terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O contraponto.

Não há dúvidas que o ministro Fernando (mamando na) Bezerra não tem a minima noção dos estragos que um dos maiores rios do Brasil pode causar cada vez que enche,e encontra pelo caminho municípios entregues a gestão perdulária de recursos gigantescos e, alguns casos, ou a incompetência associada a carência orçamentária em outros.

Mas de todo modo, o texto do Miguel do Rosário, que copiei do blog do Altamiro Borges merece uma olhada por oferecer um contraponto interessante ao "show de desinformação" promovido pelo PIG, aqui repercutido nas colunas de um certo jornal que cheira(no bom sentido, é claro)a peixe podre.

Esse blog não abre mão de cobrar do ministro, ou de outros governantes, os efeitos de suas escolhas políticas e suas omissões ou incapacidades.

Ainda assim, isso não tem nada a ver com o que a mídia tem promovido em nome de sua cruzada tucana.

O texto já está até um pouco "atrasado", na medida que o irmão do ministro sucumbiu a sanha neoudenista:


terça-feira, 10 de janeiro de 2012


Enchentes e desinformação midiática

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Houve tempo em que a imprensa era uma instituição vinculada à cultura do esclarecimento. Hoje é o contrário. Quanto mais eu estudo os imbróglios midiáticos envolvendo o ministério da Integração Nacional, mais eu fico estupefato com o volume de desinformação disseminado.



O Ministério da Integração Nacional foi criado em 2001, pelo governo Fernando Henrique Cardoso, e tem uma história intimamente ligada ao Nordeste. A eles são vinculadas as principais autarquias e estatais da região: a Sudene, a Dnocs e a Codevasf. Na verdade, ele foi criado para compensar, em parte ao menos, a traumática extinção da Sudene no apagar das luzes do governo FHC, depois ressuscitada no início da gestão Lula. A Integração cuida ainda das obras de transposição do São Francisco, o maior empreendimento de engenharia da história do Nordeste.

Desde sua criação, todos os seus titulares são políticos nordestinos.

A concentração de recursos em áreas nordestinas é algo normal para o Ministério da Integração Nacional, já que é lá que suas autarquias atuam e onde está instalada a maior parte da sua infra-estrutura física e humana.

A razão conceitual desse “privilégio” gozado pelo Nordeste se dá porque falamos da região que apresenta os maiores índices de pobreza e subdesenvolvimento econômico. E uma verdadeira “integração nacional” só poderia acontecer a partir da redução das desigualdades regionais.

Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto que devemos analisar é se os titulares privilegiam as suas bases eleitorais. Bem, eu imagino que isso deva acontecer, mas não interpreto a coisa da forma mesquinha como faz a mídia, que mais uma vez procura criminalizar a política.

Fernando Bezerra só é ministro hoje por causa de sua força política, ou seja, por causa de seus votos. Então ele tem uma dívida de gratidão com sua base eleitoral. Isso é um fato. O mínimo que se espera é que o ministro tenha o máximo de boa vontade em relação aos projetos que visam minimizar o sofrimento da população que votou nele. Isso não é falta de ética. É humano. É política.

Entretanto, não temos nenhum privilégio escandaloso aqui, visto que o Ministério da Integração Nacional tem direcionado verbas para todas as unidades da federação. Lembro, pela milésima vez, que a pasta destinou R$ 300 milhões para o Rio em 2011, dentro de um dos programas ligados a questão de desastres; e a mídia quis crucificar o ministro porque direcionou, no mesmo ano, R$ 25 milhões para Pernambuco…

O que a imprensa descobriu é que, num dos muitos programas tocados pelo ministério, a maioria das verbas foi consumida para execução de duas obras de barragem em Pernambuco. Em junho de 2010, aconteceram trágicas enchentes no estado, que matou muita gente, desabrigou centenas de milhares de pessoas, e afetou severamente uma região já frágil economicamente. Houve, naturalmente, uma grande mobilização política, e foram encaminhados e aprovados projetos para viabilizar obras que evitariam problemas similares no futuro. O Ministério da Integração Nacional usou, então, 25 dos 28 milhões de um de seus programas temáticos, para patrocinar parte dos trabalhos. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, entrou com o resto da verba.

No início de 2011, houve uma tragédia climática no Rio de Janeiro ainda maior. Novamente, houve grande mobilização política. O ministério da Integração Nacional alocou, então, R$ 300 milhões, de outro programa. Outros ministérios entraram em ação. A Caixa aumentou os recursos do programa Minha Casa Minha Vida para a região. Alguém verificou se o diretor da Caixa que fez isso é fluminense? Se o fosse, estaria privilegiando o Rio?

