sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

V Distrito de SJB: A nova capitania hereditária do cabral.

Assim que cabral "descobriu" o Brasil, houve, logo depois, nossa primeira experiência de ocupação e distribuição do solo na então colônia, que na verdade, daria o tom nesse tema como um legado fundador:
As capitanias hereditárias.

Nesse modelo, a natureza de concentração de terra está explícita desde o início, inaugurando o patrimonialismo estatal, onde o capital privado e as elites tendem a operar seus negócios com o recurso público e a defesa do aparato do Estado, sempre a serviço desses interesses, quer sejam jurídicos, de segurança ou econômicos.

Passados mais de 500 anos, outro cabral desembarcou na costa, desta vez na região do Açu. E se no século XV e XVI, as expansões capitalistas eram financiadas pela incipiente burguesia, e seu capital mercantilista, nos dias de hoje é o contrário, e o Estado ficará com muito pouco, ou pior, caberá ao Erário o ônus pela expansão capitalista.

Naquele época, os nobres ainda possuíam lugar de relevância, nos dias de hoje, o capital utiliza outros " menos nobres" para manipular o Estado a seu favor.

Secretários, jornalistas, juízes, policiais, e todos os demais que entendem que empreendimento de larga escala é a mesma coisa que prosperidade e desenvolvimento sustentável. A bem da verdade, a maioria sabe que não, mas diz que sim por cinismo e conveniência.

Temos então, e já dissemos isso aqui em outro texto, reforma agrária ao contrário: O Estado, com nosso dinheiro, comprou terras a preço bem menores, para entregá-la ao único donatário-empresário, o senhor X.

O que faz o cabral de agora é de corar até os portugueses, pois ao menos, naquela época, havia mais beneficiados.

Não há justificativa moral, ou da ética dos negócios que consiga justificar esse estratagema, ainda que desprezemos todos os valores da posse da terra, das tradições e cultura daquelas pessoas, e todo o acervo imemorial e sociológico que serão destruídos com o desterro.

Se considerarmos apenas a "imperiosa" necessidade de impor o "desenvolvimento"(esse ser tão estranho e etéreo quando o "mercado"), nada, nem ninguém poderá escusar o fato de que o dinheiro público está sendo colocado a serviço de uma das maiores fortunas do mundo, quando deveria ser o contrário.

Eu estava me esquivando de comentar os fatos no V Distrito, até porque, como já disse, toda vez que escancaramos as verdades relacionadas ao senhor X, acabamos por funcionar como um upgrade da tabela das assessorias de imprensa e das matérias-pagas.

Tem gente no PIG até escrevendo que o senhor X será candidato a presidente, utilizando para tanto o argumento cretino de que ele é a "novidade" de um país que não tem mais raiva dos ricos, porque seu povo está enriquecendo.

Como se o problema fosse de fato a riqueza, ou um mero recalque, ou "inveja".

Não é. O problema é que no Brasil, ainda que as coisas estejam melhorando, permanecem os mesmos vícios na Casa Grande:
Enriquecer à custa do dinheiro público, com sacrifício da coletividade e aumentando a brutal desigualdade, na medida que enfraquece o Estado que deveria cuidar dos que pouco ou nada têm.

E nesse caso, o senhor X é um exemplo clássico de promiscuidade dos negócios privados com o Estado, passado de pai para filho.


Um comentário:

Anônimo disse...

Boa análise...