quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta a Excelentíssima Senhora Companheira Presidenta

Por ocasião dos debates parlamentares sobre as mudanças no Estatuto do Torcedor, principalmente, com vistas a liberar a venda de álcool nos estádios-sede, enviei esse mensagem ao Fale com a Presidenta(www.planalto.gov.br):


Excelentíssima Senhora Presidenta,

Os argumentos utilizados pelo parlamentar relator (do nosso PT) do projeto que pretende alterar o estatuto dos torcedores, que permite a venda de bebidas alcoólicas nos estádios na copa é uma temeridade, não por sua essência, mas pelo oportunismo.

Até concordaria que o Estado deverá, quando possível, se limitar a punir apenas as condutas inconvenientes dos que usam e abusam do álcool, mas esse entendimento só vale por que haverá copa e interesses mercantis dos patrocinadores?

Então, por mágica, a multidão de pessoas que, outrora, fora considerada imatura para consumir álcool em grandes eventos esportivos, justamente porque a sociedade composta por todos, inclusive os que não bebem(que desejavam diminuir a curva de violência culposa e dolosa nessas datas), transformaram-se em maduros, pacíficos e pacientes bebedores responsáveis?

Nosso país e o seu(nosso)governo fica parecendo aquele pai que reprime(às vezes até com violência) os filhos durante todo ano, proíbe qualquer bebida ou cigarro, mas quando há uma data ou evento com convidados especiais, libera-se tudo e senta-se o patriarca à mesa, embriagado para fumar um charuto, e depois pega o carro para levar a visita em casa.

Como policial civil e cidadão vejo uma enorme incongruência em concentrarmos todos nossos esforços no combate aos efeitos e prejuízos sociais que o uso e abuso de substâncias entorpecentes(legais e ilegais), que de fato envolvem nosso país em uma espiral de violência e mortes, e depois, com uma boa parcela de dinheiro público destinado aos investimentos, liberarmos aquilo que repelíamos há pouco, ou seja: disputas esportivas não podem ser alimentadas e acirradas por consumo de álcool, ainda mais com ajuntamento de pessoas em escala que nenhuma força ou medida de segurança são capazes de conter.

Se inteligência é aprender com os próprios erros, sabedoria é aprender com os erros alheios.

Os episódios de violência que assistimos nos eventos europeus, onde há forças muito mais aprimoradas para o trato e repressão desses distúrbios, inclusive com marco legal-punitivo infinitamente mais rigoroso, nos revela um cenário que devemos evitar, pois nunca será remediado.

Um democrático e preocupado abraço de um pai que gostaria de levar sua família aos jogos, mas já repensa essa decisão.


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