regime inaugurado em 1964, as elites representativas (incluídos aí os representantes de grupos minoritários ou de oposição) enxergaram no aparato policial, e com toda razão, um eixo que deveria ser diluído na sua capacidade de operar como instrumento de repressão física e de alguns aspectos simbólicos (privados, como as garantias fundamentais do cidadão), mas mantiveram, estranhamente, intactas as possibilidades de repressão coletiva, quer seja pela confirmação de seu aspecto  militar, quer seja pela manutenção do Inquérito Policial, e pro último, com a entrega do controle (ou a continuação) aos governadores.

Rápido pano para o conjunto de medidas formais (remédios) de proteção jurídica, mas que nada adiantaram frente a permanência do sistema judiciário como sempre foi: Verticalizado, elitista e com corte de classe definido: Ao pobre a lei, ao rico o Direito.

Grosso modo, nosso aparato policial está em um perigoso terreno, onde as garantias fundamentais privadas de certa parcela da população (mais ricas) se transformaram em um óbice permanente a defesa social coletiva, onde institutos como sigilos bancários, telefônicos, etc., servem como barreiras à punição e garantia de impunidade.

Por outro lado, na ânsia de mostrar serviço e legitimarem-se como instrumentos institucionais de violência, as polícias utilizam suas táticas como violadores dos direitos individuais de outros integrantes da sociedade ( os mais pobres).

Garantias seletivas a minoria e bordoada “democratizada” aos de baixo.

Neste contexto, embora enfrente o desafio cotidiano de “modernizarem” seus métodos, esta “mudança” se restringe ao campo operacional (instrumental), mas não conseguem avançar na “institucionalização” da polícia e nem na sua “legitimação” frente a todos os estratos da sociedade.

A desvalorização é consequência óbvia, e quase natural, porque para onde quer se olhe a polícia sempre falha, porque a estrutura social na qual está inserida lhe exige uma tarefa que lhe escapa:
Não suprem as expectativas dos ricos, estes sempre acossados pelo medo de um sistema desigual e violento que eles mesmos criaram e se beneficiam, e que foi institucionalizado e legitimado ao longo dos anos e anos, mas que hoje já começa a ser timidamente questionado, inclusive com a apreensão dos instrumentos de “legítima defesa social” que já citamos, e é odiada pelos pobres, que nunca a enxergará como uma instituição que promova a aplicação isonômica da violência legítima do Estado, ou seja, o império da Lei, que traz em si, e pela manu militari (polícia) uma dupla injustiça (dupla violência), pois são leis que beneficiam, na maioria das vezes, os ricos, porque são estes que elegem ou controlam o sistema representativo (parlamentos e governos), e por último, porque só se aplicam contra os mais fracos (pobres).

Não é á toa, portanto, que o pleito das polícias encontrou apenas o “consenso cínico”, mas que nunca avançaria como materialização de uma valorização real dos profissionais envolvidos.

No entanto, esta escolha da sociedade pode trazer no curto e médio prazo, uma crise maior que a que já está instalada, uma vez que o aumento da dinâmica social (mobilidade de classe e ascensão social), promovido pelo incremento da riqueza, e mais, com a aproximação de conflitos soberanos inevitáveis (disputa geopolítica), pode encontrar-nos em flagrante desequilíbrio naquele processo que já diagnosticamos de difícil equilíbrio: a violência instrumental, institucional e sua legitimação.

Como não há um paradigma (instrumental, instituição  ou legitimação) que se imponha a TODA sociedade de forma proporcional, cada grupo vai escolher a melhor forma de impor seus interesses, e disputará o controle do Estado e de seus aparatos de correção de forma privada, o que aumenta a ameaça sobre as demais, ou pior: agirá de forma paraestatal ou contra estatal, onde alguns dirão de imediato que são as milícias o principal gesto neste sentido, mas há outros, subliminares, já entranhados e “legitimados”, e que “institucionalizam” estas escolhas, como segurança privada, carros blindados, condomínios e todo o PIB da segurança “privada”, nas cidades e no campo.

Este é o nosso desafio.
É sobre isto que vou me debruçar a partir de agora, e por isto me afasto do blog, agradecendo a todos vocês.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Garotos Podres - A Internacional



Mais uma dos "garotos", nem tão garotos assim.

É bom lembrar que por detrás do conforto do redistribuição de renda que anestesia, mas que não acaba com aquilo que produz a diferença que nos avilta, está a exploração do homem-empregado pelo homem-patrão.

