quarta-feira, 30 de novembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os piratas do petróleo e da mídia.

Quem ler a Carta Capital dessa semana vai ficar com a pulga atrás da orelha, e em se tratando da Chevron, vai faltar orelha para tanta pulga.

O que fazia um equipamento(sem o conhecimento da ANP)que pode perfurar mais de 7000 metros(profundidade da camada de pré-sal, cuja outorga a empresa não tem para explorar) em um campo de pós-sal?

A desconfiança justificada é de que a Chevron estava tentado "sugar" com um "canudinho maior" o óleo que está no "fundo do copo", e por isso, não previu as rachaduras que poderiam ocorrer com a operação clandestina.

Esse é o mundo maravilhoso das corporações, celebrado pela nossa mídia nacional e internacional, que aliás tem como exemplo de eficiência o gangster Murdoch e sua Fox News, dentre outras.

E para quem já se esqueceu dele, aí vai mais uma do mundo corporativo:

A mesma Carta Capital deu uma notinha sui generis, há algumas semanas, e que usamos para ilustrar como funcionam a "ética e os valores" empresariais de quem adora cobrar e cagar regra para todos os outros:

A empresa de Murdoch foi flagrada em mais uma fraude.
Inflou de 45 mil para 70 a tiragem de um dos seus títulos, senão me engano, o Wall Street Journal, e tentou vender cada número excedente para anunciantes, que comprariam cada qual a um centavo, e em troca, receberiam matérias favoráveis, ou o bom e popular jabá, e depois, esses exemplares seriam distribuídos aleatoriamente a estudantes.

Desnecessário dizer que esses números são os parâmetros utilizados para determinar os valores cobrados pela publicidade que o jornal vende.

Você conhece história semelhante?

Bom, juntando as duas histórias, dá para perceber o porquê da grande mídia ter sido furada e esburacada pelos blogs na questão do vazamento da Chevron.

O Alienista e a Justiça.

Há muito tempo esse blog advoga a tese que enfurece alguns formalistas.
Por formalistas entenda-se aqueles que, por ingenuidade ou má-fé, e quem sabe ambos, acreditam ou nos querem fazer acreditar que as leis e a Justiça, aqui entendidos o aparato normativo e o Estado-Juiz, são expressões imparciais e equidistantes, e as decisões ali exaradas são o suprassumo da técnica judiciária em favor da manutenção do valores que constituem aquilo que costumamos chamar de Direitos.
Bom, eles propagam tais ideias quando são beneficiados.
Caso contrário, vociferam e esperneiam contra aquilo que defendiam há dois minutos.

Bom, eu não nego que esse é a ideia fundadora do Estado, ou seja, construir uma instância que dirima conflitos, puna transgressões e reconheça direitos.

Mas subtrair o conteúdo essencialmente político das decisões da Justiça como um reflexo daquilo que se inicia quando elegemos os legisladores, e esses legisladores que celebram os diplomas jurídicos, é uma temeridade teórica, senão uma loucura em aspectos práticos.

Ou seja, as leis são, em suma, o consenso ou a valoração que a sociedade representada ratifica nos estamentos legais, nem que seja para reconhecer desigualdades e, em alguns casos, a própria injustiça.

Mas há outro elemento que não pode escapar a essas digressões que rabisco aqui: No caso brasileiro, com as especificidades do nosso Estado, patrimonialista, elitista e segregador, a própria fiscalização e aplicação das leis e dos direitos é vertical, desigual e excludente, o que torna ainda mais difícil que se pacifique conflitos, ou que se legitime consensos.


Então, se há problemas nas etapas de constituição desse poder legislador e executor (as eleições), por que não acreditarmos que esses problemas contaminarão a esfera que fiscaliza e aplica o que já nasceu para garantir privilégios?


Falo isso tudo para comentar sobre a decisão monocrática do desembargador que manteve no cargo, até que seja julgado o recurso que interpôs na ação que é ré, a prefeita local.

Senão me engano, foi o mesmo desembargador que datou as liminares e como justificativa para tal inovação doutrinária, preconizava tornar célere o julgamento da lide.

Pois bem, nem uma coisa e nem outra, e mais uma vez sai desmoralizada a nossa Justiça, deixando a impressão(espero de coração que seja falsa)de que há sempre uma "tese jurídica" para se adequar a necessidade de cada caso, extrapolando e subvertendo a máxima de "cada caso, um caso", inaugurando uma corrente "casuísta", onde os valores e princípios de Direito submetem-se as urgências, e não o contrário.

Nós já falamos aqui da aberração que é a Justiça Eleitoral, ramo especial do Judiciário, que busca tutelar um poder (político) que não só legisla para o que eles decidirão (na clássica harmonia e regulação de Montesquieu), mas que só existe em função dessa atividade.

Claro que com a industrialização e aprisionamento do processo político pelos interesses econômicos, que tornaram campanhas eleitorais milionárias um fim em si mesmas, tanto para concorrentes, quanto para financiadores e operadores, não restaria imune a Justiça Eleitoral que só existe para cuidar das eleições.

Todos os crimes eleitorais, de uma forma ou de outra, já estariam consagrados em outros institutos jurídicos, de todos os ramos públicos e privados do Direito, sem necessidade de um setor especifico, o que só ratifica que nossa Festa da Democracia  precisa de leões-de-chácara.

Quer um exemplo: O que é uma eleição? Nada mais que uma concorrência pública, um certame licitatório, com vários candidatos para prestar um determinado serviço(executivo ou legislativo) por um prazo(mandato), em troca de contraprestação pecuniária(vencimentos).  Um concurso público. E não há quase tudo previsto na Lei 8666, ou em outros diplomas que regulariam tais "concursos", assim como os outros, exceto alguns detalhes? Pois é.

Mas nada disso garante que ouras esferas do Judiciário estariam à salvo da partidarização da Justiça, e na contramão, judicialização da política. Eu sei, eu sei. Mas como disse, são só delírios, só isso.

E nesses surtos psicóticos eu imagino que urge uma reforma ampla que promova o financiamento público das campanhas, que redimensione ou acabe de vez com a Justiça Eleitoral, e faça uma devassa no Judiciário, como foi dito pela Ministra Eliana Calmon de Sá.

Uma Justiça que esconde de seus cidadãos e verdadeiros "patrões"(contribuintes) os nomes dos juízes que estão as voltas com infrações e crimes em processos administrativos merece todo o aplauso da nossa boa sociedade.

Decisões como a do desembargador devem ser laureadas como exemplos de boa técnica jurídica e estilo, nunca como oscilações esquizofrênicas de uma Justiça seletiva.

Enfim, para quem tem "bons" advogados não há direito inalcançável, nem causa perdida, tanto que dá até para fazer previsão.

Loucos somos todos nós.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ficha limpa.

Recebi um questionamento de um leitor sobre o tema, a partir da transmissão da TV ALERJ sobre a emenda constitucional  estadual que diplomou o tema em nosso Estado, proibindo a nomeação para determinados cargos (secretários, presidentes de fundações e empresas públicas, etc) daqueles que forem alcançados pela restrições mencionadas na Lei Eleitoral.

Eu não sou jurista, apenas curioso, logo, emu entendimento está sujeito a censura de quem reúne mais ferramentas teóricas, mas vamos lá, só aprende quem se arrisca e erra:

01. Os parlamentares fluminenses estenderam o conceito para além dos cargos eletivos, por entenderem que os cargos de livre nomeação ou que estejam no topo de determinadas carreiras, e que por sua vez, deterão algum poder hierárquico, e por isso mesmo, derivam do poder conferido aos mandatários(eleitos) pelo povo nas urnas, devem obedecer a essas condições, trazendo segurança e isonomia a essas nomeações. Ou seja: Se não podemos ter "eleitos" com "ficha suja", não podemos ter seus assessores e auxiliares de primeiro escalão na mesma condição.

02. Elevaram o tema a categoria constitucional estadual, ao contrário dos parlamentares federais, que, senão me engano, diplomaram o tema em lei ordinária.

03. Outro ponto: Pelo que sei, o STF decidiu sobre a vigência da referida lei, mas eu não tenho notícia de que haja debate sobre a constitucionalidade da lei, uma vez que há uma discussão de que ninguém poderá ter direito político cassado, salvo sob sentença transitado em julgado, e no caso dos direitos eleitorais, os danos serão irreversíveis, caso sejam ceifados direitos(a eleição)que não se repetiram e repercutem na esfera jurídica e política de TODA sociedade, e no próprio Estado de Direito. Mas isso é outra discussão.

Espero ter satisfeito suas dúvidas, e lembre-se: nosso e-mail para contato está aí do lado, é douglasbdmata@gmail.com

sábado, 26 de novembro de 2011

Óleo, mentiras e videoteipe?

