sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Marcelo...freixo...frouxo...farsa...?

O deputado marcelo freixo, que passa a ser grafado com letras minúsculas, correspondentes a sua estatura, não ameaçou...MATOU e ainda tem o sangue nas mãos.

Com sua ação de "cruzado parlamentar" de combatente das milícias, ou "wagner montes do bem", tentou criar para si, de forma exclusiva, uma plataforma política que o mantivesse na ribalta parlamentar.

Até ontem, deu certo!

É bom que se diga que apesar de todo seu voluntarismo inútil, houve um ganho para a sociedade: Debater a sua violência, nesse caso, expressa na ação das milícias. Esse mérito é do batman do PSOL.

Mas o deputado MATOU qualquer chance de avançar com credibilidade nessa discussão, quando se imaginou acima dos interesses da sociedade que diz querer proteger. Mais ou menos como um miliciano de sinal trocado.

Isso não quer dizer(atenção, este é um aviso aos idiotas) que ele não esteja sendo ameaçado e que sofra risco de morte pelas investigações que levou à cabo na CPI que presidiu.

No entanto, sua atuação sem transparência, quando já havia aceito convite para palestrar pela causa que diz defender, e de forma oportunista, juntou as supostas ameaças com sua conveniência em viajar, causou mais estragos a luta contra as milícias que qualquer assassinato a juízes e, ou ameaças a parlamentares.

Sim, sem exagero, temos que considerar que a luta ideológica para cessar o uso da morte como instrumento de segurança pública é travada no imaginário de uma população que se acostumou a legitimar tais práticas. Não é à toa, como dissemos, que líderes milicianos não raro fazem parte do poder político local e têm trânsito em outras esferas de poder.

Sendo assim, a covardia misturada a mentira do deputado deu um tiro certeiro na confiança e na coragem dos que acreditavam em sua sinceridade.

Um retrocesso que será utilizado fartamente pela imprensa, pelos seus adversários, por seus concorrentes a prefeitura, etc, etc.

Um ato de irresponsabilidade. Aliás, mais um.

Quem sabe marcelo não possa, junto com a anistia internacional palestrar em Israel, ou em Guantánamo sobre os crimes de Estado praticado pelos compatriotas dessa organização? Ou sobre as milícias que patrulham a fronteira dos EEUU com o México, que caçam e matam imigrantes ilegais?

É claro que as violações de lá não signifiquem uma justificativa para as de cá, e vice-versa. Todas as violações devem ser denunciadas onde quer que aconteçam.

Mas quando o foco é voltado, insistentemente, em apontar nossos crimes de lesa-humanidade, enquanto ignoram os deles, nos parece uma escolha política conveniente, como se dissessem ao mundo que a barbaridade só acontece por aqui.

E lá vai o marcelo...freixo...frouxo...farsa!

16 comentários:

Anônimo disse...

Corporativismo 4:
Taí...você dá ao deputado uma importância maior do a que ele tem e destila um ódio maior do que a dos milicianos denunciados tem por ele. Tantos argumentos com a única intenção de desqualificar o deputado que, diga-se de passagem , não conheço nem sou seu eleitor passado, presente ou futuro.

Anônimo disse...

Sobra-nos quem então ?

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Em todo debate, usamos referências. O deputado se construiu como referência(equivocada, a meu ver)nesse tema, gostemos ou não.

E não sou eu que dá dimensão: é a mídia, seus eleitores, e o próprio debate nesse blog, inclusive aí sua persistência em colocar uma crítica vinculada a traços de corporativismo, embora não apresente um argumento que convalide essa "tese".

Agora você mudou o tom. Como foi desmascarado a deputado, passou a ter pouca ou nenhuma relevância.

Eu não desqualifico o deputado, mas sim sua atuação política. Está aí sua oportunidade de apresentar seu ponto de vista.

Não nutro ódio por ele, mas pela sua irresponsabilidade em adotar uma postura oportunista e grave, e de colocar vidas de pessoas em risco e depois dar o fora.

