sábado, 26 de novembro de 2011

O embrião.

Sei que todos dirão que é certo exagero de minha parte, e de certa forma é.

O exagero, em certos casos, serve para alertar e revelar os perigos que se aproximam.

O som de sirenes de alerta são exagerados. As placas de trânsito tem cores exageradas, como os sinais visuais de emergência.

Então, nem sempre o exagero é algo ruim.

Quem assiste o vídeo da atuação canhestra de um vereador local, que foi admoestar outra vereadora que fazia seu papel de ouvir e registrar os reclames da população de um distrito local, que convive com piscinas de merda à céu aberto, pode discordar da dimensão do fato e suas repercussões, mas não pode afastar um pensamento:

O vereador age como se fosse dono da localidade, e  o único legítimo interlocutor daqueles cidadãos junto a qualquer esfera de poder, serviço ou organização. A frase: "em Travessão é tudo comigo", não deixa dúvidas disso.

Logo, sou levado a imaginar que, indubitavelmente, esse tipo de comportamento, com a delimitação de zonas de influência "intransponíveis", é o início de um movimento que conhecemos bem, e chamamos de milícia.

É claro que não se pode atribuir ao vereador crimes que não cometeu, e pressupor que os cometerá, apenas por se achar "dono" de uma localidade.

Mas todos os "especialistas no assunto", policiais, juízes, promotores e imprensa, sabem que esse é um sentimento comum a todos esses territórios que são controlados por essas forças para-estatais: Há um monopólio das instâncias políticas locais, que logo, se entrelaçam e passam a controlar a vida econômica oficial (e ilegal: Vans, pirataria, furto de sinal de TV à cabo, etc)e ordenar o convívio social com regras próprias.

O que devem fazer os que pretendem evitar que esse flagelo se alastre pela cidade é: Verificar se há registros de vida pregressa dos envolvidos em fatos violentos, como ameaças, lesões corporais, tentativas de intimidação, etc. É assim que começa a instalação desse pequeno feudo de poder paralelo, que avança para escalas maiores de criminalidade, à medida que crescem os "negócios", a concorrência e, ou o questionamento dos órgãos policiais.

As milícias não "nascem" violentas e autoritárias. Vão se tornando assim, pouco à pouco, e quando nos damos conta, não há mais retorno, ou pelo menos, sua "extração" custará vidas e recursos enormes do Estado, às vezes até com sacrifício de seus agentes, como juízes, por exemplo.

Lembrem-se: Antes que o mal cresça, corte-se a cabeça.

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