domingo, 30 de outubro de 2011

O silêncio perigoso e os ruídos da Democracia.

Vou encerrar minha participação no caso do blog de SFI, mas nunca o debate sobre valores democráticos, liberdade de expressão e comunicação social.

A dúvida persiste em alguns  setores da blogosfera: Foi justa a ação judicial, o blogueiro está sendo honesto em sua defesa, os fatos são como foram narrados? Não sei, nunca soube, e disso fiz ressalvas desde o início.

Mas sei de algumas coisas. Embora a luta política esteja entranhada em toda a discussão que travamos, e a forma como enxergamos e praticamos determinados valores, sempre está associado a filtros ideológicos ou partidários, nesse caso é preciso separar as coisas: A luta pela liberdade de expressão e a Democracia da setorização política que há na blogosfera, e porque não dizer, em todas as instâncias e pessoas que se manifestaram.

É claro que o blogueiro pode ter mentido, ou exagerado, como forma de usar a coação que sofre(legítima ou não, restará a ser provado nos tribunais), como ferramenta para causar um factóide e ganhar pontos na luta política que se desenrola em seu município.

Todos têm direito a mentir para se defender, e inclusive, abusar da própria torpeza em benefício próprio.

E nós teremos o direito correspondente de repelir tais condutas.

Mas de tudo o que foi dito, eu repito: pouco me preocupa se o blogueiro em questão é um cretino ou uma vítima, ou um pouco das duas coisas.

O que está em risco é uma coisa muito maior que ele, e que nós todos: A possibilidade de conferir a uma decisão judicial a violação de um domicílio e sequestrar a propriedade para instruir um processo motivado por um suposto crime de opinião.

Seria como mandar cassar a concessão de uma rádio ou de uma TV, ou mandar parar e apreender as rotativas de um jornal, junto com todo papel estocado, apenas por que um leitor, ouvinte ou espectador disse alguma calúnia, injúria ou difamação.

Ora, senhores, se isso é uma medida proporcional em relação a reparação ofendida, eu não sei mais o que é Justiça.

Esse precedente não pode ser aceito, sob pena de que recaia sobre nós o peso dessa injustiça.

Enfim, se de tudo restar provado que o blogueiro provocou ou mentiu, pior para ele. A História não costuma ser generosa com a escória.

Mas eu continuo a defender os mesmos valores, ainda que alguns beneficiários não mereçam usufruir deles.

No entanto, nossa indignação com a sua suposta impostura não pode ultrapassar os limites do bom senso, senão cerraremos fileiras com os que usam a democracia como um pretexto para imporem sua verdade única e inquestionável, aí incluídos alguns integrantes da Justiça, sempre à serviço dos que podem mais.

Verdade única é com acredita em religião, e deve ser por isso que não se faz eleição para escolher deus.



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