terça-feira, 18 de outubro de 2011

A dança da chuva.

Triste espetáculo que a cidade do Rio de Janeiro assistiu ontem, no coração de sua urbe.

É bem provável que os cariocas, do alto de seu etnocentrismo que os faz imaginar que só os arredores cariocas mereçam alguma atenção, tenham torcido o nariz para aquele monte de gente amontoada em torno de um palanque bizarro.

O estranhamento era correto, mas pelos motivos errados, portanto.

Não é demais lembrar que aquela mesma tribo, que se espremia sob guardas-chuva, em 1998 desembarcou no centro do poder estatal do Rio, não sem as considerações desdenhosas dos "gente-boa-zona-sul".

Os garotinho não são um excrescência pelo seu exotismo, e por compartilharem nossa origem chuvisco. Não é nada disso!

Os garotinho são uma excrescência pelo cosmopolitismo dos seus vícios na ação política, a mistura do público com o privado, o privilégio para castas, em detrimento da maioria, a manipulação e cooptação da mídia, enfim, o uso dos recursos que deveriam servir para administrar mais que campanhas eleitorais que se repetem.

Nesse sentido, somos todos fluminenses e padecemos os mesmos problemas. Quem elege um césar maluco maia não pode falar muito de quem elege rosinha. Se temos o CEPOP, eles tem a "cidade da música". Ou seja, só podemos rir juntos da desgraça, nunca um do outro.

Mas o que chama mais atenção no fracasso da manifestação do PR na cidade maravilhosa ontem?
O fracasso não é o público pequeno, mas a natureza da manifestação, segregadora, excludente, destinada a inflar projetos pessoais, justamente na hora que dizem que precisamos de uma visão mais ampla do processo.

Das duas uma: Ou o caso não é tão grave quanto dizem, ou o caso é grave, e a obtusidade cegou ao casal da lapa. Na verdade, as duas alternativas não são excludentes.

O casal garotinho chegou a vôos altos na política nacional, justamente pela capacidade de mobilizar os consensos em torno da "novidade" que eram.

A repetição da fórmula, quando o espanto da novidade se esvaiu, só tem servido ao isolamento.

Ninguém duvida do poder que ainda mantêm, mas a pergunta, depois de ontem, é simples: Para quê serve?

O casal garotinho hoje, em uma metáfora ruim, é como um grande iate, com motor enorme, encalhado em um banco de lama qualquer, à espera da maré que parece que nunca virá, pois o curso das águas já foi mudado há tempos, e eles não se deram conta.

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