E como Estado não consegue(e nunca conseguirá) fazer com que as leis do contrato social deem conta de aplacar o conflito histórico, inesgotável e inevitável de classes, tanto na versão hardcore liberal fernandista, quanto na versão softmade do bem-estar social(wellfare state) do petismo-patrão, é preciso relembrar as raízes do movimento histórico que denunciam sempre de onde viemos.

Alguns dirão, com as razões de seus próprios interesses, que a letra da música é anacrônica. Eu diria além: Anacronismo é persistir, hoje, boa parte dos males que existiam em 1871.

Como se o mundo girasse tal e qual um cachorro atrás do rabo, em crises cíclicas que dilaceram e se alimentam das vidas, empregos, esforços e da fome de milhões, para manter acesa a caldeira do motor da História, contada sempre pelos vencedores.

À vapor ou a bilhões de bites, a essência é uma só: Acumulação.

Está aí a versão PUNK dos versos entoados na Comuna de Paris, e pensando bem , até parece que a letra foi escrita para ser cantada assim, como um um tiro a explodir os miolos de algum milionário-rentista-parasita!

capa


A Internacional
De pé! Ó vítimas da fome
De pé! famélicos da terra
A indolente razão ruge e consome
A crosta bruta que a soterra!
De pé! De pé não mais senhores!
Se nada somos em tal mundo,
Sejamos todos, ó produtores!
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo que a nós nos diz respeito
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!
Crime de rico, a lei o cobre,
O Estado esmaga o oprimido,
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres:
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres!
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!
Abomináveis na grandeza
Os reis das minas e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha,
Todo o produto de sua
A corja rica o recolheu!
Querendo que ela restitua,
O povo só quer o que é seu.
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Fomos do fumo embriagados!
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos guerra de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores,
Se a raça vil cheia de galas,
Nos quer a força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais.
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!
Somos os povos dos nativos.
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a terra aos produtores
Ó parasita deixa o mundo!
O parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres,
Não deixa o sol te fulgurar!
Refrão:
Bem unidos, façamos,
Nesta luta final.
Uma terra sem amo,
A Internacional!

Garotos Podres - Tô de saco cheio



Eis os Garotos Podre, aqueles mesmos que detonaram o "velho gordo capitalista" em Papai Noel velho batuta, que já mostramos em outra ocasião no blog.

Esta é quase uma "balada punk", se comparada as outras composições do grupo, mas não deixa de trazer a sedutora(e quase sempre inútil) mensagem quero-que-tudo-se-foda.

Tá no disco de 2003, Garotozil de Podrezepam, uma sacada ácida contra a felicidade permanente comprada em farmácia.

O grande problema no niilismo é não se assumir como tal, ou seja, não é uma postura que ameaça o status quo, mas simplesmente de acomodação dentro dos limites de uma visão realista extrema do mundo, mas que não se conecta com as demais, e por isso, é infértil e incapaz até de atingir seu objetivo destrutivo.

Mas se a gente escolhe este caminho tendo esta percepção, ótimo. Ficarás em paz consigo mesmo, e FODA-SE O RESTO!

Olha a letra aí:

Tô de Saco Cheio Garotos Podres
Tô de saco cheio
Não agüento mais
Agora vocês vão ver do que sou capaz!!!


Explodir bombas
Dinamitar pontes
Afrontar quartéis
E ainda por cima
Peidar no elevador !!!


Tô de saco cheio
Não agüento mais
Agora vocês vão ver do que sou capaz!!!


Tô de saco cheio
Não agüento mais
Agora vocês vão ver do que sou capaz!!!


Fazer espionagem atômica
Conspirar contra o estado
Derrubar governos
E jogar cocô no ventilador


Tô de saco cheio
Não agüento mais
Agora vocês vão ver do que sou capaz2x




Bin laden é inocente
Fui eu!!!!


http://www.vagalume.com.br/garotos-podres/to-de-saco-cheio.html#ixzz1mjuDFcu6

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

The Clash Live - Revolution Rock (6 of 7)



E para fechar a noite, The Clash. Dispensa qualquer comentário, a não ser que o título do vídeo está errado e não corresponde as duas músicas, mas afinal, quem se importa?

Punk Funk - Anarcofunk



Mais uma da selva da internet, mas precisamente da cena de Belo Horizonte.

AnarcoFunk, na autodefinição deles é um tiro no ouvido. A apresentação do funk como porta-voz da mensagem punk é, por si, uma grande sacada de humor fino!

A mensagem é clara:

Menos pose e mais atitude.

É claro que se trata de uma irônica sacanagem com os "punks de boutique", sectários até a medula e manipulados pelo sistema que dizem combater.

