sábado, 17 de dezembro de 2011

Onde estão?

Não conheço todos os motivos que mantêm o médico Hugo Arêas na cadeia. É algo incomum, afinal, cadeia nesse país não é feita para doutor.

Se ele lá estiver pelos motivos "errados", não adianta celebrar essa injustiça como uma melhora do sistema, pois não é.

Devem a lei e seus rigores valer para todos de forma proporcional, e ninguém deve ser tomado como bode expiatório para satisfazer a reivindicação popular de uma Justiça que alcance todos, mas que se expressa muito mais como vingança do que Direito.

Porém, se estiver preso justa e legalmente, ótimo.

Mas não dá para acreditar muito que a Justiça tenha sido feita em seu caso, quando olhamos o rigor "seletivo" dos órgãos que o perseguiram tão diligentemente, mas esquecem de fazê-lo quando se trata de atingir a raiz dos problemas, nos quais a suposta desastrada ação do médico está inserida.

Ora, onde estão o MP/RJ e a Justiça, ou quem quer que seja, quando prefeitura e hospitais conveniados trocam acusações públicas de mau uso das verbas constitucionais da saúde, e os profissionais e pacientes ficam relegados a precariedade, ao mau atendimento, e a tentativas de "atalhos", como os que motivaram a prisão do profissional da saúde?

Afinal, a prefeitura repassou o dinheiro? Onde ele é gasto, quem fiscaliza?

E se não repassou, por que não o fez, quem deveria fiscalizar?

Quem fiscaliza essa relação que beira a promiscuidade?

Ou será que a prisão do médico e algumas reuniões para poses para assessorias de imprensa resolveram o problema da saúde pública na cidade com um dos maiores orçamentos do Brasil?

Como esperar bom atendimento realizado por pessoas que foram privadas da justa remuneração por serviços que podem fazer a diferença entre você estar vivo ou morto?

Vocação? Obrigação cívica, compromisso com o público e carente? Ah, sim, falar disso tudo com contracheque de mais de 15 mil reais, e pagamento em dia é fácil, bem mais fácil.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Não conheço todos os motivos que mantêm o médico Hugo Arêas na cadeia. É algo incomum, afinal, cadeia nesse país não é feita para doutor."

O citado médico está envolvido em
10(dez) processos; o que chegou ao público é o menos complicado para ele, por isso chegou ao conhecimento do público.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Conheço a vida pregressa do médico, inclusive o episódio que envolve armas de fogo.

Mas o que estranho é:

Prendo e prendo de novo assassinos, ladrões e alguns traficantes com vida pregressa extensa e que desautorizaria qualquer liberdade provisória ou sursis, mas de todo jeito, prevalece o entendimento de que a prisão é excepcional e não se cumpre antecipadamente.

No caso do médico, nada disso parece valer, por que será?

Como disse no texto, não se conserta injustiça com outra, e como não pretendo consertar o fato de que a Justiça privilegia ricos, prendendo injustamente alguns ricos, não gostaria de ver solto um deles, injustamente, apenas porque outros tantos mereceram benevolência em excesso.

Enfim, esse processo não chegou ao conhecimento do público, mas foi tornado público em um verdadeiro escarcéu destinado a criminalizar uma prática legitimada e incentivada, e mais, sem considerar que os médicos não são a única parte envolvida, mas talvez, a mais fácil de execrar em praça pública.

É esse questionamento que o blog traz.

Como dissemos, se há motivos justos e legítimos para mantê-lo preso, ótimo.

Mas a pergunta? Por que não o prenderam antes, ou encerraram a carreira de alguém que já representava tamanho perigo de dano à sociedade?

E por derradeiro: Por que não estão presos os gestores da saúde, com as diretorias dos hospitais conveniados e da secretaria e fundação da saúde, e quiçá o gabinete da prefeita, ocupados por policiais, para coagir esses gestores a cumprir o que é devido, onde o não cumprimento atinge, de forma significativa, a vida de profissionais da saúde e usuários do sistema.

São essas as dúvidas do texto.

Grato pela participação.