domingo, 30 de outubro de 2011

Pertinho de desistir.

Eu creio que nos momentos que estamos mais desanimados, talvez busquemos um "gás" final, um restinho de forças para continuar a lutar pelo aquilo que a gente acredita.

O problema não é, portanto, a falta de forças. Uma hora a gente para um pouco, respira e continua. Ou se afasta, desintoxica do ambiente, e depois retorna com ânimo renovado. Esse é o jogo.

Há momentos, por outro lado que se deixa de acreditar. E aí não adiantam apelos, ou buscar forças. Você até as tem de sobra, falta é motivação(ou crença)para colocar força potencial (esperança)em movimento(mudança).

Todos sabem que trabalho na Delegacia de Guarus.

Por dever de ofício, cabe a mim também, dentre investigar, ouvir declarações, registrar fatos, apreender, guardar e enviar provas e indícios aos exames, etc, intimar as pessoas que devem comparecer a Delegacia.

São vítimas, autores, testemunhas dos procedimentos.

Não é novidade para ninguém que polícia estadual se ocupa, principalmente, da parte pobre da sociedade.

Em Guarus, é possível adicionar alguns degraus abaixo na linha da pobreza nessa clientela.

Nós falamos muito sobre as desigualdades dessa cidade, dos índices subumanos do nosso índice de desenvolvimento humano(?), da carência, da falta de planejamento urbano, do transporte público deficiente, do esgoto à céu aberto, enfim, de todos os aspectos da pobreza.

Eu lhe digo hoje, ao meio-dia do dia 30 de outubro.

Só a visão desse caos urbano pode trazer um desânimo avassalador e a morte de qualquer esperança.

Nossa cidade, justamente na  parte mais populosa (e que tem mais eleitores) não atende em nada as necessidades desses contribuintes.

Não exijo que toda a pobreza seja erradicada com royalties, ou que prefeitos e vereadores possam alterar as estruturas desiguais do capitalismo. Nada disso.

Mas o estado, nesse caso representado pelo município, existe para regular, diminuir e redistribuir os recursos públicos para colocar essas pessoas em condições mais favoráveis na escala social.

Nada disso existe em Guarus.

Ruas com valas-negras, lagoas e mananciais soterrados e invadidos por esgoto e construções irregulares, falta de espaço público de convivência e lazer, invasão e privatização do pouco espaço público que resta, ou seja, a completa ANOMIA, um vale-tudo, que não raro extrapola os limites e vai parar nas Delegacias ou se resolve nos tribunais de rua, com a lei do cão, do mais forte e do silêncio.

Vergonhosa. Essa é a definição mais delicada para o que acontece na periferia da parte norte dessa cidade.

Eu sei que todos dirão que tudo isso se repete no Novo Jockey, nos confins do Esplanada, ou na Penha e outras franjas da cidade.

Mas eu escrevo aqui do que tenho visto:

Essa cidade não é uma planície lamacenta, é uma cidade de merda, com governantes que cospem todos os dias na cara de seu povo.

Alguns bairros de Guarus não servem para criar porcos, quanto mais filhos.

Se andasse mais pela cidade que diz governar, o casal de prefeitos nunca mais se olharia no espelho da mesma forma, caso lhes reste algum sentimento pela raça humana.

9 comentários:

Joca Muylaert disse...

Irmão,

Um fragmento deste excelente texto/desabafo, que retrata fielmente a nossa cidade, será um novo selo para muita gente, com certeza.
Tomei a liberdade de publica-la em nosso folhetim eletrônico.

Gustavo disse...

O problema se agrava quando não é apenas o governo quem não anda por Guarus, mas também a suposta oposição, e todos aqueles que estão contra dos Garotinho.

Anônimo disse...

Amigo,não é só você que está com este sentimento de impotência.Eu, e a maioria das pessoas decente desta cidade, encontram-se nesta situação. E, para aliviar as minhas angústias,descarrego as minhas decepções no Judiciário.Com à cabeça mais equilibrada, reconheço que o Judiciário toma suas decisões em leis que são elaboradas na sua maioria por bandidos.O que diferencia bandidos de favelas com os dos congresso e da Câmara, é o terno.

douglas da mata disse...

Gustavo,


É certo que há enorme prejuízo político quando a oposição também se faz ausente.

Mas a medida desse texto é um pouco distinta.

A oposição não tem atribuição, nem poder, nem responsabilidade administrativa, portanto, se as pessoas chafurdam na merda, aqui na periferia, cabe ao governo eleito para retirá-las de lá a culpa, que não pode ser relativizada.

Um abraço.

Gustavo disse...

Douglas, isso está claro, cabe a eles fazer esse trabalho.

Acontece que enquanto lia seu post comecei a divagar, e me perguntei porquê, se Guarús está uma merda, os Garotinho vão ser reeleitos (tenho certeza disso). E a resposta que encontrei foi essa do meu comentário anterior.

Anônimo disse...

Sou eleitor do Marcelo Freixo, não por causa do filme Tropa de Elite, já votei antes de ser o inspirador do personagem. Me causa estranheza, e mais decepção, a apatia da sociedade e principalmente do governo federal, já que o estadual é um lixo e símbolo da omissão que sabemos. Tenho 41 anos e a última vez que ouvi a palavra exílio foi na minha infância para adolescência. Vejo mobilização para quase tudo enste país, e um caso desse, em que um deputado literalmente "pede pra sair", não causar um mínimo de indignação da sociedade, da imprensa(essa já era esperada) e principalmente da presidenta(que sabe o que é ser exilada), me faz cada dia ficar mais deseludido com esse país. Nunca fui tão ultrajado como eleitor, em quem votei ter que se retirar do país por ameaça.É por essas e outras, que quem tenta ser honesto e politizado neste país cansa da briga, e a corja se regojiza. Tá foda de levar.

Anônimo disse...

o problema maior são os que vivem na merda continuarem a votar nas mesmas pessoas

abs

antonio

Anônimo disse...

Reportagem sobre o Freixo, em canal fechado, só pode ser brincadeira.
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/10/minha-saida-e-estrategica-diz-freixo-sobre-temporada-fora-do-pais.html

Anônimo disse...

Conheci seu blog ha pouco e cada vez admiro mais o seu trablho.Parabens!!