terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E naquela terra de ninguém...

Tem cartão tortura cidadão.

Tem Vale Nada Card.


Rita Lee, Planet Hemp, Racionais MCs, Funk e outros: Como sempre nossa mídia tem dois pesos e duas medidas!

O episódio com a cantora Rita Lee em Aracaju foi digno da atual fase da cantora: Um desastre.

Não deixa de ser digno de aplausos que a artista tenha desistido dos palcos. Já deu.

E quem fala isso é um ardoroso fã dos Mutantes, da Rita Lee, e de tudo que sempre representaram como símbolos de rebeldia e criatividade musical.

Falo também como fã decepcionado, que esteve no show dela em São João da Barra, em 2010, no Balneário, uma completa frustração, que hoje soa como premonição da decadência, e pior, associado a um discurso neoudenista de fazer corar Jânio Quadros.
Só falta a cantora renunciar aos palcos por estar à espera de "voltar nos braços do povo", em um golpe publicitário.
Vai ver a polícia são as "terríveis forças" do mal.

É verdade. Há muito preconceito, e justificado, diga-se, em relação a ação policial.
Mas é bom lembrar, primeiro e antes de tudo, que a polícia reflete o senso da sociedade.
Logo, nunca é demais falar que sociedade repressora e violenta, polícia idem.
Muito do ranço policial se reflete na defesa da propriedade, como no Pinheirinho, no V Distrito de SJB, ou na questão dos costumes, como no caso a repressão aos usuários e pequenos traficantes, como foi o caso da cracolândia em SP.
No entanto, salvo os setores da esquerda de sempre, mídia blogueira, e alguns poucos jornalistas, não se ouviu nenhuma reclamação contra truculência policial

Esse blogueiro é pelo fim da criminalização das drogas, e que se faça um amplo debate sobre a possibilidade de controle e venda de algumas drogas, ou na sanitarização do problema, em vez do viés policial.

Mas enquanto a sociedade não amadurecer, não podemos deixar de considerar alguns problemas nessa questão em Aracaju:

Se não agissem, os policiais cometeriam um crime, ou seja, prevaricação. Se havia pessoas consumindo drogas proibidas em público, manda a Lei que sejam levadas a Autoridade Policial para registro dos fatos e lavratura de termo circunstanciado, bem como apreendido o material que for arrecadado.

Ainda que Rita Lee tenha direito de falar o que quer, ninguém pode usar esse direito para atacar a ação legal da polícia, com palavras de baixo calão, em flagrante desacato, insuflando, perigosa e irresponsavelmente, a multidão contra os policiais.

Não é demais lembrar que se no lugar da Rita Lee estivessem alguns funkeiros em bailes na favela, ou outros artistas estigmatizados, como rappers, o "pau cantaria solto", sob silêncio omisso e contente ou editoriais inflamados reivindicando o banimento ou na expulsão de tais gêneros e artistas do solo pátrio, aliás, como já fizeram.

Por que, qual é mesmo a diferença da Rita Lee chamando PM de filhos da puta e desafiando-os a "porrada", para um funk ou rap qualquer?

Ahhh, deve ser a estirpe, o "emblema", a "origem".

Não é surpresa que cretinos como Zeca Camargo e outros "colonistas locais" se levantem e se apressem para defender a senil senhora, com requintes de preconceito explícito ao dizer que os policiais a reprimiram porque ignoravam de quem se tratava, como se biografia fosse "bill" de impunidade.

É justamente passível de aplauso a ação policial por essa "ignorância", ou seja, não interessa saber "quem" mas o "quê" está fazendo.

Esse pessoal é que dá voz ao "sabe com quem está falando ?", desde que não sejam eles que estejam do outro lado da pergunta.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Nenhum dos nossos jornalões conseguiu ver.

Para vergonha e escárnio dessa imprensa odiosa, sempre com os dentes cravados a "teta  da vaca das verbas oficiais de propaganda", foi o Financial Times, jornal inglês que se preocupou em repercutir a passeata dos servidores de segurança, defesa civil e penitenciários.

A matéria não deixa de reafirmar os estereótipos em relação ao Rio, mas o que interessa nesse caso é o fato de termos apenas esse olhar estrangeiro sobre problemas da nossa vida local.

Veja abaixo o texto que saiu no FT, copiado do blog do Sindipol/RJ:


Jornal Britânico Financial Times - by Jonathan Wheatley

Rio police to FT: we’re “living in crisis”
 

People visiting Rio de Janeiro for its fabulous Carnavalhave always had to step carefully to avoid getting their pockets picked, or worse.

This year avoiding trouble will be a lot harder if police officers and fire fighters deliver on a threat to go on strike during the celebrations. In a letter to the FT – prompted bya beyondbrics report last week on the collapse of three buildings – the police union says public security in Rio de Janeiro is “living in crisis”.

An estimated 20,000 police officers, fire fighters and their supporters held a rally on Copacabana beach on Sunday to protest what unions say are the lowest police and fire service salaries in the country. Carlos dos Anjos, a police officer and union leader, wrote:
Police officers and fire-fighters are the ones now asking for help. These employees have to fill their free time with extra jobs, to provide better living conditions for their families. They earn the worst salaries in the whole country, a fact ignored by Sérgio Cabral, Rio’s current governor.
He added that Rio de Janeiro lacked the financial conditions to make the city safe for visitors during the Olympic Games, for which Rio will be host city in 2016 – two years after being co-host for the football World Cup.

The collapse of the three buildings last week has added to worries about the fragility of Rio’s urban infrastructure, where flooding and landslides cause heavy loss of life on an almost yearly basis. The city has also seen a rash of exploding manhole covers – one person died and two were injured in the latest reported incident on Monday morning.

