sábado, 8 de outubro de 2011

Eis a paz.

Desde a implantação, esse blog sempre se colocou contra a ocupação de morros como política de segurança pública. Ocupação pressupõe subjugação e nunca cidadania.

Por que só os endereços pobres são ocupados? Não há crimes no asfalto? Não são os ricos que mais financiam, lucram e lavam o dinheiro do tráfico? Tem UPP na Vieira Souto, na Delfim Moreira?

É claro que o Estado não pode permitir que criminosos exponham seu poder de fogo, em territórios delimitados, mas, de novo, perguntamos: Como as armas chegam lá? Como as drogas chegam lá? Favelado tem aeroporto, porto? Pois é.

Enquanto temos as Forças Armadas, ao arrepio da CRFB, ocupando de forma ilegal as ruas do RJ, a classe média e as elites dormem em paz.

No mais, se a Justiça não alcança a todos, não é Justiça.

Agora, no blog do Pedlowski eu pesquei essa pérola:


CENAS CARIOCAS: SOLDADOS DO EXÉRCITO DÃO GERAL EM CRIANÇAS DO COMPLEXO DO ALEMÃO

Agora que a farsa da pacificação das Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) já virou pó, temos notícias cada vez mais frequentes da violência das forças policiais e militares contra a população do Complexo do Alemão. Mas ainda tem gente que diz que é lenda ou pior que é isto mesmo.  

Mas como imagens valem mais do que palavras, a cena abaixo mostra soldados do Exército revistando crianças nas proximidades do Complexo do Alemão. Mas pensando bem, se o Exército brasileiro faz isto em pleno Rio de Janeiro, o que será o que anda acontecendo no Haiti? Afinal, é lá no país mais pobre do hemisfério ocidental que o Brasil anda treinando suas tropas na repressão a populações faveladas. Pelo jeito, o treino está surtindo efeito.

E antes que eu me esqueça: Feliz Dia das Crianças, crianças do Complexo do Alemão!


3 comentários:

Anônimo disse...

É apavorante como o tráfico domina os lugares. Moro em Travessão, dito interior, mas que hoje acontecerá uma festa em que traficantes da favela tira gosto irão fazer na favela do santuário marcando o seus domínios. A q ponto nós chegamos!

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Tão apavorante quanto o poder dos pequenos traficantes sobre comunidades pobres é a resposta do Estado, que só leva mais violência e segregação para essas comunidades, em nome da pacificação.

O tráfico na favela é a pequena ponta do iceberg.

Combater o tráfico apenas com ocupação policial nas ruas de favelas é como tentar esvaziar o oceano com uma colher, e quando a colher falha, usa-se o balde.

Fica a pergunta: Na festa terá venda de álcool?

Claro que sim.

Mas porque a primazia de umas drogas sobre outras, quer dizer, porque pode vender bebida (que gera tanta confusão, violência doméstica e acidentes de trânsito), enquanto outras são tornadas ilegais?

Então, o problema não é o tráfico, simplesmente, mas a hipocrisia e falta de percepção que essa é uma guerra perdida.

Um abraço.

Anônimo disse...

viva Cabral !!!