Como já disse, e repito, minha atuação como policial me dá condições de falar sobre o tema, na medida que ajudei a condenar arquétipos de milicianos que tentaram se instalar, e que hoje, ameaçam promotores que andam escoltados pelas ruas de nossa cidade.

Mas nem minha história pessoal, nem a covardia do deputado é importante.

O que destaco, sempre, é que a milícia não é uma aberração, um corpo estranho em uma sociedade pacífica e que cumpre a Lei, e só utiliza a "força" em último caso.

Se gosta de imaginar que seja, e que eu possa estar sendo corporativo por denunciar essa hipocrisia, paciência...o azar é seu.

Ao outro comentarista:

Sobra-nos nós mesmos, meu caro. Ação política não se resume a heróis ou cruzados. Com nossos erros, acertos, idas, vindas, sobra-nos nós mesmos.

Não há milagre em política. Não há salvadores.

Só nós mesmos.

Anônimo disse...

Douglas, este é você falando ou o PT que te usou como um cavalo em terreiro de candomblé?

douglas da mata disse...

ê,ê mizifio, num faiz âssim.

Si vosmicê num sabi, u PT foi o partido, o único, que emitiu nota prá solidarizá com um omi frouxo mizifio.

Tá lá nu brog do roberto, é só vossuncê lê. Se vossuncê sabi lê, hu-hum.

Nem o piçol falô nada prá defendê o moço froxo.

Intão, num fala o qui num sabi. Fica feio, sô.


Agora falando sério. Não falo institucionalmente pelo PT, mas como petista filiado não seria anormal que meu discurso seja parecido com o do partido, para esse ou para aquele tema.

Estranho seria se meu texto parecesse com o do DEMO, ou do PR.

Mas nesse caso, como vocês podem ver, o partido tem uma opinião(se solidarizar com o deputado) e eu discordo.

Um outro traço do PT: há muitas opiniões diferentes que dão sentido a palavra democracia interna.


Um abraço.

Anônimo disse...

Douglas,
Como você mesmo disse, quem deu toda esta dimiensão ao fato e o tratou como herói e pré-candidato a prefeitura do Rio foi a mídia e a população, sempre carentes de heróis, cada por seus motivos particulares, e não o próprio Marcelo Freixo, que frise-se, sabe muito bem de sua limitação na luta contra as milícias, e ao contrário do PT, não busca fazer uma política personalista. Você repetiu a mídia e o tratou como herói, quando ele nunca disse isso! Agora, usa o que ele nunca disse para acusá-lo de frouxo!
O que ele fez está feito, e ele reafirma, não vai abandonar a sua luta política. Ele não vai voltar (e não voltou) atrás em nada. Se você não acredita na denúncia do fato internacionalmente, essa é a sua opinião pessoal, que respeito, e em parte até concordo, mas entendo também que isso faça parte do trabalho que ele acredita, inclusive para trazer mais segurança a todos que estão envolvidos nesta luta.
Discordo de sua opinião quando afirma que ele levantou as acusações e fugiu, deixando outros integrantes da luta em situação de perigo. Ele fez e faz o seu trabalho, ele não pode sozinho investigar, denunciar, julgar e preder. Cada um tem seu papel, se o promotor que recebeu as denúncias não tem coragem para promover a ação, se o policial civil que recebeu as denúncias não tem coragem para investigá-las, e se o juiz que recebeu a ação não tem coragem para julgá-la, que estes procurem outra profissão.
Abs,
Paulo Sérgio

Anônimo disse...

Poxa Douglas seus argumentos contra o Freixo são muito fracos, você se apoiou numa denúncia feita por Eduardo Paes, com claras intenções eleitoreiras. A anistia internacional veio a público afirmar o contrário e o próprio Eduardo Paes veio a público falar que foi mal interpretado. Douglas, no meio jornalista isto se chama BARRIGA.

Anônimo disse...

Seria você o ideólogo das milícias? Parece...

douglas da mata disse...