Local media said the tallest building that collapsed was built in 1940 and the two smaller buildings in 1938.

Authorities quickly ruled out a gas explosion and were focusing their attention on what appeared to be unauthorised works carried out in the tallest building that may have removed structural walls.

A imprensa cretina, vendida e na coleira.

Para os jornais o globo e o dia, não aconteceu nada relevante na praia de Copacabana, ontem. Pelo pouco que assisti das TVs, também nada vi.

Devem estar "revirando os entulhos" do desabamento, como forma de "esticar" a tiragem, explorando, à conta-gotas, as misérias e sofrimentos das vítimas e familiares.

Tudo bem, tudo bem, nosso dever é zelar pela liberdade até para quem nunca a mereceu.

Invertendo a pauta.

Não são os policiais, bombeiros e agentes penitenciários que "ameaçam" fazer greve. Quem ameaça a população do Estado do Rio de Janeiro é o governador com sua política(ou pior, com a falta de)salarial para os servidores públicos de segurança.

Antes da covardia da retirada das gratificações é preciso dizer que é uma aberração que se pague servidores com esses dispositivos, pois veja:

Como policial civil, inspetor de polícia de 5ª classe, recebo cerca de 3200 reais brutos. No entanto, meu vencimento é de pouco mais de 600 reais(menos que um salário mínimo), e todos aumentos incidem sobre esse valor-base, e não sobre o montante total, ou seja, a antecipação do aumento "casas bahia" não incidirá sobre o total recebido, mas sobre a menor parte dele, e depois sobre aos adicionais que incidem também sobe esse vencimento-base(adicional de periculosidade, etc).

Em suma: 20% de "aumento" sobre 3000 reais não são 600 reais, e sim, pouco mais de 200 reais, embora as contribuições previdenciárias aumentem sobre o total percebido mensalmente.
Um duplo ROUBO. Pagamos sobre tudo o que recebemos, mas aposentamos com os valores sem as gratificações e verbas indenizatórias(auxílio alimentação).

Então, não é a categoria que ameaça parar, mas o governador que não nos dá alternativa.

Juntos Somos Fortes!.


Eis o vídeo da grande e histórica manifestação dos milhares de policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os milhares do Forte 2.

Leia a matéria do JB online sobre o assunto, aqui

Os milhares do Forte.

Aconteceu em Copacabana um momento histórico do nosso Estado. Antes foram 18, agora somos milhares!
 Abaixo, republicamos as imagens e o texto do evento disponibilizadas no blog do Sindpol/RJ (Sindicato dos Policiais Civis).

Reparem em um detalhe que chama atenção para a draconiana política salarial implantada pelo ex-governador garotinho e mantido pelo atual governador, cabral: As gratificações.

Uma policial em licença-maternidade, por exemplo, ou um policial civil ferido em ação, ou que tenha sofrido um acidente à bordo de uma das "carroças" sem manutenção, ou vítima de lesão por esforço repetitivo, ou que sofra de qualquer doença que o afaste do serviço deixa de receber oitocentos e cinqüenta reais por mês, a chamada gratificação "delegacia legal", justamente na hora que está mais fragilizado.

Covardia. Pura, nua e crua covardia.

Mas ao que parece, toda paciência e submissão têm limites:


domingo, 29 de janeiro de 2012


Milhares de policiais e bombeiros presentes em Copacabana!

JUNTOS SOMOS FORTES!

29/01/2012 - Sindpol RJ
Mesmo com muita chuva, a marcha convocada para hoje, dia 29/01, foi um sucesso!

Os policiais civis, militares e bombeiros demonstraram que existe união e mobilização! A marcha juntou cerca de 10.000 pessoas na Avenida Atlântica, em Copacabana. O número oficial de presentes foi de 5.000 e o Jornal do Brasil divulgou 25.000. Na verdade foi impossível de mensurar com exatidão os milhares presentes na marcha.

A direção do SINDPOL RJ, que faz parte das lideranças do movimento, estava presente e agradece a participação da categoria, que trouxe seus amigos e familiares.

No local foram divulgados os próximos passos da união das forças. Os policiais civis, militares e bombeiros vão esperar um contato do Governo do Rio até o dia 08/02. Foi anunciado que a negociação será conjunta, porém cada categoria possui sua própria reivindicação. Caso não ocorra um acordo até esta data, 08/02, haverá uma Assembléia Geral dia 09/02/2012 e a possível decretação de GREVE GERAL dia 10/02/2012!

Veja abaixo algumas fotos da marcha. 
Em breve divulgaremos o vídeo.
Agora, juntos somos fortes!





Merkozy: Abraço de afogados.

Com quase três meses pela frente, o presidente francês Sarkozy dispara aquilo que imagina ser o seu único tiro contra a crise(lembram dessa expressão?). No caso dele, também é o último, pois a História já lhe bafeja o fim no pescoço.
Na verdade, dada a situação da França (da Alemanha e do resto da Europa), o tiro parece mais com aqueles sinalizadores de navios que afundam.

Merkel garantiu apoio às medidas de Sarkozy e à sua campanha presidencial.

Ao que parece "Merkozy" afundam juntos.

Em um anúncio público hoje, noticiado tanto pelos espanhóis, quanto por franceses, através de entrevista a nove redes de TV, o presidente francês disse que não importam as urnas, mas a História.

Nada mais que um golpe de marketing, para quem só governou através da propaganda, e muito pouco, ou nada fez do que prometeu pela França.

