quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Planicie internacional:Inimigos do peito...e do resto.

O escândalo das próteses mamárias na Europa parece começar a deixar a superficialidade sensacionalista da mídia em geral, e se encaminha para uma análise mais séria dos meios de regulação, fiscalização e proteção dos pacientes, não só relacionados a cirurgias estéticas, mas em todos os procedimentos médicos e cirúrgicos.

Pelo menos isso é o que lemos nas versões eletrônicas de hoje do The Independent e do francês Le Figaro.

De acordo com o jornal inglês, a questão da aprovação das marcas de instrumentos e próteses tem obedecido padrões de "design", em detrimento da segurança.

Em outras situações, como foi mostrado pelo programa BBC Panorama na importação de instrumentos cirúrgicos paquistaneses, com qualidade inferior as especificações são aprovados por questões econômicas, para atender as necessidade de cortes dos gastos dos gestores de saúde pública e privada.

No ano passado foram 113 alertas de risco sobre esses produtos recebidos pelo MHRA, sigla em inglês para Agência Reguladora de Produtos Médicos e Tratamentos.

A matéria ouviu o professor de segurança do paciente, da Universidade de Coverty, Brian Toft, que há tempos  tem enviado suas conclusões às autoridade governamentais de saúde.

Como podemos ver, há uma necessidade urgente de submeter os interesses privados aos direitos públicos da coletividade, nesse caso, o acesso a tratamentos e produtos de saúde que estejam de acordo com padrões de segurança.

A presunção de que valores econômicos, ou de natureza "cosmética", suplantam a exigência de cuidados e procedimentos rigorosamente padronizados tem transformado diversas clínicas e profissionais de saúde nesse país, e em outros, em "mercadores de milagres".

Ambientes refrigerados, lounges, musiquinha de elevador, atendentes sensuais e bem vestidas, sorrisos e doutores e doutoras que mais parecem ter saído de uma caixa de Bob e Barbie nos fazem imaginar que estamos em locais onde se pratica medicina com segurança e ética.

Não é sempre assim, embora eu reconheça que um atendimento confortável é um item a ser considerado.

Somados a neurose ocidental pelo culto ao corpo, a pauperização da medicina pública e gratuita, que leva, de um lado, a mercantilização da profissão, com o excesso da especialização (em alguns casos, a "especialização-pirata, com cardiologistas praticando tratamento estético, por exemplo), e de outro, a proletarização, junto a uma interminável lista de desajustes que ameaçam médicos e pacientes, temos a possibilidade permanente de erros e catástrofes, potencializados pelo assédio de empresas e poder econômico que ganham com esse quadro.

Pelo que vemos na Europa, onde os instrumentos de controle são considerados mais rígidos, é preciso prevenir, porque depois, não haverá remédio.


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