Vamos ao debate, da parte menos importante para a mais importante:

Não sou ideólogo das milícias, mas tampouco sou idiota ou cretino de acreditar que elas sejam um fenômeno mais importante do que são, como os "famigerados" traficantes do morro, superorganizados e blá-blá, que não passam de um bando de maltrapilhos varejistas de drogas, quando a organização está em gabinetes com ar-condicionado ou nas contas bancárias sigilosas.

Ou seja, o deputado trouxe ao debate uma parte importante, mas que nem de longe é o começo do combate, por dois motivos: a violência que alimenta as milicias( e também nossa polícia, que é uma espécie de milícia oficial)não é uma aberração sádica de policiais inescrupulosos.

Milicianos são policias que deixaram de acreditar que vale à pena matar pela elite e classe média, e passaram a matar para enriquecer.

Quem saberia citar, de bate e pronto o nome de uma vítima da milícia que não seja a juíza, antes dela ser morta?

Ahhh, bom, nesse caso são apenas números para os "especialistas"! Os mortos da milícia só tem dimensão humana quando morre alguém "de verdade".

A milícia é resultado do uso histórico e permanente da violência homicida como solução de conflitos por TODA sociedade, inclusive de imbecis que pretendem participar de um debate desses apenas enxergando as nuanças em preto, branco, certo, errado, bonzinho, bandidos ou mocinhos.

A esses imbecis que pouco ou nada contribuem a discussão, só posso dizer que...lamento.


Continua no próximo...

douglas da mata disse...

Continuação:

Aos outros comentaristas,

Bom, vamos a discussão propriamente dita:

Paulo Sérgio, meu caro: Há duas vertentes nesse seu argumento: Imagina que o deputado é um ingênuo paladino, que faz todo o trabalho, e depois, por inépcia de outros órgãos, fica em posição desfavorável.

Ou que ele não prosperou porque lhe faltou condições.

Ora, esse é o preço de patrocinar uma disputa sem dimensionar seus próprios limites. Alguém leu ou ouviu alguma manifestação institucional do PSOL sobre o assunto?

Bom, ele retirou dessa luta política um grande consenso e respaldo popular em seu nome, mas nem de longe utilizou esse respaldo para se aproximar dos órgãos judiciais e policiais para fazer a "ponte institucional" que levaria a cabo suas apurações.

Preferiu o espetáculo, e ficou só.

Há dois ou três mandatos(não sei ao certo)consegue se eleger com esse tema, mas nada acontece: nem ele avança e supera o problema, nem as milícias desaparecem, e por que?

Ora, porque não são um problema fácil para se resolver de forma isolada e desarticulada de um amplo debate sobre segurança, criminalidade, Estado(judicial e policial), etc, etc.

Mas se inserir o debate em um espectro mais amplo, o deputado-paladino deixa de ser o "dono" dele, junto ao seu nicho eleitoral. Aí o paradoxo. Ampliar o poder político do tema, e perder votos, ou manter a "reserva de mercado", e correr o risco pelo isolamento?

Ele escolheu a carreira solo.

Agora sofre os resultados de suas escolhas políticas.


Quanto a "barriga". Bom, eu não sou jornalista, portanto, não tenho compromisso em acertar sempre, nem de evitar "barrigas". Não há barriga por opinião, e a minha foi explicitada antes da divulgação do calendário das palestras. É só ler os textos de antes e verá que minha opinião não mudou, apenas ficou mais aguda.

Pior que "barriga" é manipular e esconder informação para tentar argumentar. Isso se chama, desonestidade intelectual.

Bom, mas pelo que vejo, ouço e escuto por aí, nem os jornalistas "de verdade" (seja lá o que isso signifique)têm cuidado em evitar barrigas.

Mas ainda assim, se você olhar com mais atenção, verá que "barriga" é dar uma notícia que é errada, mas nesse caso o prefeito falou em má-interpretação. E ele tem o direito de referenciar o que disse, e dizer que a repercussão foi errada, inclusive para se reparar frente a uma má repercussão, sem ter que revisar que disse, percebe?

Ora, ora, meu caro, qualquer assessor de imprensa com dois minutos de carreira saberá que isso foi uma correção de rumo na fala, apenas para agradar a chantagem internacional promovida por organizações tipo a anistia em tempos de copa e olimpíada, ou seja: não fica bem na fita falar que um "asilado" pela anistia mentiu, e ficar do lado "da milícia".

