segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Planície internacional: O naufrágio da "DISCÓRDIA"



Impossível não relacionar o incidente do transatlântico com a situação da Europa, agências de risco e os desdobramentos políticos da maior crise recente do capitalismo naquele continente desde 1929.

Afinal, qual seria uma metáfora melhor senão um navio luxuoso, dividido em classes e trabalhadores(tripulação) e comandantes sem rumo(burocratas e autoridades governamentais), flutuando em ambiente hostil, como é o mar, mas ainda assim, em permanente festa a celebrar o luxo e o desperdício, a despeito de todos os avisos de perigo iminente?

Agora, as agências de rating,  centros de classificação das dívidas dos países e empresas, afundaram sua credibilidade sem qualquer chance de usar botes ou coletes salva-vidas.

Como acontece com a mídia tradicional, partidarizada e permanentemente vinculada a interesses que fabricam versões dos fatos para criarem uma "realidade" que os favoreça, as agências de classificação de risco não conseguem convencer mais ninguém, ainda que suas "análises", agora, pareçam mais próximas do real, mas apenas porque são óbvias.

Rebaixar a classificação da França, antes uma heresia, aproxima-se da realidade, dada a constante deterioração do cenário europeu.

Justamente quando estão mais próximas de uma classificação correta, os sacerdotes não convencem mais ninguém.

De tanto soarem alarmes falsos, mas que trouxeram o pânico necessário para fazer valer os interesses de quem ganhava com a confusão, não são críveis quando o perigo é real.

Mas a pergunta é: De que vale a informação óbvia?

O que o mercado(o deus-mercado)deseja de seus súditos é a crença nos oráculos financistas, as agências de quiromancia (ou rating), porque é baseado nessa que governos e Estados soberanos se curvam a uma previsão que assume contornos de sentença, e para qualquer lado que se olhe, a banca ganha. Há sempre chance de apostar em tudo, desde a sobrevivência até a morte de países, financeiramente falando.

O cerne da questão é que, durante muito tempo, foram os países ditos mais pobres, como nós, que eram o alvo dessas apostas especulativas. Agora, são eles, os mais ricos que provam de seu remédio amargo, e por mais que tentem desqualificar tais agências, que veneraram com afinco, o mercado segue a bombardear suas reservas e seus títulos, como é o caso da França.

Outra pergunta então se faz necessária: Ora, se todos sabem que as agências de rating não merecem crédito por suas "previsões" ou classificações, por que os bancos e os títulos franceses enfrentam tal turbulência, após o anúncio?
Porque o "mercado" esse ente amorfo e não-identificado, mas onipresente como um deus, sabe que não há força política e estatura moral nos governantes europeus para romper esse círculo vicioso financista no qual se meteram, e por isso continuam a pressionar por mais e mais "sangue", na medida que tais governos continuam a oferecer todas as suas sociedades em sacrifício para preservar uma parcela ínfima, mas poderosíssima dela.

Aproximando-se a chance de que os governos dos países europeus possam adotar uma receita menos ortodoxa da que aceitaria o "mercado", esse reage e ataca ferozmente o centro de força politica e de decisão.

O mercado sabe que é uma escolha política, e já foi feita: Nesse naufrágio, tripulantes subalternos e os passageiros das classes inferiores não terão botes ou coletes salva-vidas. Vão ter que nadar até a praia.




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