sábado, 26 de novembro de 2011

Ainda sobre petróleo, perfurações, Chevron, mentiras e a mídia.

Não é novidade que os EEUU são os maiores consumidores de energia do planeta. Assistimos o que esse apetite por hidrocarbonetos é capaz no Oriente Médio, e dá arrepios a vigilância "amiga" da 4ª Frota da US Navy nos mares do Atlântico Sul.

Dói na nossa memória, que ainda não foi redimida, e nem será por uma comissão de "meias-verdades"(nas palavras da parlamentar Luiza Erundina), o resultado da intervenção política dos EEUU na década de 60, para garantir uma zona de influência tranquila e submissa às corporações estadunidenses e dos outros países ricos, aí incluídas as sete irmãs, as maiores empresas petrolíferas, que agora são quatro: Exxon Mobil, Royal Dutch Shell(Britânica), British Petrollium(também britânica)essa última protagonista do recente vazamento do Golfo do México, com uma plataforma igual a que a Chevron usa no Poço do Frade.

Então, esse negócio de petróleo não é brincadeira, e todo cuidado nunca é pouco, e não seria errado dizer que valem até delírios paranoicos de perseguições e conspirações, em vez da nossa perene falta de cuidado e histórica opção pela defesa dos interesses deles em vez dos nossos.

Claro que isso tudo dentro do limite da negociação permanente, mas firme. De uma fiscalização rigorosa, mas que nem de longe afaste os bons investimentos e no desenvolvimento de nosso parque industrial dessa atividade extrativista.
Não se trata de xenofobismos, mas de cuidado e sabedoria: Petróleo é ouro negro, e deve ser usado com a estratégia correspondente a sua importância para nosso país, e para o mundo.

É bom lembrar que os EEUU, em alguns estados da sua federação, têm uma legislação duríssima que proíbe a perfuração em alto mar, de poços de baixa, média ou alta profundidade. O Alasca é um deles. Sim, o reduto da maior estrela do republicanismo Tea Party, Sarah Palin, proíbe a  offshore oil drilling (ou perfuração de petróleo em alto mar).

Essa é inclusive, uma das bandeiras do Partido Republicano, bancado pelo interesse de petroleiras que veem suas reservas de terra se esgotarem.
Ávidos pelos empregos e a riqueza, uma boa parte dos moradores do inóspito Alasca travam essa luta política, onde do outro lado estão, os ambientalistas, populações nativas(resumidas no rótulo horrível da indústria de ideologia e cultura como esquimós) e partidários da regulação da atividade econômica e seus impactos na vida humana, que não se resume, é lógico, a gerar riquezas e encher tanques de gasolina barata.
Os dois lados têm suas razões, mas o fato é que o embate existe, e nossa mídia e setores corporativos e pensadores liberais sempre tentam ignorar esses conflitos, como se a atividade econômica de escala fosse um destino inexorável, um caminho natural. Não é.

Os EEUU tiveram a base de sua extração de óleo em terra firme, e já faz parte do imaginário popular a imagem dos enormes oil pump jacks(aquelas bombas que parecem gafanhotos enormes)nas planícies texanas.
Depois da corrida do ouro, o impulso "civilizador" do Meio-Oeste e do FarWest se deu pela corrida ao ouro negro. Uma boa dica para quem quiser se entreter e entender esse universo é o filme There will be blood, traduzido em Sangue Negro, mas que literalmente diz: haverá sangue, ou seja, uma espécie de premonição, com a ótima atuação de Daniel Day Lewis.
Para quem diz que essa premonição está desatualizada ou datada pelo tempo histórico da trama, resta observar que o sangue não pára de jorrar, onde quer que haja poços ao redor do planeta.

Bom, mas voltando ao tema. Os maiores sugadores de petróleo do mundo, os EEUU, sabedores do enormes riscos, e também pela abundância do produto em terra, que literalmente, brotava do chão, criaram em alguns estados, algumas das leis mais restritivas do mundo, e que hoje, em nome do pragmatismo e do lucro, tentam derrubar.

Mas o fato é a contradição em si. Ou seja: Nenhum setor da mídia ordinária(comum)aventou esse paradoxo: Como sempre, os EEUU e seus sócios do empobrecido G-8 pretendem fazer livremente aqui, o que regulam fortemente por lá.

Essa legislação do Alasca, um santuário ecológico de gelo, com um ecossistema frágil e agressivo, que aumenta as chances de graves incidentes, como o caso do mega-petroleiro Exxon Valdez, que em 1989, naufragou e inundou de óleo cru a costa do mesmo Alasca, é a prova cabal dos riscos que corremos. Associada ao incidente da BP no Golfo do México, com uma unidade de produção igual a da Chevron, é outra "coincidência" incômoda em um mundo onde não há coincidências, mas apenas conseqüências, como ensina o filme Matrix e sua personagem Merovíngio.

Então, é melhor sermos paranoicos.

Há um outro detalhe para ilustrar esse texto: Foi justamente a enorme capacidade técnica da Petrobrás, pioneira e vanguarda na exploração em águas profundas, que nos deu a falsa impressão que essa atividade era imune a incidentes desse tipo.

Irônico é que essa empresa quase foi entregue àqueles que não têm a menor expertise, embora já atuem no ramo há muito mais tempo que nós, e foi nesse pequeno intervalo de tempo, compreendido entre os governos collor e fhc,  que nossa maior e melhor empresa sofreu um abalo perigoso no desmonte que culminou com o naufrágio da P-36.

Mas essa perspectiva histórica você não vai ler na mídia ordinária.






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