Se aqui, nesse blog, um bando de cretinos(não falo de você, mas do que me chamou de ideólogo de milícia, por exemplo), colocou que sou miliciano apenas porque discordo do deputado, e acho que ele é um frouxo, por bater e correr, imagina isso em escala internacional?

Pois é, lá como aqui, o debate parece interditado: quem não está com o frouxo, está com a milícia, rs, rs, rs.

Agora em relação a anistia internacional, eu vou dar crédito a eles quando eles gritarem contra Israel ou contra Guantánamo, e mostrar um deputado de lá pelo mundo a dar palestras sobre esses abusos, ou melhor, sobre as milícias de fronteira dos EEUU com o México.

Um abraço a todos, e sobre esse tema, o debate está encerrado. Nada mais há acrescentar. Vamos esperar a "volta" do deputado, e dar tempo ao tempo, rsrs.

Anônimo disse...

"Não nutro ódio por ele, mas pela sua irresponsabilidade em adotar uma postura oportunista e grave, e de colocar vidas de pessoas em risco e depois dar o fora."

PERFEITO!

Anônimo disse...

Frouxo? Farsa?

Ai vai o link da entrevista do representante da anistia internacional no Brasil.
http://www.youtube.com/watch?v=8WSgJ_HwCZY&feature=youtube_gdata

Nesse áudio ele diz bem claro, que o que motivou o convite a Marcelo Freixo, por parte da anistia internacional, foram as varias ameaças do ultimo mês.
O que vocês estão chamando de palestras, na realidade são reuniões de trabalho.
Bom, depois da declaração do representante da anistia internacional, acho que não restam muitas dúvidas.
Agora, quanto a farsa, o blogueiro em questão deve saber do que ta falando, justamente por ser uma representação viva da palavra.

Gabriel Nunes.

douglas da mata disse...

Gabriel, ó Gabriel,

Palestras, reuniões de trabalho ou o que quer que seja, não importa os malabarismos semânticos, nem o "tempo" alegado pela "anistia", pois veja:

O deputado frouxo e seus pares da anistia apenas mencionaram tal questão após a divulgação, ou seja, por que o "segredo" antes?

E essa questão nem foi o principal de todo o debate, apenas serviu para carregar nas tintas, e você parece ter dado mais atenção aos adjetivos que aos fatos, meu filho.

Bom saber que o deputado já terminou seu "trabalho" por aqui, mas a pergunta: continuará a receber como deputado para "trabalhar" com a anistia?

Resta a incoerência de cerrar fileiras a um instituição que adora mostrar nossas barbaridades, enquanto silencia com as violações de direitos nos seus países natais.

O integrante pode falar em um milhão de vídeos, afinal, por que devemos acreditar na anistia internacional, a mesma que nada fala sobre as milícias na fronteira dos EEUU, sobre Guantánamo, ou sobre a situação dos imigrantes na Itália, ou dos Palestinos?

Enfim, sua opinião sobre o blogueiro, embora não tenha revelado onde minha vida se confunde com a farsa(mas é bem possível que seja, afinal, de perto todos somos uma espécie de farsa mesmo), fica no campo da intolerância provocada pelas paixões políticas.

O deputado marcelo frouxo não deixa de ser uma farsa porque buscou legitimá-la com uma ONG estrangeira, mas principalmente porque fez isso. E parece que isso que fugiu ao seu raciocínio.

Mas vamos encerrar o tema, e deixa o deputado ganhar do povo de do rio de janeiro, como deputado, para "trabalhar em grupo" com a anistia. Em local seguro, longe dos temas que ele disse ter coragem para enfrentar, mas que depois, viu que não tinha culhões para levar até o fim.


Quem sabe o Gabriel Nunes consegue um lugar na classe econômica para ir junto com o marcelo frouxo?

Boa viagem.

Anônimo disse...

