sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Justiça.

Não há o que se falar de quem comprou a revista. Quem está no poder tem o direito(e o dinheiro)para cooptar quem quiser, esse é o jogo.

Mas o mesmo não podemos falar dos que "foram a$$im" tão ácidos e críticos, e davam (a falsa) impressão de que morreriam antes de vender a alma.

Do jeito que se referiam em suas páginas ao governo, pareciam preferir comer uma paella de bucho de bode com miolo de bagre "a serem servidos" no cardápio do "chefe", recheados de verbas públicas.

Bom, pelo que soubemos, dada a lei da oferta e da procura, até que o restinho de alma que sobrou saiu bem baratinho.

De quebra, mais um item no cardápio: crepe com calda de pudim.

2 comentários:

Anônimo disse...

A mover el culo!

O medo de que a dinastia Garotinho se perpetue no poder por muito mais de uma ou duas gestões levou grande parte dos opositores do deputado –não necessariamente a ‘oposição’- a colocar suas esperanças na Justiça. Mas, depois dos acontecimentos da última semana, já deveríamos ter percebido que são tantas e tão inescrutáveis as decisões, os despachos, as liminares, os recursos e as instâncias, que as possibilidades que Rosinha seja afastada são tantas quanto as de que continue no poder.

Na verdade, o que se teme é que as medidas populistas implementadas façam com que grande parte da população se torne refém dos Garotinho. Seja porque foram beneficiados com um cheque cidadão, com uma passagem a 1R$, ou porque foi contratado pela prefeitura através de uma empresa terceirizada. Em certa medida, sem reconhecê-lo e talvez sem querer pensar assim, se teme ao ‘povão’, essa massa de pobres e ignorantes que não tem ideia do dano que o grupo está causando no município.

Claro que o ‘povão’ não está agindo errado. Eles têm parte de seus interesses atendidos como, talvez, nunca tenha acontecido antes, e pretender que renunciem aos benefícios em favor de um futuro pós-royalties economicamente sustentável, ou por um governo sem corrupção não soa muito atraente.

Nessa situação nos encontramos, amigos. Justiça não consegue tirá-los, embora façam por merecer, e nos estamos auto convencendo que, pelo voto, também vai ser difícil.

Mas, será que não dá, mesmo? Será que não dá para construir uma alternativa política, sem recorrer a esses hoje se dizem opositores e são tão ruins quanto?

Não seria hora de tirar a bunda da frente do computador e começar a se mexer no ‘mundo real’?

Vou deixar aqui uma entrevista que foi realizada pelo jornalista argentino Jorge Lanata com o ex prefeito da cidade Colombiana de Medellín, Sergio Fajardo. Uma amostra de como é possível mudar uma realidade muito adversa com nada mais do que vontade:

Continua na próxima postagem..

Anônimo disse...

Continuando postagem anterior..

Nos últimos vinte anos a violência ceifou em Medellín umas setenta mil vidas. Em 1981 eram 381 homicidios por cada 100 mil habitantes – seis mil foram mortos em 1991- mas em 2007 o numero baixou a 26 por 100 mil. Como é que se foram encostando as portas do inferno até se fecharem?

Sergio Fajardo usa jeans e suéter, tem o cabelo alvorotado e não parece um político, talvez porque não o seja. Todavia, foi prefeito de Medellín (personagem de America Latina 2007 premiado pelo Financial Times) e candidato a governador de Antioquia em outubro. Na sala da sua casa há uma bicicleta velha pendurada na parede, e na entrada uma camiseta celeste é exibida desde um cabide: é a sua ‘camisa da sorte’. Fajardo é doutor e Matemáticas das universidades de Wisconsin-Madison e Bogotá.

-Depois de muitos anos, um grupos de amigos aqui em Medellin dissemos, “vamos morrer dizendo como deveria ser isto”. Nos interessava a sociedade, a olhávamos, a estudávamos, mas não tínhamos a coragem de mudá-la. Chegou um momento que pensamos: “É a política, gostemos ou não. São os políticos os que tomam as decisões mais importantes de uma sociedade”. Isso foi 12 anos atrás.

-Eram quantos naquele momento?

-Uns cinqüenta. E então fomos pela prefeitura de Medellín. Começamos a fazer política andando pelas ruas de Medellín. Parávamos gente nos sinais, entregávamos folhetos. Me diziam: Os pobres votam com o estomago, o senhor tem que lhes pagar, tem que ter lideranças em cada bairro”. Nos não pagamos ninguém em troca de votos. Falávamos uma lingugem diferente: “Nos não temos preço, temos dignidade”. Andar era de graça. E foi isso que fizemos, caminhar. E ai veio a primeira eleição.

- E como lhes foi?

-Zero por cento- Fajardo solta uma risada. Exagera, sabendo que na segunda eleição foi o candidato mais votado na historia da cidade.

- E o que você disse?

-Temos que repartir mais folhetos.

Aquele ‘zero por cento’ foram, na verdade, sessenta mil votos. O partido vencedor lhes ofereceu uma pequena parte do poder. Recusaram.

Fajardo chegou à prefeitura com uma idéia: fazer de Medellín ‘a cidade mais educada’: dedicou 40 % do orçamento municipal à educação.

- Partimos de uma premissa: O mais belo para os mais humildes. Era uma resposta à política de compra de votos, daqueles que acham que se vota com o estomago. São os que sustentam a teoria das migalhas: deem qualquer coisa a eles que já é lucro.

Nos espaços mais marginais da cidade construíram parques-bibliotecas. Não se trata de bibliotecas no sentido tradicional, embora também existam; nesses espaços construiram auditórios, centros de empreendimento, salas de computação, salas de jogos, salão para o bairro e para a memória, espaços da terceira –idade e um banco de oportunidades que empresta dinheiro a partir de 200 doláres; já entregaram 35 mil créditos com uma taxa de inadimplência de 3,5%, percentual que causaria inveja a qualquer banco ‘normal’. O projeto ‘Capital Semente’ entregou créditos de cinco mil dólares para pequenos empreendimentos, exigindo cursos obrigatórios de plano de negócios, contabilidade e formação de empresas.

- A qualidade da educação começa pela dignidade do espaço- garante Fajardo- Não houve um só ato de violência nos espaços que construímos. O que fizemos foi fechar a porta do trafico, enquanto, ao mesmo tempo, abríamos outras.

http://caidoemcampos.blogspot.com/2011/10/mover-el-culo.html