quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Em nome do pai.

Segue o bispo falando as asneiras de sempre.

Agora, ao vivo, ocupa espaço na ex-rádio oficial, que passou a criticar(será milagre?)o governo municipal, e dar espaço a nomes da oposição.

O bispo prega valores: resgate da ética, uma nova era na política.

Todos nós, e até as candidatas a miss o querem: a paz mundial, a fraternidade na Humanidade, o fim da poluição, fim das sacolas de plástico, etc.

Mas a pergunta é: Basta ficar hasteando slogans generalistas, despregados de senso pragmático, em uma cruzada moralóide inútil, e que na verdade, só despolitiza?

O problema é que o bispo, como tantos outros, só podem atuar nessa esfera, pois entre o que falam, e o que representam e fazem, há uma enorme distância.

Ora, será que o bispo se esquece que a instituição que representa se construiu, justamente, sob os valores que o bispo quer combater, ou seja: acumulação de terras, exploração do trabalho e do mercado de escravos da África, negociatas com ditadores para obter vantagens(o próprio Vaticano é fruto de um acordo com Mussolini e Hitler), e enfim, a permanente mistura promíscua de negócios da Igreja(ente privado) com o Estado?

Será que o bispo esquece que a matéria-prima da fé que manteve a sua Igreja sempre foi vender o sofrimento como passaporte a um suposto paraíso, e assim, justificar todas as formas de exploração?

Eu nem vou repetir a questão da pedofilia, esse nódoa que não se apaga, enquanto a Igreja do papa nazista esconder sob as batinas as infâmias que praticou.

Será que o bispo vai contrariar seu dever de obediência e se rebelar contra esses postulados e orientações expressas e repetidas da Igreja?

Em suma, o bispo, pessoalmente, como agente político, pode até ser uma pessoa de boas intenções, mas a organização que representa não o autoriza a cobrar valores morais de quem quer que seja, até porque, como dizem que ensinou o carpinteiro bastardo: "não julgueis para não seres julgado".

É preciso começar o mundo a partir de sua casa, caro bispo, e a sua casa, a igreja de pedro, é um antro milenar de perseguição, tortura, morte e infâmia.

11 comentários:

Anônimo disse...

Caro blogueiro,

Perdoe-me discordar:

"mas a organização que representa não o autoriza a cobrar valores morais de quem quer que seja"

Se assim fosse, a polícia não poderia exercer seu mister, eis que abrigou e abriga em seus quadros verdadeiros marginais, que jamais fizeram jus ao cargo que possuem.

O judiciário igualmente, sofreria da mesma doença.

O Poder Legislativo, idem, e em grau mais elevado.

O Poder Executivo, também, com o agravante de ser o grande sustentáculo dos corruptos do Legislativo.

Como podemos perceber, erros e errados existem em todos ou quase todos os aglomerados de pessoas, com objetivos em "comum".

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

O seu raciocínio seria correto, senão por um, dois, ou três detalhes, vamos a eles:

01- A tortura, a conivência com a escravidão, e outros crimes, aí incluso o de pedofilia não foram desvios, foram políticas oficializadas e legitimadas pela ação ou omissão.
Pois se você considerar que a Igreja se estrutura em rígida obediência, e os órgãos superiores hierárquicos da Igreja esconderam e escondem até hoje os abusos, teremos que encarar esse "desvio" como orientações institucionais da Igreja, ou seja, eram o voz OFICIAL da organização.

Por sua vez, a Inquisição não foi um desvio de conduta de uns poucos (ou muitos) degenerados, a aliança com Hitler e Mussolini para obter o Vaticano, idem, nem o apoio ao comércio de negros.

Já o escândalo financeiro do Banco da Vaticano, em 1985, esse pode sim ser considerado um desvio de larga escala(inclusive com ligações com a Camorra), mas ainda assim, um desvio e não uma ação institucional da Igreja.

Quanto os anteriores, esses não.
Tratavam-se de uma prática calcada em crenças religiosas e no conjunto de valores da Igreja: negros poderiam e deveriam ser escravizados e hereges queimados nas fogueiras.

02- Já nas outras instituições que você citou, não há uma política oficial de tortura, nem de apoio institucional à marginalidade, e todos desvios devem ser tratados como tais, embora eu reconheça que nem todos tenham o tratamento adequado.