Rsssssssss, você literalmente me causa FROUXOS de risos. É óbvio que tal fato não foi mencionado, por não possuir relevância para isso, passou a ter no momento em que parte dos meios de comunicação, elevou tais reuniões como motivo principal da viagem, o que já é provado não corresponder a realidade, ao menos nas palavras do representante da anistia internacional, que ao meu ver, nessa questão específica, por estar diretamente ligado aos fatos, valem mais que as suas, que não passam de conjecturas.
Uma vez confirmado por quem cabe confirmar, que os motivos da viagem seriam o acirramento das ameaças e uma maior exposição na mídia do não cumprimento das medidas da CPI, as palavras palestras e reunião tomam um contorno importante, pois são coisas distintas, ao menos no mundo dos mortais, que talvez não seja o mesmo em que o nobre blogueiro viva. Confira o seu texto :
“No entanto, sua atuação sem transparência, quando já havia aceito convite para palestrar pela causa que diz defender, e de forma oportunista, juntou as supostas ameaças com sua conveniência em viajar, causou mais estragos a luta contra as milícias que qualquer assassinato a juízes e, ou ameaças a parlamentares.”
Definitivamente, vá ao dicionário, busque o significado das palavras em questão.
Você tem razão quando diz que esse não é o tema principal do debate, mas a ele dei tal importância pela MENTIRA pregada por você em seu blog, como fica muito claro no texto acima, dai eu ter me referido a você como farsa, pois quem mente não pode ser classificado como outra coisa “meu filho”. Rsssssssssss.
Mas vamos ao que interessa. O deputado Marcelo Freixo terminou o seu trabalho por aqui???? Meu caro, isso só é aconteceu em seu mundo particular, que também poderia se chamar o fantástico mundo de Bob, ou seria Douglas? Isso já foi explicado, só não entende quem não tem interesse em entender. O deputado saiu devido ao acirramento das ameaças, e uma maior exposição na mídia do não cumprimento das medidas da CPI, buscou o apoio da anistia internacional porque o governo estadual não cumpre o seu papel. Ai você perguntaria, que papel é esse? Eu te responderia, leia o relatório final da CPI das milícias. Se o governo estadual cumprisse os seus deveres, não seria necessário anistia internacional, muito menos viagem de deputado a Europa.
Com um estado que não é capaz de garantir segurança aos seus agentes, você se apega aos salários de um deputado que se afastará por 20 dias, devido a falta de segurança para cumprir suas funções.
Quem não entende o principal debate é você, que se apega a fatos mesquinhos e muitas vezes mentirosos, deixando de citar questão realmente relevantes.
Antes que diga um monte de bobagem, o relatório da CPI está aí para quem quiser ver, esse documento é real, propões atos concretos e possíveis, fruto de um bom trabalho, do mais, são apenas palavras.

Gabriel Nunes.

douglas da mata disse...

Bom, como diria o Jack, vamos por partes:

Imagine que você é uma testemunha fundamental, uma pessoa que contribuiu com algum deputado, que disse que faria um trabalho para desmontar uma atividade criminosa relevante.

Mesmo que soasse ingenuidade, essa proposta despregada de qualquer senso prático, ou seja, produzir um relatório que qualquer calouro de ciências sociais, ou qualquer policial ou juiz, ou promotor, já saiba: milícia é uma instrumentalização da violência policial, legitimada por algum consenso social (e político)para auferir lucros, e impor territórios de influência("feudos" ), você, a testemunha, acreditou na "simbologia" do parlamentar:

Coragem! Essa é a palavra-chave nessa disputa entre o parlamentar(supostamente do bem)e os bandidos.

Claro que o deputado sabe, porque não é ingênuo, que boa parte dos bandidos está entranhada no Estado, e age por força da aceitação de boa parte da sociedade que acredita que "bandido bom é bandido morto".

Com tudo isso, você, que não tem a dimensão, nem o olhar político do deputado, resolve ser testemunha, acreditando no signo da coragem, pois quando ninguém mais parece merecer "confiança", você enxerga no deputado um trincheira de resistência. Verdadeira resistência.

E o que acontece?

