domingo, 6 de novembro de 2011

Não viajarão.

Não irão com o deputado as mães das vítimas anônimas das milícias, sobre os cadáveres das quais o deputado pavimentou sua carreira! Só podem viajar ao exterior os parentes dos mortos ilustres, que com certeza, passearão seu sofrimento pelos Champs Elysées, ou na Torre de Pisa. Até no sofrimento, há um certo corte de classe. Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a sofrer com estilo, dirão os amigos do deputado!

Não irão com eles os policiais, delegados, juízes e promotores que acreditaram que ele levaria sua luta até o fim, qualquer fim que fosse! Esses não podem se dar ao luxo de suspender seus afazeres! Além dos milicianos, têm que combater o tráfico, a briga de marido e mulher, os desvios de dinheiro público, o roubo do carro da madame, o furto da bicicleta do entregador dos jornais!

Não irão com eles os jornalistas, presidentes de associações de moradores, e outros militantes que o apoiaram na sua suposta luta contra as milícias, que agora será suspensa, enquanto sua excelência passeia nossas mazelas pelo exterior, como se os seus tutores pudessem denunciar mais a nós que a eles mesmos, pelas selvagerias que eles mesmos praticam em nome da "democracia"!

Não irão com ele as esposas e familiares dos policiais ameaçados pelos milicianos! Muito menos as viúvas dos que tombaram por acreditar que valia à pena acreditar! Esses não têm foro privilegiado, não ganham licenças especiais, e não podem se vestir de cruzados, nem paladinos. Sobre eles pesa o fardo da realidade. Não há salamaleques de plenário. Motorista. Nem verba de gabinete. Nenhuma anistia internacional ou human rights watch quer ouvir  palestra dessa gente.

Não irão, não viajarão! Não pedirão arrego, porque honram as calças e saias que vestem!

De todo modo, podemos dizer: Já vai tarde, deputado, já vai tarde!

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