Como vem acontecendo em “crises políticas” similares, a imprensa mobiliza seus exércitos para fuçar tudo que envolve o ministro. Aí descobriu-se que seu irmão é diretor da Codevasf, uma das estatais ligadas ao Ministério. Outro escândalo. Acontece que o irmão do ministro, Clementino Coelho, está na diretoria da empresa desde o governo Lula, e sua nomeação para a presidência seguiu um procedimento interno legal, por ser o diretor mais antigo.

Eu sou contra o nepotismo, e me incomoda ver, orbitando ao redor de um mesmo ministério, mais de um membro da família. Mas esse tipo de coisa acontece, sobretudo no Nordeste, onde ainda vigora a tradição de famílias inteiras dedicando-se a carreira política. Não é ilegal. Se as coisas seguem os trâmites corretos, não tem nada demais. Grandes homens públicos, como Joaquim Nabuco, só entraram na política porque pertenciam a clãs enraizados na direção do Estado brasileiro. A direita de hoje, aliás, é o maior exemplo de nepotismo político. Rodrigo Maia, ACM Neto, Covas Neto, estão por aí para provar isso. Mas esse é um nepotismo lícito, do ponto-de-vista constitucional, político ou moral. Se o cara é desonesto ou incompetente, tanto faz se é filhinho-de-papai ou não.

Daí temos mais um problema. O filho do ministro é o deputado Fernando Coelho Filho, que já está em sua segunda legislatura. Trata-se de uma dessas infelizes coincidências, que são negativas (?) para o país, mas às vezes benéficas para a região natal do clã, se seus membros pertencem àquela espécie de políticos que não esquece as suas origens.

Engraçado, durante toda a minha vida, eu ouvi as pessoas amaldiçoarem os políticos porque eles “esqueciam” suas promessas depois de eleitos. Agora condenam porque eles as cumprem. Ou seja, o fato da família Coelho se empenhar em aprovar obras que ajudam a minimizar a seca de sua região se torna um escândalo.

Eu pesquisei o sistema Siga, do Senado Federal, para checar se o Ministério de Integração Nacional realmente beneficiou o filho do titular. Li também a nota do Ministério. Hoje em dia é terrivelmente difícil se informar corretamente.

O deputado Coelho Filho explicou que apresenta emendas ao orçamento da Integração Nacional desde o exercício de 2009: “antes, portanto, da entrada do pai no ministério”, o que ocorreu em janeiro de 2011. E que, “nas gestões anteriores, teve melhor execução de emendas”. Alguém foi conferir a afirmação do garoto? Eu fui. Voltei ao Siga e vi que, em 2010, quando seu pai não era ministro, ele teve 100% de um total de R$ 5,2 milhões aprovados, relativos a uma emenda destinada igualmente ao Codevasf.

É preciso contextualizar e esclarecer. Cada deputado federal tem permissão para encaminhar emendas aos ministérios no valor total de R$ 13 milhões. Tirante essa restrição do valor máximo, eles tem liberdade para escolher o destino dos recursos. É uma regra democrática e constitucional que valoriza o mandato parlamentar. Os deputados do Nordeste costumam encaminhar boa parte desses valores ao ministério de Integração Nacional, por causa da já supra-dita relação desta pasta com a região. Os R$ 9 milhões encaminhados pelo pernambucano Coelho Filho ao ministério presidido por seu pai, portanto, estão dentro da normalidade. Deputados que encaminharam emendas de valor menor à Integração, fizeram-no porque decidiram trabalhar com outras pastas, não porque foram discriminados. No total, todo mundo tem seus R$ 13 milhões aprovados, embora o pagamento final desses recursos muitas vezes demore até mais de 2 anos para ser efetivado.

Mesmo assim, o relatório Siga mostra que inúmeros outros parlamentares tiveram emendas de valor maior aprovado pelo Ministério. A Folha diz que “sete parlamentares tinha emendas em valor maior do que o apresentado por ele. Contudo nenhum teve liberações acima da registrada para o filho do ministro”. Bem, eu também examinei o Siga, e descobri, por exemplo, que o deputado Givaldo Carimbão, do PSB de Alagoas, teve uma emenda aprovada no valor de R$ 9,1 milhões em 2011, para um projeto orçado em R$ 13,6 milhões, dos quais exatamente R$ 10,24 milhões foram empenhados pelo ministério da Integração.







Eu trago lenha para a imprensa acusar ainda mais o ministro. A bancada de Pernambuco foi a que encaminhou o maior valor total, em emendas, ao ministério de Integração Nacional, em 2011, num total de R$ 38 milhões, valor superior ao de outros estados.