Quer inaugurar sua campanha com a construção do mito da "coragem". Esqueceu-se de que "coragem" quando não se sabe o que fazer é desespero.

Só isso pode explicar o conjunto de medidas.

01- Aumento de 1.6% no IVA(imposto de valor agregado), que se aplica a bens e serviços produzidos, onde a taxa subirá dos 19.6% a 21.2%.
02- Aumento de 0.1% e algumas das transações financeiras (de alta volatilidade) e um pequeno(não divulgado)imposto sobre os depósitos bancários.
03- Flexibilização da lei de 35 horas semanais, desde que aceitas por uma parcela de 30% de sindicalizados e 50% dos não-sindicalizados de cada categoria.

O "plano" de Sarkozy inclui o aumento de financiamento construções de unidades habitacionais, como forma de criar empregos e reduzir os preços das casas no mercado francês.

As medidas "atiram" em todas as direções.

Mesmo que por etapas, o aumento do imposto trará uma brutal recessão, com a diminuição do consumo. Junte-se a isso a perspectiva quase nula de que empresas contratem com a possibilidade de aumentar a carga horária, diminuindo o poder de negociação dos trabalhadores, que terão seus salários ainda mais aviltados, deteriorando o poder de compra, e de quebra, diminuindo a contribuição previdenciária, arrombando o caixa da seguridade social..

Desnecessário dizer que a timidez em relação ao mercado financeiro é uma cínica tentativa de sinalizar aos eleitores que também distribuiu o prejuízo a quem deu causa a essa crise monumental.

O problema do presidente francês é que lhe falta estatura moral e independência política para fazer o que precisa ser feito: Enfrentar os bancos, abarrotados de dinheiro surrupiado da economia real, após anos e anos de desregulamentação criminosa dos mercados, que concentraram moeda e derreteram a soberania dos Estados Nacionais.

Um governo só adota medidas anti-cíclicas quando tem "caixa" para tanto, ou quando obriga quem tem dinheiro (bancos) a fazê-lo.

Caso contrário, vai continuar a morder o próprio, pois tirou dinheiro da economia para fazê-la funcionar, mais ou menos como cortar a metade o combustível e imaginar dobrar o percurso.

Como dissemos, a coragem dos incapazes é o desespero.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Petrópolis, Teresópolis, Friburgo, Morro do Bumba, Três Vendas, Pinheirinho, V Distrito de SJB...desabamento na 13 de maio.

Tantos lugares distintos, e um só destino: Sucumbirem como resultado da omissão/ação dos interesses políticos e do capital privado, que avançam sobre a urbe como uma avalanche desordenada.

Há na história fundiária rural e urbana brasileira uma perigosa mistura, que se revela fatal de tempos em tempos: Quer sejam encostas ocupadas por leniência populista e especulação imobiliária, quer sejam a completa ausência de planejamento urbano(esta também uma escolha de gestão, e não mero acidente)ou a incorporação de empreendimentos de larga escala e impacto nas paisagens das cidades e zonas rurais.

Para onde quer que se olhe, embora os cínicos reivindiquem a palavra "fatalidade", para os dramas precipitados por forças naturais, ou a inevitabilidade "do progresso", como se este trouxesse bem estar a todos, o que temos é um enorme prejuízo sócio-econômico, na medida que é o Erário que arca com as conseqüências dessas decisões em manter as cidades e as zonas rurais como alvos do apetite dos grupos econômicos e políticos.

No blog do Roberto Moraes você pode ler aqui o que o mineroduto que alimentará o super-porto do senhor X está causando na cidade mineira onde se instalou.

Não esqueça que todas as tragédias que presenciamos, com certeza, um dia começou com a seguinte pergunta:

"Será que podemos fazer isso sem causar um acidente ou impacto grande na vida dos outros?".

Bom, os donos da empresa e quem fez as obras ilegais no prédio que desabou no Rio devem ter respondido: "Qual nada, a empresa gera empregos e precisa expandir".

É mais ou menos a mesma resposta que gestores públicos e empresários quando decidem fatiar os morros e as planícies.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Espanha afunda.

Um dos países europeus que mais sofre com a quebradeira no Velho Mundo, a Espanha assiste hoje sua realidade se derreter como uma tela de Salvador Dalí.

A empresa aérea catalã Spanair anunciou hoje que deixará de operar, e mais de 22 mil passageiros, só nesse final de semana, tiveram seus vôos cancelados.

Como de costume, falta informação transparente para passageiros, que serão jogados de um lado para outro.

Uma série de tentativas de operações de "resgate" pelo poder público espanhol, que não conseguiu encontrar um sócio privado para a empresa que acumulou prejuízos nos últimos anos.

O setor aéreo é um dos primeiros a sucumbir em tempos de crise, tanto pela natureza das suas operações, de custo altíssimo, quanto pela diminuição drástica de passageiros afetados pela queda do poder aquisitivo. Pesam ainda sobre a empresa, suspeitas de inversões financeiras e outras manobras ilegais com dinheiro público.

Para se ter uma ideia, no ano de 2011, a empresa foi a segunda em número de passageiros, com 4.3 milhões no complexo aeroportuário de Barcelona-El Prat, que transportou algo em torno de 34.3 milhões de passageiros.

Mais um golpe na combalida economia espanhola, uma vez que 4000 empregos catalães diretos e indiretos serão ceifados, somando-se aos 5.3 milhões de desempregados do país, taxa de 22.85%.

Não deixa de ser irônico, afinal até bem pouco tempo a arrogância espanhola barrava brasileiros e outras nacionalidades, impedindo a entrada naquele país que imaginavam um "paraíso".

