terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A prefeita roda presa.

O transporte público de passageiros e a mobilidade urbana é um dos temas centrais de toda e qualquer administração pública, e excede em muito a noção apenas de empresas de ônibus, ou de construção de vias públicas para desafogar tráfego.

Há cidades que avançaram nesse quesito, e o exemplo clássico talvez seja Curitiba.

O princípio básico é diminuição das unidades de veículos que comportam poucos passageiros, ou que transportam apenas um na maioria dos casos, para privilegiar o transporte de massa, com integração de várias modalidades, de acordo com os percursos, e por fim, mas não por último, o foco no pedestre e nas ciclovias que são os integrantes mais "fracos" do sistema de trânsito.

Nem é preciso dizer que a implantação desses princípios tem como base o estrito cumprimento à Lei e o combate as "alternativas", com a constante formalização dos esforços autônomos, dentro das necessidades da população.

Para onde quer que se olhe, NADA disso foi levado em conta nessa cidade que tem um Orçamento de 2 bilhões de reais.

Passados 3 anos de governo(ou será desgoverno?), a administração não conseguiu implantar um transporte público digno desse nome.
Não se trata apenas de pontuar a questão da greve de hoje dos motoristas, e nem pesquisar os motivos, porque nos basta saber a causa para todos os problemas: A TOTAL AUSÊNCIA DE PODER PÚBLICO NO TRANSPORTE PÚBLICO E NA MOBILIDADE URBANA.

O símbolo dessa constatação são as carroças "maquiadas" da Viação Tamandaré.

Como imaginar a regularização de um setor que recebe milhões de reais através de uma situação precária, pois não há uma linha sequer licitada?

Dizemos e repetimos: Ainda que a paralisação de hoje seja um lockout(ou locaute), ou atraso no repasse das verbas públicas ao setor, ou qualquer outra questão, o fato é cristalino:

O TRANSPORTE PÚBLICO NESSA CIDADE NÃO É DIGNO DESSE NOME, e virou um balcão de negócios para uma maioria de empresários sem escrúpulos e para repasses milionários ilegais, onde paralelamente, funciona uma espécie de pequenos predadores no espaço onde nem a bagunça oficial consegue funcionar: O território alternativo.

O transporte de passageiros nessa cidade é um TAPA cotidiano na cara dos eleitores e contribuintes. Resta saber quando vão acordar.

4 comentários:

Anônimo disse...

Acho que a solução para o transporte público está em licitações aberta a todos, com a máxima transparência. onde quem ganhará será quem se enquadrar na legislação, quanto ao tempo de uso dos veículos e no menor preço de tarifas.
O problema é que quando o empresário oferece tarifa justa, acaba sem poder fazer doações milionárias para a campanha dos vagabundos. Por isso acho que não haverá nenhuma solução para o transporte nessa terra de governo super-honesto.

Anônimo disse...

Os empresários são achacados, ameaçados com devassa fiscal, corrompidos pelo discurso "me ajuda que eu te ajudo" e não tem independência para dizer NÃO. Convém capitular e fingir junto com os políticos que estão prestando algum serviço à população.

douglas da mata disse...

Me desculpe, caro comentarista, mas essa lenda de dizer que são "achacados" é uma boa desculpa para não assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazem.

Não há inocentes nessa história.

Anônimo disse...

Verdade Douglas. Não há inocentes. Nem aqui. Todos fazemos nossas escolhas. Neste mundo de hoje, o imediatismo fala sempre mais alto. Não sou empresário mas também faço minhas escolhas, do mesmo jeito que você e todas as outras pessoas. Ainda assim, mesmo considerando nossos erros, acho que deveríamos estar melhor do que estamos, coletivamente.