De certa forma, o recado vale para outras forma de manifestação política, e inclusive para alguns setores da blogosfera local, que criticam aqui (na cidade) o que adoram por lá (na capital), modulando um tipo de "provincianismo esclarecido".


Baile Muderno - Chico Correia & Electronic Band



Chico Correa & Eletronic Band já é nosso conhecido por Lelê. O melhor vídeoclip de animação(na minha opinião e gosto)que já vi.

Esta outra música que pesquei no Youtube renova nossa "crença" na batida eletrônica misturada com a marcação da zabumba e embalada pelos cânticos regionais, fraseados com sotaque nordestino.

Eis aí a letra:

Ô Nana, vem mais eu
Dançar num baile muderno
Ô Nana, vem mais eu
A noite tá me chamando
Ô Nana, vem mais eu
Teu amor se foi no mundo
Ô Nana, vem mais eu
Não fique em casa chorando

Eu vou ligar na tomada
34 auto-falantes
Há de se ouvir distante
A radiola encantada

Hoje ao entrar madrugada
Pode anotar no caderno
No giro do eixo interno

É minha(?) a voz de conquista
Se abro, chegue pra pista
Que isso é um baile muderno

Ô Nana, vem mais eu
dançar num baile muderno
Ô Nana, vem mais eu
a noite tá me chamando
Ô Nana, vem mais eu
teu amor se foi no mundo
Ô Nana, vem mais eu
não fique em casa chorando

No rodopio do dia
A agulha não sai do disco
Traz na sacola de disco
Não esquece o cd de dia

Hoje ao fim da tardezinha
Em meio a mudernagem
Vai rolar corpo selvagem
Domesticado na unha
Troco um trocado na cúia
Ele terá alcançado

Eu vou ligar na tomada
34 alto-falantes
Há de se ouvir distante
A radiola encantada

Hoje ao entrar madrugada
Pode anotar no caderno
No giro do eixo interno

É minha a voz de conquista
Se abro, chegue pra pista
Que isso é um baile muderno

http://letras.terra.com.br/chico-correa-eletronic-band/1405067/

acϟdc- '74 Jailbreak music video-uncensored (Bon Scott 1976 HQ) -ɔpϟɔɐ


Um vídeo que traz o falecido Bon Scott nos vocais, e que nos apresenta os primórdios do uso da imagem como acessório de divulgação, os chamados videoclips, que com o tempo se transformaram na linguagem principal das bandas.
Engraçado notar a evolução tecnológica daqueles dias até o presente.
Melhor é perceber que o vigor musical do grupo e sua capacidade continuam intactas.

Quem ouviu Jailbreak(Fuga da Prisão)ontem, ou em 1974, tem a impressão de que o tempo não passou para estes dinossauros do bom hard rock.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

EM TEMPO DE DEMOCRATURA




Em tempos estranhos, onde o uso do bastão da Lei e da Ordem são as únicas referências para o debate, é preciso fazer algumas considerações sobre punição, constituição, direitos, deveres, etc.

Ninguém defende o descumprimento da Lei, muito menos da CRFB.

Mas há nela, nossa Carta Magna, uma série de direitos que não raro se chocam, quer seja pela ausência de técnica legislativa, quer seja pelo principal motivo:


As contradições políticas do nosso povo e do nosso Estado, que acabam por desembocar em conflitos que deveriam ser "pacificados" pelas leis.


E nem poderia ser muito diferente: Somos uma Democracia jovem, com instituições precárias e em formação, ou seja, nossos conflitos maiores ainda carecem de resolução satisfatória.

Vejam, por exemplo, que o mesmo STF que acerta no caso da Maria da Penha, ou quando manda extraditar um criminoso como Cesare Battisti, valida uma Lei de Anistia feita embaixo das botas de quem deveria ser punido pelos crimes que se auto-absolveu.

Desnecessário falar sobre Daniel Dantas, as leis das algemas, etc, e o estado-policial das escutas, odiado, quando usado contra ricos, mas celebrado com gosto pela mídia e pela sociedade quando usado contra bombeiro-grevista.

Não devemos lamentar, esta é nossa História. Nosso processo e amadurecimento é enfrentar tais percalços com serenidade, embora sejamos tratados sem tanta tolerância.

Democracia é respeitar seu oponente, mesmo que ele insista em te destratar.

Está lá, na CRFB, que todos têm direitos fundamentais a saúde, a educação, a segurança, lazer, e uma vasta gama de condições consideradas indispensáveis para o bem viver e para paz social.

No entanto, a ausência de condições positivas de satisfação destes direitos, quer por escolha política, quer pela dinâmica dos sistemas econômicos(também protegidos pela mesma CRFB), e mais grave, a falta de regulamentação destes direitos, acabam por torná-los impossíveis de serem gozados.

