quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Simplesmente, Elis.

Um dos traços que carrego em minha memória, e que formou meu ralo caldo de cultura musical, é a convivência familiar materna.

Discos LP, compactos, fitas cassete, rádio. Música noite e dia, cantarolada, usada para desabafar, alegrar, distrair. Até nas brigas familiares as músicas eram usadas para atirar farpas na forma dos versos que serviam a cada ocasião.

Dispensável dizer que cresci a sombra sonora dos grandes e das grandes do rádio: Francisco Alves, Orlando Silva, Elizeth "A Divina" Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha, Altemar Dutra, e já um pouco mais adiante, Roberto Carlos e Jovem Guarda, Rita Lee, Mutantes, Caetano e Gil, Novos Baianos, e por aí foi.

Mais tarde, no auge da efervescência hormonal, onde é preciso se rebelar, lá estavam o rock pesado, ouvido a exaustão no meu aparelho PHILIPS 300 (pobres vizinhos), que substituiu meu toca-discos SONATA, aquele que vinha embutido dentro da caixa de som.
Com esse SONATA fazíamos as "discotecas de garagem", meia luz com papel celofane colocado em volta da lâmpada, cada cor um efeito.
Já com o aparelho da empresa holandesa, que à época tentava competir com os módulos da Gradiente, junto aos "amadores", gravei minhas fitas, reproduzi minhas coleções de Iron Maiden, (Deep)Purple, (Black)Sabbath, Rush e outros.

Bom, há um legado que perpassa toda essa experiência curta, e chama-se: Elis Regina.
Ela morreu quando eu começava a compreender o mundo e um pouquinho da vida ao meu redor, e a comoção causada por essa tragédia me deu a dimensão do significado daquela cantora que eu ouvia na casa de minha família, venerada, como herdeira das grandes do rádio, como Ângela Maria, Elizeth, Dalva, etc.

Conturbada, libertária, polêmica em uma época que tais características acrescentavam uma dose a mais de difamação a carreira artística.

Massacrada por sua própria essência, demasiadamente, humana. Temperamental. E se os apelidos nos definem, e nos redefinem, porque vamos sendo moldados pelas expectativas que o rótulo cria, "pimentinha" era sinônimo de Elis. (nas palavras de Julius Caesar: "É muito difícil que não nos tornemos aquilo que esperam de nós")

Anistia, O Bêbado e o Equilibrista, eleição de Brizola, abertura, lenta e gradual, Rio Centro...

Não existiria momento histórico mais adequado para encaixar Elis e seu drama...não, não, eu acho que não...pessoas como Elis são não se medem pela régua do tempo.

E lá se foram 30 anos, e essa saudade não cessa.

3 comentários:

antônio disse...

Especial da Globonews, ontem, dedicado a ela foi emocionante, um dos melhores documentários que já vi.

abraços

douglas da mata disse...

Salve, Antônio. Bom ler sua participação, andavas sumido.

Infelizmente meus proventos de policial civil não me permitem adquirir TV paga.

Mas confio na sua opinião, até porque, é difícil não se emocionar com Elis, onde quer que seja lembrada.

Um grande abraço

antônio disse...

valeu garoto!!!
abraços

p.s: provavelmente no youtube existe uma grande chance de vc conseguir esse especial