No blog das meninas que procuram e acham o que fazer, aqui, há repercussão da matéria onde um executivo da Chevron para (África e América Latina) contra-ataca, e diz que a empresa que representa tem todas as condições de fazer o que não fez, e que podemos acreditar no que disse, embora a referida empresa tenha mentido e escondido os problemas o tempo todo, e dependemos de uma investigação para saber o alcance daquilo que eles dizem saber como lidar, embora não tenham dito o que foi.

Destaque para o trecho do texto onde ele diz que são infundadas as suspeitas de que estariam furando um poço para subtrair óleo de outro, esvaziando as reservas alheias.

Outra vez me socorro na ficção, e no filme que já citei, There will be blood (Sangue Negro), que conta a história da expansão e enriquecimento de um oil man(na pele de Daniel Day Lewis), com todas as extravagâncias, violência, ganância e desrespeito por qualquer coisa que se coloque no seu caminho.

Em uma passagem, o explorador de petróleo tenta comprar terras onde há enorme jazidas. Como não consegue, passa a sugar o óleo por um ligação subterrânea, a partir das terras vizinhas que adquiriu.

O filme, como já disse, pode ser confundido com a saga desse setor econômico.

Lendo agora essa defesa do executivo iraniano que toma conta dos interesses da Chevron na África e na AL, eu fiquei a pensar: Será que no mar, a vida também imita a arte?

É certo que devemos afastar pré-julgamentos, mas não pode haver demora ou negligência na fiscalização da atividade, que não se tornou o que é por respeitar as normas éticas, e pensando bem: Qual o tipo de ética praticam os oligopolistas do petróleo mesmo?




Antecipando o breque.

A auto-referência não é uma boa companheira, nem conselheira. Mas é preciso, às vezes, denominar a origem das coisas para situar o debate.

Pior que a arrogância é a falsa modéstia. Vamos à vaca fria:

Como em toda mediação e repressão de abusos ou de infrações à Lei, quando se aplica força desproporcional, ou se pune com extremo rigor uns, enquanto ignoram ou dão medida proporcionalmente menor de castigo a outros de conduta igual, estamos tão somente a formalizar injustiças, baseados em uma escolha política: Punir os mais fracos, e favorecer os mais fortes.

Estranhamente, toda vez que se fala em punir os excessos da mídia grande e ordinária, os editoriais disparam os brados furiosos contra a censura, etc e tal. Toda vez que se pune blogs e blogueiros, toda força é pouca, e pululam em todos os cantos uma caça às bruxas, dando conta o enorme mal que blogs sujos e irresponsáveis causam nas "melhores reputações e famílias".
Aos que podem, o direito, aos que não podem, a Lei.

Não trata, repito, de incentivar ou liberar o vale-tudo, a ofensa, o escárnio, o dano moral irreparável, mas de dar a correta dimensão a cada caso, e enxergarmos a luta política que está por trás de cada evento.

Nessa interminável discussão sobre limites da liberdade de expressão, da censura, e dos exageros de TODAS as partes, tanto na internet quanto nos outros meios de mídia ordinária(comum), esse blog sempre advogou a tese de que a natureza da rede, principalmente a dos blogs, é a possibilidade de reparação e composição imediata dos conflitos, dando a parte ofendida o mesmo espaço e alcance do texto que lesou seu direito, ainda que supostamente.

Nenhum outro meio confere essa chance, exceto, talvez, o rádio e as participações ao vivo, por telefone, ou com a presença do ofendido.

Isso foi fundamental para desenvolvermos a ideia(que não é só nossa, diga-se) de que: Antes de medidas judiciais extremas, como aconteceu, por exemplo com o blog de São Francisco, inclusive com a apreensão de seu material de informática em sua casa, deveria o Estado incentivar que a parte ofendida procurasse, junto ao meio agressor, a publicação do direito imediato de resposta, e a retirada do texto ofensivo em alguns casos.

O pedido poderia ser enviado por e-mail, com a impressão e certificação em cartório do pedido enviado e seu status de enviado e recebido, sob pena, aí sim, das medidas repressoras judiciais, em caso do não atendimento.

Pois eis que a notícia do acordo e devolução do material do blogueiro de S.Francisco nos dá a certeza de que estamos no caminho certo, e que nosso raciocínio era tosco juridicamente (pela nossa incapacidade no tema), mas não desprovido de sentido prático.
Quem sabe esse entendimento nessa ação particular não provoque uma percepção ampla dos tribunais e operadores do direito no amadurecimento das relações entre todos que militam a blogosfera e os conflitos inerentes a esse convívio?

Diante da homologação do acordo, fica a pergunta: Antes de promover a invasão da casa do blogueiro, não podia a Justiça obrigá-lo a fazer o que se convencionou a fazer agora?

Um parêntese: O blog de São Francisco, estranhamente, se valeu da mobilização de toda rede, mas apenas divulgou o fato pelo blog de sua preferência. Aqui outra característica da liberdade da rede, e das escolhas que cada um faz, e que aqui sempre será respeitada, embora lamentemos. Seria a hora dele enxergar a importância do tema que protagonizou, e espalhar o máximo o deslinde da causa onde esteve como pólo passivo.
Mas alguns não enxergam muito bem  o tamanho dos episódios em que estão inseridos, e algum grego famoso já disse isso no Mito da Caverna.

Como dissemos à época, ainda que o blogueiro em questão não mereça a mobilização, ela se deu pelo sentido que existe no ataque a liberdade de expressão, inestimável valor e princípio que deve alcançar todos que vivem na Democracia, principalmente, os que não se preocupam com ela, ou se preocupem apenas quando são atingidos pelo autoritarismo.

Ainda sobre petróleo, perfurações, Chevron, mentiras e a mídia.

Não é novidade que os EEUU são os maiores consumidores de energia do planeta. Assistimos o que esse apetite por hidrocarbonetos é capaz no Oriente Médio, e dá arrepios a vigilância "amiga" da 4ª Frota da US Navy nos mares do Atlântico Sul.

Dói na nossa memória, que ainda não foi redimida, e nem será por uma comissão de "meias-verdades"(nas palavras da parlamentar Luiza Erundina), o resultado da intervenção política dos EEUU na década de 60, para garantir uma zona de influência tranquila e submissa às corporações estadunidenses e dos outros países ricos, aí incluídas as sete irmãs, as maiores empresas petrolíferas, que agora são quatro: Exxon Mobil, Royal Dutch Shell(Britânica), British Petrollium(também britânica)essa última protagonista do recente vazamento do Golfo do México, com uma plataforma igual a que a Chevron usa no Poço do Frade.

Então, esse negócio de petróleo não é brincadeira, e todo cuidado nunca é pouco, e não seria errado dizer que valem até delírios paranoicos de perseguições e conspirações, em vez da nossa perene falta de cuidado e histórica opção pela defesa dos interesses deles em vez dos nossos.

Claro que isso tudo dentro do limite da negociação permanente, mas firme. De uma fiscalização rigorosa, mas que nem de longe afaste os bons investimentos e no desenvolvimento de nosso parque industrial dessa atividade extrativista.
Não se trata de xenofobismos, mas de cuidado e sabedoria: Petróleo é ouro negro, e deve ser usado com a estratégia correspondente a sua importância para nosso país, e para o mundo.

É bom lembrar que os EEUU, em alguns estados da sua federação, têm uma legislação duríssima que proíbe a perfuração em alto mar, de poços de baixa, média ou alta profundidade. O Alasca é um deles. Sim, o reduto da maior estrela do republicanismo Tea Party, Sarah Palin, proíbe a  offshore oil drilling (ou perfuração de petróleo em alto mar).

Essa é inclusive, uma das bandeiras do Partido Republicano, bancado pelo interesse de petroleiras que veem suas reservas de terra se esgotarem.
Ávidos pelos empregos e a riqueza, uma boa parte dos moradores do inóspito Alasca travam essa luta política, onde do outro lado estão, os ambientalistas, populações nativas(resumidas no rótulo horrível da indústria de ideologia e cultura como esquimós) e partidários da regulação da atividade econômica e seus impactos na vida humana, que não se resume, é lógico, a gerar riquezas e encher tanques de gasolina barata.
Os dois lados têm suas razões, mas o fato é que o embate existe, e nossa mídia e setores corporativos e pensadores liberais sempre tentam ignorar esses conflitos, como se a atividade econômica de escala fosse um destino inexorável, um caminho natural. Não é.

Os EEUU tiveram a base de sua extração de óleo em terra firme, e já faz parte do imaginário popular a imagem dos enormes oil pump jacks(aquelas bombas que parecem gafanhotos enormes)nas planícies texanas.
Depois da corrida do ouro, o impulso "civilizador" do Meio-Oeste e do FarWest se deu pela corrida ao ouro negro. Uma boa dica para quem quiser se entreter e entender esse universo é o filme There will be blood, traduzido em Sangue Negro, mas que literalmente diz: haverá sangue, ou seja, uma espécie de premonição, com a ótima atuação de Daniel Day Lewis.
Para quem diz que essa premonição está desatualizada ou datada pelo tempo histórico da trama, resta observar que o sangue não pára de jorrar, onde quer que haja poços ao redor do planeta.

