sábado, 21 de janeiro de 2012

Coisas do Rio de Janeiro.

Todo mundo sabe que as atividade legais, geralmente, têm um correspondente ilegal.

Tem contrabando de cigarro, eletrodomésticos. Tem droga legal e ilegal. Tem o sistema financeiro e seu sistema de "lavagem". Tem licitação e fraudes nas licitações com financiamento ilegal de campanhas, e por aí vai.

O desafio do Estado(lato sensu)é combater essa aproximação, mas nem sempre é fácil, porque algumas atividades ilegais se entranham na vida "legal", não sem a legitimação social, que não só aceita esse convício, mas se aproveita dele com gosto.

É esse o quadro que assusta o governo com o suposto combate aos contraventores em nosso Estado.

Os contraventores, e seu dinheiro, que bancam os desfiles das escolas de samba no Carnaval, ameaçam boicotar o espetáculo, ou seja, a ação LEGAL  ameaça o maior espetáculo do Rio de Janeiro.

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Na outra ponta, o Carnaval está ameaçado, também, pela decisão do governo em ignorar o pleito de seus policiais e bombeiros, que em decisão histórica, uniram suas reivindicações e unificaram sua mobilização.

Os expurgos e prisões de policiais ligados a contravenção e outros desvios de conduta são corretíssimos, e desejáveis pela sociedade.

Honra, moral e retidão são obrigatórios, mas não pagam as contas do supermercado, logo...

Polícia eficiente e honesta é polícia bem paga.

2 comentários:

Mauríco cop disse...

Tudo bem que a polícia pode não está sendo bem paga,mas eficiência e principalmente honestidade devem nortear a vida profissional de qualquer cidadão esteja ele ganhando bem ou não,o correto e que se o profissional seja de que área for não está legal?esta ganhando pouco?procurar outro emprego ou no caso fazer outro concurso para outro órgão que pague mais,e não sair por ai se deixando corromper,que é corrupto vai ser sempre corrupto.

douglas da mata disse...

Maurício,

Eu gostaria que o mundo se dividisse em homens maus e homens bons, mocinhos, bandidos ou gente honesta e desonesta.

Seroa bem mais simples nosso debate.

Mas, infelizmente, a vida nos revela que há mais tons entre o branco e o preto.

Há os "honestos", mas que estacionam seus carros em cima da calçada, ou usam as sirenes das viaturas só para se livrarem de um engarrafamento.

Há os que são "honestos", mas adoram os telefones da Delegacia.

E lógico, há os "honestos", que não arregam, mas não se furtam a fazer favores políticos, como medo dos "bicos", ou para arrumar uma "sombra" fora do plantão.

Eu não os julgo.

São táticas de sobrevivência em um ambiente tão degradado, institucionalmente, como o nosso, onde a pior falta que sentimos é do exemplo, desde o governador.

Se todos fossem procurar outro emprego a cada vez que sentissem insatisfação salarial, só teríamos médicos, juízes ou jogadores de futebol.
Aí, o problema persiste, pois não daria para pagar todo mundo na medida da expectativa, nem há lugar para todo mundo nessas profissões.

Nem todos são policiais porque "gostam", mas porque precisam, e o fazem da melhor maneira.

Vocação é para padre, meu caro, e vocação não paga o colégio do filho(a).

Eu não discuto os problemas éticos ou comportamentais dos profissionais da segurança pública, isso é um problema das corregedorias.

Mas a questão básica é: As polícias mais corruptas do mundo são as mais mal pagas, isso é fato.

As polícias mais ineficientes, idem.

As polícias mais violentas e que são usadas como ferramenta das elites, bis in idem.

O trabalho de polícia, assim como médico ou outro qualquer tem especificidades, e não dá para usar o argumento raso de que "todo profissional" deve nortear sua vida por princípios de honestidade, etc e tal.

Isso é legal como argumento de minissérie. Aqui, a vida é real.

A principal corrupção na polícia não é o arrego, como você gosta de acreditar, mas arriar as calças para os poderosos, enquanto sobe o morro, "cheio de honestidade", para chutar porta de barraco, cada vez que a classe média dá um "faniquito".

Enfim, eu não me preocupo com os corruptos, mas com aqueles que ainda resistem, e não sei por quanto tempo.

O problema é esse? Saber quem é bom ou mal?

É um trabalho que deve remunerar dignamente ou um teste permanente de moralidade? Um sacerdócio?

Olha, até os sacerdotes andam fazendo das suas, vide os casos de pedofilia.

Um abraço, e grato pela oportunidade do debate.