sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Planície internacional.

A Shell, ou Royal Dutch Shell, empresa petrolífera britânica é uma das sete irmãs, que agora são apenas quatro, diante do quadro de fusões e aquisições.

Durante anos, desde que o automóvel impulsionou os hidrocarbonetos como fonte principal de energia no mundo, as petrolíferas mandaram e desmandaram nos destinos da Humanidade, para o bem e para o mal.

Sabemos de cor e salteado o que os interesses dessas empresas são capazes, e nossa História recente, principalmente entre 1964 até 1985, está marcada pelo fato de que o capitalismo escolhe o regime mais afeito aos negócios, e nem sempre isso rima com Democracia e respeito ao Estado de Direito.

Agora, com a maturação de nossas instituições democráticas, e com avanço das conquistas que nos colocam no eixo central das nações mundiais, a tendência é que o embate retome o ambiente de conflito.

O episódio da Chevron revelou o quanto é necessária uma forte fiscalização e ação regulatória do governo brasileiro, que busque o equilíbrio entre manter o dinamismo e segurança jurídica desses negócios, mas partindo da premissa de que o interesse soberano prevalece, ainda mais, se tratando de um insumo estratégico, como é a fonte energética em questão.

O jornal El País traz hoje em sua página eletrônica a notícia de que a Shell é, pelo menos por enquanto, a responsável pelo maior incidente ecológico da última década por derramamento de óleo cru, cerca de 40.000 barris, e a mancha chega a 185km².

Mas não há como esconder o óbvio, e ainda que conservador, o jornal espanhol cumpre sua tarefa e informa: Cada ano, se derrama no delta do Níger, mais petróleo que o que foi derramado pela British Petroleum no golf do México, ano passado. Nesse aspecto, ainda temos que aprender com os espanhóis e outros povos.

Continuam a informar: Entre 1970 e 2000, foram 7000 incidentes, e destes, a Shell foi responsável por nada menos que 1000 deles.

Os custos para saneamento das regiões afetadas, recuperação dos biomas e compensações sócio-econômicas das populações atingidas é enorme, e ainda está por fazer naquele país africano, já carente de tantas outras coisas.

É claro que o Brasil não é a Nigéria, mas também não é os EEUU, pois se é verdade que nossa fiscalização impede a tragédia sócio-humanitária-ambiental nigeriana, por outro lado, também é verdade que estamos longe do rigor imposto pelos EEUU às petrolíferas, incluindo aí, fechamento definitivo de poços, impedimento de perfuração em determinadas áreas protegidas, dentre outras sanções e regulamentos.

Resta saber se queremos nos aproximar da Nigéria ou dos EEUU.

Os barões do petróleo já demonstraram que dançam conforme a música, ou seja: seu houver espaço, submetem países, declaram guerras, destituem governos, legislam em causa própria, etc.

Qual música iremos tocar para eles?



Imagens: Vista aérea do delta do Níger, atingido pelo desastre. Jacques Lhullery(AFP)

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