O principal argumento(cínico e covarde) dos que se colocam contra a greve dos policiais(militares) é a vedação constitucional.
Ora, se esta mesma constituição coloca segurança como direito fundamental do cidadão(todos nós, inclusive policiais), como pretender que este direito seja efetivamente desfrutado com as condições de trabalho oferecidas pelos governantes aos profissionais diretamente envolvidos?

Então se cria uma premissa fundamental, e jogam-na nas costas dos servidores, que não podem usar outro direito (de greve, também reconhecido como ferramenta lícita de pressão), e querem que tudo se cumpra, como por mágica?
Ou pelo "eterno sacrifício" e "vocação" dos policiais? Juramento? Então quando faltar algo em minha casa eu vou na venda e tento comprar com "juramento"?

Outro aspecto intrigante é a seletividade da aplicação do rigor e formalismo jurídico.

Os cretinos e cínicos, e outras categorias de desavisados, oportunistas e uns poucos ingênuos, dizem que greve de militar é ILEGAL e ponto, não cabe interpretação diversa. Alguns falam em "molecagem".

Ok, ok, ok...Tomemos isto como correto e ao pé da letra.

Mas e os crimes cometidos por quem coloca exército na rua sem decreto presidencial de intervenção autorizado pelo Congresso, com a entrega de comando ao ente interventor(União)?

E o crime do prefeito do Rio que colocou a GCM como polícia, o que é vedado pela CRFB?

Neste momento, o Congresso, a ALERJ e a Câmara do Rio deveria estar reunidos para votar o impeachment dos chefes dos executivos mencionados: A presidenta, o governador da Bahia e o prefeito do Rio, e quem mais incorrer em tais violações constitucionais. Não estão? E por que? Onde está o STF, o MP/RJ ou MPF? Prevaricando?

Eu nem vou mencionar a FORÇA NACIONAL, que não tem NENHUMA PREVISÃO CONSTITUCIONAL PARA FUNCIONAR COMO FORÇA POLICIAL!

Ah, Mas dirão novamente os cretinos:

"Trata-se de escolher entre cumprir a lei ou proteger um direito". Mais ou menos como disse o comandante de um batalhão da PMERJ quando os policiais se negaram a sair em viaturas sem VISTORIA, o que é proibido pelo CTB, inclusive e principalmente para proteger a VIDA de todos, uma vez que a VISTORIA é que constata as condições (ou não)para o veículo trafegar.

São escolhas. Mas quem determina quais escolhas são justas ou não?

Ninguém, a não ser o debate político, o consenso, a NEGOCIAÇÃO. O GOVERNO RESOLVEU JUDICIALIZAR A QUESTÃO, POR TOTAL INCOMPETÊNCIA DE GERENCIAR ESSE CONFLITO POLÍTICO!

É isto! Escolha!

Esta foi a escolha dos policiais quando entraram em greve, e se o o raciocínio vale para as autoridades deve valer para os servidores.

Senão, teremos uma "punição seletiva", tão ou mais grave que a suposta "impunidade", ou "anistia".

Se a sociedade legitimar o uso rigoroso da Lei contra uns e a leniência punitiva contra outros, apenas por causa da qualidade(se é governador, presidenta ou servidor), teremos a nossa DEMOCRATURA, que nada mais é que uma ditadura fantasiada de aspectos formais de Estado de Direito.

Então, OS SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES DOS SERVIDORES DEVERIAM ENTRAR COM REPRESENTAÇÕES NOS ÓRGÃOS MINISTERIAIS E NAS MESAS-DIRETORAS DESSAS CASAS LEGISLATIVAS, PROPONDO OS PROCESSOS PARA RESPONSABILIZAR ESTAS AUTORIDADES.

AFINAL, TEMOS QUE CUMPRIR AS LEIS, TODOS NÓS, NÃO?

Tempos estranhos!

Policiais que tentam se aproximar do exercício cidadão da reivindicação, tratados com desprezo pelos progressistas.

Governos ditos de "esquerda" agindo como os piores ditadores!

A mídia...bom, a mídia está onde sempre esteve.

Leia a matéria do PIG(Globo), será que é crise de consciência ou matéria para provocar aumento na "tabela"?

Reprodução do Globo online

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Dinheiro jogado fora!

GARIS PARAM E AVISAM:

ESTA CIDADE É UM LIXO!

