quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Chevron, o governo, os royalties e a mídia!

Quem ouve alguns programas chapa-branca(atualmente, quase todos eles, nesta cidade) e lê editoriais dos jornais de coleira(os dois que temos), tem a estranha impressão de que esperávamos o pior para fortalecer nossos argumentos na manutenção dos royalties, já que não ostentamos um índice sequer de boa governança ou de avanço nas políticas públicas que legitimem essa reivindicação.

Pronto: O incidente com o vazamento do poço Frade, explorado pela Chevron resume toda a justificativa que precisávamos.

Mais uma historinha que só nos retira seriedade. Ora, imaginem se o vazamento fosse de proporções 100 vezes maiores, e ao invés de 400 ou 500(ninguém sabe ao certo), fossem 4000 ou 5000, e a mancha tivesse se estendido do litoral do sul baiano passando pelo norte-fluminense, baixada litorânea, até o sul fluminense.

Eu pergunto: O que teria no caixa e no Orçamento de todas as cidades que tem litoral nessa área, para conter, controlar, ou minorar os impactos ambientais imediatos, e mais, para dar sustento aos profissionais de pesca, reverter os prejuízos na cadeia produtiva do turismo, e mais, reconstruir o bioma atingido?

Nada, caro leitor, nenhum centavo. Todo nosso dinheiro, falo de Campos dos Goytacazes, por exemplo, está vinculado a obras e empreiteiros, propaganda, e pagamento de pessoal(cabos eleitorais).

No fim das contas, caberia a União, arcar com a maior fatia dos prejuízos, com o pagamento de subsídios a pescadores, mobilização de empresas e Universidades para reconstrução do ecossistema, e para limpeza desses locais.

Em tempo: O que pensa nosso secretário de meio ambiente sobre o tema? Qual é o plano de ação estratégica da prefeitura, articulada com outras secretarias (defesa civil, agricultura e pesca e promoção social) para um acidente de dimensões maiores? Quantas embarcações dessa secretaria de um município milionário estão acompanhando o problema de perto, com equipes de profissionais gabaritados para antecipar e fiscalizar a ameaça a nosso ambiente local?

Eu nem vou citar o governo do Estado, que hoje está assombrado por outros "vazamentos", com a possibilidade do Nem abrir o bico.

Mais triste nisso tudo, é enxergar que a grande mídia continua perdida nessa questão. Sequer são capazes de informar ao público a sua total dimensão. Sabe-se lá se para proteger o interesse de futuros anunciantes(olha o caso da LLX, cantada e decantada pela mídia local como a nona maravilha do mundo)? Sabe-se lá por incapacidade mesmo, ou tudo isso junto, quem sabe?

Então, campistas, temos um cenário tenebroso: Um governo ruim, que controla uma mídia pior, enquanto estamos sujeitos a uma atividade de extrativismo perigosa e impactante, cuja indenização vaza como um poço de petróleo com defeito.





Um comentário:

Anônimo disse...

Ótima análise!