domingo, 25 de dezembro de 2011

Os espelhos estão quebrados.



Mil anos de azar e má sorte para nossa sociedade. A mídia quebrou todos os espelhos.

É a sensação estranha que fica quando lemos os editoriais, na maioria esmagadora das empresas de comunicação, nas TVs, rádios, jornais e até alguns blogs de coleira,  todos com teor rançoso de retrospectiva, e que remetem à reflexão e às receitas prontas, sob formas de desejos e esperanças de dias melhores.

Tudo lindo, tudo maravilhoso, é sempre hora de tentar mais uma vez.

Mas como assim, se de quem fala não há sinal de que se entenda e se enxergue como parte do problema que diz pretender resolver?

Claro, ali há o ataque a ação política(alguns até justificados, porém, sempre seletivos), a cantilena moralista, os pedidos de paz e sossego(paradoxalmente, de quem vive como proxeneta de conflitos), e toda sorte de hipocrisias que cimentam nosso caldo de cultura e nosso ethos social.

Mas o que espanta mais, se isso é possível, é o cinismo de que em todos esses lamentos, e o fato de que neles não há sequer uma auto-referência, uma pequena citação que seja, à escrotidão e cretinice da mídia e seus lacaios de redação, que esvaziam qualquer noção de bom senso em nome da construção de um senso comum pobre, dicotômico e quase irracional.

Nada se fala dos motivos e dos interesses que movem a máquina de assassinar reputações chamada de "livre imprensa", tão escrava de senhores indizíveis.

Não há, nos editoriais empedernidos e ensaiadamente compenetrados, e nem nos chistes ditos bem-humorados, nenhuma caricatura de si próprios, pois se imaginam como instância über alles, ou seja, acima e sobre todos.

Mil anos de azar e má sorte, todos os espelhos foram quebrados, e nesses cacos só vemos a imagem partida de nós mesmos.


Um comentário:

Anônimo disse...

APESAR DE SER DE CAMPISTA, MORROR EM SÃO PAULO HÁ MAIS DE 15 ANOS, E FIQUEI SABENDO QUE FOI INANGURADO NA SEMANA PASSADO A NOVA BEIRA VALÃO, E QUE PASSOU A SER CHAMADO PELOS CAMPISTAS DE “ABAJU DE CÔCÔ”