Os garis desta cidade, trabalhadores da empresa que receberá por dez anos o equivalente a cerca de 600 milhões de reais(é isto mesmo que você leu, 600 milhões)sentiram na pele o que a terceirização de contratos de serviços públicos pode acarretar, uma vez que não há sinal de fiscalização, nem do poder concedente, muito menos dos órgãos externos, como Câmara Municipal e outros.

Como justificar que esta MONTANHA de dinheiro público sirva para alimentar práticas de violação de direitos dos trabalhadores, tratados como lixo que recolhem?

Dá-nos a impressão que nossas autoridades e seus amigos empresários são como lixo atômico, eles e seus métodos nunca serão reciclados.

Planície internacional: Murdoch a um passo do fim!

Rupert Murdoch, o bilionário da mídia, maior tubarão da imprensa mundial, ídolo e referência para 10 entre 10 donos de corporações de comunicação ao redor do planeta, está cambaleando.

Após a prisão de cinco editores em Londres, todos envolvidos com os escândalos das escutas ilegais, corrupção e conspiração, que se juntam o outros quatro já presos no mês passado, o magnata vai ter que enfrentar um processo nos EEUU, abrindo assim outro flanco na sua defesa.

O FBI e outros órgãos estão processando suas investigações sobre as mesmas práticas cometidas pelo Império na Grã-Bretanha em solo estadunidense.

As apurações vasculham a possibilidade de que o grupo de mídia acessou as mensagens de voz das vítimas do 11 de setembro.

Além disto, assim como no Reino Unido, os repórteres e funcionários do grupo são acusados de pagar propinas a fim de obterem informação protegida ou confidencial.

Com tanto pela frente, Murdoch adicionou ao seu caríssimo time de advogados um ex-integrante do Departamento de Justiça(Ministério da Justiça para nós) e do Conselho da Casa Branca, o que sugere que está se preparando para um longo, caro e dramático processo.

Pela lei estadunidense, se Murdoch pai e filho sabiam das propinas e nada fizeram para deixar de que fossem pagas , responderão criminalmente.

Olhando assim, eu paro e penso, depois de toda esta crise no RJ e na BA: temos muito o que aprender!


texto baseado em matéria do The Independent, aqui

Pois é!

Eu vi agora a reportagem da prisão do policial militar ALONSIMAR. Ao seu lado, familiares, colegas de farda, advogado...e nenhum sindicalista!


Ninguém do SEPE, ninguém do STAECNON, SindPETRO, Bancários...nada!


Nenhuma nota, nenhum comentário...nenhum gesto...Só o silêncio covarde, omisso e cúmplice!

Os dois lados da moeda.

Não tenham dúvidas os incautos. Os cretinos que festejam a prisão dos policiais e bombeiros como signo de respeito a "ordem constitucional e da autoridade" são os mesmos que comemoram e se aproveitam da ação policial no Pinheirinho, na Cracolândia ou no V Distrito de SJB.


Esta mesma natureza militarizada da polícia, que pune os faltosos, é a que permite que seja usada como guarda pretoriana pelos governadores.


Não dá para nos tratar com animais adestrados,  e depois pedir que hajamos como policiais-cidadãos.


Disciplina militar é para guerra, e pelo que sei não estamos em conflito com nenhum país, a não ser que imaginemos que a nossa polícia está em permanente guerra com a sua sociedade.


Daqui por diante, ou se muda a Constituição, ou se anistia permanentemente os paredistas, ou vão ter que manter todos os policiais presos.

Carta aberta a ALONSIMAR!

Eu não sei se o policial militar ALONSIMAR, ex-militante petista e liderança dos seus pares está preso, se está solto, mas com certeza imagino a pressão que ele e sua família têm sofrido por ele ser quem é.

Desde já que fique claro: Eu e o policial militar ASLONSIMAR sempre estivemos em campos distintos da política partidária, não somos amigos e mal nos falamos.

No entanto, eu não poderia deixar de me solidarizar com ele e com todos os outros policiais militares e bombeiros presos, vítimas do abuso de autoridade consagrado em um dispositivo constitucional anacrônico, herança dos regimes autoritário, que militariza polícias, caso raro em todo mundo civilizado, e ainda mais raro entre os chamados países democráticos.

CAUSA ESPANTO é a total ausência de solidariedade dos companheiros petistas de ALONSIMAR, a maioria que se dizem sindicalistas, como Hélio Anomal(STAECNON), Eduardo Peixot(SEPE), Hugo Diniz(BANCÁRIOS), Vereadora Odisséia(SEPE) e tantos outros ligados a tantos outros movimentos, como estudantes, sem-terra, etc.