Bom, mas voltando ao tema. Os maiores sugadores de petróleo do mundo, os EEUU, sabedores do enormes riscos, e também pela abundância do produto em terra, que literalmente, brotava do chão, criaram em alguns estados, algumas das leis mais restritivas do mundo, e que hoje, em nome do pragmatismo e do lucro, tentam derrubar.

Mas o fato é a contradição em si. Ou seja: Nenhum setor da mídia ordinária(comum)aventou esse paradoxo: Como sempre, os EEUU e seus sócios do empobrecido G-8 pretendem fazer livremente aqui, o que regulam fortemente por lá.

Essa legislação do Alasca, um santuário ecológico de gelo, com um ecossistema frágil e agressivo, que aumenta as chances de graves incidentes, como o caso do mega-petroleiro Exxon Valdez, que em 1989, naufragou e inundou de óleo cru a costa do mesmo Alasca, é a prova cabal dos riscos que corremos. Associada ao incidente da BP no Golfo do México, com uma unidade de produção igual a da Chevron, é outra "coincidência" incômoda em um mundo onde não há coincidências, mas apenas conseqüências, como ensina o filme Matrix e sua personagem Merovíngio.

Então, é melhor sermos paranoicos.

Há um outro detalhe para ilustrar esse texto: Foi justamente a enorme capacidade técnica da Petrobrás, pioneira e vanguarda na exploração em águas profundas, que nos deu a falsa impressão que essa atividade era imune a incidentes desse tipo.

Irônico é que essa empresa quase foi entregue àqueles que não têm a menor expertise, embora já atuem no ramo há muito mais tempo que nós, e foi nesse pequeno intervalo de tempo, compreendido entre os governos collor e fhc,  que nossa maior e melhor empresa sofreu um abalo perigoso no desmonte que culminou com o naufrágio da P-36.

Mas essa perspectiva histórica você não vai ler na mídia ordinária.






O embrião.

Sei que todos dirão que é certo exagero de minha parte, e de certa forma é.

O exagero, em certos casos, serve para alertar e revelar os perigos que se aproximam.

O som de sirenes de alerta são exagerados. As placas de trânsito tem cores exageradas, como os sinais visuais de emergência.

Então, nem sempre o exagero é algo ruim.

Quem assiste o vídeo da atuação canhestra de um vereador local, que foi admoestar outra vereadora que fazia seu papel de ouvir e registrar os reclames da população de um distrito local, que convive com piscinas de merda à céu aberto, pode discordar da dimensão do fato e suas repercussões, mas não pode afastar um pensamento:

O vereador age como se fosse dono da localidade, e  o único legítimo interlocutor daqueles cidadãos junto a qualquer esfera de poder, serviço ou organização. A frase: "em Travessão é tudo comigo", não deixa dúvidas disso.

Logo, sou levado a imaginar que, indubitavelmente, esse tipo de comportamento, com a delimitação de zonas de influência "intransponíveis", é o início de um movimento que conhecemos bem, e chamamos de milícia.

É claro que não se pode atribuir ao vereador crimes que não cometeu, e pressupor que os cometerá, apenas por se achar "dono" de uma localidade.

Mas todos os "especialistas no assunto", policiais, juízes, promotores e imprensa, sabem que esse é um sentimento comum a todos esses territórios que são controlados por essas forças para-estatais: Há um monopólio das instâncias políticas locais, que logo, se entrelaçam e passam a controlar a vida econômica oficial (e ilegal: Vans, pirataria, furto de sinal de TV à cabo, etc)e ordenar o convívio social com regras próprias.

O que devem fazer os que pretendem evitar que esse flagelo se alastre pela cidade é: Verificar se há registros de vida pregressa dos envolvidos em fatos violentos, como ameaças, lesões corporais, tentativas de intimidação, etc. É assim que começa a instalação desse pequeno feudo de poder paralelo, que avança para escalas maiores de criminalidade, à medida que crescem os "negócios", a concorrência e, ou o questionamento dos órgãos policiais.

As milícias não "nascem" violentas e autoritárias. Vão se tornando assim, pouco à pouco, e quando nos damos conta, não há mais retorno, ou pelo menos, sua "extração" custará vidas e recursos enormes do Estado, às vezes até com sacrifício de seus agentes, como juízes, por exemplo.

Lembrem-se: Antes que o mal cresça, corte-se a cabeça.

E naquela planície cheia de lodo...

Mandatos na corda bamba das liminares com prazo, CEPOP de 70 milhões para um carnaval esquartejado, fraudes no programa de transportes, cocô à céu aberto em Travessão, terra do capitão virgulino papinha, e orçamento de mais de 2 bilhões de reais...

Bom, por aqui, o que os olhos não ouvem, o coração não fala...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A verdade como ela é, mas não deveria ser...




A intervenção do vereador-donatário(como já foi publicado em outros blogs) nos seus domínios é uma aula de como funciona o sistema político de representação nessa cidade, e não seria errado dizer, em todas as paróquias do país.

Não me refiro a proximidade dos laços político-eleitorais de um vereador com a comunidade, a qual ele está mais próximo, e que por isso lhe conferiu a maioria dos votos que teve. Isso é normal.

O que espanta é a visão equivocada, tacanha e autoritária sobre essa proximidade e o exercício desse mandato, a distorção e manipulação dessas conexões políticas da base de apoio e o governo, o papel da administração pública, a atividade parlamentar como fiscalizadora e limitadora do poder executivo, etc.
Essa dose de incômoda realidade gravado em vídeo, cuja performance pertence ao vereador atende pelo curioso nome de "papinha", pode ser dividida assim:

01- Tudo é culpa do governo "anterior", como se administração pública não fosse uma atividade ininterrupta, e que a troca de seus ocupantes já traz em si a ideia de que o sucessor assume o cargo executivo e todos os problemas que encontrar, aliás, foi eleito por isso e para isso. Se a população quisesse, manteria o grupo anterior no poder, mas não: elegeu a prefeita para que ela resolvesse o que disse que resolveria. Elegeu a prefeita porque havia problemas.

02- Independente do fato de que a vereadora que noticia o problema é da oposição, e claro, nenhuma indicação sua ou pedido vá ser atendido, que por si já traz uma visão mesquinha e sectária, eu me pergunto: Se o problema existe há anos, e o vereador diz que "em Travessão é comigo", por que o côco ainda transborda em Travessão? A quem a população do local deve recorrer? Sugiro que os moradores aluguem um caminhão limpa fossa e peçam que os motoristas estacionem em frente da casa do vereador-donatário.

03-De resto, ficou a nítida impressão de que o vereador-donatário trata sua localidade como um curral eleitoral, um feudo intransponível, e mais: trata seus pares (vereadores) com desrespeito de quem não tem a menor noção do que se trata a representatividade do mandato que todos (os vereadores)possuem, para atender os reclames da população sem os limites dos "cabrestos" impostos por esquemas obscuros.


O vídeo, como dissemos lá em cima, é uma "aula" que ilustra com cores nítidas o porquê essa cidade não ter a mínima condição de reivindicar que o dinheiro continue a construir latrinas e "piscinas" de côco à céu aberto.

E pensando bem, Travessão merece, afinal, não dali que saíram os votos que deram ao vereador a sua "capitania-hereditária"?

domingo, 20 de novembro de 2011

Jogo dos sete mil erros.

Olhe bem as duas imagens. São iguais. Tente achar as sete diferenças entre os dois governantes. Difícil? Bom,  com a recente indicação do novo-velho-novo secretário de obras, vai ficar ainda pior.
Mas não desanime, pois se não há diferenças, pelo menos há milhares de erros para você assinalar, tanto no criador quanto nas suas criaturas.



Alex, cérebro de pirulito!

Ninguém duvida dos estragos que podem ser feitos em uma entrevista, à beira do campo, após um fracasso esportivo.

Aliás, boa parte dos repórteres vivem ali, nessa zona cinzenta do espetáculo, à cata de alguma declaração bombástica, que destrua reputações, provoque crises no team, ou indisponha players e torcedores, comissão técnica e, ou diretoria.

De olho nisso, a gestão de marketing dos clubs direciona as entrevistas em locais específicos, depois do banho e descanso dos jogadores, quando a adrenalina, combustível das asneiras, já arrefeceu.

Hoje, no jogo Flamengo e Atlético Goianiense, o back Alex "pirulito", demonstrou com suas palavras que seu apelido não se deve apenas a semelhança física com o doce, mas pelo conteúdo(ou falta dele)que carrega na cabeça.

Protagonista de um match horroroso, onde o team da Gávea foi completamente envolvido pela marcação do rubro-negro do planalto, o back flamenguista disse que o torcedor não pode vaiar os jogadores, pois esses mantêm-se entre os seis melhores no scout geral.