Ele foge! Ora, se ele, que é deputado não consegue conter seu medo, o que diremos as pessoas que precisam testemunhar contra milicianos?

Como um policial vai intimar uma testemunha, e acusá-la de desobediência de não comparecer ao chamado? Como os juízes processarão as ações?

Política é símbolo. Nesse caso a mensagem mudou: Coragem para medo!

Essa é a nova mensagem passada pelo deputado.

E não é demais lembrar ao amigo que está frouxo de riso(e talvez frouxo do raciocínio)que o deputado construiu sua plataforma sobre esses ícones, e auferiu influência e um naco do poder simbólico quando presidiu e encurralou os homens maus, baseado em uma coragem(que demonstrou não ter) e seriedade com a coisa pública(que também demonstrou não ter, sem pedir a licença que desonera os cofres públicos de lhe pagar).

O dinheiro seria irrelevante para um político "comum", corrupto, mas para um "cruzado e paladino" do piçol NUNCA. Essa é uma questão de fé, antes de ser política.

Como a mulher de César, deve ser e parecer honesta. Para os piçolistas não há relativização doa valores éticos. Dez centavos ou dez bilhões de desvios são a mesma coisa, ou não?

Se quer proteção, e continuar sustentado pelo estado, entre no programa de proteção a testemunhas, como todo "mortal", ou como as testemunhas da CPI que ele abandona agora!

Só os tolos seriam capazes de enxergar esse tema por um viés único.

(Continua...)

douglas da mata disse...

(continuação)

É claro que a omissão do Estado é grave.

E todo o tempo, esse blog tentou demonstrar(na teoria)o que são as milícias, e como são nefastas a sociedade, e na prática, pois já disse e repito, fiz parte de uma investigação que atacou o embrião dessas organizações aqui. O frouxo de riso(e do raciocínio) tem direito a não acreditar.

O que não podemos é colocar o deputado na condição de vítima ou coitadinho, e dar a ele todos os bônus políticos de um situação que ele já sabia que haveria, e que escolheu enfrentar, à seu modo.

Onde está o partido do deputado. Representou a comissão de DH da OEA, ou da ONU? Oficiou ao Ministro da Justiça, na inércia do governo local? Além do oba-oba midiático, o que foi feito de fato para proteger o deputado e os seus?

???

Enfim, ão há necessidade de ler relatório algum, como disse, qualquer calouro ou policial com seis meses de carreira é capaz de diagnosticar e dar a solução ao combate das milícias: Combate aos crimes econômicos, lavagem e financiamento, como forma de sufocar seu poder econômico, para matar o mal pela raiz.

Só que a omissão de Estado é uma escolha política.

Não um erro, ou um falta de solidariedade com o pobre deputado.

Ele sabia desses riscos quando pretendeu ser o "cruzado". Isso lhe rendeu um "nicho de mercado", uma "reserva" eleitoral, perigosa, mas certa. Agora o preço está aí.

Eu pergunto: O deputado já viajou? Se tudo era tão grave, porque a demora?

Repito: O debate sobre os motivos do deputado são, de fato, irrelevantes para o combate a milícia, como aliás, o próprio deputado agora se revelou inútil também, pois todos que poderiam denunciar, agora vão pensar duas vezes, pois se depois de matarem uma juíza, um deputado corre com o rabo entre as pernas, o que será do cidadão "comum"?

Nem vou comentar a credibilidade da anistia. Você tem o direito a crer em contos de fada, e nas "boas intenções" das ONGs que silenciam sobre os abusos nos seus países, e "cagam" regra por aqui.

Como disse, você tem direito a acreditar no que quiser. Só não pode é tentar impor aqui o que acredita, a não ser que faça com fatos.

Um malabarismo semântico não vai resolver.

Um deputado envolvido em uma ação como essa não pode alegar que não saberia como repercutiria um pedido de "asilo", e só a transparência que daria confiabilidade no que disse. Reparos são piores que os sonetos.


Para um cruzado como o deputado não se exige menos que a perfeição. Ele deveria saber disso.

O debate se encerra aqui.

Um abraço e boa viagem a todos.