Não se trata de submeter toda a lógica política a questão corporativa, mas de chamar a atenção, via fala institucional partidária para os abusos e para a necessidade de repensar a questão orçamentária do Estado(gasta com empresário e eventos bilionários e esquece servidor), os serviços essenciais e a dignidade dos servidores desses serviços essenciais, até ontem, bandeiras históricas do PT.

Pensando bem, a omissão cínica desse pessoa nem causa tanto espanto assim. É na verdade uma confissão de que os limites dos princípios que dizem defender é dado pelo oportunismo de reafirmar os laços de subserviência com projetos políticos estranhos a estes mesmos princípios.

Pelas suas próprias deficiências, o PT no governo cabral sempre foi o rabo do elefante, sempre aderindo com pouca ou nenhuma relevância, disputando nacos de poder secundário para alimentar pequenas pretensões localizadas, regionais ou personalistas.

O máximo que experimentaram de peso político foi pelo lado da negação de si mesmos, quando Lula impôs ao partido regional a aliança com o atual governador para pavimentar a eleição de sua sucessora.

Não era de se esperar que agora, o PT fluminense, ou quiçá o moribundo PT local levantasse a voz contra quem segura a coleira em volta de seu pescoço.

Uma pena, e talvez decepcionante para ALONSIMAR, que preso ou solto, sentiu na pele as chibatadas da traição.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cadê as conversas do governador?


12 de fevereiro de 2012 às 1:46

Deputada quer ouvir conversas de Cabral com a Delta, a Odebrecht e a Nissan

Discurso de resposta da deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), que corre o risco de ser cassada  pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por incitar greve de policiais militares e bombeiros