Não se pode culpar, porém, os parlamentares de Pernambuco de encaminharem propostas que beneficiam o seu próprio estado. É para isso que eles foram eleitos. Jair Bolsonaro encaminha propostas para entidades ligadas aos militares do Rio de Janeiro. Coelho Filho encaminha para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. O percentual empenhado para a grande maioria das emendas é sempre próximo de 100%, a menos que sejam muito mal escritas. Fazer proselitismo porque um teve 95% empenhado e outro 98%, é babaquice.

Por fim, a agência Estado noticia hoje que o ministro fez “destinação política” de verba para Petrolina, sua base eleitoral. Fui dar uma olhada na matéria, que traz a seguinte informação:

Só nos últimos quatro meses o ministro esteve cinco vezes em Petrolina, de acordo com sua agenda oficial. Na última visita, em 20 de dezembro de 2011, Bezerra assinou 16 ordens de serviço para a modernização de áreas irrigadas no município, no valor de R$ 35,7 milhões. O reduto de Bezerra, dependente de verbas federais sobretudo em razão das secas, foi “escolhido”, segundo texto do ministério, como o primeiro beneficiário do programa Mais Irrigação, que compõe a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

Novamente, eu me pergunto: qual o problema? O ministério não está fazendo obras cosméticas, tipo reformar pracinhas, mas investindo em setores que gerarão riqueza para todo o estado e para todo o país. Outras regiões do Nordeste também serão contempladas, obviamente, até com mais verbas. O ministro não tem autonomia para escolher por onde iniciar um programa? A região de Petrolina deve ser punida porque votou em Fernando Bezerra e ele se tornou ministro?

Se um ministro cuja base eleitoral seja São Paulo ou Rio escolher uma dessas cidades para iniciar um programa de governo, haverá escândalo?

Petrolina é sede de uma das regiões do Nordeste que tem apresentado maior crescimento populacional nos últimos anos, mas ainda tem problemas climáticos sérios, como seca e enchentes. Precisa, portanto, de investimentos fortes e urgentes em irrigação, para evitar que as tragédias sociais que a afligiram por séculos se repitam. Sendo um dos novos pólos de agricultura do Nordeste, o investimento em Petrolina tem um sentido estratégico, que é disseminar as tecnologias de irrigação pelos arredores.

2 comentários:

Antônio Rangel disse...

PELINCA X TRÊS VENDAS

Não tem jeito, temos que voltar sempre ao tema, mesmo que seja chato tanto para este Blogueiro, como para quem lê( dois ou três amigos). Dão sempre motivo, é incrível, por mais que queiramos mudar o tema. É como uma roda gigante que não sai do lugar e está está sempre na parte baixa.
Me refiro a INCAPACIDADE de gestão do governo que nada mudou,( foi a campanha do Muda Campos II, lembram? ) e ainda, uma cara de pau perguntou: - Melhorou ou Piorou? O que vocês realmente acham?
Mesmo que o Coronel da Lapa, o Bolotinha, o Pequenininho, vá para um certo programa de rádio e critique os Blogs ( com toda certeza, o carinha, já fez sua pesquisa e percebeu o óbvio: Os Blogues livres tem feito um grande estrago na " imagem" de seus governos, principalmente o municipal ), seguiremos dando nossa opinião e muito mais. O direito do enforcado é se bater. Que o faça, porque assim temos a certeza do caminho a ser trilhado.
Então, no último sábado à noite, tivemos uma forte chuva na cidade. A Avenida Pelinca, depois da Barão da Lagoa Dourada, fiou interditada, por estar completamente alagada. Qual foi a reação dos comerciantes e moradores? Estão se organizando para promover a ação cabível, em face de quem? De São Pedro? Claro que não! E sim do Governo Municipal que é o responsável pelo capacidade das manilhas de águas pluviais colocadas. Lembram, logo no início desta atual administração, quanto tempo exatamente àquele trecho ficou "em obras". Lembram? Lembram qual era o discurso? Que obra é assim mesmo, muita poeira na cara do povo, depois fica tudo Bairro Legal!! Cadê?
Não apareceu uma só alma penada, travestida com àquele colete laranja, calçando botinhas de plastico( limpinha) para aparecer diante da mídia e dizer: - Estamos tomando providências e queremos muita atenção da mídia. Tiraram, o seu, (no caso o dela) da reta, claro, se não seria muita cara de pau molhada!
Em Três Vendas funcionou diferente. Quando a BR 356 ( É UMA ESTRADA E NÃO UM DIQUE) rompeu, e por ser uma Rodovia Federal, ( tipo: o problema não é nosso), teve gente reclamando muito, que foi pouca atenção da mídia, não a comprada e paga e sim a Nacional. Depois de devidamente paramentadas e posicionada para fotos, não saium nem uma no Jornal " o Globo". Fizeram beicinho!!! E se irritaram no Blog.
E que medida os moradores-desabrigados de Três Vendas irão tomar com relação aos prejuízos, mais que previsíveis, desta terrível catástrofe? PROVAVELMENTE AGRADECER O SOCORRO PRESTADO.
AÍ ESTÁ A DIFERENÇA ENTRE PELINCA X TRÊS VENDAS