Ué, que tipo de jogador é esse que apenas se preparou para o aplauso? Ainda mais depois que a massa urubu lotou a arena adversária, em uma demonstração de onipresença e paixão incomum para a maioria dos esquadrões. O que esperava o cérebro de pirulito? Aplausos à mediocridade?
Ora, quando há luta e desprendimento, não é incomum ouvirmos e vermos o apoio das torcidas ao esforço que não se converteu em vitórias.
Não foi o que assistimos. Ganhar não é obrigação, mas postar-se como homem em campo sim!
E os players da Gávea pareciam zumbis, ou uniformes ocos a cumprirem a tarefa burocrática de estar em campo.

Está certo que a falta de profissionalismo não se restringe às quatro linhas, e com salários atrasados há três meses, existe quem veja no súbito desânimo, um protesto mudo pela falta de cumprimento das obrigações trabalhistas do club com seus empregados da bola.

Mas a fala do pirulito foi pior que um goal contra.

Morphine - Early To Bed






Early To Bed Morphine
Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life
Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life

One drink, call it an early night
Soon you're curled up 'neath the reading light
or you bathe in the TV's blue tint
On your pillow an after-dinner mint

Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life
Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life

Early to bed so you can wait
for three buses, a trolley and a train
I think it's worth it for you to stay awake
Maybe tomorrow you'll be a little late, but...

Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life
Early to bed and early to rise
Makes a man or woman miss out on the night life

Miss out on the night life
Miss out on the night life


http://www.vagalume.com.br/morphine/early-to-bed.html#ixzz1eGdR2VMw

Morphine "Buena"






Buena Morphine
I hear a voice from the back of the room
I hear a voice cry out you want something good
Well come on a little closer let me see your face
Yea come on a little closer by the front of the stage
I said come on a little closer I got something to say
Yea come on a little closer wanna see your face
You see I met a devil named Buena Buena
And since I met the devil I ain't been the same oh no
And I feel all right now I have to tell ya
I think it's time for me to finally introduce you to the
Buena buena buena buena good good good
It's coming to me yea it's coming to me
Now I I think I know what it is you need
I know some people want to make you change
Well I I know how to make'm go away
You see I met a devil named Buena Buena
And since I met the devil I ain't been the same oh no
And I feel all right I have to tell ya
I think it's time for me to finally introduce you to the
Buena buena buena buena good good good 


http://www.vagalume.com.br/morphine/buena.html#ixzz1eGe3jnXI


Morphine - Cure For Pain on Jools Holland


Trilha sonora perfeita para um longo gole de depressão...

Cure For PainMorphine
Where is the ritual
And tell me where where is the taste
Where is the sacrifice
And tell me where where is the faith
Someday there'll be a cure for pain
That's the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain
Where is the cave
Where the wise woman went
And tell me where
Where's all that money that I spent
I propose a toast to my self control
You see it crawling helpless on the floor
Someday there'll be a cure for pain
That's the day I throw my drugs away
When they find a cure for pain (x2)
When they find a cure find a cure for pain

MANIFESTO PELA SAÚDE PÚBLICA!


DOMINGO, 20 DE NOVEMBRO DE 2011

MANIFESTO EM DEFESA DE SAÚDE COM QUALIDADE PARA A POPULAÇÃO


Manifesto em defesa de saúde com qualidade para a população
A Associação Fluminense de Medicina e Cirurgia, Sindicato dos Médicos de Campos, Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Estabelecimentos de Saúde do Norte Fluminense tornam público - a fim de reafirmar seu compromisso com a saúde da população de Campos e região e mostrar os fatos à sociedade - os seguintes esclarecimentos e posicionamentos:
– Consultas médicas particulares nos hospitais filantrópicos são permitidas tanto pela legislação que rege as instituições filantrópicas no país quanto pelo contrato firmado entre o município e os hospitais conveniados, que estabelece o mínimo de 60% em atendimentos pelo SUS e os outros 40% em convênios e particulares, estes popularmente chamados de sociais. A consulta social, que ganhou indevidamente o nome de “propina”, é na verdade uma consulta particular, a baixo custo, que presta relevante serviço à população e conta com o amparo da lei;
– Em defesa do exercício profissional, que deve ter asseguradas a liberdade e a autonomia, desde que se cumpram os preceitos legais, morais e éticos, expressamos nossa indignação com a absurda acusação, exposição, sumária condenação e punição do médico Hugo Manhães Areas, detido como fosse um fora da lei em pleno exercício do seu trabalho, tendo sua vida profissional manchada, seu convívio social comprometido e sua estrutura familiar profundamente abalada;
– As consequências de tal conduta não se restringem ao prejuízo à imagem do profissional Hugo, mas atingem em cheio toda uma categoria, que trabalha duro para cumprir seu compromisso com a população, mesmo com todas as dificuldades pelas quais passa o sistema de saúde no Brasil, e não diferente em Campos, que são do conhecimento de todos;
– A prisão em flagrante, com todo o estardalhaço em torno do assunto, acompanhada de ameaças, acusações, pressões e posicionamentos parciais em relação ao tema, provoca nos médicos um estado de perplexidade, situação prejudicial à assistência e à fundamental relação de confiança entre médicos e pacientes;
– Os médicos de Campos encontram-se hoje atemorizados e sentindo-se coibidos de exercerem livremente sua profissão, enquanto estão sujeitos à anunciada inspeção ostensiva de policiais no seu ambiente de trabalho, situação que constrange não só aos médicos, mas a todos os profissionais de saúde, causando efeito pedagógico negativo através de uma equivocada estratégia de amedrontamento, além de levar insegurança à população que, mesmo com todo o cenário de descrença nos gestores que são responsáveis pelos recursos necessários à saúde pública, mantém a confiança nos profissionais que, superando todas as dificuldades, dedicam seu trabalho a cuidar das pessoas;
– As entidades que assinam este manifesto reiteram que estão ao lado da Justiça na luta por uma saúde de qualidade, pela dignidade dos cidadãos, pelo bom uso do dinheiro público e por mais recursos para a saúde, ao mesmo tempo que repudiam firmemente a perseguição, a denúncia sem informação, o sensacionalismo e as palavras inadequadas, que funcionam como barreiras ao debate equilibrado;
– O momento é de indignação e também de mobilização, envolvendo profissionais, gestores dos hospitais e sociedade, que reforçam a unidade neste movimento permanente de valorização do atendimento ao paciente através do exercício profissional digno;
– Para o exercício profissional digno, são necessárias também medidas que garantam a sobrevivência dos hospitais. Portanto, impõe-se uma profunda reformulação no processo de pactuação entre gestor municipal e os hospitais contratualizados, que inclua o controle social e os profissionais de saúde. Assim, o SUS, melhor planejado, financiado, gerido e fiscalizado, será capaz de suprir as reais necessidades de saúde da população;
– Não é momento de fomentar uma crise, muito menos as entidades que assinam este manifesto o fazem de maneira corporativista em defesa cega de seus pares, mas o de defender de forma intransigente os bons profissionais, que felizmente são maioria e, por consequência, a Justiça, assumindo uma postura clara ao lado de quem acaba se tornando a maior vítima deste grande equívoco, que é o cidadão.
Campos dos Goytacazes, 20 de novembro de 2011

Associação Fluminense de Medicina e Cirurgia
Sindicato dos Médicos de Campos
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Estabelecimentos de Saúde do Norte Fluminense

Sensoriais.

De tudo que de ti vejo
Não penso, nem questiono.
Sinto, cheiro, apalpo,
Lambo, suo, escorro, desejo.


Douglas da Mata, aos 20/11 do ano 40 + 1

Baile Muderno - Chico Correia & Electronic Band



Chico Correa & Eletronic Band já nos visitaram por aqui, no clip Lelê...Não vou interferir com textos chatos...sinta, curta, goste ou desgoste...

Se quiser ver Lelê, clique aqui

Quintana pr'á começar bem a semana.

LXI Do espetáculo desta vida.

Impossível será que melhor exista,
Enquanto o mundo assim se distribuir:
No palco a Estupidez, para ser vista,
E a Inteligência na platéia, a rir...



LXII Dos títulos do leão

Ele que é força pura, ele que é puro egoísmo,
No entanto é o Nobre, é o Justo...Sua Alteza é o Leão!
Pois que só um consolo resta à escravidão:
      Idealizar o despotismo...

Mário Quintana in Espelho Mágico

sábado, 19 de novembro de 2011

Bois de piranha.

Dias desses ouvia o programa chapa-branca, que se diz jornalístico, na faculdade que pouco ou quase nada ensina nessa matéria, e na rádio que de educativa nada tem, a fala do secretário de cultura desse município.

Fiquei a imaginar: O que faz uma pessoa, com a referência social e intelectual que acumulou, ou diz ter acumulado, destruir tudo isso para se manter atado a uma condição funcional que expressa total ausência de políticas públicas para o setor que é de sua atribuição?