Será que é hora de responder na mesma moeda quando esse pessoal começar a vir buscar emprego aqui?



foto: Avião da empresa no aeroporto El Prat. (El País).


As fotos do fato.

O descaso do governo com seus servidores está aí, para quem quiser ver.

Replicamos o texto publicado no jornal Extra e repercutido pelo blog do Sindpol/RJ, sindicato dos policiais civis do Estado do Rio de Janeiro.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


Parte do prédio onde policiais civis trabalham desaba no Rio.

Esse é o tratamento que os policiais civis merecem? Todos na marcha do próximo domingo!

Sala onde parte do teto desabou
Além de desabamento de pedaço do forro, prédio da antiga Polinter tem subsolo alagado.


26/01/2012
Além de ter sido esvaziado, depois que um pedaço de forro do cartório da Delegacia de Defraudações desabou, nesta quinta-feira, o antigo prédio da Polinter também está com o subsolo alagado. Localizado na Avenida Silivino Montenegro, na Zona Portuária, o prédio abriga atualmente a Delegacia de Defraudações, a Corregedoria de Polícia Civil e a 1ª DP (Praça Mauá).




O estacionamento do prédio alagado


Após todos terem sido retirados da unidade, os policiais se aglomeraram do lado de fora do edifício. Uma máquina de sucção já está bombeando a água do subsolo para tentar esvaziar o compartimento. O pedaço de forro caiu quando um bate-estaca estava sendo utilizado em uma obra, que fica ao lado da Polinter. O delegado Fernando Albuquerque, da Defraudações, disse que aguarda uma decisão superior sobre o caso.

- É um problema estrutural. Vamos ver qual será a determinação administrativa - disse.

O prédio da antiga Polinter, que tem cinco andares, está em processo de desativação. A maior parte das delegacias especializadas que funcionavam no local já foram transferidas para um imóvel do Andaraí.


Fonte: Extra Online



Bloco dos sujos e mal lavados.

Em se tratando de servidor público, e principalmente, dos servidores da defesa civil e segurança(bombeiros, policiais militares e civis) não há como livrar a cara do ex e do atual governador.

Já dissemos, entre a intenção e o gesto o que temos é o Orçamento. E esses dois personagens, que são criador e criatura, e hoje vivem às rusgas, comungam a mesma agenda quando se trata de privar ao servidor o que lhe é de direito: Salário digno.

O ex-governador que hoje tenta arrecadar algum capital político oriundo do desgaste da situação hoje enfrentada pelo seu pupilo, sucessor e desafeto, praticou toda sorte de violência quando esteve sentado na cadeira: bateu em professoras, criou um monte de "gratificação", dividiu e "reinou".

O atual governador não é diferente, embora goste de reivindicar outra estirpe política. São populismos de cepa diferente, mas ainda assim, populismos: Um da "roça", do rádio, o outro do Leblon, do Bracarense, voltado para a classe média e elite que torcem o nariz para o termo, mas adora um afago.

Durante anos, os servidores estaduais resistiram a toda sorte de privações, sob o argumento de que a estagnação econômica do país trazia a necessidade de aperto. Pois bem, hoje o Estado do Rio de Janeiro experimenta um crescimento robusto e perene, resultado de nossa expansão macroeconômica, e os salários dos servidores continuam aviltados.

Todos os setores estão ganhando a sua parte: Empresários levam subsídios e incentivos fiscais, empreiteiros refestelam-se nas obras da Copa e da Olimpíada, dentre outras, agências de propaganda ganhando(e lavando)rios de dinheiro, etc, etc, etc. E o servidor? Quase nada.

Não há desculpa. Não há senões. Quem quiser uma polícia e bombeiros de qualidade, deverá pagar o preço correspondente.

É bonito ver atos de heroísmo na TV e nos jornais, mas as instituições não se estruturam em gestos excepcionais, mas em cotidiano.

Heroísmo não paga conta no fim do mês. Vocação não alimenta os filhos, nem custeia estudos, não enche o tanque do carro.

Você, contribuinte, quando bate com seu carro, quando vai a uma delegacia ou quando chama o resgate, espera por um bom profissional.

Se o governador atual e sua equipe não entenderem isso, é bem provável que enfrentarão muitos dissabores no Carnaval que se aproxima.

E, como dissemos, não adianta tentar vincular a justa reivindicação ao cinismo do ex-governador, e atual deputado, pois todos os policiais e bombeiros sabem que boa parte da situação que vivemos foi criada na época do governo dele.

Em relação aos servidor, o atual e o ex são farinha do mesmo saco. O sujo e o mal lavado.


Não há como ter bom serviços sem bons salários. Simples assim.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A prefeita roda presa.

O transporte público de passageiros e a mobilidade urbana é um dos temas centrais de toda e qualquer administração pública, e excede em muito a noção apenas de empresas de ônibus, ou de construção de vias públicas para desafogar tráfego.

Há cidades que avançaram nesse quesito, e o exemplo clássico talvez seja Curitiba.

O princípio básico é diminuição das unidades de veículos que comportam poucos passageiros, ou que transportam apenas um na maioria dos casos, para privilegiar o transporte de massa, com integração de várias modalidades, de acordo com os percursos, e por fim, mas não por último, o foco no pedestre e nas ciclovias que são os integrantes mais "fracos" do sistema de trânsito.

Nem é preciso dizer que a implantação desses princípios tem como base o estrito cumprimento à Lei e o combate as "alternativas", com a constante formalização dos esforços autônomos, dentro das necessidades da população.

