domingo, 29 de janeiro de 2012

Merkozy: Abraço de afogados.

Com quase três meses pela frente, o presidente francês Sarkozy dispara aquilo que imagina ser o seu único tiro contra a crise(lembram dessa expressão?). No caso dele, também é o último, pois a História já lhe bafeja o fim no pescoço.
Na verdade, dada a situação da França (da Alemanha e do resto da Europa), o tiro parece mais com aqueles sinalizadores de navios que afundam.

Merkel garantiu apoio às medidas de Sarkozy e à sua campanha presidencial.

Ao que parece "Merkozy" afundam juntos.

Em um anúncio público hoje, noticiado tanto pelos espanhóis, quanto por franceses, através de entrevista a nove redes de TV, o presidente francês disse que não importam as urnas, mas a História.

Nada mais que um golpe de marketing, para quem só governou através da propaganda, e muito pouco, ou nada fez do que prometeu pela França.

Quer inaugurar sua campanha com a construção do mito da "coragem". Esqueceu-se de que "coragem" quando não se sabe o que fazer é desespero.

Só isso pode explicar o conjunto de medidas.

01- Aumento de 1.6% no IVA(imposto de valor agregado), que se aplica a bens e serviços produzidos, onde a taxa subirá dos 19.6% a 21.2%.
02- Aumento de 0.1% e algumas das transações financeiras (de alta volatilidade) e um pequeno(não divulgado)imposto sobre os depósitos bancários.
03- Flexibilização da lei de 35 horas semanais, desde que aceitas por uma parcela de 30% de sindicalizados e 50% dos não-sindicalizados de cada categoria.

O "plano" de Sarkozy inclui o aumento de financiamento construções de unidades habitacionais, como forma de criar empregos e reduzir os preços das casas no mercado francês.

As medidas "atiram" em todas as direções.

Mesmo que por etapas, o aumento do imposto trará uma brutal recessão, com a diminuição do consumo. Junte-se a isso a perspectiva quase nula de que empresas contratem com a possibilidade de aumentar a carga horária, diminuindo o poder de negociação dos trabalhadores, que terão seus salários ainda mais aviltados, deteriorando o poder de compra, e de quebra, diminuindo a contribuição previdenciária, arrombando o caixa da seguridade social..

Desnecessário dizer que a timidez em relação ao mercado financeiro é uma cínica tentativa de sinalizar aos eleitores que também distribuiu o prejuízo a quem deu causa a essa crise monumental.

O problema do presidente francês é que lhe falta estatura moral e independência política para fazer o que precisa ser feito: Enfrentar os bancos, abarrotados de dinheiro surrupiado da economia real, após anos e anos de desregulamentação criminosa dos mercados, que concentraram moeda e derreteram a soberania dos Estados Nacionais.

Um governo só adota medidas anti-cíclicas quando tem "caixa" para tanto, ou quando obriga quem tem dinheiro (bancos) a fazê-lo.

Caso contrário, vai continuar a morder o próprio, pois tirou dinheiro da economia para fazê-la funcionar, mais ou menos como cortar a metade o combustível e imaginar dobrar o percurso.

Como dissemos, a coragem dos incapazes é o desespero.

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