Que não haja política pública de cultura não é novidade, e eu reconheço que esse tema não mereça a atenção devida por nenhuma grupo ou partido que ocupe qualquer esfera de poder: Nacional, estadual ou regional.

Há uma enorme dificuldade em:
Mesclar a presença do Estado, escapar da tentação do dirigismo, respeitar o tempo histórico das manifestações e seus ciclos(nascimento, vida e morte), conter o avanço do mercado, utilizar esse mesmo mercado e suas competências para aumentar o acesso e a disponibilidade da maior gama de bens culturais, e não só o que parecer rentável, afastar os cacoetes patrimonialistas da gestão pública e as manifestações oportunistas, preservar sem fossilizar ou artificializar(como fazia o oráculo e sua ridícula caricatura de Jongo para enganar turista), expor, tornar as tradições visíveis, mas sem perder de vista a necessidade de universalizar costumes, produzir conhecimento científico-acadêmico, e ufa: fomentar um mercado cultural que dê prazer estético, conhecimento, e retorno financeiro a quem o produz.

Eu sei que existem barreiras para elaborar, discutir e executar isso tudo, mas nada justifica o assassinato cultural que a prefeitura, através de seus órgãos diretos(secretaria de cultura) e os indiretos(as fundações) tem promovido com a cultura local.

Mas diagnosticar não basta, e governos existem para proporem soluções, ainda mais quando seus integrantes se arvoram os "reis-da-cocada-preta", desfilando pompa e circunstância, sem nenhum efeito prático.

Voltando as palavras do secretário, oráculo da cultura local, ele disse aos seus interlocutores do programa de rádio, na semana passada, que o esvaziamento do carnaval, o despedaçamento das apresentações dos tradicionais bois, que por muito tempo foram o que havia de mais organizado e esteticamente mais "bonito" e contextualizado nos pavorosos desfiles, é proposital.

Disse o oráculo que o Carnaval e seus desfiles devem ser mantidos com um calendário exótico e extemporâneo porque a classe média, público-alvo pretendido(nas palavras do oráculo), preferia os balneários litorâneos a cidade.

Santo deus, pelas franjas de Iemanjá.

Só quem desconhece totalmente, ou finge desconhecer, a história do Carnaval local pode falar uma asneira dessas.

Ora, nessa cidade, o Carnaval sempre foi um espetáculo feito pelas periferias, e frequentado por elas, e justamente por isso, sempre foi tratado pelo poder público com total falta de profissionalismo, precariedade e pior: como espaço para manipulação e disputa eleitoral, recheada de irregularidades no trato com as verbas públicas ali alocadas.

Não mudou muita coisa, quer dizer, mudou sim, para pior.

Desde que o grupo local (que depois se dividiu em duas facções) começou a manobrar bilionárias verbas, aquilo que era uma manifestação popular de gosto duvidoso, mas organização autônoma, virou um monstrengo sugador de verbas, ainda mais desorganizado e feio, e pior, controlado pela agenda do governo de plantão.

Então, a desculpa de que essas mudanças de calendário servem para aumentar a visibilidade e o interesse de outros estratos sociais, ou tornar as festas atrativas, viáveis e sustentáveis, economicamente falando, é uma mentira tão absurda que nem o oráculo acredita nela.

Se nem uma prestação de contas decente sobre o dinheiro concedido é possível, diante da incompetência(ou será cumplicidade)oficial, como imaginar que algo mais possa ser feito em benefício da população envolvida?

O que houve foi um esquartejamento do Carnaval, dos bois, e de tudo que essa cidade poderia ter como manifestação cultural que a representasse.

Ao menos nos contentemos com um túmulo de 70 milhões de reais, o CEPOP.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Outros vazamentos.

Se a vereadora do PT tem informações acerca do despejo de esgoto in natura em Travessão, deveria, ao invés de chorar e desabafar no plenário, protocolizar junto ao Ministério Público e a 146ª DP uma notícia crime, a fim de que sejam apuradas as responsabilidades, se as houver.

A Chevron, o governo, os royalties e a mídia!

Quem ouve alguns programas chapa-branca(atualmente, quase todos eles, nesta cidade) e lê editoriais dos jornais de coleira(os dois que temos), tem a estranha impressão de que esperávamos o pior para fortalecer nossos argumentos na manutenção dos royalties, já que não ostentamos um índice sequer de boa governança ou de avanço nas políticas públicas que legitimem essa reivindicação.

Pronto: O incidente com o vazamento do poço Frade, explorado pela Chevron resume toda a justificativa que precisávamos.

Mais uma historinha que só nos retira seriedade. Ora, imaginem se o vazamento fosse de proporções 100 vezes maiores, e ao invés de 400 ou 500(ninguém sabe ao certo), fossem 4000 ou 5000, e a mancha tivesse se estendido do litoral do sul baiano passando pelo norte-fluminense, baixada litorânea, até o sul fluminense.

Eu pergunto: O que teria no caixa e no Orçamento de todas as cidades que tem litoral nessa área, para conter, controlar, ou minorar os impactos ambientais imediatos, e mais, para dar sustento aos profissionais de pesca, reverter os prejuízos na cadeia produtiva do turismo, e mais, reconstruir o bioma atingido?

Nada, caro leitor, nenhum centavo. Todo nosso dinheiro, falo de Campos dos Goytacazes, por exemplo, está vinculado a obras e empreiteiros, propaganda, e pagamento de pessoal(cabos eleitorais).

No fim das contas, caberia a União, arcar com a maior fatia dos prejuízos, com o pagamento de subsídios a pescadores, mobilização de empresas e Universidades para reconstrução do ecossistema, e para limpeza desses locais.

Em tempo: O que pensa nosso secretário de meio ambiente sobre o tema? Qual é o plano de ação estratégica da prefeitura, articulada com outras secretarias (defesa civil, agricultura e pesca e promoção social) para um acidente de dimensões maiores? Quantas embarcações dessa secretaria de um município milionário estão acompanhando o problema de perto, com equipes de profissionais gabaritados para antecipar e fiscalizar a ameaça a nosso ambiente local?

Eu nem vou citar o governo do Estado, que hoje está assombrado por outros "vazamentos", com a possibilidade do Nem abrir o bico.

Mais triste nisso tudo, é enxergar que a grande mídia continua perdida nessa questão. Sequer são capazes de informar ao público a sua total dimensão. Sabe-se lá se para proteger o interesse de futuros anunciantes(olha o caso da LLX, cantada e decantada pela mídia local como a nona maravilha do mundo)? Sabe-se lá por incapacidade mesmo, ou tudo isso junto, quem sabe?

Então, campistas, temos um cenário tenebroso: Um governo ruim, que controla uma mídia pior, enquanto estamos sujeitos a uma atividade de extrativismo perigosa e impactante, cuja indenização vaza como um poço de petróleo com defeito.





quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A vida como ela deveria ser.

Há dia mais estranho que uma quarta-feira com cara de segunda, depois de um feriadão, e com um chuva torrencial, como de derramasse milhões de gotas de preguiça sobre nós?

Mas não devemos nos entregar a melancolia.

Afinal, temos uma grande imprensa nacional e regional que nos protegem de todas as más notícias, não por interesse pecuniário, ou por desejo de manipular a informação para seus sócios e patrocinadores, mas apenas pelo dever cívico de zelar pela nossa felicidade.

Vazamento de óleo? Onde? Quem? Chevron-Texaco? Não sabemos. Quer dizer, agora sabemos, graças ao pessimistas, sujos e boquirrotos da blogosfera. Ô, pessoalzinho pr'á baixo.

As obras do canal da beira-valão de cocô vão terminar, mas o cocô continuará lá? Que nada, é só olhar o mundo sob outra perspectiva.

O Nem tá preso. Pronto, todos nossos problemas acabaram, nossos imóveis vão valorizar e a Leda Nagle vai poder receber seus amigos em casa, e quem sabe todos possam sair de lá, altas madrugadas, dirigindo seus carros depois de se entupir de um bom uísque, sem o risco de errar o caminho ou serem admoestados por esses vendedores dessas drogas horríveis. Por que não vendem uísque  como gente normal?

Ah, em Wall Street ninguém sabe bem o que acontece, e eu acho que esse pessoal não tá falando nada contra o capitalismo, que também não morrerá nunca, e pronto, nem vale à pena debater isso...você sabe como anda a novela?

O IDEB daqui é um dos piores do Brasil? Mentira. Isso é invenção da oposição. A culpa é sempre da oposição, embora ela não governe nada, porque, justamente, é oposição...mas para quê fazer algum sentido?