Para onde quer que se olhe, NADA disso foi levado em conta nessa cidade que tem um Orçamento de 2 bilhões de reais.

Passados 3 anos de governo(ou será desgoverno?), a administração não conseguiu implantar um transporte público digno desse nome.
Não se trata apenas de pontuar a questão da greve de hoje dos motoristas, e nem pesquisar os motivos, porque nos basta saber a causa para todos os problemas: A TOTAL AUSÊNCIA DE PODER PÚBLICO NO TRANSPORTE PÚBLICO E NA MOBILIDADE URBANA.

O símbolo dessa constatação são as carroças "maquiadas" da Viação Tamandaré.

Como imaginar a regularização de um setor que recebe milhões de reais através de uma situação precária, pois não há uma linha sequer licitada?

Dizemos e repetimos: Ainda que a paralisação de hoje seja um lockout(ou locaute), ou atraso no repasse das verbas públicas ao setor, ou qualquer outra questão, o fato é cristalino:

O TRANSPORTE PÚBLICO NESSA CIDADE NÃO É DIGNO DESSE NOME, e virou um balcão de negócios para uma maioria de empresários sem escrúpulos e para repasses milionários ilegais, onde paralelamente, funciona uma espécie de pequenos predadores no espaço onde nem a bagunça oficial consegue funcionar: O território alternativo.

O transporte de passageiros nessa cidade é um TAPA cotidiano na cara dos eleitores e contribuintes. Resta saber quando vão acordar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A "mão invisível e o braço armado".



Não adianta ficar irritado, o pior cego é o que não quer ver.

Embora gostem de reivindicar espectros políticos distintos no jogo de poder nacional, e estejam em relação ao poder central em campos opostos, o governador de SP e do RJ comungam a mesma agenda quando se trata das demandas populares por terra, moradia, e na distribuição do espaço urbano e da ocupação do solo.

Ambos, em linhas gerais, favorecem os mesmos interesses, e privilegiam os de sempre: A elite, ou os financiadores de campanha.

Essa é uma constatação triste: Embora haja pleitos eleitorais, a Democracia parece refém dos interesses corporativos, na medida que não importa muito qual o viés partidário ou programático dos candidatos eleitos, a ausência de uma forma de financiamento público e isonômico das campanhas, quem paga essa conta é que manda em quem governa.

Quer seja no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, vale do Paraíba paulista, quer seja no V Distrito de SJB, ali está a "mão invisível" do "mercado" a guiar o "braço armado" do Estado, descendo a porrada nos mais fracos.



Atualizado para corrigir a localização do bairro Pinheirinho, com auxilio do Marcos Pedlowski.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Poesia ruim para leitores intelectuais.

Mar morto.

A vida é um pequeno barco
À deriva
Em um oceano de morte
O horizonte
É o tempo.



Inspirado no filme: O curioso caso de Beijamin Button

Coisas do Rio de Janeiro.

Todo mundo sabe que as atividade legais, geralmente, têm um correspondente ilegal.

Tem contrabando de cigarro, eletrodomésticos. Tem droga legal e ilegal. Tem o sistema financeiro e seu sistema de "lavagem". Tem licitação e fraudes nas licitações com financiamento ilegal de campanhas, e por aí vai.

O desafio do Estado(lato sensu)é combater essa aproximação, mas nem sempre é fácil, porque algumas atividades ilegais se entranham na vida "legal", não sem a legitimação social, que não só aceita esse convício, mas se aproveita dele com gosto.

É esse o quadro que assusta o governo com o suposto combate aos contraventores em nosso Estado.

Os contraventores, e seu dinheiro, que bancam os desfiles das escolas de samba no Carnaval, ameaçam boicotar o espetáculo, ou seja, a ação LEGAL  ameaça o maior espetáculo do Rio de Janeiro.

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Na outra ponta, o Carnaval está ameaçado, também, pela decisão do governo em ignorar o pleito de seus policiais e bombeiros, que em decisão histórica, uniram suas reivindicações e unificaram sua mobilização.

Os expurgos e prisões de policiais ligados a contravenção e outros desvios de conduta são corretíssimos, e desejáveis pela sociedade.

Honra, moral e retidão são obrigatórios, mas não pagam as contas do supermercado, logo...

Polícia eficiente e honesta é polícia bem paga.

Pensando bem...

Avançam as coincidências entre a Casa Branca(EEUU) e a Casa Rosa:

Orçamentos gigantes aprisionados pelas grandes corporações, e população abandonada;

Governantes péssimos de administração e ótimos de campanha;

Corre à boca miúda que lá manda a primeira-dama, enquanto aqui, você sabe...

E por fim, quando tudo falha, eles cantam.

O costume, o cachimbo e a boca...


Se mal compararmos, a situação do Hospital dos Plantadores de Cana reflete, de uma só vez, a realidade de dois setores distintos: O falido e incompetente setor sucro-alcooleiro da região e a administração municipal.

Recebemos por e-mail, e já foi divulgado em outros blogs, que os funcionários do HPC estão sem receber o seu pagamento pelo mês trabalhado de dezembro, e esse fato se soma ao enorme passivo trabalhista e fiscal do hospital.

Quando externados em público tais problemas permanentes, dirigentes da entidade hospitalar e gestores públicos trocam acusações, que nada mais são que cortinas de fumaça.

O fato é grave: Em uma cidade onde o Orçamento é de mais de 2 bilhões de reais, o subfinanciamento da saúde pública, associado a gestão incompetente dos recursos, ameaça o bem estar da população.

Há vários pontos obscuros, dentre os quais eu destaco:

Quem fiscaliza o uso do dinheiro público repassado às entidades privadas que prestam serviços gratuitos de saúde?

