terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ouvidos de mercador.

Costumamos dizer aqui nesse gueto de opinião que o Orçamento Público é a materialização das intenções políticas dos governantes, e se estes são eleitos pela população, em última instância, o Orçamento será a representação da vontade política de toda sociedade.

Há mais de três anos, o governo do Estado diz estar negociando com a categoria policial do Rio de Janeiro, e junto com estes, com os Bombeiros Militares.

Vários episódios, onde se destaca o do ano passado, com a prisão de mais de 400 Bombeiros, revelam que essa trajetória de discussões não tem sido tranquila.

A previsão orçamentária do Estado revela o porquê: Embora se aumente os gastos em segurança pública, para compra de recursos e serviços, o aumento dos servidores ficou muito aquém das necessidades dos trabalhadores da segurança, e das "boas intenções" que o governo diz ter.

Se Orçamento é a expressão da vontade do governo, a má vontade é explícita, pelo menos no que diz ao principal item da segurança: O policial, afinal, carros, helicópteros, fuzis, delegacias não funcionam por si, embora alguns digam que favoreçam (e muito) a pauta das contribuições eleitorais dos fornecedores "agraciados".

Quando chamado a enfrentar tais fatos, a maioria dos governos recorre ao mais surrado manual de marquetíngue, e tasca: "Há manipulação política por detrás das reivindicações!"

Então, comecemos por desmontar essa tese, muitas vezes repercutida pela mídia, de acordo com o soprar dos ventos de seus interesses.

Não se pode desvincular a luta política de um setor de política pública, ou seja, aliados comemoram os feitos do governo no setor, adversários criticam e potencializam a percepção sobre esses fracassos.
Quem disputa essa preferência vai procurar explorar o máximo os desgastes da administração.Esse é o jogo que permite, inclusive, que a população faça suas escolhas das administrações.

Mas dai imaginar que TODA uma categoria possa ir à reboque de um ou outro personagem político, é DESRESPEITAR o servidor e sua capacidade de discernir suas escolhas eleitorais e suas demandas sindicais.

Misturar essas "estações" apenas serve para mascarar a incompetência do governo em negociar e reconhecer que são justas e urgentes as demandas de seus servidores, ainda mais quando vemos tantos outros setores da sociedade agraciados com parcelas generosas do Orçamento, e que nem sempre trazem o retorno a sociedade que prometiam proporcionar, como é o caso de bilionários incentivos e subsídios fiscais a mega-empresários.

Outra premissa falsa disseminada, toda vez que se fala em valorização do servidor público, ainda mais os policiais e outros da área de segurança, é dizer que dinheiro não resolve. Pode ser, mas até hoje ninguém conseguiu explicar porque TODAS as melhores polícias do mundo são SEMPRE as que detêm melhor remuneração.

Se as políticas públicas de combate a criminalidade não se resumem a questão salarial, sabemos todos, pelo menos devemos reconhecer que a remuneração é fundamental para que se tenha bons serviços.

Boa polícia é polícia bem paga, ou melhor: Policial mau pago sai caro para gente de bem, e sempre barato para criminoso, principalmente o de "colarinho branco".

Polícia mal paga é polícia submissa, e a quem interessa submeter a polícia?

Em breve os colegas policiais militares vão copiar o exemplo do Ceará.

Próximo dia 17, às 18 horas, vai ter assembléia dos servidores da PCERJ.

Se o governo não adotar uma postura diferente da que tem adotado até agora, a população pode ser surpreendida com uma paralisação em larga escala.

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