Cobrou consulta social? Prende o médico. Ué, mas isso não existe há séculos? Mas só o médico?
Êita, fica quieto aí, meu filho, senão eu prendo e arrebento, olha que você é minoria, e democracia é vontade da maioria de esmagar a minoria, portanto, cala boca até que você possa mais do que eu. Enquanto isso, escolhemos um bode(expiatório), e tiramos ele da sala, e botamos na cela.

E você, onde estava que não foi a marcha da corrupção? Tsk, tsk, tsk, que vergonha. Larga mão dessa mania de tentar ser coerente, menino. O que importa o fato de que você marche para linchar moralmente os políticos que você mesmo escolheu? Marche, e pronto! Cumpra o seu papel e seja feliz.


Viram? Não há com que se preocupar, tudo vai dar certo, o mundo é maravilhoso, e não há com que se preocupar, tudo está sob controle!

Já tomou seu remedinho hoje? Não, não, esse não, esse é proibido. Tô falando daquele que vem com bula e receita.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reino eterno.

De todos os monarcas
O rei tempo
A rainha morte
são os mais justos
porque se revelam a todos
embora sejam os mais tiranos
porque ninguém lhes escapa.

Pensando bem!

Lama na planície, e mancha no mar...Até aqui, nos ajudou o senhor!

O Monitor de Dogville.

Respeito muito a memória coletiva dos que trabalharam no Monitor Campista, mas alguns fatos precisam ser esclarecidos nesse dia que se lembra os dois anos de sua extinção, sob pena de continuarmos a esquecer ou a menosprezar a nossa História.

De todos os textos que li sobre o tema, o que mais me chamou a atenção foi o do Vítor Menezes, que você pode ler aqui.

Não se pode duvidar da comoção de suas palavras, é verdade, mas eu reajo a tentativa de imputar uma culpa coletiva, dentre tantas outras que carregamos, pela "morte" do jornal.

A afetividade que está evocada na análise contrasta com a sobriedade perene do Vítor, e é compreensível, mas de fato, é preciso dizer:

01- O Monitor, na época, era o estranho "centro" de uma disputa editorial-política: De um lado, o jornal vinculado ao governo mocaiber, que agregava o verbo pela verba, e de outro, o jornal da oposição, que hoje funciona como pasquim oficial do governo. O Monitor se pretendia "neutro", na ingenuidade (nunca má fé) de alguns de seus profissionais, que reivindicavam uma (inexistente e impossível)imparcialidade, ainda mais se considerarmos o afluxo oficial de verbas sem licitação para bancar as publicações do DO. Esse era um estranho calcanhar de Aquiles na "reserva moral" do Monitor.

02- Então, se a História e os fatos se desdobram e se precipitam como materialização de nossos atos e escolhas, o Monitor não foi apenas uma vítima coitada do assédio dos barões locais, ou da sanha política que nos assola, mas de tudo isso, e das escolhas de seus profissionais e gestores. Escolhas sistematizadas como acontecem em empresas, com hierarquia, ordens e tarefas. O jornal não era só um grupo de afinidades, embora esse sentimento fosse presente, era uma arena de disputas, e da busca por lucro e ganho pessoal.
Nesse sentido, cabe um parêntese: O Monitor mantinha, sabe-se lá deus porque, um dos mais obtusos editores-chefes, isso dito por vários dos seus colegas, que no entanto, por sentimentos pessoais ou solidariedade(pena)nada diziam. Como se vê, uma mistura estranha de sentimentos pessoais e corporativos em permanente "crise de identidade": Um jornal privado, mantido por um condomínio de herdeiros, e bancado pela publicação oficial e dinheiro público.

03- Outro traço das corporações, e os jornalistas não escapam à regra, é se imaginarem mais relevantes que são, e desse modo, perdem a referência do que representam. Esse delírio é comum entre blogueiros, e precisamos enxergar nosso limite e alcance curtíssimo, para não nos despregarmos da realidade e da organicidade da realidade. Sempre nos seduzimos a nos encararmos com mais peso que temos, como se o que disséssemos repercutisse como verdades inquebrantáveis a desmoronar inimigos e desafetos. Não é bem assim.
A simbologia, a fantasia coletiva que ergueram em torno de si, construída com a mesada oficial e com o esteio do espólio do Diários Associados, impediram-lhes de enxergar essa obviedade descrita acima, e quando tentaram uma repaginada, modernização ou uma re-conexão, foi tarde.

04- A afetividade obscureceu a percepção do Vítor de que se Campos dos Goytacazes é o que é, e  se o seu povo se comporta como moradores de Dogville, e se o Monitor faz parte de um enorme tempo dessa nossa cultura, podemos dizer que nossa indiferença pode ser fruto do que o Monitor "ajudou" a formar como consciência pública.
Ou será que a redação do jornal era uma ilha de excelência e boas intenções esteve isolada e cercada por iniquidade e mesquinharia por todos os lados? Se assim foi, não seria uma escolha arrogante? Ou suicida? Então, se foi escolha, porque dividir o ônus com Dogville?

05- Em uma cidade que pouco mais de 6 ou 7% leem jornais todos os dias, é um pouco demais imaginar que pessoas ou entidades fossem se mobilizar para salvar um fracasso comercial, ou para custear os devaneios editoriais de um grupo de jornalistas, que, pelo que soube, boa parte deles (jornalistas e funcionários) recebeu indenizações que se somadas, mesmo que contribuíssem com a metade do que receberam, daria de sobra para tornarem-se patrões de si mesmos, então: Se nem eles acreditaram, por que deveríamos acreditar?


Enfim, a "morte" do Monitor mistura questões estruturais da imprensa escrita, aspectos políticos locais, culturais, é verdade, mas acima de tudo, indiferença do público a quem ele imaginava se dirigir. Simples assim, por mais cruel que pareça.

O Monitor precisava antes de gente que o comprasse nas bancas, antes de parceiros, colaboradores, ou financiadores-cooperativados.

E como em um castigo para os que se imaginavam "imparciais" ou passíveis de ficar ao largo da polarização que vive a cidade, o leitor foi "imparcial" com a "morte do jornal".


Nota: O Monitor Campista, embora pouco se diga sobre isso, era uma empresa, com donos e que, por escolha destes, foi abandonado. Uma escolha gerencial, que pode ter outras causas, ainda não apuradas, e se apuradas, não reveladas pelo instinto investigativo de seus indignados "herdeiros", sabe-se lá porquê. 

Carta aberta ao companheiro Félix.

Caro companheiro,

Permita-me dirigir-me a você, nessa hora em que tenta externar a todos, e principalmente, aos petistas dessa cidade, que a hora é propícia.

Dirijo-me a você, porque o partido nessa cidade não é mais um espaço para se discutir política. Não sou saudosista, sou pragmático ao extremo.
A presidência, a executiva e o diretório local, são o que há de pior em termos de construção, discussão e formulação de política em todos os tempos do PT nessa cidade.
Um mandato medíocre, que sequer consegue capitalizar um espaço destinado à oposição a esse modelo local de gestão, e anda à reboque de outros nomes duvidosos.

Estamos diluídos, amorfos, estagnados.

Nem mocaiber hoje é tão identificado com o que passou como alguns militantes de nosso partido. Ou seja, aconteceu o que dizíamos à época: Nos uniríamos a um governo enlameado, afundaríamos com ele, e depois, ficaríamos com o ônus.

E até hoje, nenhum dos próceres daquela nefasta tática de "adesismo" prestou contas, ou fez as devidas ressalvas.
Mais ou menos, mal comparando, como no caso da tortura no Brasil, quando os militares torturadores culpados fingem que nada aconteceu, nossos dirigentes partidários fingem que nada fizeram, e que não contas a acertar pelos erros, e com isso impedem que o processo evolutivo político continue, pois ficamos atados ao passado que nos pesa como uma âncora moral.

Sei que política se faz com votos, e para angariar votos, cada vez mais precisamos de dinheiro. Esse é o dilema que contamina nossa democracia, e nessa cidade, com o advento da benção-maldição dos royalties, o problema assume contornos bilionários. Já disse, não sou ingênuo.

Mas o PT de Campos parece um grupo de crianças que se une a outras para pular o muro a retirar algumas frutas no pomar, com uma estranha divisão de tarefas: Enquanto as primeiras crianças saboreiam, no alto das árvores, as mais maduras, mais doces e suculentas frutas, o PT fica lá embaixo distraindo os cachorros, e nem as frutas apodrecidas caídas ao chão conseguem comer.

Reconheço seu esforço e respeito o apreço pessoal que tens ao candidato, ops, ao pré-candidato médico, que foi, aparentemente, ungido por todas as tendências do partido. Mas é só até aqui que posso lhe hipotecar algum apoio.

Aprendi que muita coisa muda, quase todo o tempo. Mas de todo modo, só conseguimos elaborar expectativas pelo que conhecemos do passado. Então, é possível entender o PT de Campos de hoje pelo que ele acumulou ao longo de sua História nessa cidade.