03-Existe outra questão: A Igreja não pode se imiscuir no debate democrático e na ação política, simplesmente porque ela trata de DOGMAS, que são verdades incontestáveis para quem acredita nelas, e mais ainda: como detentores do discurso da MORAL, trazer em seu seio essas contradições não resolvidas. Como uma Igreja que tolera abusos sexuais pode querer regrar a vida sexual das pessoas(aborto, uso da camisinha, etc)

No mais, há outra diferença sensível entre os entes aos quais você se refere como comparativo, e a Igreja:
Ainda que eu considere que em um tempo ou outro esses entes tenham utilizado práticas delituosas e legitimados crimes, como a tortura(polícia e forças armadas) ou o fato do Judiciário privilegiar ricos em detrimento dos pobres, é preciso que se diga que essas instituições são resultado do caráter e das escolhas de toda a sociedade, e permeáveis às mudanças e a correções, de acordo com os processos políticos nas quais se inserem. A Igreja, ao contrário, é impermeável, daí tanta dificuldade em rever seus erros e práticas, pois ela "vende" a ideia do monopólio da "verdade", e assumir erros põe em risco a credibilidade para continuar a mobilizar fiéis em torno de sua causa(a verdade).

Eu termino por dizer: como acreditar em uma Igreja que "elege" um papa nazista(que não se arrependeu em público e oficialmente disso), e que expulsou de seus quadros os sacerdotes que ousavam querer uma Igreja dos pobres?

Ou será que o Bispo virá a público agravar a conduta de seu chefe?

Um abraço, e grato pela participação.

Anônimo disse...

Se os valores cristãos prevalecessem no mundo, ele seria muito melhor, mais humano.

O Bispo está certo, faz a sua parte, em dar sua opinião, inclusive sobre política, baseada em valores cristãos, dos à luz dos ensinamentos de Jesus Cristo.

douglas da mata disse...

Quais valores, meu caro comentarista:

Os valores da Inquisição?

Os valores que expulsaram Leonardo Boff e a teologia da Libertação(a verdadeira teologia da Igreja dos Pobres) da Igreja, e por coincidência, expurgo patrocinado por esse papa?

Os valores que celebraram o acordo do papa Pio com Mussolini e o IIIº Reich para conseguir o Vatocano?

Os valores depositados pela Máfia Italiana no Banco da Providência?

Os valores que os fizeram acobertar os casos de pedofilia, só descobertos pela coragem dos ofendidos?

Os valores que fizeram a Igreja se tornar uma das principais sócias do mercado de escravos africanos?

Ou por fim, os valores que movimentaram a Europa para as Cruzadas, que lançaram o ódio secular que ainda perdura nas regiões em conflito até hoje?

Me explica aí, estou confuso, preciso que você me diga quais valores.

Anônimo disse...

Nada disso que você falou são valores de cristãos.

Eu disse os valores de Jesus Cristo.

Imagine se todos, absolutamente todos os habitantes da Terra, amassem os outros como a si mesmos.


Aliás, Boff, Teologia da Libertação? Defendem valores comunistas. Nunca se matou tanto em nome do comunismo.

douglas da mata disse...

Ahhhh, sim. Quando tá errado, é valor de cristão, quando tá tudo certo, o valor é do carpinteiro bastardo.

Então como fica? Se são os homens que transmitem esses valores, onde estão esses valores em estado puro? Ué, quem fala com deus? Você dirá, cada um de nós, mas quando você conta o que ouviu dele, é sua palavra e não dele, portanto...

Quem escreveu a bíblia? quantas traduções e re-interpretações? Onde está a verdade? Não tem, meu caro...então essa conversa fiada de VALORES DE JESUS CRISTO é bom para boi dormir, mas não se sustenta a luz do dia.

O que media nossas relações não são o que sentimos por nós mesmos, pois pergunto: e s eu me odiar, me autoriza a te matar, antes que eu me suicide?

Por aí não dá, tenta de novo.

Então, vamos aos valores de jesus cristo, pelo que eu ouvi lá nas aulas de catecismo:

fim da exploração do homem pelo homem(a escolhas pelos apóstolos é clara: não há proprietários), fim da opressão, solidariedade e distribuição a cada um de acordo com o que precisa (multiplicação do pães), preferência pelos desvalidos, em detrimento dos que vivem na opulência(mais fácil um camelo transpor o buraco da agulha que o rico adentrar o reino dos céus), fim do uso comercial da religião(vendilhões no templo), opção pelo perseguidos(maria madalena e dimas, o ladrão, aquele que foi perdoado na outra cruz, do lado direito), ué, mas esse mundo utópico não é um tipo de comunismo?

êpa, como assim? cristo comunista? ihhh, entortou a sua cabeça...

tenta pelo outro lado, que esse psique-du-rôle opus dei aqui não cola.

Xô tfp.

Anônimo disse...

Sim os valores de Jesus Cristo passa realmente pelo que você disse.
Mas com um detalhe: tudo, mediante o livre arbítrio. De todos. Que todos levem suas vidas com o livre arbítrio. O exemplo e os ensinamentos de Crsito estão aí, para todos conhecerem e seguirem, se quiserem, obviamente, pois Deus lhes deram o livre arbítrio.

No comunismo, não há livre arbítrio. Tenta-se impor a vontade dos seus líderes, e é óbvio que isso não funciona. Não funciona porque suprime as liberdades individuais e o livre arbítrio.

Mas imagine: se os políticos amassem aos outros com a si mesmo, eles não roubariam e não se corromperiam.

Deve sim, o Bispo opinar no processo político.

douglas da mata disse...

O bispo fala o que quer, e pode ouvir o que não quer, ótimo.

Tenta de novo:

Livre-arbítrio? O que é livre-arbítrio? Nada, na medida que para os cristãos, deus é onisciente(tudo sabe, presente, futuro e passado, pois não tem começo, meio e fim, sempre existiu), então como falar de escolha livre, se o deus que te deu a chance de escolher já sabe o caminho?

e pior, quem escolher o pior pode prejudicar quem só escolheu o bem, putz, que merda, hein?

sádico não?

pois é, acredita quem quer...como disse um amigo meu, a religião tem um porquê sobre tudo, pena que sempre fica além do nosso entendimento, rsrs...

tenta de novo, por aí também não vai dar.

Anônimo disse...

Pois é,

Esse é um dos mistérios da fé.

E Fé, de verdade, não é para qualquer um. Tem que fazer muito por onde ...

Anônimo disse...

Não muda o assunto não!
O blogueiro insinuou que os ensinamentos de Jesus Cristo seriam mais combatíveis com o comunismo, inclusive “falou bem” do Boff e da Teologia da Libertação.
Ocorre que o comunismo, para tentar funcionar (pois só funciona por algum tempo para que os seus dirigentes enriqueçam, até o povo começar a morrer de fome e reagir) suprime as liberdades individuais e o direito de propriedade. É, portanto, incompatível com o livre-arbítrio.
Portanto, os ensinamentos de Cristo não têm nada de comunismo. Não confunda as coisas.
Daqui a pouco o blogueiro vai começar a elogiar também o falecido Kim Jong-il . Este amou a si como a si mesmo. Mais um dirigente comunista que morreu MILIONÁRIO!!!! Será que o Kim Jong-un se sustentará por muito tempo?

douglas da mata disse...

Caro leitor, tenta de novo:

Falta-lhe uma percepção mais ampla sobre o que você quer defender. Esse é o problema da fé, ela cega:

01. Não há no mundo, salvo por slogans, ou por conveniência política, nenhum regime comunista. Quem leu um pouquinho de Marx e outros sabe disso. Não confunda ditaduras burocráticas com comunismo. Revela total falta de conhecimento.

02. Eu fiz uma ironia com os valores, e você não entendeu, paciência.

03. Meu filho, não há livre escolha quando o resultado da escolha já é sabido por quem te propôs escolher. É difícil entender, mas se esforce e pense só um´pouquinho, não dói.

Ao outro comentarista:

Os mistérios da fé não são para quem os merecem(essa é uma ideia vaidosa, repudiada por quem, de fato, enxerga a religião e fé com olhos tolerantes e cristãos).

Se eu acreditasse e fosse cristão, diria, são os mistérios para quem acredita neles, pois na visão cristã, todos merecem, e não há "eleitos".

Essa sua visão é a base de uma série de mesquinharias realizadas em nome da fé, e desses valores, que trucidaram e continuam a trucidar o mundo.

Tudo em nome do pai.