Pode o dinheiro público ser aplicado em entidades que afrontam o cumprimento da lei, no que tange as obrigações fiscais e trabalhistas?

Qualquer que seja a resposta, fica a certeza de que o trabalhador não pode ficar sem receber a remuneração pelo seu trabalho, embora o setor canavieiro seja inclinado ao trabalho escravo, e como diz o ditado: O uso do cachimbo...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

V Distrito de SJB: A nova capitania hereditária do cabral.

Assim que cabral "descobriu" o Brasil, houve, logo depois, nossa primeira experiência de ocupação e distribuição do solo na então colônia, que na verdade, daria o tom nesse tema como um legado fundador:
As capitanias hereditárias.

Nesse modelo, a natureza de concentração de terra está explícita desde o início, inaugurando o patrimonialismo estatal, onde o capital privado e as elites tendem a operar seus negócios com o recurso público e a defesa do aparato do Estado, sempre a serviço desses interesses, quer sejam jurídicos, de segurança ou econômicos.

Passados mais de 500 anos, outro cabral desembarcou na costa, desta vez na região do Açu. E se no século XV e XVI, as expansões capitalistas eram financiadas pela incipiente burguesia, e seu capital mercantilista, nos dias de hoje é o contrário, e o Estado ficará com muito pouco, ou pior, caberá ao Erário o ônus pela expansão capitalista.

Naquele época, os nobres ainda possuíam lugar de relevância, nos dias de hoje, o capital utiliza outros " menos nobres" para manipular o Estado a seu favor.

Secretários, jornalistas, juízes, policiais, e todos os demais que entendem que empreendimento de larga escala é a mesma coisa que prosperidade e desenvolvimento sustentável. A bem da verdade, a maioria sabe que não, mas diz que sim por cinismo e conveniência.

Temos então, e já dissemos isso aqui em outro texto, reforma agrária ao contrário: O Estado, com nosso dinheiro, comprou terras a preço bem menores, para entregá-la ao único donatário-empresário, o senhor X.

O que faz o cabral de agora é de corar até os portugueses, pois ao menos, naquela época, havia mais beneficiados.

Não há justificativa moral, ou da ética dos negócios que consiga justificar esse estratagema, ainda que desprezemos todos os valores da posse da terra, das tradições e cultura daquelas pessoas, e todo o acervo imemorial e sociológico que serão destruídos com o desterro.

Se considerarmos apenas a "imperiosa" necessidade de impor o "desenvolvimento"(esse ser tão estranho e etéreo quando o "mercado"), nada, nem ninguém poderá escusar o fato de que o dinheiro público está sendo colocado a serviço de uma das maiores fortunas do mundo, quando deveria ser o contrário.

Eu estava me esquivando de comentar os fatos no V Distrito, até porque, como já disse, toda vez que escancaramos as verdades relacionadas ao senhor X, acabamos por funcionar como um upgrade da tabela das assessorias de imprensa e das matérias-pagas.

Tem gente no PIG até escrevendo que o senhor X será candidato a presidente, utilizando para tanto o argumento cretino de que ele é a "novidade" de um país que não tem mais raiva dos ricos, porque seu povo está enriquecendo.

Como se o problema fosse de fato a riqueza, ou um mero recalque, ou "inveja".

Não é. O problema é que no Brasil, ainda que as coisas estejam melhorando, permanecem os mesmos vícios na Casa Grande:
Enriquecer à custa do dinheiro público, com sacrifício da coletividade e aumentando a brutal desigualdade, na medida que enfraquece o Estado que deveria cuidar dos que pouco ou nada têm.

E nesse caso, o senhor X é um exemplo clássico de promiscuidade dos negócios privados com o Estado, passado de pai para filho.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Poesia medíocre para leitores cultos.

A única deusa verdadeira e justa.


Dois minutos
ou mil anos

Natural
Acidental
Violenta
Rápida
Indolor
Agonizante
Lenta.

Na próxima esquina.
Ou daqui a mil quilômetros.

De carro
De moto
De trem
Velho
Mulher
Homem
Neném



Padre
Mulher
Assassino
Gay
Santo
Homem
Menino

Em qualquer lugar
A qualquer tempo

De todo jeito
Eleitor
Pobre
Rico
Advogado
Deputado
Prefeito

Onipresente
Onipotente
Onisciente

A morte é certeza
Convertida em fé
No deus que se imagina.


Simplesmente, Elis.

Um dos traços que carrego em minha memória, e que formou meu ralo caldo de cultura musical, é a convivência familiar materna.

Discos LP, compactos, fitas cassete, rádio. Música noite e dia, cantarolada, usada para desabafar, alegrar, distrair. Até nas brigas familiares as músicas eram usadas para atirar farpas na forma dos versos que serviam a cada ocasião.

Dispensável dizer que cresci a sombra sonora dos grandes e das grandes do rádio: Francisco Alves, Orlando Silva, Elizeth "A Divina" Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha, Altemar Dutra, e já um pouco mais adiante, Roberto Carlos e Jovem Guarda, Rita Lee, Mutantes, Caetano e Gil, Novos Baianos, e por aí foi.

Mais tarde, no auge da efervescência hormonal, onde é preciso se rebelar, lá estavam o rock pesado, ouvido a exaustão no meu aparelho PHILIPS 300 (pobres vizinhos), que substituiu meu toca-discos SONATA, aquele que vinha embutido dentro da caixa de som.
Com esse SONATA fazíamos as "discotecas de garagem", meia luz com papel celofane colocado em volta da lâmpada, cada cor um efeito.
Já com o aparelho da empresa holandesa, que à época tentava competir com os módulos da Gradiente, junto aos "amadores", gravei minhas fitas, reproduzi minhas coleções de Iron Maiden, (Deep)Purple, (Black)Sabbath, Rush e outros.

