segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O óbvio ululante.

Está na cara de qualquer ser pensante que o programa de subsídios da administração municipal a mobilidade urbana social não funcionou!

Isso dizíamos desde o inicio.

Acompanhei a participação da vereadora do PT no programa página virada, hoje pela manhã.

Em sua fase "independente", o ex-programa de rádio chapa branca procura dar espaço aos opositores do regime, sabe-se lá para reclamar mais "atenção", ou se por ruptura com o esquema de comunicação da secretaria de propaganda.

É fato que os spots de publicidade oficial e as inserções dos secretários municipais acabaram.

Bom, mas voltando à vaca fria, eu pergunto:
Onde está assessoria da vereadora do PT, que não lhe permite elaborar um discurso direto e reto, no que tange os problemas do programa de transporte público, e que lhe permitisse, por exemplo, apresentar ao Ministério Público e outros órgãos fiscalizadores propostas para sanear esse mar de lama que é o repasse de dinheiro público às empresas de ônibus nessa cidade?

Ela tem alguma assessoria? Grupo político, partido? Será que nem discute esses temas em família? Na missa? No futebol? Ninguém que está ao redor da vereadora é capaz de dizer algo mais que sim, senhora?

Uma pena.

Eu não sou pago para isso, nem sou especialista em nada, sou apenas um cidadão(que nem anda de ônibus), mas que gosta de colocar a "mufa" para funcionar e propor algo, pois vamos lá (a vereadora pode usar a ideia e dizer que é dela, não ligo):

01- Os sistemas de transporte público são um conjunto de variáveis, que ponderadas entre si, devem gerar uma tarifa, ou seja, um preço público. Em regra temos: a) o desgaste dos insumos: combustível(é o maior), freios, pneus, manutenção preventiva, etc; b) custo da mão-de-obra(motoristas, cobradores, mecânicos a administrativos; c) seguro, multas, indenizações e passivos jurídicos trabalhistas, penais e cíveis(esses três últimos, uma expectativa, e os dois primeiros controláveis por medida de prevenção e formação profissional, junto com fiscalização dos patrões e dos fiscais públicos).

02- Todos esses e mais alguns outros que não me recordo, formam uma planilha, que junto com o lucro, a capitalização, renovação de frota, aquisição de bens de capital, etc, dão a possibilidade de uma previsão razoável para a construção de um índice local que indicará o custo por quilômetro rodado, que afinal, é a grandeza que interessa nesse cálculo. Uma espécie de índice de mobilidade social.

03- Ao priorizar o passageiro como vetor do índice para tarifação e remuneração, os administradores municipais e empresários, propositalmente criaram um sistema que poderia ser fraudado. Até porque, em tudo o que calculam como custos, o passageiro nunca é a referência única, portanto...

04- Ao repassarem os subsídios diretamente ao empresário, essa possibilidade se transformou em realidade, como de fato aconteceu.

05- Um sistema de transporte público deveria integrar as linhas, prever um tempo máximo de percurso para cada viagem, e tarifar esse bilhete por quilômetro percorrido. Eu explico: Em várias cidades que adotaram sistemas inteligentes de transporte, e que funcionam a contento, a passagem vale por tempo de utilização, ou seja, se você pega o ônibus na Pecuária e quer ir até Santo Eduardo, pontos de intersecção permitem que você saia do ônibus da Pecuária, troque de ônibus em algum desses pontos,e siga com a mesma passagem até seu destino final. Cada trajeto escolhido há uma tarifa que prevê esse tempo máximo de viagem, não importando em quantos ônibus você embarcará.
De outro modo, para cobrar o que foi utilizado, em cada ponto, e não nos ônibus, haveria uma máquina validadora, que registraria cada entrada(embarque) e cada saída(desembarque) do usuário, que somaria os quilômetros rodados e permitiria ao município saber quanto deve a cada empresa que opera as linhas.

06- Esse sistema evitaria o desperdício de colocar uma máquina em cada ônibus,e permitir que cobradores ou funcionários a serviço de maus empresários validassem várias passagens para fraudar o Erário. Porque em cada estação ou ponto de integração estaria um fiscal público.

07- Por fim, o dinheiro não seria repassado aos empresários diretamente, mas os cartões validadores seriam carregados com créditos, como os vales de refeições, hoje em dia, um espécie de pré-pago, onde cada cartão viria com um número X de passagens, adicionado de um percentual para permitir outros deslocamentos que não sejam exclusivamente para trabalhar. No fim do mês, os créditos seriam anulados, e novos créditos carregados. Por outro lado, se os créditos acabarem, poderiam ser carregados pelo usuário por um preço mínimo, uma tarifa subsidiada, e a diferença, novamente coberta pelo poder público.
A partir da auditagem de cada cartão, coma soma dos quilômetros, seria repassado o valor devido a cada empresa, cruzando os dados com os odômetros eletrônicos colocados nos ônibus, conectados a um sistema antigo de controle denominado CTF(controle total de frota).

Enfim, cada sugestão que dei aí em cima pode ser considerada uma grande besteira, e é provável que seja

Há, com certeza, nas cidades ao redor do país, e alcançáveis pelo google, exemplos de sistemas públicos de transporte em cidades de mesmo porte(médio)que funcionam com muitíssimo menos dinheiro. Uma boa cópia adaptada é sempre melhor que uma péssima ideia original, sabemos.

Então, como fazer está onde se queira procurar.

Mas eu tenho certeza que alguma coisa precisa ser feita, porque do jeito que está, continuaremos a jogar dinheiro pelo ralo, ou pior, a cevar esquemas eleitorais.

Detalhe: tudo isso que mencionei aí em cima deve ser feito após a devida legalização das atuais "linhas piratas", com licitação, e com a exigência que todos os ônibus estejam adequados às normas e ao sistema de validação sem ônus ao Erário.


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