Não é preciso relembrar, pois conheces tanto como eu. Repito: Não sou saudosista, do tipo que fala: Ah, bons tempos aqueles...

Ainda assim, se alguma coisa ficou desses tempos, para o bem ou para o mal, nada nos autoriza a dizer que o PT de Campos vai fazer boa figura nas eleições que se avizinham.

Nunca separo eleições da ação política, e nem posso, mas bem sabes que não confundo uma com outra, ou seja, toda eleição é parte da ação política como um todo, mas voto nem sempre revela ou significa legitimidade.

Mesmo que fosse, a esperança que o pré-candidato reúna a clareza e possibilidade de ampliar o debate para além de sua visão tosca de mundo é um exagero. Não o fez quando foi candidato, não o fez quando esteve no partido, e não o fará por ter voltado, sem ao menos esclarecer que motivos ou cicatrizar as feridas de seu afastamento. Aliás, um estranho processo que sugere que nada aconteceu, e tudo está como antes.

Não, não, caro Félix, sabes tão bem quanto esse parvo escriba que laços de solidariedade política são como porcelanas raras, uma vez quebradas não se colam ou refazem, sem que deixem as marcas indeléveis de seu fracionamento e trauma.

Em suma: Um partido que vai para a campanha tendo à frente alguém com passado recente tão tortuoso pouca ou nulas chances terá. Capitaneado por quem até bem pouco tempo oscilava e leiloava seu "passe", como se estivesse em um brechó político-eleitoral, para não fazer menção a outras práticas de "venda e compra" suspeitas, que não é o caso.

É preciso dizer que só um partido com o grau de debilidade e morbidade política como o PT de Campos aceitaria em seus quadros uma personagem como o médico.

O PT de Campos tem uma cabeça de chapa, em um corpo político vazio, oco.

Você dirá: "É o que temos". Eu sei, eu sei, mas a pergunta é: Temos, por quanto tempo?

De todo modo, boa sorte Felix, pois vocês vão precisar de uma boa dose de sorte, e quem sabe um milagre, para o caso daqueles que acreditam, que fique claro.





A hipocrisia: O inimigo íntimo nº 1

Nesses tempos de espetáculo pirotécnico na Rocinha, com a velha história contada e requentada do "inimigo nº 1", eu demorei a engolir e digerir minhas reflexões. Como uma comida velha, que "cresce" na boca a cada mastigada.
Alguém se lembra quem foi o antecessor desse novo nº 1, o nem?
professor, escadinha, elias maluco, matemático, meio-quilo, gordo, uê, tuchinha, polegar, roupinol, celsinho da vila vintém, polegar, beira-mar, etc, etc?

Que se diga: São fascínoras, sanguinários, e todos os outros adjetivos que lhes imputam, mas nem de longe, podem ser considerados os maiores tubarões dessa piscina.


Bem, se todos esses "números 1" estão presos ou mortos, por que o tráfico permanece cada vez mais forte, cada vez mais armas, cada vez mais drogas e dinheiro?

Essa não é uma pergunta de resposta fácil, eu sei, e várias sociedades ao redor do mundo, das mais ricas as mais pobres, enfrentam a questão.

O problema, imagino, é que não se trata de obter respostas, mas fazer as perguntas certas:

Afinal, é possível um sociedade sem drogas (legais ou ilegais)?

Se, ingenuamente, respondermos que sim é possível, então é o caso de continuarmos a combater e tornar ilegal a venda de drogas, eu concordo. Mais repressão, mais cadeias e polícia.

Mas aí eu pergunto de novo: Por que podem algumas drogas e outras não?
Dirão que se trata de um problema de saúde. Sim, eu sei, mas e os cânceres de pulmão, esôfago, laringe e outros, bronquites, efisemas, cânceres de fígado, cirrose, etc, todos relacionados (cientificamente) ao uso e abuso de o álcool e cigarro?
E o custo público dessas doenças, que sobrecarregam o sistema público de saúde, e retiram as vagas para tratamentos de pessoas que NUNCA usaram essas drogas?
Ah, os impostos compensam esse custo.
Eu pergunto de novo: Essa lógica tributária compensadora não serve para as demais?

Não, mas existe o risco social do uso, pelo comportamento violento e outros eventos relacionados.

Sei, mas eu pergunto de novo:

Comprovadamente, o que mais mata no país, tanto na violência doméstica, quanto no trânsito e por fim, nos conflitos de convivência(bares, eventos, ajuntamentos sociais) não é o álcool?

Então, é possível que cheguemos a conclusão que uma sociedade sem drogas não seja possível.
E cheguemos a outra conclusão mais assustadora:
Que todo uso de drogas (legais ou não) traga prejuízos ou impactos sócio-econômicos, pois quem decide usar álcool, seja no show de rock, axé, sertanejo, no carnaval, ou no aniversário inocente de um ano da filhinha amada, e quem sobe o morro para cheirar ou fumar, vão fazê-lo, e não se importam, ou se importam pouco com esses impactos.
Assim não adianta reprimir ou tentar convencer o usuário com slogans cretinos: Beba com moderação ou se beber não dirija. Quem bebe, o faz para perder a moderação, e não será capaz de julgar o que vai fazer.

Então, se não há erradicação, como tratar o tema: Confronto ou convivência controlada. Saúde pública ou polícia? Nem uma coisa só, nem outra: É preciso deslocar o foco para os resultados do uso, e responsabilizar DURAMENTE quem causa estragos sob efeitos de drogas, e por outro lado, aumentar a carga tributária desses produtos, bem como restringir ao máximo os locais de uso(como já fazemos nos estádios, depois de anos e anos de violência e selvageria).

Como toda encenação social, o tráfico e seu combate militarizado serve a vários propósitos e desses propósitos retiramos nossas valorações morais.
Toda sociedade necessita arbitrar (lei)o que é legal ou ilegal, ou melhor, legítimo ou ilegítimo.
E se uma sociedade escolhe essa droga para ilegalizar e outras para legalizar, ótimo. Esse é um pilar do estado democrático de direito.

No entanto, será que o preço que estamos pagando não é alto demais, ou por outro lado: Será que não estamos gastando dinheiro à toa?

Helicópteros, armas, carros, forças armadas, panfletos, mídia, um amplo consenso nacional (e eu concordo), de que o Estado não pode permitir homens armados delimitando territórios, etc.
Mas você acredita que tanta mobilização corresponde aos efeitos desejados, ou seja, é no morro que se resolve ou se controla o tráfico de drogas?

Pensando nisso, e ao ver a ODE a honestidade(outro valor moral encenado na "ocupação", onde precisamos valorar quem é mocinho(policial pobre, mas honesto) e quem é bandido(policial corrupto), eu li esse texto no Blog do Pedlowski, e me pergunto:

É grave que metade do faturamento do tráfico na Rocinha esteja vinculado ao "arrego", e muito mais grave: Policiais militares e CIVIS na escolta de bandidos. Isso é muito grave.

Mas e juízes superiores "bancados" por seguradoras e bancos, que têm nos tribunais superiores ações bilionárias, que também dizem respeito ao seu futuro e direitos como cidadão? O que dizer dessa promiscuidade? Não é "arrego"?

O que você responderia se um grupo de policiais fosse flagrado em uma festa patrocinada por distribuidoras de combustíveis, advogados, ou qualquer outra classe ou entidade que dependesse ou tivesse suas ações investigadas por esses agentes?

Leia o texto e reflita se não estamos fazendo as perguntas erradas, ou se não estamos escolhendo apenas as respostas que não incomodam nossa hipocrisia:


terça-feira, 15 de novembro de 2011


Seguradoras bancam evento para cúpula da Justiça em resort
Ministros do STF, STJ e TST participaram de seminário em hotel de luxo com diária de até R$ 8 mil, no Guarujá

Associação de juízes diz que o encontro ajudou a aperfeiçoar a 'administração do Judiciário no país'


FREDERICO VASCONCELOS
GIULIANA VALLONE
INARA CHAYAMITI
DE SÃO PAULO

A convite da Confederação Nacional de Seguros, instituição privada, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do TST (Tribunal Superior do Trabalho) participaram de seminário em hotel de luxo no Guarujá (SP), no início de outubro.

O evento, que aconteceu num hotel cinco estrelas, o Sofitel Jequitimar Guarujá, começou numa quinta-feira e prolongou-se até domingo.

No período, as diárias variavam de R$ 688 a R$ 8.668. Além dos ministros, desembargadores e juízes de tribunais estaduais participaram do seminário.

O congresso teve o apoio da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados), mas não foi divulgado nos sites dessas entidades.

Foram discutidos assuntos de interesse dos anfitriões, como o julgamento de processos sobre previdência complementar e a boa-fé nos contratos de seguros.

O presidente da AMB, Henrique Nelson Calandra, diz que o seminário promovido pelas seguradoras "colaborou para o aperfeiçoamento da administração da Justiça do país" e que contou com o "debate de temas polêmicos".