Bom, há um legado que perpassa toda essa experiência curta, e chama-se: Elis Regina.
Ela morreu quando eu começava a compreender o mundo e um pouquinho da vida ao meu redor, e a comoção causada por essa tragédia me deu a dimensão do significado daquela cantora que eu ouvia na casa de minha família, venerada, como herdeira das grandes do rádio, como Ângela Maria, Elizeth, Dalva, etc.

Conturbada, libertária, polêmica em uma época que tais características acrescentavam uma dose a mais de difamação a carreira artística.

Massacrada por sua própria essência, demasiadamente, humana. Temperamental. E se os apelidos nos definem, e nos redefinem, porque vamos sendo moldados pelas expectativas que o rótulo cria, "pimentinha" era sinônimo de Elis. (nas palavras de Julius Caesar: "É muito difícil que não nos tornemos aquilo que esperam de nós")

Anistia, O Bêbado e o Equilibrista, eleição de Brizola, abertura, lenta e gradual, Rio Centro...

Não existiria momento histórico mais adequado para encaixar Elis e seu drama...não, não, eu acho que não...pessoas como Elis são não se medem pela régua do tempo.

E lá se foram 30 anos, e essa saudade não cessa.

Planície internacional: Citröen, tecnologia da "criatividade": como criar preços para enganar trouxas.

Ao passear pelas páginas do El Pais me deparei com o novo C3, lançado na Europa.

Curioso que sou, fui buscar informações de preço e do próprio carro. Há uma lenda que diz que nós pagamos o preço dos carros aqui, para que europeus, japoneses e estadunidenses, etc, possam ter carros baratos. Mais ou menos como acontece com as tarifas de telefonia e luz.

A desculpa esfarrapada é a carga tributária, o "custo Brasil".

Na Europa, um trabalhador de montadora ganha, em média duas ou três vezes o salário de um trabalhador brasileiro, se aposenta bem mais cedo, os encargos sociais são altíssimos,  e a carga horária semanal raramente ultrapassa 35 ou 40 horas, e mais:
Como forma de impor a indústria automobilística uma pesada reparação dos danos sócio-ambientais que causa(acidentes, internações na rede pública e privada de saúde, resgate, ordenação e engenharia de tráfego, rodovias, e poluição, etc), os tributos diretos e indiretos da cadeia produtiva são muito mais altos que a média brasileira.

Somado a isso, pesados pedágios ou taxas de permanência/estacionamento, inclusive nos centros de algumas cidades,  para evitar o uso do carro particular.

Ao contrário do que pregam por aqui, é uma indústria que paga pesados impostos para produzir e ganhar dinheiro.

Então, vamos combinar que a história do custo Brasil é uma lenga-lenga repetida pela mídia, por motivos óbvios: corroborar com um "assalto ao seu bolso" e arrumar alguns trocados de propaganda, pois veja:

O carro de entrada, motorização 1.1l com ABS, AFU, e REF, air bags laterais, regulador de altura de assento do motorista e volante, dentre outros itens de série sai por 10.800 euros, na cotação de hoje (2.28), algo em torno de 24.824 reais.


Não para por aí, a versão 1.4 litros, com todos os opcionais aí de cima, mais ar condicionado, etc, etc, sai por 12.450 euros, algo em torno de 28.386.

Uma diferença, nesse último caso, para o modelo C3 versão antiga que anda por aqui de 11.000 reais, se considerarmos os preços "promocionais", veiculados pela mídia.


É isso aí: Você paga para o europeu andar de carro novo, mais barato. Simples e criativa tecnologia, não?

Os dados estão aqui e aqui.




(Atualização 1: Importante notar que na Europa, os itens de segurança, como dispositivo de freios, controle de tração, e airbags estão presentes em todas as opções como itens de série. Ao contrário daqui, onde segurança é "opcional de luxo".)


(Atualização 2: Notem que o preço na Europa(10.800 euros) já inclui os impostos, ou seja, se abatermos do preço os tributos e a margem de lucro, veremos que o custo de produção de uma unidade deve ficar em torno de 5 ou 6 mil euros, custo esse muito semelhante ao daqui. 
Como nosso impostos são bem menores que os de lá, e o preço daqui é 38 mil reais, ou seja, mais ou menos 17 mil euros, uma "pequena" margem que beira os 90%, pois: 
17 mil menos 5 mil euros do custo é igual e 12 mil euros, onde se colocarmos 40% de tributos sobre os 17, ou 6,8 mil euros, que nunca chegam a tal soma, ainda assim, ficariam, 5200 euros de lucro, ou seja, quase 100% em cima dos 5 ou 6 mil euros de custo .)

Planície internacional: O Império de joelhos.

Só há uma coisa que faz a maioria das empresas de mídia dobrar a coluna e rastejar: Dinheiro.

O mesmo dinheiro que as faz esquecer os "valores éticos e democráticos" que adoram "ensinar".

Isso lá em Londres ou em um canto esquecido do sul do mapa, no norte-fluminense.

Os advogados de Rupert Murdoch, da News Corporation, flagrado fazendo aquilo que é a essência da sua empresa e de seu "sucesso", ou seja, escuta ilegal, promiscuidade com agentes de Estado para obtenção e manipulação de informação, em prejuízo de vítimas e da sociedade, vão propor a Suprema Corte britânica que o empresário-gângster apresente um humilhante pedido público de desculpas (nas palavras do jornal The Independent), como forma de aplacar os processos cíveis restantes, uma vez que 40 das 50 pessoas identificadas como vítimas, até agora, já acordaram, mediante propostas milionárias.