http://joserenatorangelduarte.blogspot.com/2012/01/pelinca-x-tres-vendas.html

Antônio Rangel disse...

Lula, Dirceu e Palocci ganham do Governo aparelhos Nokia criptografados para conversas livres de grampos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

Exclusivo – As conversas telefônicas no primeiro escalão de Dilma Rousseff já estão mais seguras e protegidas de escutas indevidas e ilegais. O Governo adquiriu 395 celulares Nokia de última geração, com criptografia para proteger o conteúdo falado. Cada aparelinho, importado da Finlândia, custa em torno de R$ 12 mil reais.

Dos 100 aparelhos que ficaram com o Palácio do Planalto, curiosamente, três foram dados aos mais ilustres membros do “governo paralelo”: o ex-Presidente Lula da Silva, e os super-consultores José Dirceu e Antônio Palocci Filho. É apenas um sinal (telefônico) de que continuam mandando muito nos destinos do País. Livres das escutas, poderão trabalhar com mais desenvoltura.

A distribuição dos sofisticados celulares já gerou ciumeira. Alguns senadores mais influentes da base governista já receberam os seus mimos anti-grampo, juntamente com os ministros ainda prestigiados por Dilma Rousseff. Não se sabe por que motivo o vice presidente Michel Temer ainda não recebeu o dele. Outro que ficou de fora da primeira fornada foi o Presidente do Senado. José Sarney, que também deseja um aparelho criptografado para “as emergências”, ficou magoado com a exclusão.

O sofisticado sistema de segurança tem operação simples. Basta digitar a tecla + e o código de área da ligação para o telefone ficar imune contra as arapongagens. A partir de agora, os aparelhos via satélite, de operação muito mais cara, ficarão de reserva. A Presidenta e seus “assessores privilegiados” só vão usá-los para contatos em lugares remotos, onde não houver sinal de telefonia móvel. Parabéns ao governo pela economia de recursos públicos!

Outros 600 equipamentos idênticos devem ser enviados ao governo brasileiro pela Nokia. Os telefones foram testados e aprovados pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência. Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal também têm interesse neste celular que é usado pelos grandes líderes mundiais.

Crime de Responsabilidade da Dilma

A Presidenta Dilma Rousseff tem tudo para arrumar uma enorme dor de cabeça institucional. Tem tudo para ser enquadrada em crime de responsabilidade, por ter sancionado a inconstitucional Lei de Mobilidade Urbana, que tramitou durante longos 17 anos no Congresso Nacional, até ser posta em vigor no dia 3 de janeiro, sem merecer o devido destaque e análise de nossa mídia abestada e amestrada pelas verbas oficiais.

O advogado Antônio Ribas Paiva, presidente do grupo de estudos União Nacionalista Democrática, adverte que a presidenta foi pessimamente assessorada ao sancionar uma lei que permite a criação dos pedágios urbanos - oprimindo e espoliando as pessoas, cerceando-lhes o direito de ir e vir, além de promover o confisco tributário, porque todos os proprietários de veículos automotores já pagam o IPVA.

Antônio Ribas Paiva denuncia que Dilma violou os artigos 5º, 37 e 85 da Constituição Federal. A presidente se torna enquadrável em crime de responsabilidade porque feriu a Lei Maior do Brasil para implementar medidas de interesse internacional, como as previstas na Lei de Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que obedecem aos esquemas de “regramento excessivo” elaborados pelos defensores do controle social.

Assim que for acionado, o Supremo Tribunal Federal terá mais este pepino para julgar. Socialmente falando, caso é mais grave que a polêmica sobre o papel fiscalizador do Conselho Nacional de Justiça. Politicamente, é tão grave quanto o escândalo do Mensalão – aliás, caso que deveria ter sido julgado na primeira instância e não no foro privilegiado cuja missão principal é julgar questões de relevância constitucional. Para cuidar o resto, existem o Superior Tribunal de Justiça e as demais instâncias do Judiciário.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.