Mas o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, vê conflito de interesses na presença de juízes nesses eventos.

"No Executivo federal, ninguém pode receber presentes acima de R$ 100. Os magistrados também deveriam adotar esse critério", defende Abramo.

HISTÓRICO

Em 2009, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) pagou as despesas de magistrados do Trabalho acompanhados de suas mulheres em congresso em resort na Bahia.

Na ocasião, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foi questionado sobre a falta de normas para juízes aceitarem convites desse tipo.

O tema viria novamente à tona no início deste mês, quando 320 juízes do Trabalho disputaram provas esportivas em Porto de Galinhas (PE). O luxuoso encontro foi patrocinado por empresas públicas e privadas.

Foi anunciado, então, que a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, pretendia apresentar no CNJ uma proposta para regulamentar a participação de juízes nesse tipo de evento.

A Folha apurou que se trata de uma ideia ainda não colocada no papel.




O Palhaço.

Diversão garantida, respeitável público.

O filme dirigido por Selton Melo, O Palhaço, estrelado por ele e pelo magistral Paulo José é um belo filme.

Se tem condições de disputar esse ou aquele prêmio, isso é outra história, e nem me atrevo a debater isso. São insondáveis os mistérios dos critérios e parâmetros do "julgamento" do trabalho dos outros: Há questões de mercado(sempre ele), políticas, ranços culturais(e principalmente linguísticos), etc, etc.

Fiquemos então com as sensações pessoais. Aquilo que faz você deixar a sala de cinema satisfeito, com a nítida impressão que tudo aquilo que foi dito lhe diz respeito, e você saiu um pouco melhor do que entrou, nem que seja por alguns longos minutos, ainda que o ar condicionado seja precário e quase faça o espectador "colar" o na poltrona, ou o som da projeção emita estalos, como se a cópia exibida rodasse o som a partir de um disco 78 rpm.
Apesar de tudo isso, como em um circo pobre, o encanto permanece.  É desse encanto que falamos.

À primeira vista, o filme também trata desse encanto, uma vez que o tema, o circo, evoca essa lembrança de fantasia proporcionada por gente de carne e osso, que encena ali, na sua frente.
Algo bem próximo do teatro, mas sem o peso e o compromisso de contar nenhuma história. Circo é isso: Diversão em estado puro.
Tanto no circo como no teatro não há outra mediação entre público e artista. Não há meio, senão a palavra, o corpo, a expressão.
Outro truque narrativo, o nome do circo: Esperança, como se a dizer que a vida, como aquele circo, não é glamourizada, cheia de efeitos especiais, artistas esbeltos em roupas sensuais, e sucesso permanente, como o circo Du Soleil, por exemplo, mas retira graça e desejo de um futuro melhor daquele universo, digamos, vulgar, entre carros velhos e imagem de são nepomuceno.

Mas o filme, embora use o circo como argumento, e extrai, na minha opinião de espectador, boas possibilidades dessas alegorias narrativas, é sobre uma questão muitíssimo mais simples, e ao mesmo tempo complexa:
O que somos (palhaços), quem somos (a busca da identidade e dos outras "documentações" de si mesmo) e o que queremos (o objeto de desejo: ventilador).

O drama dos palhaços tristes, à moda de Chaplin, as personagens da trupe que se entrelaçam e se misturam as suas vidas e demandas pessoais e reais, sucesso, fracasso, a decadência, a generosidade, a mesquinharia, mesmo que na forma de caricaturas, traição, dinheiro, enfim, toda gama de sentimento, tragédias e comédias humanas.
Tudo isso se reúne sob um roteiro simples, belas tomadas do interior paulista, uma escolha feliz dos filtros de câmera, que proporciona uma textura de fotografia que dá cores interessantes a narrativa.

No entanto, este acerto técnico e todas as qualidades se resumem a uma frase, na boca do ótimo Jackson Antunes: "Gato bebe leite, rato come queijo, e cada um é o que é."


Um belíssimo filme.
Beleza sob forma da estética da simplicidade, que aqui, não pode ser confundida com a precariedade e pobreza.

Outro ponto alto é a homenagem que rende a todos os atores que usam a comédia como ferramenta, e provam que fazer rir é coisa séria. Ali estão, atemporais: Ferrugem, Jorge Loredo (Zé Bonitinho), Tonico Pereira, Emilio Orciollo Neto, Fabiana Carla e Moacir Franco.

A presença deles não é uma concessão, ou "migalha" de atenção, mas uma prova de que, a despeito, ou apesar da indústria do entretenimento e sua cultura da obsolescência, o talento não morre, e tem espaço em qualquer história bem contada, ou seja: Precisamos aprender a contar boas histórias para aproveitarmos cada ator de talento que temos, e não são poucos.

Um belíssimo filme. Bravíssimo.










segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pitty - 8 ou 80 (Chiaroscope Oficial)


8 Ou 80Pitty
Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Eu só quero o começo
Me entedia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Todo mundo tem desejo
Que não divide nem com o travesseiro
Um remédio pra amargura
Ou as drogas que vêm com bula

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Não conheço o que existe entre o 8 e o 80
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais

Ahhh (17x)
Ah..

sábado, 12 de novembro de 2011

A medicina algemada e em coma.

A criminalização de temas como o financiamento da saúde, ou nesse caso, do subfinanciamento do SUS, a sobrecarga de atendimentos da rede ambulatorial, a proletarização da medicina, etc, nunca é um bom caminho.

Isso não quer dizer que os que pratiquem crimes mereçam nossa tolerância, apenas porque são médicos, juízes, promotores, ou quaisquer outros profissionais tidos em alta conta em nossa sociedade.

Errou, apure-se e condene-se.

Mas há algo que me incomoda na ação do Ministério Público Estadual, quando foca sua atenção nas tentativas de usuários e profissionais, e claro, das entidades hospitalares de encontrarem caminhos para solucionarem um problema que nenhuma das autoridades políticas, judiciais, policiais, ou ministeriais deram conta com todas as leis e punições. Como financiar a saúde pública? Obama procura esta resposta até hoje, e nós também, apesar de termos um dos melhores sistemas de atendimento universal, o SUS.

Paulistas privatizaram sua saúde em cooperativas, não deu certo. Agora estão às voltas com a privatização de 25% dos leitos para empresas privadas de saúde coletiva(planos, seguradoras, etc)como forma de aumentar a capacidade de financiamento, mas que enfrenta vários questionamentos jurídicos e políticos.

Fluminenses e cariocas patinam em terceirizações, contratações precárias de médicos e profissionais.

O Norte e Nordeste, junto com o Centro-Oeste beiram o caos. Conheço bem menos a realidade do Sul.

É fato que dentro ou fora da lei, constitucionalmente ou não, todos tentam resolver um problema que é mais de dinheiro, mas que também é de gestão.

Não defendo aqui o jeitinho, ou o atalho, que na verdade são eufemismos para a corrupção. Então, se é para encararmos o problema como caso de polícia, vamos a toda a cadeia de atendimento, e não só o médico, lá na ponta.

Eu pergunto, afundado em minha ignorância jurídica: Se estará preso o médico por corrupção passiva, por que não responderá o usuário pela modalidade ativa que corrompe o médico para furar a fila dos procedimentos?

Por que não respondem os diretores clínicos e provedores hospitalares pela condescendência criminosa, pois sabem de todos esses "atalhos" das consultas "sociais", e silenciam, quando não as incentivam ?

E por derradeiro, e os materiais hospitalares desviados, com a chancela dos diretores e provedores das entidades hospitalares para os procedimentos "sociais", mas que foram pagos pelo SUS, não deveriam ensejar a apuração por peculato?

Pois bem, se o parquet desejar, há crimes de todo o jeito e qualidade, e que, infelizmente, vão fazer parar o atendimento público e gratuito.

Então, concluímos que o caso não é só de polícia, ou pelo menos, não no nível do "chão do hospital".

Estranho notar que a tutela coletiva não se manifeste frente aos tamanhos descalabros que assistimos na saúde local, de uma cidade de 2 bilhões de reais de Orçamento.

Biópsias superfaturadas, softwares milionários, desvio de finalidade, concurso do PSF sem solução, falta de exames especializados e de transporte para usuários(lembram do caso recente de um exame que tenho que ser imposto pela Justiça, e mesmo assim, faltava o veículo para fazer cumprir a ordem na capital?), etc, etc.

Dirão os juristas que a gama desses interesses violados que citamos acima não está na categoria da tutela coletiva.
Ah, tudo bem, mas não seria a persecução criminal imposta ao médico em questão uma tarefa da PIP?

Então, com todo respeito e reverência, já que o MP tomou gosto pela coisa, que tal instar os gestores públicos do governo a cumprirem a Lei, e proporcionarem um atendimento correspondente ao rio de dinheiro que dispõem, sob pena de amargarem o mesmo destino: a cadeia?