Eu gostaria de dar alguns esclarecimentos e colocar minha posição acerca da questão das escutas telefônicas, ou seja, a novelinha mexicana que foi montada pela Rede Globo e pelo governador Sergio Cabral em horário nobre para criminalizar não só a minha atuação parlamentar, mexer nas minhas garantias constitucionais como parlamentar, mas também no meu direito de cidadã e, mais do que isso, na tentativa de, com esse grande engodo, criminalizar também o movimento dos trabalhadores da segurança pública, o movimento dos policiais militares, o movimento dos bombeiros, que foi um movimento que desde o seu primeiro momento eu apoiei e quero declarar que vou continuar apoiando.
Primeiro, que o cabo Daciolo, esse que está preso lá em Bangu 1, junto com uma série de marginais, que foi preso de forma ilegal, que foi preso de forma truculenta, estava na Bahia a convite de um juiz da auditoria militar federal, dr. Barroso Filho, que é um juiz de Brasília, que esteve em contato com o cabo Daciolo e que o convidou a ir a Salvador, no sentido de fazer a ponte entre os demais trabalhadores da segurança pública que se encontravam na assembleia legislativa e dirigentes de outros sindicatos pra tentar, a partir desse contato, construir uma proposta que pudesse superar o impasse.
Houve a ida do cabo Daciolo, aconteceram várias reuniões do cabo e o juiz com figuras do governo lá, segundo informações, mas não se chegou a um acordo. E o cabo Daciolo me ligou dizendo, deputada, aqui foi apresentada… estão sendo ventiladas propostas, que são propostas que não resolvem a questão porque não garantem a anistia. Eles ventilam a possibilidade de um pagamento da gratificação que está sendo reivindicada a partir de novembro, com pagamento final até 2015, mas não aceitam em hipótese nenhuma anistia para os trabalhadores da polícia militar e em relação ao outro dirigente que era demitido, que foi demitido durante o processo de luta também, eles colocaram que por ser demitido, por não ser mais militar, era crime comum, polícia, delegacia e não teria saída. E ele [Daciolo] me consultou, o que é que a senhora acha? Coloquei para ele, repito aqui, repito em qualquer outro lugar, porque eu não tenho esse tipo de… eu não vou em função da pressão de alguns, da grande pressão que está sendo exercida, eu não vou aqui abandonar os meus princípios ou mentir ou me acovardar.
Eu disse a ele que eu achava que a melhor maneira dele ajudar a greve na Bahia, a fortalecer a greve na Bahia e a correlação de forças que existia lá, era ele voltar ao estado do Rio de Janeiro e organizar a categoria dele aqui, porque se a segurança pública no Brasil inteiro estivesse organizada, eles poderiam ter uma correlação de forças melhor para fazer uma negociação e garantir a anistia.
Foi exatamente isso o que eu disse, eu nao disse nada diferente do que eu venho dizendo nessa tribuna há vários dias, eu não disse nada diferente do que está escrito no site, num documento que eu construi e tá no site do meu mandato. Eu não disse nada diferente do que está nas redes sociais a partir do meu mandato.
Eu disse e reafirmo, eu sou oriunda do movimento social, eu sou uma trabalhadora, eu tenho 32 anos de militância política, eu faço parte de um setor social, aqui dentro dessa casa tem companheiros que representam, tem deputados que representam pescadores, tem deputados que representam banqueiros, tem deputados que representam a Delta, tem outros que representam a Odebrecht, a Barcas SA.
Eu represento as lutas soiciais que vem a essa casa, pedir a intermediação dessa casa para resolver suas demandas. É esse o meu lado, é dessa maneira que eu ajo, eu não preciso aqui ficar me explicando no sentido de que não, não falei. Falei, sim.
Eu quero dizer mais, hoje às dezoito horas vai haver uma assembleia dos trabalhadores da segurança pública na Cinelândia e eu estarei lá. Eu estarei nessa reunião da Cinelândia. Eu não vou deixar de estar lá e deixar de apoiar a luta daqueles trabalhadores. Se eles me perguntarem qual minha opinião acerca do movimento, eu vou dar minha opinião acerca do movimento, mas quero deixar bem claro que quem decide os rumos do movimento são os trabalhadores nas suas assembleias, eu não tenho direito a voto numa assembleia da segurança pública. Agora, é óbvio, to ali junto, vou apoiar até o fim, não vou me deixar pressionar, não vou negar as lideranças do movimento, não vou negar o movimento.
Durante várias intervenções que eu fiz aqui nesse plenário ao longo dessas últimas duas semanas, me posicionei radicalmente contra qualquer tipo de ação política nessa greve que pudesse macular a população, coloquei ser contra uma greve armada, é só pegar o que foi gravado aqui nessa casa, todos os meus depoimentos nessa tribuna são gravados.
É só pegar o que eu disse em relação à necessidade de se garantir um efetivo de 30 por cento, a necessidade de não ter armas, a necessidade de se dialogar com a população. Eu estive junto do movimento dos bombeiros desde o primeiro momento, desde o primeiro momento, eu estava dentro do quartel central dos bombeiros, quem não sabe fique sabendo, eu estava lá dentro do quartel central dos bombeiros quando ele foi invadido pelo Bope atirando em crianças e mulheres que estavam lá dentro.
Eu acompanho o movimento dos bombeiros e nem por isso o movimento dos bombeiros aqui no Rio de Janeiro radicalizou. Existiam várias propostas de radicalização do movimento, que eles deixassem cadáveres na rua, que eles parassem de trabalhar na usina de Angra, que eles parassem os aeroportos. Eu já fui dentro de aeroporto fazer assembleia com bombeiro para dizer a eles que era errado fazer a paralisação do trabalho nos aeroportos porque isso ia colocar a população contra eles. Eu já conversei com trabalhadores bombeiros de dentro de usinas nucleares, dizendo que eles não podiam fazer isso porque isso afetaria  a segurança da população local. Isso tá gravado aqui.