Os advogados de duas bancas tentam evitar, com um pronunciamento contundente de desculpas "sem precedente", aplacar os ânimos dos outros autores das ações cíveis.

Mas a estratégia de auto-flagelação está sob ameaça, uma vez que dia-a-dia surgem novas vítimas.

Ainda que disposto a encenar um falso arrependimento(que só é sincero pelo "bolso"), não há boas notícias no horizonte.

É bom assistir a tudo isso, e ter esperança que algum dia esse trato, digamos, mais civilizado com a mídia possa ocorrer por aqui. Quem sabe?

Leia mais aqui, na versão eletrônica do The Independent.

O bastardo retumbante II

Provocado pelos comentaristas, fomos montando nossa teia de raciocínio, que por acidente, encontrou sua trama em outros espaços eletrônicos. Essa é a maravilha da internet e da mídia alternativa: Complementaridade e diversidade de olhares.

Leia nosso post e os comentários aqui, e aí embaixo o texto que reproduzimos do blog do Paulo Henrique Anorim, por indicação do nosso colaborador:





Depois do BBB, Aécio 2014

    Publicado em 18/01/2012
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Conversa Afiada publica post do editor João Andrade:

Paulo,


Depois do escândalo do BBB, tem outra coisa que me chamou a atenção.


Não sei se você acompanhou, mas esse novo seriado da Globo, ‘O Brado Retumbante’, conta a história de um senador que assume a Presidência da República, após o Presidente e o Vice morrerem em um acidente (ao menos na ficção o PiG (*) consegue matar o Presidente).


Na história, ressaltam a honestidade, a integridade e o idealismo do político, que luta contra todo um sistema corrupto. Até aí, tudo bem.


Mas o que me indignou mesmo foi a semelhança física do ator principal (Domingos Montagner) com o Aécio Neves. Fiz uma imagem com os dois para mostrar a semelhança!


Além disso, tentam mostrar até os mesmos defeitos. No caso, o fato de ser mulherengo e gostar (um pouco, diante do original) de bebida. E o senador era da oposição ao Presidente morto. Muitas coincidências!


A ideia do seriado, segundo o site, é reaproximar o público da política. E a Globo aproveita para aproximar o público exatamente como lhe convém. Fica claro que estão preparando o terreno para 2014.


Vi pouca repercussão na mídia, mas reparei em muitos comentários no Twitter e no Facebook. Tentarei assistir ao seriado para ver o rumo da história!


Um abraço !


Em tempo: não deixe de ler também o que o Edu, do Blog da Cidadania, escreveu sobre “essa coincidência” (será consensual ?).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Planicie internacional:Inimigos do peito...e do resto.

O escândalo das próteses mamárias na Europa parece começar a deixar a superficialidade sensacionalista da mídia em geral, e se encaminha para uma análise mais séria dos meios de regulação, fiscalização e proteção dos pacientes, não só relacionados a cirurgias estéticas, mas em todos os procedimentos médicos e cirúrgicos.

Pelo menos isso é o que lemos nas versões eletrônicas de hoje do The Independent e do francês Le Figaro.

De acordo com o jornal inglês, a questão da aprovação das marcas de instrumentos e próteses tem obedecido padrões de "design", em detrimento da segurança.

Em outras situações, como foi mostrado pelo programa BBC Panorama na importação de instrumentos cirúrgicos paquistaneses, com qualidade inferior as especificações são aprovados por questões econômicas, para atender as necessidade de cortes dos gastos dos gestores de saúde pública e privada.

No ano passado foram 113 alertas de risco sobre esses produtos recebidos pelo MHRA, sigla em inglês para Agência Reguladora de Produtos Médicos e Tratamentos.

A matéria ouviu o professor de segurança do paciente, da Universidade de Coverty, Brian Toft, que há tempos  tem enviado suas conclusões às autoridade governamentais de saúde.

Como podemos ver, há uma necessidade urgente de submeter os interesses privados aos direitos públicos da coletividade, nesse caso, o acesso a tratamentos e produtos de saúde que estejam de acordo com padrões de segurança.

A presunção de que valores econômicos, ou de natureza "cosmética", suplantam a exigência de cuidados e procedimentos rigorosamente padronizados tem transformado diversas clínicas e profissionais de saúde nesse país, e em outros, em "mercadores de milagres".

Ambientes refrigerados, lounges, musiquinha de elevador, atendentes sensuais e bem vestidas, sorrisos e doutores e doutoras que mais parecem ter saído de uma caixa de Bob e Barbie nos fazem imaginar que estamos em locais onde se pratica medicina com segurança e ética.

Não é sempre assim, embora eu reconheça que um atendimento confortável é um item a ser considerado.

Somados a neurose ocidental pelo culto ao corpo, a pauperização da medicina pública e gratuita, que leva, de um lado, a mercantilização da profissão, com o excesso da especialização (em alguns casos, a "especialização-pirata, com cardiologistas praticando tratamento estético, por exemplo), e de outro, a proletarização, junto a uma interminável lista de desajustes que ameaçam médicos e pacientes, temos a possibilidade permanente de erros e catástrofes, potencializados pelo assédio de empresas e poder econômico que ganham com esse quadro.

Pelo que vemos na Europa, onde os instrumentos de controle são considerados mais rígidos, é preciso prevenir, porque depois, não haverá remédio.