sábado, 7 de janeiro de 2012

Campos dos Goytacazes, um pedaço esquecido de Três Vendas.

A brincadeira do título aí em cima remete a raiz do pensamento dialético, ou em outras palavras: Nunca uma localidade pequena representou tanto a totalidade do município e as escolhas da população e de seus governantes.

Há muito tempo sabemos que as cidades não crescem de forma harmoniosa e organizada, pois a competição permanente por espaço, as disputas econômicas e os conflitos de classe tendem a improvisar soluções para que os objetivos pretendidos sejam alcançados a qualquer preço, ainda que isso custe o bem estar de todos.

Sabemos também que é o Estado(aqui compreendido lato-sensu) que limita, organiza, fiscaliza e regula tais conflitos, interesses e direitos individuais, tendo sempre como premissa o bem estar de todos, e sempre que possível, com emprego de eficiência e eficácia no uso dos recursos do Erário.

Na localidade de Três Vendas está representada toda a frouxidão das autoridades constituídas, o permanente flerte promíscuo com grupos de interesses locais, e como resultado, a prevalência do deixar-fazer, ou em outros casos, a lei do mais forte.

Por anos e anos, aquele local é alvo perene das águas do Rio Muriaé, e nada foi feito. Nem no aspecto da reorganização da ocupação do espaço urbano, e muito menos nas soluções de engenharia de prevenção, essas de conhecimento milenar, desde Roma Antiga(quem sabe?), mas ainda não descobertas pelos nossos valorosos engenheiros locais e suas "insuperáveis" empreiteiras.

A emergência de tão repetida virou piada(de péssimo gosto).

Na pretensa defesa do indefensável, o discurso revela o quanto de desprezo pelos governados, que por sua vez, desafiam qualquer tentativa de ordenamento, com as ameaças eleitorais que são tão eficazes contra a agenda populista. Como sempre, vítimas e cúmplices.

Os milicianos da lapa argumentam, sempre partindo das premissas mais cretinas, que tudo se dá por obra do acaso ou do imponderável, ou da omissão de outras esferas de governo.

Pode ser.

Mas raciocinemos, de forma bem simplista:

Quantos municípios o governo federal "atende"? Mais de 5.500.

Quantos municípios o governo estadual "atende"? 92.

E quantos municípios o governo local atende com um Orçamento de 2 bi? Um, apenas um.

Lembre-se que nosso "pobre"Orçamento nos dá o 10 ou 15º PIB/por cabeça do Brasil, ou seja, temos mais dinheiro para gastar por habitante que muitas capitais.

Se você considerar que o Brasil é hoje o 6º PIB do Mundo, isso nos coloca a frente, quem sabe, de 60 ou 70% das cidades do mundo.

Pois é, eu tenho certeza que entre os 5500 municípios do Brasil o que não nos falta é dinheiro para resolver nossos problemas sem esmolar ajuda de ninguém, já vergonha na cara...

Nenhum comentário: