sábado, 24 de dezembro de 2011

Democracia, eleições, o IFF e os russos.

Deu no El País.  Libération e Le Figaro.  Centenas de milhares de russos foram às ruas para protestar contra o resultado das eleições na Rússia.

Os organizadores falam em 120 mil pessoas, em uma manifestação pacífica e pluripartidária contra supostas fraudes que deram maioria ao governo no Parlamento. Os manifestantes reclamam nova eleição, e o jornal francês de esquerda(Libération)cita que é o maior agrupamento de pessoas em 15 anos.

Ué, mas não houve eleições e o resultado já não foi reconhecido? Não é bem assim.

Quem acompanha um pouco a história recente sabe o que uma manifestação desse tipo significa. Desde que se converteu ao capitalismo, a Rússia, bem ao seu modo, transformou o espólio burocrático e autoritário da ex-URSS, que compreendia uma indústria de bens de capitais e infra-estrutura robusta, mas com enorme demanda de bens de consumo, em um vale-tudo comandado por ex-burocratas e militares(dentre eles o próprio Putin), reunidos com uma das piores máfias do planeta.

O controle criminoso dos meios de comunicação e da liberdade de expressão mantiveram os filtros de poder intactos e mais eficientes, talvez.

Logo, essa saída às ruas desafia esse acúmulo de forças.

Autoritarismo, controle da comunicação e suspeitas de fraude, isso não lhe soa familiar?

Pois bem, essa "tecnologia eleitoral" muito cara a certa famiglia local, que foi transportada para as eleições do IFF, com alianças até aqui inexplicadas e nebulosas, mancham qualquer noção de Democracia.

Lógico que os supostos vencedores(não os há, é verdade, e todos perdemos)reivindicam o aspecto meramente numérico ou quantitativo das eleições, e resumem tudo a votos, a maioria.

Pois bem, os russos congelando nas ruas e protestando parecem nos dizer que não é bem assim.

Pior que uma ditadura declarada são os regimes fantasiados de democratas.

Que o digam nossos camaradas de Moscou:

Essas imagens são do El País.


Tatyana Makeyeva(Reuters)




A polícia e a mídia russa oficial fala em 29 mil pessoas. Veja e tire suas conclusões. Essa imagem é do Le Figaro, feitas por embaixo é do Yuri Kabdonov, AFP.

L'opposition a revendiqué quelque 120.000 manifestants, tandis que la police parle de 29.000 protestataires.

4 comentários:

Anônimo disse...

Fico na dúvida se você escreve essas besteiras por má fé ou só por ignorância. Deve ter uma pitada de cada.

douglas da mata disse...

Adianta dizer que sua opinião pouco, quer dizer, nada importa?

Bom, ainda assim, poderíamos perguntar: Entender os acontecimentos de forma diferente é má-fé?

Em relação a ignorância, pode ser um pouco, afinal, ninguém sabe o que aconteceu naquelas urnas e listas de votantes, e muito menos como a tropa da quadrilha 288 foi parar em uma eleição de uma escola, logo eles, que detestam eleições nas escolas que governam.

Fica a ignorância, é verdade, de saber por que tanto interesse das milícias da lapa e seus órgãos de imprensa de coleira?

Mas você, ó sábio, deve saber, e quem sabe pode nos responder, sem nenhuma pitada de má-fé?

Anônimo disse...

SIM. HOUVE FRAUDE. GANHARAM NA FRAUDE. O DEMÔNIO DESSA GERAÇÃO ESTÁ ENVOLVIDO NA COMPRA DE VOTOS. ALASTROU ATÉ NAS ELEIÇÕES DO IFF.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Eu não creio em teses fatalistas. Não acredito em um "demônio", como não acredito em "salvadores". Na verdade, sua lógica de entendimento serve a essas duas possibilidades, que no fim, simplifica as coisas.

Há escolhas políticas, e parte do IFF fez as suas, e se aliou a um modelo de gestão, a um pensar sobre administração e a coisa pública que já revelou o que provoca nas instituições, pessoas e relações políticas.

Claro que essas escolhas são legítimas, mas o que questionamos aqui é a forma como elas se operaram.

Enfim, só há condições políticas de existirem personagens como você citou com a concordância das pessoas.

Um abraço.