Se existir honestidade intelectual, se existir honestidade de propósito nas pessoas, elas vão ver que isso tá colocado aqui. Quero dizer que não me intimido, que não me intimido, não adianta ameaça de cassação de mandato, eu não estou presa ao mandato, eu não estou aqui para ficar presa ao mandato, a salário de mandato, a benefícios de mandato, a benesses de mandato.
Eu tenho um mandato para representar a classe social que eu escolhi para representar. Eu tenho mandato para representar trabalhadores, para representar aqueles que lá fora e aqui dentro não tem uma representação objetiva, e eu vou ficar muito orgulhosa de mim mesma se por acaso eu for cassada, se meu mandato for cassado, porque eu estava na luta com os policiais militares, com os bombeiros, com os trabalhadores da saúde, com os profissionais da educação, com os operários do Comperj, que foram várias lutas que eu fiz, várias lutas das quais, enquanto parlamentar, eu participei.
Quero dizer a vocês que se eu deixar de ser parlamentar por essa causa, essa é uma boa causa. Essa é uma boa causa, eu não posso deixar de ser parlamentar porque roubei o erário público, eu não posso deixar de ser porque sou uma corrupta, eu não posso deixar de ser parlamentar porque tenho relações escusas com empresas que prestam serviço para o estado.
Eu quero saber… aí ninguém pergunta, todo mundo defende a lei… eu vi aqui unicamente o deputado Paulo Ramos levantando essa questão… meu gabinete já mandou ao presidente da Casa e à Polícia Federal, nós queremos saber qual é essa história da gravação, da escuta telefônica. Mudou a lei agora? Pode gravar deputado? Pode gravar qualquer um agora? Se for deputado da oposição, ele pode ser gravado? Quer estado democrático de direito, mas só vale quando é para eles? Se é para a oposição que tem uma posição política diferenciada, não vale? Eu quero saber. E quero dizer mais. Eu coloco o sigilo telefônico aqui agora à disposição de quem quiser. Tudo o que eu disse para todos os bombeiros, para todos os policiais militares, para todos os trabalhadores através do meu telefone está disponibilizado para a imprensa. Eu quero saber se o governador Sergio Cabral faz o mesmo, eu quero saber se o governador Sergio Cabral vai dar o telefone dele, as ligações que faz com a Delta, que ele faz com a Odebrecht, que ele faz com as grandes empresas, com a Nissan, para a qual ele acabou de dar 6 bilhões de dólares, agora. Pode dar 6 bilhões de dólares para a Nissan mas não pode dar dinheiro para pagar os trabalhadores da segurança pública.
Eu disse e a imprensa já tá colocando, que eu honro as saias que eu visto, e é verdade, eu honro as saias que eu visto porque sei de onde eu vim, eu sei qual que é o meu passado, eu sei de onde eu vim, eu sou uma mulher trabalhadora, eu sou uma mulher que veio do subúrbio, aqui do Rio de Janeiro Eu sou uma mulher que sofreu, que a sua família sofreu durante a ditadura militar. Eu sou uma mulher que já fiz muita luta, muita greve, muita mobilização. Eu já fui colocada na lei de segurança nacional, eu já fui presa várias vezes pela minha atuação política e nao vai ser essa pressão, que está estabelecida nessa novelinha mexicana, que vai fazer eu recuar da defesa dos trabalhadores da segurança pública.
Quero dizer ao governador Sergio Cabral que se eu fosse governadora desse estado os trabalhadores da segurança pública não chegariam ao local que chegaram debaixo do seu governo. Quero dizer à população desse estado que a responsabilidade de uma eventual greve na segurança pública não é culpa do trabalhador que tá passando fome, não é culpa do trabalhador que tem que fugir dos bandidos que tão caçando policial militar fora do seu horário de trabalho, a culpa disso tudo é de quem não pensa numa política de segurança de estado, mas pensa numa segurança pública de governo, pra criar factoides como as UPPs [Unidade de Polícia Pacificadora] para poder garantir o apoio do povo na eleição de seus candidatos, na eleição de seus sucessores. Eu não vim aqui para fazer demagogia eleitoral, eu não vim aqui para ficar falando pras pessoas o que elas querem ouvir. Eu vim aqui para defender os interesses daqueles que eu acho que eu tenho de representar aqui nessa casa.
E quero dizer: se cair o meu mandato, caio com orgulho. Agradeço a solidariedade de vários parlamentares aqui nessa casa. Vários parlamentares aqui da base do governo, da oposição vieram conversar comigo, me apoiar, me dar uma força. Eu agradeço a esses companheiros, mas não tenho medo de perder o mandato. Vou ficar orgulhosa se perder o mandato, porque eu sei que não participei de nada escuso, de nada que eu vá sair daqui e não possa olhar para a cara do meu filho. Eu tenho certeza que posso chegar hoje à noite na minha casa, olhar na cara do meu filho, e dizer para ele que a mãe dele, que entrou nessa casa aqui como parlamentar vindo de baixo, continua a mesma, não se vendeu e continua honrando suas saias e continua tendo lado e esse lado é o dos trabalhadores.
PS do Viomundo: Há várias questões por esclarecer. Antes de mais nada, se a deputada for de fato julgada pelos pares na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, será preciso apresentar as degravações completas das conversas telefônicas. E esclarecer, antes: elas foram de fato feitas com autorização judicial? Qual o nome do juiz que as autorizou? As gravações se destinavam a investigar um ilícito ou foram feitas com o objetivo político de constranger? Qual foi o crime motivador das gravações? Quem providenciou o vazamento das gravações? É legal retirar de uma investigação as gravações de conversas telefônicas e divulgá-las?
Há na investigação que incluiu os grampos de políticos — os deputados federais Garotinho e Arnaldo Faria de Sá também foram gravados — algo que poderia incriminá-los e à deputada Janira? Ou foi uma jogada política para constranger os mandatos usando o Jornal Nacional?
Dar tiros para cima durante greve é crime. Tocar terror na população para obter vantagens salariais é crime. Colocar mulheres e crianças na linha de frente, nem o PCC faz. Mas é sempre bom lembrar, para não repetir, os métodos que o regime militar usou contra o sindicalista Lula, no tempo em que a Justiça considerava ilegais as greves lideradas por ele.