quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Planície internacional: Citröen, tecnologia da "criatividade": como criar preços para enganar trouxas.

Ao passear pelas páginas do El Pais me deparei com o novo C3, lançado na Europa.

Curioso que sou, fui buscar informações de preço e do próprio carro. Há uma lenda que diz que nós pagamos o preço dos carros aqui, para que europeus, japoneses e estadunidenses, etc, possam ter carros baratos. Mais ou menos como acontece com as tarifas de telefonia e luz.

A desculpa esfarrapada é a carga tributária, o "custo Brasil".

Na Europa, um trabalhador de montadora ganha, em média duas ou três vezes o salário de um trabalhador brasileiro, se aposenta bem mais cedo, os encargos sociais são altíssimos,  e a carga horária semanal raramente ultrapassa 35 ou 40 horas, e mais:
Como forma de impor a indústria automobilística uma pesada reparação dos danos sócio-ambientais que causa(acidentes, internações na rede pública e privada de saúde, resgate, ordenação e engenharia de tráfego, rodovias, e poluição, etc), os tributos diretos e indiretos da cadeia produtiva são muito mais altos que a média brasileira.

Somado a isso, pesados pedágios ou taxas de permanência/estacionamento, inclusive nos centros de algumas cidades,  para evitar o uso do carro particular.

Ao contrário do que pregam por aqui, é uma indústria que paga pesados impostos para produzir e ganhar dinheiro.

Então, vamos combinar que a história do custo Brasil é uma lenga-lenga repetida pela mídia, por motivos óbvios: corroborar com um "assalto ao seu bolso" e arrumar alguns trocados de propaganda, pois veja:

O carro de entrada, motorização 1.1l com ABS, AFU, e REF, air bags laterais, regulador de altura de assento do motorista e volante, dentre outros itens de série sai por 10.800 euros, na cotação de hoje (2.28), algo em torno de 24.824 reais.


Não para por aí, a versão 1.4 litros, com todos os opcionais aí de cima, mais ar condicionado, etc, etc, sai por 12.450 euros, algo em torno de 28.386.

Uma diferença, nesse último caso, para o modelo C3 versão antiga que anda por aqui de 11.000 reais, se considerarmos os preços "promocionais", veiculados pela mídia.


É isso aí: Você paga para o europeu andar de carro novo, mais barato. Simples e criativa tecnologia, não?

Os dados estão aqui e aqui.




(Atualização 1: Importante notar que na Europa, os itens de segurança, como dispositivo de freios, controle de tração, e airbags estão presentes em todas as opções como itens de série. Ao contrário daqui, onde segurança é "opcional de luxo".)


(Atualização 2: Notem que o preço na Europa(10.800 euros) já inclui os impostos, ou seja, se abatermos do preço os tributos e a margem de lucro, veremos que o custo de produção de uma unidade deve ficar em torno de 5 ou 6 mil euros, custo esse muito semelhante ao daqui. 
Como nosso impostos são bem menores que os de lá, e o preço daqui é 38 mil reais, ou seja, mais ou menos 17 mil euros, uma "pequena" margem que beira os 90%, pois: 
17 mil menos 5 mil euros do custo é igual e 12 mil euros, onde se colocarmos 40% de tributos sobre os 17, ou 6,8 mil euros, que nunca chegam a tal soma, ainda assim, ficariam, 5200 euros de lucro, ou seja, quase 100% em cima dos 5 ou 6 mil euros de custo .)

2 comentários:

Anônimo disse...

O problema não está no custo-Brasil, mais sim no lucro-Brasil.

A carga tributária da Europa é bem maior que a brasileira, chega a passar dos 50% do PIB, enquanto aqui está por volta de 35% do PIB.

Com os juros a coisa é pior ainda.

O que considero uma das maiores do PT, que vem governando o Brasil nos últimaos 9 anos é não ter combatido e, ao que parece, não ter intenção de combater essas distorções.

É bem verdade que o governo do PT está entrando no mercado de internet banda larga para impor preços mais justos, porém, parece estar de braços cruzados em relação aos bancos, às montadoras de automóveis, empresas de TV a cabo, empresas de telefonia, empresas de fornecimento de água potável, etc. etc. etc.

Isso sem falar na última distorção de valores do nosso Congresso, ao isentar de impostos CDs e DVDs, fizeram uma enorme média com a classe artística brasileira.
Se esqueceram que CDs e DVDs são menos importantes que feijão, arroz, água potável, etc...

Acho mais correta a cobrança de impostos das empresas jornalisticas, revistas, igrejas, produções artísticas, etc... porém com uma taxa justa para todos.

O pior é que jamais veremos o fim do lucro-Brasil e ao que parece teremos um aumento das distorções tributárias privilegiando as classes mas influentes, exatamente os que não precisam.

Abraços!

douglas da mata disse...

Eu concordo plenamente e vou além:

Nosso governo não enfrentou o cartel da mídia, e por isso segue aprisionado nos temas "chave", como:

01- Punição dos torturadores de 64.

02- Reforma tributária que faça os ricos pagarem impostos.

Veja que durante a redução do IPI, mais de 6 bi de dólares foram remetidos pelas montadoras para salvarem seus caixas falidos nas matrizes.

Ou seja, embora criando empregos e movimentando a economia, ajudamos a salvar empregos e empresas de fora com nosso imposto.

O mesmo acontece com nossos estados e municípios que dão impostos, terrenos e quase as calças para ter montadoras em seu território.

Tudo isso para que continuemos a financiar o sonho americano e europeu de ter um carrão.

Esse raciocínio se estende a toda cadeia produtiva internacionalizada.

Há outro problema que vou pesquisar e depois publicarei:

As manobras cambiais e fiscais que essas empresas fazem com a diferença do preço das moedas(câmbio) e o regime fiscal que permite isentar ou debitar tributos como conseqüência dessas transações.

Mas é bom lembrar que o PT não governa o país sozinho, e o espectro de alianças que nos é imposto pela sociedade(eleitores e seus parlamentares eleitos)não pode ser desprezado, logo...

Um abraço.